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terça-feira, 5 de setembro de 2017

TUDELLA: EP "Lourenço Marques Gosto De Ti"

Edição original em EP Alvorada MEP 60303
(PORTUGAL, 1960)

NOTA: Quatro composições que Tudella gravou com o Conjunto moçambicano Zeca da Silva, todas elas com música assinada pelo grande Artur Fonseca, o criador de "Uma Casa Portuguesa", e todas elas resultantes do amor dedicado a uma cidade que ainda existe nas memórias de quantos a viveram. Quanto às letras, Vasco Matos Sequeira e Reinaldo Ferreira asinam dois temas ("Lourenço Marques Gosto De Ti" e "Piri-Piri"), tendo os restantes as assinaturas de Eduardo Paixão ("Bayete") e Guilherme José de Melo ("Mulata")

TUDELLA: EP "Sings The Portuguese Hits"


Edição original em EP Gallotone XEP 7028
(SOUTH AFRICA, 1959)



“Kanimambo” significa "Obrigado", em changane (um dos muitos dialectos falados em Moçambique) e foi o tema que no início da década de 60 lançou a carreira artística de João Maria TudellaNão era esse o seu nome de baptismo. Nasceu a 27 de Agosto de 1929, em Lourenço Marques, e ficou registado como João Maria de Oliveira Pegado Bastos Carreira. Depois de ter feito a quarta classe da instrução primária foi viver com os pais para a África do Sul, onde permaneceu até tirar a 7ª classe, no Ermelo Convent. Regressou a Lourenço Marques onde frequentou o Liceu Salazar, até que, em Julho de 1944, veio para Coimbra, onde se matriculou num Colégio. Foi jogador de basquetebol da AAC e membro da Tuna Académica da Universidade de Coimbra. Em 1950, os pais, pouco animados com os resultados escolares, fizeram-no regressar a Lourenço Marques onde, em Março desse ano se estreou no Rádio Clube de Moçambique, interpretando fados de Coimbra, sob o pseudónimo de "João do Choupal". Após o serviço militar empregou-se na Agência da Companhia de Seguros Império, onde se manteve 4 anos, transitando depois para a Shell, onde permaneceu 7 anos. A 14 de Abril de 1951, Amália Rodrigues escrevia: «João Maria - tenho ouvido cantar o fado de Coimbra, muitas vezes, e foi você o único que me deu emoção»A 13 de Maio de 1959 alcançou o seu primeiro êxito como cançonetista, interpretando, no Rádio Clube de Moçambique, a canção "Kanimambo", com música de Artur Fonseca e letra de Reinaldo Ferreira e Matos Sequeira. Com “Kanimambo” fará grande carreira em Portugal continental, nos Estados Unidos e na América do Sul. Defendendo sempre o seu estatuto de amador, é convidado para uma digressão ao Brasil. No regresso passa por Portugal, onde a pressão para que "o maior cartaz turístico de Moçambique" aqui se instale é tal que, poucos meses depois, retorna para ficar, definitivamente como profissional. O seu estilo elegante conquistou-lhe uma legião de adeptos, e uma carreira coroada por inúmeros prémios, entre os quais o Prémio da Crítica O Melhor da TV, em 1962. Em 1968, após ter sido proibido de voltar à RTP na sequência da interpretação de “Cama 4, Sala 5” de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, Tudella resolve terminar a sua carreira. Os seus últimos anos de intervenção artística são marcados por uma crescente exigência quanto aos temas, (letras e composições), e por uma aproximação aos autores mais críticos do regime.

Kanimambo-ooooooo
Kanimambo-ooooooo

Kanimambo
só contigo
eu consigo
entender o amor

Kanimambo
preso aos laços
dos teus braços
a vida é melhor

É por isso
quando tu sorris
que o feitiço
me faz tão feliz

E me obriga
a que eu diga
Kanimambo
como o negro diz

Obrigado
Muchas gracias
Merci bien
Tudo é kanimambo
Danke schöen
Grazie tanta
Many thanks
Tudo é kanimambo

Kanimambo
se mais linda
fosse ainda
a expressão landim

Kanimambo
não diria
como eu queria
o que és para mim

Não sei bem
a razão porquê
sei que vem
de ti não sei quê

E que ao ver-te
sou credor
de dizer-te
Kanimambo amor

NOTA: A versão de "Kanimambo" incluída neste EP é a versão mais curta do master original usada também no single (sem a introdução da guitarra e sem as últimas quatro estrofes). É por isso mesmo uma versão muito mais difícil de encontrar do que a longa, com cerca de 5 minutos, e que é a que normalmente se encontra em compilações avulso (está incluída na coleção "Kanimambo"). Mais tarde foram feitas outras gravações do mesmo tema, com arranjos diferentes.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

TUDELLA CANTA ARTUR FONSECA

Edição Original em LP GALLOTONE, GALP 1107
(South Africa, 1959)





Este album é dedicado a todos os conterrâneos do Rato, essa gente boa nascida nas costas do Índico e que um dia sentiu o fascínio de uma terra única no mundo. Como João Maria Tudella, que nasceu em Lourenço Marques, a 27 de Agosto de 1929. Depois de uma adolescência passada em Coimbra, onde, para além dos estudos, se inicia no mundo da música, em 1950, numa das suas idas de férias a Moçambique, decide não regressar a Portugal. Em Março desse ano, ainda com 20 anos, estreia-se no Rádio Clube de Moçambique a cantar o fado de Coimbra. Aos elogios da imprensa vê juntar-se no ano seguinte o de Amália Rodrigues, que nessa altura realizava uma digressão pela então colónia portuguesa. São de Amália estas palavras: «tenho ouvido muitas vezes cantar o fado de Coimbra mas foi você o único que me deu emoção». Em 1952 Tudella começa também a cantar na Rodésia e na África do Sul. Durante uma das suas actuações no clube The Colony, em Johannesburg, recebe um convite para gravar para a editora sul-africana Gallotone, iniciando assim a sua carreira discográfica. 1959 é um ano chave para Tudella: a canção “Kanimambo”, escrita expressamente para ele por Artur Fonseca, torna-se o maior êxito de sempre em Moçambique e, depois, em Portugal continental, o que permite a João Maria Tudella afirmar-se como uma figura de primeiro plano da canção nacional, não tardando a sua popularidade a estender-se a vários países europeus e também ao Brasil. Ainda antes da década de 50 chegar ao fim é editado este album, o sexto “Long Playing” gravado em Johannesburg e inteiramente prenchido com música de Artur Fonseca. Hoje é considerado um autêntico testemunho daquela época, um clássico absoluto, que estranhamente nunca foi remasterizado para cd, como aliás tantas outras preciosidades do passado. É pois com um certo orgulho que o vosso amigo Rato vos disponibiliza este disco, depois de uma limpeza digital que devolve a estas canções toda a sua pureza original.

DAN HILL (1965)

This album is dedicated to all Rato’s countrymen (and countrywomen), those good people born in the coasts of the Indic Ocean that one day has felt the fascination of that land, unique in the whole world. Like João Maria Tudella, who was born in Lourenço Marques, the 27 of August, 1929. After his adolescence in Coimbra, where, besides the studies, he made the first steps into the world of music, in 1950, when once more he went back to Mozambique for the holidays, he decides not to return to Portugal anymore. In March of that same year, with only 20 years, he stars in the Radio Club of Mozambique singing Coimbra’s fado (a very popular portuguese kind of music). After the good reviews in the press he receives a special attention from Amália Rodrigues, the diva of fado, who is on tour at Mozambique the following year. These are Amália’s words: «I have heard many times people sing Coimbra’s fado but you are the first one to give me emotion.» In 1952 Tudella also starts singing in Rodhesia and South Africa. During one of his perfomances at the club The Colony, in Johannesburg, he receives an invitation to record for the South African Gallotone label, starting that way his discography career. 1959 is a key-year for Tudella: the song "Kanimambo", written for him by composer Arthur Fonseca, becomes the biggest success of all time in Mozambique and, later, in Portugal, becoming João Maria Tudella a first figure of the national song; his popularity soon extend to some European countries and also to Brazil. Still before the 50’s decade arrives at its end, the present album is edited, being the sixth "Long Playing" recorded in Johannesburg and entirely composed with Arthur Fonseca’s music. Today it turned into a real classic from those times, that strangely was never remastered into cd, like so many other rarities of the past. So, It is with a certain pride that your friend Rato shares this record, after some digital cleanness, which gives these songs all the pure original sound.


Engineer GEOFF TUCKER at GALLO Studio 1

terça-feira, 21 de junho de 2016

A DANCE DATE WITH DAN HILL


Original Released on LP CBS KLD 4501
(SOUTH AFRICA, 1961)


Este album, que hoje tenho a honra de voltar a partilhar com todos os amigos deste blog tem uma pequena história que vale a pena ser contada aqui.

Sir Louis Percival Tita, intrépito cavaleiro andante sempre em busca de Holy Grails, descobriu um certo dia este objecto, perdido entre muitos outros, no chão poeirento de uma feira de artesãos. «Estranho, muito estranho mesmo», pensou ele com os seus botões ao pegar com todo o cuidado no invólucro de cartão que envolvia por completo o objecto. Mas algo lhe chamou de imediato a atenção: os nomes Dan Hill e João Tudella e o facto daquela rodela negra se deslocar a uma velocidade muito mais lenta do que a que ele estava habituado. Mas como o preço era uma autêntica bagatela, Sir Tita nem hesitou, largou logo ali algumas parcas moedas da sua bolsa, resgatando assim o estranho objecto da solitária condição em que se encontrava. Chegado ao seu castelo de Come-a-Lot, o nosso cavaleiro tratou logo de proteger a sua recente aquisição, destinada a figurar apenas nas vitrines espalhadas pelos longos corredores onde tinha por hábito guardar os seus tesouros.


Mas Sir Louis Tita tinha um diário onde costumava dar conta das suas andanças pelos quatro cantos do Reino, para gáudio dos seus amigos mais íntimos que tinham a permissão de o ler (e até comentar) durante os serões passados à volta da Tábua Arredondada. Um desses amigos era o Duque Carlos de Cornwall, que habitualmente zelava pelos tesouros do palácio. Assim que vislumbrou o novo artefacto, o Duque só a muito custo conseguiu reter as lágrimas pois aquele estranho objecto era nem mais nem menos do que um dos seus grandes amores de juventude. Sentiu-se rejubilar, invadido por uma felicidade sem limites. Mas depressa se deu conta também do mesmo problema, a velocidade a que aquela rodela tinha de girar para que os mágicos sons nela escondidos se pudessem soltar. É que havia necessidade de um aparelho especial com certas características para a rodela negra poder caminhar ao ritmo a que estava acostumada, sem correr o risco de sofrer uma qualquer síncope fatal. E aparelhos desses encontravam-se há muito perdidos nas brumas do tempo. Lembrou-se então de Sir Mouse, Marquês de Ratolândia, o qual mantinha há muitos anos uma relação privilegiada com o Mago Louis Merlin, mais conhecido pelo “nobre” dessa citadela, pois tinha ainda sangue azul a correr-lhe nas veias. Sir Mouse, com a ligeireza habitual, logo tratou de contactar o seu vizinho. E passados alguns dias, mais uma vez a magia do Mago Merlin produziu o efeito desejado: a rodela negra ganhou vida, reaprendeu a andar a uma velocidade normal e a partir de agora não mais ficará a criar pó em qualquer prateleira, pois os seus sons, enfim libertos, passarão a cativar de novo os ouvidos mais exigentes.



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