Original released on CD Deutsche Grammofhon 289 474 150-2
(US 2002, October 22)
Talvez a voz mais emblemática da América Latina. Rebelde, forte e genuína, levou uma vida de excessos, sofrida, que quase perdeu, mas a vitória alcançada no final foi gloriosa! - «Salí de los infernos, pero lo hice cantando». Nascida em 1919, a 17 de Abril, em San Joaquín de Flores, Costa Rica, viu a sua infância manchada pela doença e pelo divórcio dos seus pais, sendo deixada ao cuidado dos tios. Saíu aos 14 anos do seu país, sózinha, incompreendida, e identificou-se com o México. Ali desempenhou várias funções, mas foi com a voz e a atitude que surpreendeu, chamando a atenção com o tema "Macorina". Destemida, as suas músicas seriam normalmente cantadas por homens e falavam de desejo pelas mulheres. Vestia roupa masculina, fumava e carregava sempre uma arma. Era conhecida pelo casaco vermelho que adorava envergar. Passeava com Agustín Lara, compositor e poeta mexicano, musa e amiga de Juan Rulfo, escritor mexicano. Vivia com os pintores Diego Rivera e Frida Kahlo e bebia grandes doses de tequila. As melodias iam surgindo… "Somos", "Luz de Luna", "Las simples cosas", "Toda una Vida" … a preciosa "Llorona".
Foram mais de 40 discos gravados e quase 1000 concertos. Uma vida cheia para esta mulher de carácter rebelde e contestador. Autêntica. A sua maneira de cantar tão sensível, mas ao mesmo tempo profunda e assertiva, transporta-nos para um mundo de dor, onde sentimos o seu “riacho de esquecimento alagado” de “lembranças afogadas” e muito amor. Um mundo totalmente diferente e especial, recriado na voz desta mulher inspiradora. O seu legado: «Soy Chavela Vargas, tengo 90 años y estoy viva; viva de tanto amor y de disfrutar todo lo que me ha sucedido»