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sábado, 17 de outubro de 2020

The DARIO ARGENTO Movies

«Os contos de fadas estão repletos de coisas assustadoras. Uma velha tia minha contava-me muitas histórias cujas marcas ficaram definitivamente em mim. Muito embora a minha infância tenha decorrido num clima normal e sereno, acredito firmemente que essas histórias iluminaram o lado negro da minha imaginação.» Dario Argento.


Filho de uma fotógrafa brasileira e de um produtor de filmes italiano, Dario Argento nasceu em Roma, Itália, no dia 7 de Setembro de 1940. Fanático dos filmes de Hitchcock, Antonioni, Bergman e Mario Bava, Argento roda a sua primeira longa-metragem (“O Pássaro das Plumas de Cristal”) em 1969, depois de ter colaborado com Bernardo Bertolucci no argumento de “Once Upon A Time In The West”, de Sergio Leone. Como não podia deixar de ser tratava-se de um filme de suspense, um thriller, mas filmado já de um modo algo estilizado, pouco comum para a época. Ennio Morricone assina a partitura musical, a primeira de várias colaborações ao longo dos anos. Apesar do filme incluir diversas cenas violentas ornamentadas de mórbidos detalhes, o filme é inesperadamente um êxito no box-office internacional. 

Argento, ainda um pouco surpreendido pelo grande sucesso obtido pelo seu primeiro filme, descobre deste modo o estilo que irá aprofundando ao longo dos anos: um misto de suspense e horror (este ocuparia cada vez mais o centro das atenções), com cenas de explícita violência mas filmadas de uma maneira algo subjectiva e onde a música se encontra sempre presente e assinada a maior das vezes pelos mesmos autores (Morricone, Simonetti, Pignatelli, Donaggio) o que também contribui para a “imagem de marca” da obra do realizador italiano. «Não tenho medo de olhar para o meu lado escuro, não desvio o olhar quando vejo a violência do mundo à minha volta.» Desde sempre interessado pela psicanálise freudiana, Argento gosta de explorar os limites do medo no écran. Mas não prega sustos gratuitamente, está sinceramente interessado em analisar a angústia contemporânea.

Considerado uma referência básica do cinema de horror italiano, Dario Argento influenciou obras de realizadores muito conhecidos, como Quentin Tarantino, Brian de Palma, Wes Craven ou John Carpenter, que dirigiu “Halloween” em sua homenagem. Até Stanley Kubrick, um dos maiores mestres do Cinema, confessou ter sido influenciado por ele, sobretudo na utilização de cores e em certos movimentos de câmara.

Ainda em actividade, Dario Argento é hoje considerado um dos mestres absolutos do terror. As sua temáticas estão geralmente relacionadas com traumas infantis; os “seus assassinos” foram marcados na infância e movimentam-se num mundo próximo dos contos infantis dos irmãos Grimm ou do universo tortuoso de Edgar Allan Poe. Tecnicamente, os seus filmes apresentam sempre o seu estilo muito particular: longos travellings, o uso da câmara subjectiva, a inclusão frequente de close-ups (grande parte das vezes dos olhos dos assassinos), as cores e os ambientes barrocos a causarem impressionantes efeitos visuais. E a música, a unir todos estes elementos visuais.

Presença habitual no Fantasporto, ainda recentemente, em Março, Dario Argento apresentou ali o seu último filme “La Terza Madre / Mother of Tears”, onde mais uma vez dirige a sua própria filha, Asia. O filme é o capítulo final da trilogia iniciada em 1976 com “Suspiria” e que prosseguiu três anos depois com “Inferno”, duas das obras maiores da sua carreira. O argumento centra-se numa jovem estudante americana que inadvertidamente abre uma urna e desencadeia uma série de incidentes aterrorizadores. O gore no seu melhor.

Este CD reúne 15 temas originais de alguns dos filmes mais celebrizados do realizador italiano, como “Il Gatto A Nove Code”, “Profondo Rosso” (uma das bandas sonoras mais inovadoras dos anos 70, com música progressiva assinada pelo grupo pop italiano Goblin), “Suspiria”, “Inferno”, “Tenebrae” ou “Phenomena”. Enquanto todos estes filmes não são, inexplicavelmente, editados em Portugal (mas podem ser encomendados via internet, em lojas como a Amazon) esta coleção poderá servir de cartão de visita à obra de um dos nomes mais conceituadaos do Cinema de Terror: DARIO ARGENTO.


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