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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

THE MOTELS: "All Four One"

Original released on LP Capitol ST-12177
(US 1982, April 24)

The Motels' third album "All Four One" finds the group working the fine line between mainstream arena-rock and quirky new wave pop. Their roots lie in the sleek, polished Californian hard rock that dominated late-'70s and early-'80s album-oriented radio, but "All Four One" has a shiny new wave production, complete with keyboards and processed guitars. Still, it plays like arena rock, especially since Martha Davis oversings each track, but its best moments - "Take the L" (out of lover and it's over) and the single "Only the Lonely" - are embarrassingly catchy guilty pleasures that make the album an entertaining nostalgia piece. (Stephen Erlewine in AllMusic)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

ROQUIVÁRIOS: "Cristina (Beleza é Fundamental)"

Edição original em LP Valentim de Carvalho 3VCLP 10033
(PORTUGAL, Maio 1982)


Os Roquivários formaram-se em 1981, aproveitando a boleia do emergente Rock Português, sobretudo após o grande sucesso que foi o LP "Ar de Rock", de Rui Veloso. Quando começaram chamavam-se Rock & Varius e o seu nome reflectia aquilo que a banda pensava fazer: uma música que passava por variados estilos, desde o Pop ao Reggae e ao Ska e não só pelo Rock puro e duro. A banda era formada por Midus (Voz e Baixo), Mário Gramaço, (Saxofone e Voz), Rabanal (Bateria), Luís Jorge Loução (Guitarra) e Paulo Corval (Baixo). Gramaço era um saxofonista que vinha do Jazz e tinha tocado com grandes nomes desse estilo, em Portugal. Rabanal tinha sido baterista de um grupo muito famoso, uns anos antes, os Aranha que eram liderados por Luís Firmino. No ano da sua fundação conseguem contrato discográfico com a Rádio Triunfo e editam o LP "Pronto a Curtir" que é um disco onde os vários estilos da banda se encontram presentes. O Reggae surge com " Kaya Ou Não Kaya", o Rock com "Betty Punk", "Ela Controla" e "Polivyinil" e o Pop em vários outros temas. Este disco, no entanto, não trouxe nada de novo ao panorama Rock nacional. Tratava-se de uma música muito comercial e com pouca inovação (além disso o disco foi gravado em muito pouco tempo, com pouco cuidado na produção). A crítica arrasou-o. O público achou alguma piada e a banda manteve-se à tona com bastantes concertos.

Em 1981 lançam o single "Totobola" cujo refrão rezava ' Dizem que o treze é o número do azar, mas este jogo dá dinheiro até fartar'. Este tema, num estilo Reggae/Ska já é melhor produzido e consegue agradar a muito público. A banda muda de editora (para a EMI) e lança o disco "Roquivários" que contém êxitos como "Mês de Abril" e "Cristina (Beleza É Fundamental)". Este disco já não conta com a participação de Paulo Corval que abandonou a banda. Midus passa a ser a vocalista principal. A produção do disco é entregue a Moz Carrapa, membro dos Salada de Frutas. Apesar de todo o sucesso comercial, a banda não conseguiu impor-se, num meio onde as bandas Rock nascidas com o 'Boom' começaram a ser seleccionadas. De todas as que havia (e chegaram a ser para cima de uma centena) só ficariam os GNR, UHF e Xutos & Pontapés . Pouco tempo depois, os Roquivários davam por terminadas as suas actividades.

DISCOGRAFIA

Pronto a Curtir (LP, RT, Julho 1981)
Totobola/Ela Controla (Single, RT, 1981)
Roquivários (LP, EMI, Maio 1982)
Cristina (Beleza É Fundamental)/Disc-Jockey (Single, EMI, Junho 1982)

 NO RASTO DE...

Midus lançou em 1985 o single "Lá Longe". Foi para Londres gravar um disco com Luís Jardim e nunca mais voltou. Em 1988, Midus e a Banda Amazónia participaram com o tema "Amazónia", escrito por Luís Jardim, no Prémio Nacional da Música.  Em 1992 gravou um álbum com os Coming Up Roses para a Utility Records, a editora de Billy Bragg. Depois tocou seis anos com Anne Clark e acompanhou Tanita Tikaram, Melanie C e Kym Marsh. Em 2001 confessou ao Correio da Manhã "tenho muita coisa escrita e gostava de gravar para uma editora portuguesa". Mário Gramaço é professor de Saxofone, desde 1988,  na Escola Profissional de Música de Almada. Tem liderado os seus próprios grupos de música instrumental. Colaborou no disco "Timidez" de Miguel Ângelo e tocou com os Delfins nos concertos de apresentação do álbum "Babilónia". (in Sinfonias.org)

terça-feira, 19 de novembro de 2019

"Ser solidário assim, pr'além da vida..."



Edição original em LP Edisom 603306   
(PORTUGAL 1982, Abril 14)


Na data em que José Mário Branco nos deixou aos 77 anos de idade, é altura de voltar a partilhar a sua obra mais abrangente de sempre (no sentido dos diversos estilos musicais nele incluídos); este duplo "Ser Solid(t)ário", acrescido do manifesto "F.M.I.". Há momentos, na vida de todos os dias, em que pessoas e coisas parecem confluir para um ajuste de contas com a História. 1980 foi um ano pródigo em momentos assim, limiar de décadas e de mundos em mudança. Nele perderam a vida Sartre e Lennon, o arcebispo Óscar Romero e o marechal Tito, Marcello Caetano e Sá Carneiro. Cada morte a encerrar pequenos ciclos, a desfazer encruzilhadas ou, como no caso da Jugoslávia pós-Tito, a reacender longínquas faúlhas de guerra. "Ser Solid(t)ário" revela-se ao mundo na voragem desses dias. Na noite de 21 de Novembro de 1980, nove anos depois do lançamento histórico de "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades", o cantor e compositor José Mário Branco sobe ao palco do Teatro Aberto, em Lisboa, para a estreia de um novo espectáculo musical. Vestido de branco, silhueta recortada na penumbra da sala, começa por cantar, dedilhando a guitarra: «Que caminho tão longo! / que viagem tão comprida! / que deserto tão grande / sem fronteira nem medida! / águas do pensamento / vinde regar o sustento / da minha vida.» Um caminho aberto em Paris, continuado no Portugal revolucionário de 74/75, desgastado entre a música e a política por sucessivas desilusões no final da década de 70.


E, sempre presente, o teatro. Não aquele, palco passageiro onde agora cantava, mas outros, onde nos últimos anos tinha empregue muito do seu esforço criativo: a Comuna, primeiro; o Teatro do Mundo, depois. Da Comuna acabara por sair em Janeiro de 1979, solidário com um grupo de actores então expulsos por divergências de estratégia e reportório. O Teatro do Mundo, fundara-o pouco depois da cisão, a 23 de Janeiro desse ano, juntamente com outros actores vindos da Comuna: Manuela de Freitas, Jean-Pierre Taillade, Fernanda Neves, Gabriela Morais. E ainda Cucha Carvalheiro, actriz que José Mário Branco já conhecia do exílio em França, e António Branco, sobrinho do cantor. Por graça, na estreia de "Ser Solid(t)ário", ele não resistiu a dizer que demorara dois anos a atravessar a Praça de Espanha (o Teatro Aberto ficava mesmo em frente do casarão cor-de-rosa da Comuna, do outro lado da praça). Dois anos de travessia do deserto, à semelhança do que diz a canção (composta para uma peça da Comuna), mas também de introspecção e febre criativa. 


Mas "Ser Solid(t)ário" tinha sido pensado para estrear como disco, com 15 temas mais o "F.M.I.", e não propriamente como espectáculo. Pronta em Março de 79, a maqueta circulou pelas editoras sem que nenhuma lhe pegasse. José Mário Branco e o Teatro do Mundo pensaram então em levá-lo aos palcos. Esperaram até Setembro de 1980 e, como o disco se mostrasse inviável, montaram o espectáculo. Disponível a sala do Teatro Aberto, planearam doze actuações com uma sequência rara em espectáculos do género: quintas, sextas e sábados às 21h45 e domingos às 18h30. Da ficha de "Ser Solid(t)ário", produzido pelo Teatro do Mundo com direcção artística de Trindade Santos, constavam os nomes de Júlio Pereira (cordas), Pedro Luís (teclados), Rui Cardoso (sopros), Zé da Cadela (bateria) e José Mário Branco (cordas e voz). Nos coros, estavam Fernanda Neves (actriz no Teatro do Mundo), António Branco e Gustavo Sequeira (membros do Quarteto Música em Si, que em Março de 1980 se apresentara no Festival RTP da Canção com "Esta Página em Branco", cujo arranjo, assinado por José Mário Branco, foi elogiado pelos críticos, referindo-se ao seu autor como "um dos mais originais, sensíveis e competentes orquestradores portugueses"). 


Nunca, até "Ser Solid(t)ário", um cantor se expusera desta maneira. Quem assiste mais do que uma vez ao espectáculo, vê a cena repetir-se, como um ritual, noite após noite. Num crescendo, a música vai conquistando espaço por entre a plateia, rendida em aplausos. Quase duas horas após o início, já num "estado de aquecimento emocional" (como lhe chamou José Mário Branco), o público exige o regresso do cantor ao palco. É então que ele apresenta o tão ansiado "F.M.I." . «Um texto que eu escrevi de um só jorro, numa noite de Fevereiro de 1979». Começa irónico, mordaz, a provocar sorrisos de autocomplacência ou assentimento. Mas depressa impõe um pesado silêncio pelo tropel das palavras, o desafio, o insulto. Partindo de um tema que no discurso musical lembra "Talking Union", de Pete Seeger, José Mário Branco evolui para algo muito próximo das invectivas radicais de Ferré ou da ironia provocatóría de Almada Negreiros na "Cena do Ódio". 



Mas vai mais longe: como numa espiral, a raiva acumulada cede lugar ao choro, ao sussurro, ao desencanto. «Não pode haver razão para tanto sofrimento...», diz, em voz velada, exausto, passada a violenta tempestade de sentimentos contraditórios que o leva a gritar bem alto o seu ódio ao vazio: «Mãe, ó mãe!! / Eu quero ficar sózinho / Eu não quero pensar mais. / Mãe, eu quero morrer, mãe / Quero... desnascer / Ir-me embora / sem sequer ter de me ir embora...» Mas a esperança subsiste para lá de todas as tempestades do espírito. E o deserto consente a miragem redentora, a vitória da luz sobre as trevas, o "d" de solidário a afastar o "t" de solitário (trocadilho presente na capa do disco e inspirado num conto de Camus) num abrir de braços para um futuro sem tempo, algures no cosmos: «O meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram». Assim, «para lá da vida». «Por sobre a morte». Para concluir, na simplicidade da paz reencontrada: «Dizia, valeu a pena a travessia?... Valeu, pois.» 


Nascido na ressaca do processo de expulsão da Comuna, com retroactivos por ter sido expulso do PCP(R) em 1979, o "F.M.I." surge para José Mário Branco da «necessidade de encontrar um sentido para a vida fora dos clichés ideológicos». E é, tal como a primeira peça do Teatro do Mundo ("A Secreta Família", estreada em Julho de 1979), uma espécie "de vómito" emotivo. «Um texto profundamente confessional e catártico, uma conversa que me é permitida exclusivamente com a gente da minha geração... E na qual as outras gerações (a de antes e a de depois) são só atingidas por tabela» (Expresso, 9/4/82). Daí que, em 1982, o "F.M.I." surgisse num disco à parte, em maxi-single, e selado com a seguinte indicação: "Por determinação expressa do autor fica proibida a audição pública, total ou integral, deste disco." 


Mas voltemos ao palco do Teatro Aberto. Naqueles dias de Novembro, a sala esgotou a lotação. Um êxito de bilheteira, entradas a 150$00 para um espectáculo com um orçamento de produção na casa dos 500 contos. Quanto ao disco, recusado no circuito comercial, foi posta a circular uma carta-cupão onde se propunha um original contrato com o público: «Quer você ajudar a produzir o meu próximo LP?», escrevia José Mário Branco na carta, para quem o quisesse ler. «Bastará que o compre já, ao preço barato de 500$00, que sinta alguma razão para nos confiar essa quantia, e que possa esperar dois ou três meses para ter nas suas mãos o duplo álbum "Ser Solidário" Esperariam cerca de ano e meio, mas nenhum dos subscritores do cupão (perto de 800), preenchido à saída do espectáculo ou por via de publicação graciosa em jornais e revistas, se mostrou muito incomodado com o atraso. 



E quando finalmente o disco viu a luz do dia, a 14 de Abril de 1982, a ocasião foi celebrada com um único espectáculo que superlotou a sala da Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. De novo a travessia do deserto, a raiva e a esperança, o exorcizar de velhos fantasmas, a evidência da morte no ciclo da vida. E a certeza de ter cumprido uma meta, fechado um ciclo geracional. Falando sobre o disco, disse ele então ao Expresso (9/4/82): «"Ser Solidário" é uma obra feita já a olhar para a frente, embora não fale daquilo para que está a olhar. Mas fala de tal maneira definitivamente que encerra mesmo um ciclo, pelo menos no que diz respeito à minha obra. Mas não só. Talvez tenha sido eu - e digo-o sem vaidade, com a maior lucidez possível - a tomar a iniciativa de encerrar um ciclo aberto há dez anos com "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades" e com as "Cantigas do Maio" do Zeca Afonso, e que fica encerrado com este álbum. Daqui para a frente já nada poderá ser a mesma coisa.» 


Passados quinze anos sobre a primeira edição, "Ser Solidário" acabou por reencontrar em CD o formato original, com o "F.M.I." como estação derradeira de uma viagem proposta ao longo das restantes quinze canções, compostas em parte entre 1979 e 1980, e onde diversos géneros musicais se cruzam e fundem, como num caleidoscópio, da balada urbana ao rock, passando pelo Jazz, a marcha, o fado, a chula: 

"Travessia do Deserto": inspirada num poema de Sophia de Mello Breyner e escrita em 1977 para a peça "Em Maio", da Comuna; 

"Queixa das Almas Jovens Censuradas": composta no exílio, em Paris, sobre um poema de Natália Correia, e integrada em 1971 no álbum "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades"; 

"Vá, Vá...": também composta em Paris. «É uma reacção radical minha, no exílio, ao que se poderia chamar os defeitos dos intelectuais de esquerda de café» (Público, 14/2/96). Vá-Vá, nome de um célebre café da Avenida de Roma, dá o mote e o título; 

"A Morte Nunca Existiu": de novo o belíssimo poema de António Joaquim Lança, já incluído no álbum "Margem de Certa Maneira", em 1972, mas agora com novos arranjos;


"Fado da Tristeza": o primeiro de dois fados incluídos no disco. «A minha primeira parceria a sério com Manuela de Freitas»

"Fado Penélope": escrito e musicado por José Mário Branco, regista a sua reconciliação com um género musical, o fado, que por influência de Fernando Lopes Graça ele sempre desprezara. 

"Qual é a Tua, ó Meu?": um tema onde nomes de ruas e bairros lisboetas configuram uma marcha popular quase brejeira num elogio à liberdade; 

"Eu Vim de Longe, eu Vou p'ra Longe (Chulinha)": composta já no contexto do Teatro do Mundo, em 1979, é uma espécie de retraio pragmático do percurso político do cantor, das suas crenças e desilusões; um dos temas mais repetidos à data da edição do LP, em concertos ou na rádio; 


"Inquietação": escrita ainda na Comuna, na fase de ensaios da peça "Homem Morto, Homem Posto", em 1979; 

"Não te Prendas a uma Onda Qualquer": composta sobre um poema de Brecht, em 1978, para a peça "Homem Morto, Homem Posto", da Comuna;

"Linda Olinda": uma brincadeira onomatopaica escrita por Mário Jorge Bonito, em Paris, e musicada por José Mário Branco; a "linda Olinda" é Cucha Carvalheiro, actriz de teatro e amiga de ambos; 

"Treze Anos, Nove Meses": outro balanço, desta vez do primeiro casamento do cantor, no momento em que ele chegava ao fim (o título corresponde ao tempo que durou a relação); letra e música foram escritas de um fôlego, numas férias em Odeceixe, em 1977; 


"Sopram Ventos Adversos": mais um poema de Manuela de Freitas, preexistente à sua passagem a canção; o tema "Maiden Voyage", de Herbie Hancock, foi integrado na música por sugestão de Trindade Santos; 

"Eu Vi Este Povo a Lutar": texto militante, música épica, bombos e timbalões a marcarem o compasso; canção escrita originalmente para o filme "A Confederação", de Luís Galvão Teles, estreado em 1978; 

"Ser Solidário": composta também durante o período de trabalho com a Comuna, ao mesmo tempo que "Inquietação". É o corolário sofrido e consciente dos "ventos adversos", das "inquietações" latentes, das raivas soltas. «Ser solidário assim, pr'além da vida / Por dentro da distância percorrida / fazer de cada perda uma raiz / E improvavelmente ser feliz»

Em Dezembro de 1982, numa entrevista à revista "Mundo da Canção", José Mário Branco insistia na ideia de que este disco «encerra realmente um ciclo. Por isso ele é tão heterogéneo, tão multi-estilístico. É, como eu tenho dito, um disco repositório de experiências, um disco património.» E será também, para quem assim o entenda e queira, um testemunho essencial à compreensão das contradições e ansiedades de uma geração que fez do radicalismo de esquerda bandeira e que, mais tarde, da descrença nele guardou as dores e cicatrizes de um estado de alma. Uma inquietação permanente, como diz o cantor: «Há sempre qualquer coisa que eu tenho de fazer / Qualquer coisa que eu devia resolver / Porquê, não sei / Mas sei / Que essa coisa... é que é linda». Nuno Pacheco, 1996 (no livreto da reedição)


NOTA: Eu fui uma das 800 pessoas que na altura comprei o disco por antecedência, sem obviamente ter a certeza de que um dia ele seria editado. Mas os tempos que então se viviam ainda eram tempos de esperança, de confiança nas pessoas. Por isso, foi com uma alegria imensa que vivi aquela noite inesquecível de 14 de Abril, uma quarta-feira, quando o "Ser Solid(t)ário" me veio parar às mãos, após o concerto de apresentação na Aula Magna, em Lisboa. Ainda o conservo, como uma jóia rara e preciosa. 

domingo, 11 de novembro de 2018

ROXY MUSIC: "Avalon"

Original released on LP EG, Polydor EGHP 50.2302.116
(UK, May 1982)

"Flesh + Blood" suggested that Roxy Music were at the end of the line, but they regrouped and recorded this lovely "Avalon", one of their finest albums. Certainly, the lush, elegant soundscapes of "Avalon" are far removed from the edgy avant-pop of their early records, yet it represents another landmark in their career. With its stylish, romantic washes of synthesizers and Bryan Ferry's elegant, seductive croon, "Avalon" simultaneously functioned as sophisticated make-out music for yuppies and as the maturation of synth pop. Ferry was never this romantic or seductive, either with Roxy or as a solo artist, and "Avalon" shimmers with elegance in both its music and its lyrics. "More Than This," "Take a Chance with Me," "While My Heart Is Still Beating," and the title track are immaculately crafted and subtle songs, where the shifting synthesizers and murmured vocals gradually reveal the melodies. It's a rich, textured album and a graceful way to end the band's career. (Stephen Erlewine in AllMusic)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

A OBRA-PRIMA DE FAUSTO

Original released on Double LP Triângulo TR002/3
(PORTUGAL 1982, November 19)

«Nos vinte e um anos que duraram os meus infortúnios em que por vários acidentes de trabalho que me sucediam, atravessei muita parte da Ásia, como nesta minha viagem se pode muito bem ver, vivi entre a abundáncia e a miséria, entre vencedores e vencidos, sempre cuidando no regresso onde todas as minhas mágoas seriam consoladas.» (in "Peregrinàçao", de Fernäo Mendes Pinto)


"Por Este Rio Acima", a obra-prima absoluta de Fausto Bordalo Dias é também um dos discos mais importantes da música portuguesa de sempre. Tendo como fonte de inspiração a obra "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto, Fausto apresenta um duplo álbum conceptual, seguindo do princípio ao fim uma ideia coerente e concretizando-a de forma magistral, dando-nos um trabalho que na verdade supera tudo o que até aí fora feito em Portugal e ainda hoje não igualado nem mesmo pelo próprio Fausto, apesar da tentativa feita em "Crónicas da Terra Ardente" (Sony, 1994), o segundo capítulo sob o signo da Diáspora Lusitana. "Por Este Rio Acima" é simplesmente um caso ímpar na música popular portuguesa, quer do ponto de vista da complexidade da proposta e da sua genial execução quer da extraordinária profundidade musical da obra. Além da riqueza melódica e harmónica, então ainda pouco usual na música popular portuguesa, Fausto aprofunda quase até ao limite a invenção que já vinha de "Madrugada dos Trapeiros" (Orfeu, 1977) e de "Histórias de Viageiros" (Orfeu, 1979) e a exploração de uma nova rítmica, a partir da tradição portuguesa. Este trabalho a todos os títulos superlativo e referencial, – de que se não deve esquecer o precioso contributo de Eduardo Paes Mamede na produção, direcção musical e arranjos (partilhados com o próprio Fausto), e o magistral desempenho de uma plêiade de músicos de excelência, marca de forma decisiva a música popular portuguesa e afirma Fausto como um dos grandes criadores do nosso tempo. (in Portal do Fado)


Créditos:

Arranjos – Eduardo Paes Mamede e Fausto
Orquestrações, direcção musical e produção – Eduardo Paes Mamede
Captação de som – José Fortes, Rui Novais, Luís Flor
Misturas – José Fortes, Luís Flor em "O barco vai de saída" e "A guerra é a guerra"
Capa – José Brandão
Foto – João Castel-Branco

Gravado entre Março a Setembro de 1982 no Angel Studio, em Lisboa
Edição remasterizada em CD (SBM Super Bit Mapping) em 1984 
(Columbia COL 489485 2)


Once I said here that Quarteto 1111 were the best band from the mother land... Forgive me oh my lord! After a 15 year carreer Fausto managed to release the album that is the almagam of the noble portuguese spirit. A country that is not just some poor european backyard, not a spanish region, and surely a place that deserves much more respect than it has (read some of the underrated XIV-XVI centuries history), especially here in the shallow memory and arrogant land of Brazil. "Por Este Rio Acima" is a jewel that contains the Rural Portugal folk music added by some Chico Buarque overtones but all of that fried in some portuguese sadness, sometimes even crimson-like... Such a pity that most people won't be able understand the poetry behind those lyrics which tells us some true storie of a portuguese man and its travel to Southeastern Asia, crossing both the Atlantic and the Indic Oceans (in a wooden boat that maybe would fit in your toilet). Overall what you get is a truly lyric epic progressive folk adventure (Listen to: "Lembra me um sonho lindo") into some of the most usually forgotten european cultures. (in RateYourMusic)

quarta-feira, 20 de junho de 2018

"Get Closer" By LINDA RONSTADT

"Tell Him" By LINDA RONSTADT

"I Knew You When" By LINDA RONSTADT

LINDA RONSTADT: "Get Closer"

Original released on LP Elektra E1-60185
(US, September 1982)

While this effort isn't "Heart Like A Wheel" or "Simple Dreams", the material on those albums was well considered. On "Get Closer", Rondstadt's voice hasn't changed. In fact, if anything (less than a decade later from those amazing pieces of work already mentioned) there is a maturity and confidence present that only enhances her incredible vocal range to songs she consistently makes her own. "Get Closer" is not a bad album and certainly deserves more than 2 stars. From starting off with the title track to the very beautiful "Moons A Harsh Mistress", followed by a nicely put together duet with James Taylor and the dreamy/slightly off into the distance "Mr. Radio", Linda shows a lot of versatility. From speeding things up with "Lies" & "Tell Him" to the sincerity in "Talk To Me Mendocino", these songs capture the dreams, desires, hopes, and memories of an artist who started fresh and is still moving through an impressive career. "Get Closer" shouldn't be overlooked. Take your time to listen to this record, you'll be glad you did. (Robert Johnson in AllMusic)

terça-feira, 22 de maio de 2018

sábado, 21 de abril de 2018

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