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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

"Não sabíamos mais, tínhamos quinze anos..."

Edição Original em LP London Globe SLLGB 1000
(Portugal, 1969)


Um album raríssimo e muito difícil de encontrar, editado exclusivamente em Portugal durante o ano de 1969. A editora foi a Valentim de Carvalho, pelo que se receia o desaparecimento das bobines originais de gravação. Esta transcrição para formato digital foi feita particularmente, e a expensas próprias, mas só foi possível graças ao meu amigo Daniel Bacelar que gentilmente me disponibilizou o vinil original, como sempre em estado impecável. Por isso mesmo convém aqui lembrar que o disco não se encontra à venda em qualquer formato; é que tenho recebido várias solicitações para esse efeito, inclusivé do biógrafo do próprio Serrat que há muitos anos anda à procura de uma cópia do album original. «Tanto cambiaron que aquel mismo año, el hombre pisó la Luna al parecer por primera vez, las gentes del D.F. se aventuraron a desplazarse de Tacubaya a Chapultepec en metro y un servidor grababa este, su primer LP en castellano que con todo respeto quiero dedicar desde estas líneas a mi amigo, hoy desaparecido, Plinio Chiesa, ingeniero de sonido de esta grabación.» São doze canções (mais duas do que a versão original espanhola, disco também já disponibilizado) com letras e músicas do próprio Serrat, e versões portuguesas de Alexandre O'Neil (que assina 8 temas), António José (très) e Magalhães Pereira. É precisamente com a versão deste último, "Meu Amor Adeus" (a minha preferida de todas) que vos deixo:

Quero esquecer essa casa vermelha
e a janela em flor
a escada tosca e a imagem velha
recordações dum breve amor.

A cama negra e tão esburacada
d’alvos lençóis iguais
e a chegada duma madrugada
que juntos não veremos mais.

Não quero que teus olhos chorem
e procurem os meus
o caminho é tão longo
meu amor adeus!

Adeus, adeus, partirei à calada
que frio paira no ar...
mas vou cantar, gritar uma toada
assim o frio irá passar.

Não vou esperar e não quero ouvir nada
nem o ladrido do teu cão
nem o adeus dessa gente que é nada
inútil recordação.

Não quero que teus olhos chorem
e procurem os meus
o caminho é tão longo
meu amor adeus!

Pus a guitarra ao ombro e agora
vou p’ra longe daqui
quando na noite bater uma hora
não estarei já ao pé de ti.

Os anos hão-de apagar as pisadas
que deixo em teu redor
eu vou a pé, o caminho é tão longo
direi adeus a cada flor.


SERRAT 69

Original released on LP Zafiro/Novola 1013 5
(España, 1969)


«Corrían los primeros dias de 1969. Milán, en invierno, suele despertarse con niebla, con una niebla espesa y pegajosa que vuelve invisible la Recova del Corso y aleja las palomas del Duomo de los ojos de los turistas. Arropados en la tibia calefacción del taxi, atravesamos junto al Miralles, el Lasso y el taxista aquella mañana de perros lombardos, camino a los estudios de la "Fonit Cetra" donde iba a empezar a grabar mi primer disco en castellano. Aquella fue una complicada decisión, pero hacia ya tiempo que estaba tomada. Hoy, a toro pasado, no me cabe duda que fue un acierto.

Iba feliz en el auto. Miraba con avidez los tentadores escaparates de las tiendas y piropeaba en los semáforos a las muchachas que me llamaban desde los anuncios, iba muy feliz. En aquellos tiempos no era nada fácil para un artista español grabar un disco en Italia o en Inglaterra, mecas de la música, donde los estudios disponían de mesas de 8 y hasta 16 pistas. Pero, como acertadamente decía Dylan, los tiempos estaban cambiando y además a toda leche.

Tanto cambiaron que aquel mismo año, el hombre pisó la Luna al parecer por primera vez, las gentes del D.F. se aventuraron a desplazarse de Tacubaya a Chapultepec en metro y un servidor grababa este, su primer LP en castellano que con todo respeto quiero dedicar desde estas líneas a mi amigo, hoy desaparecido, Plinio Chiesa, ingeniero de sonido de esta grabación»

(Joan Manuel Serrat)





quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

JOAN MANUEL SERRAT: EP "La La La"

Original released on EP London Globe GEB 3011 (mono)
(PORTUGAL, April 1968)

“La La La” foi a canção interpretada por Massiel que levou a Espanha a vencer o Festival da Eurovisão de 1968, que decorreu em Londres, no Royal Albert Hall, a 6 de Abril. O tema foi composto por Ramón Arcusa e Manuel de la Calva, que nessa altura formavam o Duo Dinâmico. No entanto, as primeiras gravações estiveram a cargo de Joan Manuel Serrat, que interpretou a canção em diversos idiomas, entre os quais o português, que aqui se apresenta (atenção também ao belissimo tema "Poema de Amor", de igual modo cantado em português). Serrat, que foi a primeira escolha para representar a Espanha no Festival, queria cantar uma parte em catalão, ao que a TVE se opôs, resolvendo substituir o cantor por Massiel. A vitória foi conseguida após renhida disputa com o tema “Congratulations” (interpretada por Cliff Richard em representação do Reino Unido), ficando a votação final em 29-28 pontos. Curiosamente, o prémio foi entregue por uma inglesa, a popular Sandie Shaw, que tinha sido a vencedora do ano anterior, com “Puppet on a String”. Recorde-se que nesse Festival de 1968, a representação portuguesa esteve a cargo de Carlos Mendes, com o tema “Verão”, que ficaria em 12º lugar com 5 pontos (3 da Espanha e 2 da Noruega).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Querido PABLO MILANÉS

Original released on Double LP Ariola ES-XD 302485
(ESPAÑA, 1985)


Along with Silvio Rodriguez, Pablo Milanés was one of the crucial figures in Cuba's nueva trova popular-song movement of the late '60s; sponsored by Fidel Castro's government, the collective of nueva trova musicians were essentially supposed to reconfigure and update traditional Cuban folk musics for the nation's new, modern, post-revolutionary society. Milanés gained renown for his highly poetic lyrics and smooth yet emotional singing, becoming one of the most popular and respected Cuban musicians and songwriters of the late 20th century, and releasing a hefty number of records. He is a controversial figure to some - exiles despise his staunch support of Castro, while others criticize his musical forays into sentimental, orchestrated jazz-pop - but his status as one of the most important links between traditional and contemporary Cuban music has remained virtually unassailable into the new millennium. (Steve Huey in AllMusic)

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