Edição Original em LP London Globe SLLGB 1000
(Portugal, 1969)
Um album raríssimo e muito difícil de encontrar, editado exclusivamente em Portugal durante o ano de 1969. A editora foi a Valentim de Carvalho, pelo que se receia o desaparecimento das bobines originais de gravação. Esta transcrição para formato digital foi feita particularmente, e a expensas próprias, mas só foi possível graças ao meu amigo Daniel Bacelar que gentilmente me disponibilizou o vinil original, como sempre em estado impecável. Por isso mesmo convém aqui lembrar que o disco não se encontra à venda em qualquer formato; é que tenho recebido várias solicitações para esse efeito, inclusivé do biógrafo do próprio Serrat que há muitos anos anda à procura de uma cópia do album original. «Tanto cambiaron que aquel mismo año, el hombre pisó la Luna al parecer por primera vez, las gentes del D.F. se aventuraron a desplazarse de Tacubaya a Chapultepec en metro y un servidor grababa este, su primer LP en castellano que con todo respeto quiero dedicar desde estas líneas a mi amigo, hoy desaparecido, Plinio Chiesa, ingeniero de sonido de esta grabación.» São doze canções (mais duas do que a versão original espanhola, disco também já disponibilizado) com letras e músicas do próprio Serrat, e versões portuguesas de Alexandre O'Neil (que assina 8 temas), António José (très) e Magalhães Pereira. É precisamente com a versão deste último, "Meu Amor Adeus" (a minha preferida de todas) que vos deixo:
Quero esquecer essa casa vermelha
e a janela em flor
a escada tosca e a imagem velha
recordações dum breve amor.
A cama negra e tão esburacada
d’alvos lençóis iguais
e a chegada duma madrugada
que juntos não veremos mais.
Não quero que teus olhos chorem
e procurem os meus
o caminho é tão longo
meu amor adeus!
Adeus, adeus, partirei à calada
que frio paira no ar...
mas vou cantar, gritar uma toada
assim o frio irá passar.
Não vou esperar e não quero ouvir nada
nem o ladrido do teu cão
nem o adeus dessa gente que é nada
inútil recordação.
Não quero que teus olhos chorem
e procurem os meus
o caminho é tão longo
meu amor adeus!
Pus a guitarra ao ombro e agora
vou p’ra longe daqui
quando na noite bater uma hora
não estarei já ao pé de ti.
Os anos hão-de apagar as pisadas
que deixo em teu redor
eu vou a pé, o caminho é tão longo
e a janela em flor
a escada tosca e a imagem velha
recordações dum breve amor.
A cama negra e tão esburacada
d’alvos lençóis iguais
e a chegada duma madrugada
que juntos não veremos mais.
Não quero que teus olhos chorem
e procurem os meus
o caminho é tão longo
meu amor adeus!
Adeus, adeus, partirei à calada
que frio paira no ar...
mas vou cantar, gritar uma toada
assim o frio irá passar.
Não vou esperar e não quero ouvir nada
nem o ladrido do teu cão
nem o adeus dessa gente que é nada
inútil recordação.
Não quero que teus olhos chorem
e procurem os meus
o caminho é tão longo
meu amor adeus!
Pus a guitarra ao ombro e agora
vou p’ra longe daqui
quando na noite bater uma hora
não estarei já ao pé de ti.
Os anos hão-de apagar as pisadas
que deixo em teu redor
eu vou a pé, o caminho é tão longo














