quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

"Não Me Obriguem Vir Para a Rua Gritar..."


Edição Original no LP ORFEU STAT 017 
(PORTUGAL, Dezembro 1973)


Do mesmo modo que sempre preferi o “Abbey Road” ao “Sgt. Pepper’s” dos Beatles, também aqui, na obra do Zeca, vou contra a grande maioria. “Cantigas do Maio” poderá ser a referência básica para (quase) toda a gente mas para mim sempre perdeu terreno face a este “Venham Mais Cinco”, que foi o album que mais vezes coloquei a girar no prato do gira-discos. Encontrava-me nos meus vinte anos quando esta maravilha me foi parar às mãos pela primeira vez. Era o tempo em que todas as semanas saíam albuns magníficos, quer nos Estados Unidos quer sobretudo em Inglaterra, e essa grande e magnífica orgia de sons anglo-americanos não nos deixava tempo para mais nada. Ou quase nada. Este album, portuguesíssimo, foi uma das raras excepções. A sua original e espantosa modernidade cativou-nos por completo e todos aqueles novos sons ombrearam sem qualquer dificuldade com o que melhor se fazia na altura fora do país. Os sons, e, claro, as palavras também, impregnadas de um surrealismo que nos desconcertava e fascinava: A Nefretite que não tinha papeira e o Tuthankamon sem apetite, ou a tinta que caía no móvel vazio, convocando farpas, chamando o telefone e matando baratas. Ou a formiga no carreiro que vinha em sentido contrário e que caíu no Tejo ao pé dum septuagenário. E que dizer da Paz, atacada de psicose maníaco-depressiva, que saíu aos saltos para a rua, comeu mostarda e bebeu sangria?


Gravado em Paris, no estúdio “Aquarium”, de 10 a 20 de Outubro de 1973, produzido por José Niza e com arranjos e direcção musical de José Mário Branco, "Venham Mais Cinco" reúne as últimas canções de José Afonso antes da sua "Grândola Vila Morena" nos vir a enrouquecer as gargantas alguns meses depois. Inclui diversos temas escritos por Zeca durante o seu último período de “férias” em Caxias, em Maio desse ano: 22 dias sem culpa formada e interdição de recorrência a um advogado por “inconveniências para a investigação”. É o disco em que o cantor conta com a participação de maior número de músicos (18 no total) e onde a sua poesia atinge a expressão mais ampla, livre de significados imediatistas e de interpretações lineares. O tema que dá nome ao album, "Venham Mais Cinco" ("Não me obriguem a vir para a rua gritar!...") é uma autêntica premonição do que está para vir, e é também o último dos grandes hinos de Zeca Afonso antes da Revolução de Abril.


Volto ao início destas notas: hoje, que se completam 30 anos da morte de José Afonso, continuo a considerar este album, 4 décadas depois, o expoente máximo da sua obra. Porque para além de toda a sua grande qualidade lírico-musical constitui uma charneira, um ponto de viragem. Chegava ao fim o tempo da resistência e a liberdade estava já ali, à esquina. O período clássico dos albuns de José Afonso conclui-se aqui, e da maneira mais sublime. Haveria espaço ainda no futuro para coisas muito boas mas espaçadas e não com a frequência criativa destes anos. O que até é compreensível – passaram a existir outras prioridades na vida do Zeca e o tempo para as músicas e as gravações deixou de ter a importância que tivera até então.

BOBBY MCFERRIN - The 1st Album


Original released on LP Elektra Musician E1-60023
(US, 1982)


Robert Keith "Bobby" McFerrin Jr. (born March 11, 1950) is an American jazz vocalist and conductor. He is a ten-time Grammy Award winner, who is known for his unique vocal techniques, such as singing fluidly but with quick and considerable jumps in pitch - for example, sustaining a melody while also rapidly alternating with arpeggios and harmonies - as well as scat singing, polyphonic overtone singing, and improvisational vocal percussion. He is widely known for performing and recording regularly as an unaccompanied solo vocal artist. He has frequently collaborated with other artists from both the jazz and classical scenes. As a vocalist, McFerrin often switches rapidly between modal and falsetto registers to create polyphonic effects, performing both the main melody and the accompanying parts of songs. He makes use of percussive effects created both with his mouth and by tapping on his chest. McFerrin is also capable of multiphonic singing. His first recorded work, this self-titled album "Bobby McFerrin", was not produced until 1982, when McFerrin was already 32 years old. Before that, he had spent six years developing his musical style, the first two years of which he attempted not to listen to other singers at all, in order to avoid sounding like them. He was influenced by Keith Jarrett, who had achieved great success with a series of improvised piano concerts including "The Köln Concert" of 1975, and wanted to attempt something similar vocally.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"Ser solidário assim, pr'além da vida..."



Edição original em LP Edisom 603306   
(PORTUGAL 1982, Abril 14)


Há momentos, na vida de todos os dias, em que pessoas e coisas parecem confluir para um ajuste de contas com a História. 1980 foi um ano pródigo em momentos assim, limiar de décadas e de mundos em mudança. Nele perderam a vida Sartre e Lennon, o arcebispo Óscar Romero e o marechal Tito, Marcello Caetano e Sá Carneiro. Cada morte a encerrar pequenos ciclos, a desfazer encruzilhadas ou, como no caso da Jugoslávia pós-Tito, a reacender longínquas faúlhas de guerra. "Ser Solidário" revela-se ao mundo na voragem desses dias. Na noite de 21 de Novembro de 1980, nove anos depois do lançamento histórico de "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades", o cantor e compositor José Mário Branco sobe ao palco do Teatro Aberto, em Lisboa, para a estreia de um novo espectáculo musical. Vestido de branco, silhueta recortada na penumbra da sala, começa por cantar, dedilhando a guitarra: «Que caminho tão longo! / que viagem tão comprida! / que deserto tão grande / sem fronteira nem medida! / águas do pensamento / vinde regar o sustento / da minha vida.» Um caminho aberto em Paris, continuado no Portugal revolucionário de 74/75, desgastado entre a música e a política por sucessivas desilusões no final da década de 70.


E, sempre presente, o teatro. Não aquele, palco passageiro onde agora cantava, mas outros, onde nos últimos anos tinha empregue muito do seu esforço criativo: a Comuna, primeiro; o Teatro do Mundo, depois. Da Comuna acabara por sair em Janeiro de 1979, solidário com um grupo de actores então expulsos por divergências de estratégia e reportório. O Teatro do Mundo, fundara-o pouco depois da cisão, a 23 de Janeiro desse ano, juntamente com outros actores vindos da Comuna: Manuela de Freitas, Jean-Pierre Taillade, Fernanda Neves, Gabriela Morais. E ainda Cucha Carvalheiro, actriz que José Mário Branco já conhecia do exílio em França, e António Branco, sobrinho do cantor. Por graça, na estreia de "Ser Solidário", ele não resistiu a dizer que demorara dois anos a atravessar a Praça de Espanha (o Teatro Aberto ficava mesmo em frente do casarão cor-de-rosa da Comuna, do outro lado da praça). Dois anos de travessia do deserto, à semelhança do que diz a canção (composta para uma peça da Comuna), mas também de introspecção e febre criativa. 


Mas "Ser Solidário" tinha sido pensado para estrear como disco, com 15 temas mais o "F.M.I.", e não propriamente como espectáculo. Pronta em Março de 79, a maqueta circulou pelas editoras sem que nenhuma lhe pegasse. José Mário Branco e o Teatro do Mundo pensaram então em levá-lo aos palcos. Esperaram até Setembro de 1980 e, como o disco se mostrasse inviável, montaram o espectáculo. Disponível a sala do Teatro Aberto, planearam doze actuações com uma sequência rara em espectáculos do género: quintas, sextas e sábados às 21h45 e domingos às 18h30. Da ficha de "Ser Solidário", produzido pelo Teatro do Mundo com direcção artística de Trindade Santos, constavam os nomes de Júlio Pereira (cordas), Pedro Luís (teclados), Rui Cardoso (sopros), Zé da Cadela (bateria) e José Mário Branco (cordas e voz). Nos coros, estavam Fernanda Neves (actriz no Teatro do Mundo), António Branco e Gustavo Sequeira (membros do Quarteto Música em Si, que em Março de 1980 se apresentara no Festival RTP da Canção com "Esta Página em Branco", cujo arranjo, assinado por José Mário Branco, foi elogiado pelos críticos, referindo-se ao seu autor como "um dos mais originais, sensíveis e competentes orquestradores portugueses"). 


Nunca, até "Ser Solidário", um cantor se expusera desta maneira. Quem assiste mais do que uma vez ao espectáculo, vê a cena repetir-se, como um ritual, noite após noite. Num crescendo, a música vai conquistando espaço por entre a plateia, rendida em aplausos. Quase duas horas após o início, já num "estado de aquecimento emocional" (como lhe chamou José Mário Branco), o público exige o regresso do cantor ao palco. É então que ele apresenta o tão ansiado "F.M.I." . «Um texto que eu escrevi de um só jorro, numa noite de Fevereiro de 1979». Começa irónico, mordaz, a provocar sorrisos de autocomplacência ou assentimento. Mas depressa impõe um pesado silêncio pelo tropel das palavras, o desafio, o insulto. Partindo de um tema que no discurso musical lembra "Talking Union", de Pete Seeger, José Mário Branco evolui para algo muito próximo das invectivas radicais de Ferré ou da ironia provocatóría de Almada Negreiros na "Cena do Ódio". 



Mas vai mais longe: como numa espiral, a raiva acumulada cede lugar ao choro, ao sussurro, ao desencanto. «Não pode haver razão para tanto sofrimento...», diz, em voz velada, exausto, passada a violenta tempestade de sentimentos contraditórios que o leva a gritar bem alto o seu ódio ao vazio: «Mãe, ó mãe!! / Eu quero ficar sózinho / Eu não quero pensar mais. / Mãe, eu quero morrer, mãe / Quero... desnascer / Ir-me embora / sem sequer ter de me ir embora...» Mas a esperança subsiste para lá de todas as tempestades do espírito. E o deserto consente a miragem redentora, a vitória da luz sobre as trevas, o "d" de solidário a afastar o "t" de solitário (trocadilho presente na capa do disco e inspirado num conto de Camus) num abrir de braços para um futuro sem tempo, algures no cosmos: «O meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram». Assim, «para lá da vida». «Por sobre a morte». Para concluir, na simplicidade da paz reencontrada: «Dizia, valeu a pena a travessia?... Valeu, pois.» 


Nascido na ressaca do processo de expulsão da Comuna, com retroactivos por ter sido expulso do PCP(R) em 1979, o "F.M.I." surge para José Mário Branco da «necessidade de encontrar um sentido para a vida fora dos clichés ideológicos». E é, tal como a primeira peça do Teatro do Mundo ("A Secreta Família", estreada em Julho de 1979), uma espécie "de vómito" emotivo. «Um texto profundamente confessional e catártico, uma conversa que me é permitida exclusivamente com a gente da minha geração... E na qual as outras gerações (a de antes e a de depois) são só atingidas por tabela» (Expresso, 9/4/82). Daí que, em 1982, o "F.M.I." surgisse num disco à parte, em maxi-single, e selado com a seguinte indicação: "Por determinação expressa do autor fica proibida a audição pública, total ou integral, deste disco." 


Mas voltemos ao palco do Teatro Aberto. Naqueles dias de Novembro, a sala esgotou a lotação. Um êxito de bilheteira, entradas a 150$00 para um espectáculo com um orçamento de produção na casa dos 500 contos. Quanto ao disco, recusado no circuito comercial, foi posta a circular uma carta-cupão onde se propunha um original contrato com o público: «Quer você ajudar a produzir o meu próximo LP?», escrevia José Mário Branco na carta, para quem o quisesse ler. «Bastará que o compre já, ao preço barato de 500$00, que sinta alguma razão para nos confiar essa quantia, e que possa esperar dois ou três meses para ter nas suas mãos o duplo álbum "Ser Solidário" Esperariam cerca de ano e meio, mas nenhum dos subscritores do cupão (perto de 800), preenchido à saída do espectáculo ou por via de publicação graciosa em jornais e revistas, se mostrou muito incomodado com o atraso. 



E quando finalmente o disco viu a luz do dia, a 14 de Abril de 1982, a ocasião foi celebrada com um único espectáculo que superlotou a sala da Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. De novo a travessia do deserto, a raiva e a esperança, o exorcizar de velhos fantasmas, a evidência da morte no ciclo da vida. E a certeza de ter cumprido uma meta, fechado um ciclo geracional. Falando sobre o disco, disse ele então ao Expresso (9/4/82): «"Ser Solidário" é uma obra feita já a olhar para a frente, embora não fale daquilo para que está a olhar. Mas fala de tal maneira definitivamente que encerra mesmo um ciclo, pelo menos no que diz respeito à minha obra. Mas não só. Talvez tenha sido eu - e digo-o sem vaidade, com a maior lucidez possível - a tomar a iniciativa de encerrar um ciclo aberto há dez anos com "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades" e com as "Cantigas do Maio" do Zeca Afonso, e que fica encerrado com este álbum. Daqui para a frente já nada poderá ser a mesma coisa.» 


Passados quinze anos sobre a primeira edição, "Ser Solidário" acabou por reencontrar em CD o formato original, com o "F.M.I." como estação derradeira de uma viagem proposta ao longo das restantes quinze canções, compostas em parte entre 1979 e 1980, e onde diversos géneros musicais se cruzam e fundem, como num caleidoscópio, da balada urbana ao rock, passando pelo Jazz, a marcha, o fado, a chula: 

"Travessia do Deserto": inspirada num poema de Sophia de Mello Breyner e escrita em 1977 para a peça "Em Maio", da Comuna; 

"Queixa das Almas Jovens Censuradas": composta no exílio, em Paris, sobre um poema de Natália Correia, e integrada em 1971 no álbum "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades"; 

"Vá, Vá...": também composta em Paris. «É uma reacção radical minha, no exílio, ao que se poderia chamar os defeitos dos intelectuais de esquerda de café» (Público, 14/2/96). Vá-Vá, nome de um célebre café da Avenida de Roma, dá o mote e o título; 

"A Morte Nunca Existiu": de novo o belíssimo poema de António Joaquim Lança, já incluído no álbum "Margem de Certa Maneira", em 1972, mas agora com novos arranjos;


"Fado da Tristeza": o primeiro de dois fados incluídos no disco. «A minha primeira parceria a sério com Manuela de Freitas»

"Fado Penélope": escrito e musicado por José Mário Branco, regista a sua reconciliação com um género musical, o fado, que por influência de Fernando Lopes Graça ele sempre desprezara. 

"Qual é a Tua, ó Meu?": um tema onde nomes de ruas e bairros lisboetas configuram uma marcha popular quase brejeira num elogio à liberdade; 

"Eu Vim de Longe, eu Vou p'ra Longe (Chulinha)": composta já no contexto do Teatro do Mundo, em 1979, é uma espécie de retraio pragmático do percurso político do cantor, das suas crenças e desilusões; um dos temas mais repetidos à data da edição do LP, em concertos ou na rádio; 


"Inquietação": escrita ainda na Comuna, na fase de ensaios da peça "Homem Morto, Homem Posto", em 1979; 

"Não te Prendas a uma Onda Qualquer": composta sobre um poema de Brecht, em 1978, para a peça "Homem Morto, Homem Posto", da Comuna;

"Linda Olinda": uma brincadeira onomatopaica escrita por Mário Jorge Bonito, em Paris, e musicada por José Mário Branco; a "linda Olinda" é Cucha Carvalheiro, actriz de teatro e amiga de ambos; 

"Treze Anos, Nove Meses": outro balanço, desta vez do primeiro casamento do cantor, no momento em que ele chegava ao fim (o título corresponde ao tempo que durou a relação); letra e música foram escritas de um fôlego, numas férias em Odeceixe, em 1977; 


"Sopram Ventos Adversos": mais um poema de Manuela de Freitas, preexistente à sua passagem a canção; o tema "Maiden Voyage", de Herbie Hancock, foi integrado na música por sugestão de Trindade Santos; 

"Eu Vi Este Povo a Lutar": texto militante, música épica, bombos e timbalões a marcarem o compasso; canção escrita originalmente para o filme "A Confederação", de Luís Galvão Teles, estreado em 1978; 

"Ser Solidário": composta também durante o período de trabalho com a Comuna, ao mesmo tempo que "Inquietação". É o corolário sofrido e consciente dos "ventos adversos", das "inquietações" latentes, das raivas soltas. «Ser solidário assim, pr'além da vida / Por dentro da distância percorrida / fazer de cada perda uma raiz / E improvavelmente ser feliz»

Em Dezembro de 1982, numa entrevista à revista "Mundo da Canção", José Mário Branco insistia na ideia de que este disco «encerra realmente um ciclo. Por isso ele é tão heterogéneo, tão multi-estilístico. É, como eu tenho dito, um disco repositório de experiências, um disco património.» E será também, para quem assim o entenda e queira, um testemunho essencial à compreensão das contradições e ansiedades de uma geração que fez do radicalismo de esquerda bandeira e que, mais tarde, da descrença nele guardou as dores e cicatrizes de um estado de alma. Uma inquietação permanente, como diz o cantor: «Há sempre qualquer coisa que eu tenho de fazer / Qualquer coisa que eu devia resolver / Porquê, não sei / Mas sei / Que essa coisa... é que é linda». Nuno Pacheco, 1996 (no livreto da reedição)



NOTA: Eu fui uma das 800 pessoas que na altura comprei o disco por antecedência, sem obviamente ter a certeza de que um dia ele seria editado. Mas os tempos que então se viviam ainda eram tempos de esperança, de confiança nas pessoas. Por isso, foi com uma alegria imensa que vivi aquela noite inesquecível de 14 de Abril, uma quarta-feira, quando o "Ser Solidário" me veio parar às mãos, após o concerto de apresentação na Aula Magna, em Lisboa. Ainda o conservo, como uma jóia rara e preciosa. Há tempos quis comprar a edição em CD, mas encontra-se esgotada; e, para surpresa minha, a editora que actualmente detém os direitos (EMI) descatalogou o album, não tendo qualquer intenção de o voltar a editar. Por isso, é de aproveitar esta oportunidade e fazerem o download da cópia que fiz directamente do LP original. Até porque o som ficou excelente.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

BUFFALO SPRINGFIELD: THE 2ND ALBUM

Original released on LP ATCO SD 33-226
(US 1967, October 30)

Due in part to personnel problems which saw Bruce Palmer and Neil Young in and out of the group, Buffalo Springfield's second album did not have as unified an approach as their debut. Yet it doesn't suffer for that in the least - indeed, the group continued to make major strides in both their songwriting and arranging, and this record stands as their greatest triumph. Stephen Stills' "Bluebird" and "Rock & Roll Woman" were masterful folk-rockers that should have been big hits (although they did manage to become small ones); his lesser-known contributions "Hung Upside Down" and the jazz-flavored "Everydays" were also first-rate. Young contributed the Rolling Stones-derived "Mr. Soul," as well as the brilliant "Expecting to Fly" and "Broken Arrow," both of which employed lush psychedelic textures and brooding, surrealistic lyrics that stretched rock conventions to their breaking point. Richie Furay (who had not written any of the songs on the debut) takes tentative songwriting steps with three compositions, although only "A Child's Claim to Fame," with its memorable dobro hooks by James Burton, meets the standards of the material by Stills and Young; the cut also anticipates the country-rock direction of Furay's post-Springfield band, Poco. Although a slightly uneven record that did not feature the entire band on several cuts, the high points were so high and plentiful that its classic status cannot be denied. (Richie Unterberger in AllMusic)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

"One From The Heart" - OST (Special Edition)

Original released on LP CBS 70215
(Europe, February 1982)


This is a special edition of the soundtrack from Francis Coppola's mythical movie. I've always adored "One From the Heart" and that's the reason I've extended in July 1999 the original album into this one, adding dialogues from the movie and also 2 bonus tracks by Tom Waits. So, if you are a fan of the movie you must profit this occasion to get something unique, which you won't find anywhere else.

"One From the Heart" is the score to the most misunderstood of Francis Ford Coppola's films. Far ahead of its time in terms of technology, use of color, montage, and set design, its soundtrack is the only thing that grounds it to earth. Coppola's movie is a metaphorical retelling of the exploits of Zeus and Hera set in Las Vegas. Coppola claims to have been taken with the male-female narrative implications of the track "I Don't Talk to Strangers," off Tom Waits' "Foreign Affairs" album. That cut was a duet with Bette Midler. Midler wasn't available for "One From the Heart", however, so Waits chose Crystal Gayle as his vocal foil. The result is one of the most beautifully wrought soundtrack collaborations in history. Along with producer Bones Howe, Waits and Gayle cut their duets largely from the studio floor, live with the small combo-style studio band that included the saxophonist Teddy Edwards, drummer Shelly Manne, trumpeter Jack Sheldon, pianist Pete Jolly, and bassist Greg Cohen, among others. 


The opening cut, a Waits piano intro that flows into the duet "Once Upon a Town," is a study in contrasts: first there are the stark ivories and the tinkle of a coin falling upon a bar before Waits' then-still-smoky baritone (now ravaged indescribably) entwines with Gayle's clear, ringing, emotionally rich vocal, and then joined by Bob Alcivar's string orchestrations before giving way to a jazzed-out down-tempo blues, where the pair sing in call-and-response counterpoint about the disappointments in life and love.


These are echoed a couple of tracks later in another duet, "Picking Up After You," which is the ultimate starstruck breakup tune. And while there are only four duets on the entire set, they are startling in their ragged intimacy, contrasted with a stark yet elegant atmosphere and cool noir-esque irony. Gayle's solo performances on the set, which include the mournfully gorgeous "Is There Any Way out of This Dream," with beautiful accompaniment in a tenor solo by Edwards, and the shimmering melancholy of "Old Boyfriends," are among the finest in her long career. 


For his part, Waits' "I Beg Your Pardon" and "You Can't Unring a Bell" fit deftly into his post-beat hipster canon, though they are offered with less droll irony and more emotionally honest flair here than they would have if they were on his own solo recordings. Likewise, the piano and vocal duet of "Take Me Home" offers Waits' piano as a canny and intuitive counterpart to the deep sensuality of Gayle's vocal. "One From the Heart" is a welcome addition to any soundtrack library to be sure, but also an essential one to the shelf of any Waits or Gayle fan. (Thom Jurek in AllMusic)




sábado, 11 de fevereiro de 2017

50 ÊXITOS DOS ÚLTIMOS ANOS DO LICEU

Quando a agremiação ZECAJOJO anunciou a sua missão de reunir o maior número possível de colegas do 6º e 7º anos do Liceu Salazar de Lourenço Marques em futuras confraternizações gastronómicas, Rato Records, a famosa editora independente do espaço digital, resolveu dar um pequeno contributo à nobre causa daquela agremiação. Tal contributo é agora divulgado e posto à disposição dos internautas: um duplo CD, com 25 temas cada um, intitulado "50 Êxitos dos Últimos Anos do Liceu". Tratou-se de reunir, por ordem cronológica, de Setembro de 1968 a Agosto de 1969 (6º ano) e de Setembro de 1969 a Agosto de 1970 (7º ano), alguns dos temas mais populares daqueles tempos.


Não é um Best Of nem sequer uma listagem de favoritos pessoais. Antes um conjunto de canções que naqueles dois anos lectivos andavam, sem qualquer dúvida, nos ouvidos de todos nós e aí se mantiveram até aos dias de hoje. No próximo Verão serão passados 47 anos que virámos uma página muito importante do nosso livro pessoal. Tínhamos todos 17 anos, e, sem disso nos apercebermos, acabávamos de viver alguns dos melhores anos das nossas vidas. Esta coletânea irá por certo trazer recordações a muita gente, e é dedicada à geração moçambicana de 1953.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

"It's been a long time comin'..."


Original released as LP Atlantic 
SD8229 (US); 588189 (UK)
1969, May 29


CREDITS:
David Crosby - rhythm guitar, vocals
Graham Nash - vocals
Stephen Stills - lead guitar, organ, bass, vocals
Dallas Taylor - drums
Bill Halverson - engineer
Gary Burden - art direction/design
Henry Diltz - cover photo
David Geffen - direction
Ahmet Ertegun - spiritual guidance
Produced by Stephen Stills, David Crosby, Graham Nash
Recorded at Wally Heider's Studio III, Los Angeles


Through the 1960s, power in the music industry gradually moved from managers, promoters, producers, and songwriters, to the performers themselves. Many followed The Beatles’ example and wrote their own material, and by 1968 a small number of musicians were venerated as rock equivalents of the virtuosos of classical music. If one rock superstar made a band great, the logic ran, surely four superstars would make a group four times greater. Stephen Stills had an early taste of the supergroup when he played on “Super Session”, a project arranged by keyboard player Al Kooper, where Stills shared guitar duties with Mike Bloomfield of The Paul Butterfield Blues Band. In 1969, David Crosby (ex-Byrds) and Graham Nash (ex-Hollies) sang together with Stills at a party in Los Angeles. Genuinely surprised by how well their voices blended, they got together and recorded this album, which made the US Top 30 and UK Top Ten.


As well as the hit single “Marrakesh Express”, the album includes the multisectioned “Suite: Judy Blue Eyes”, written for Judy Collins, and Crosby’s “Long Time Gone”, inspired by the assassination of Robert F. Kennedy and used by Michael Wadleigh as one of the tracks which introduced his Woodstock movie. “Lady of The Island” was about Joni Mitchell, and “Guinevere” was written for Crosby’s girlfriend Christine. The album’s textured production perfectly suits the simmering vocal harmonies, and is to this day one of the more convincing arguments for old-fashioned vinyl and the analog mixing desk. It would all go downhill from here, unfortunately. Despite their often-inspired work with Neil Young in the following decade, they would never quite shake off the “disillusioned hippies with too much money and drug problems” aura. But this first, excellent three-quarters of an hour of wistful exuberance remains a landmark. (Joel McIver in “1001 Albums You Must Hear Before You Die”)


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