quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

DEMÔNIOS DA GARÔA "Trem das 11"

Edição original em LP Chantecler CMG 2294 (mono)
(BRASIL, 1964)

Os Demônios da Garôa foi um dos conjuntos vocais mais ativos da música brasileira. Nasceu em São Paulo em 1943 com o nome Grupo do Luar, tocando em festas e serenatas. Ganharam o primeiro prêmio de um concurso de rádio, e foram contratados pelas Emissoras Unidas. Ganharam notoriedade ao se consagrarem campeões do carnaval paulista de 1951 e 1952 com dois sambas de Adoniran Barbosa: "Malvina" e "Joga a Chave" (com Osvaldo Molles). Responsáveis pelos maiores sucessos de Adoniran, os Demônios da Garôa fizeram as gravações originais de "Saudosa Maloca", "Samba do Arnesto" e "Trem das Onze". Continuaram produzindo muitas gravações nas décadas de 60, 70, 80 e 90, entrando no Livro Guiness de Recordes e 1994 como o mais antigo grupo em atividade no mundo. (in Cliquemusic)

PAUL SIMON FIRST LIVE ALBUM

Original released on LP Columbia 32855
(US, April 1974)

One thing Simon & Garfunkel never did much of was tour, so a Paul Simon solo tour, following two commercially successful solo albums, was one more way for Simon to distance himself from the duo and, simultaneously, by performing songs like "The Boxer" and "Homeward Bound," to reclaim his songwriting catalog. Reflecting the musical explorations he had pursued since S & G, Simon brought along Brazilian group Urubamba and gospel group the Jessy Dixon Singers. The result wasn't perfect: nobody needed to hear "Jesus Is the Answer" (a Dixons spotlight number) on a Paul Simon album, and if it was inevitable that he would try his own version of "Bridge Over Troubled Water," it was also predestined that he wouldn't come near to matching Garfunkel's original. Though the album was, like most live albums, artistically redundant (there was nothing new, and none of the live versions improved upon the studio ones), it served as a career statement and it had a marketing function, buying the relatively slow-working Simon time between new studio releases. (William Ruhlmann in AllMusic)

LIVE SONGS FROM MR. COHEN

Original released on LP Columbia KC 31724
(US, April 1973)


Difficult to find and seemingly assembled from spare parts, "Live Songs" is the shabby orphan in Leonard Cohen's catalog. It is also one of his most thrilling releases. Culled from a series of 1972 concerts (except for "Tonight Will Be Fine" from the Isle of Wight festival), the album consists of compositions from 1969's "Songs From a Room" and a handful of otherwise unavailable material. Those familiar with "Songs From a Room" will find that the live versions improve upon their studio counterparts, which sound like they were recorded down a well. The spirited hoedown rendition of "Tonight Will Be Fine" includes two extra verses, and the lovely, restrained performance of "Bird on the Wire" may be definitive. As for the oddities, Dick Blakeslee's spry political allegory, "Passing Through," suits Cohen's dry delivery, and the hypnotic instrumental "Improvisation" reveals a rarely seen side of his musical personality. Curiously enough, the haunting prologue and the poem-as-dirge "Queen Victoria" don't seem to have been recorded live at all. The centerpiece of the album, however, is "Please Don't Pass Me By," a monstrous 12-minute rant, both outrageous and deadly serious, apparently half written, half made up on the spot. Cohen dedicates the song to a host of outcasts, including "the cripples, the maimed, the freaks...the burned, the burning...the Jews and the gypsies" killed in the Holocaust, "the children of England," and "a savior with no one to save," then goes on to beg some unspecified addressee (the listener?) to get naked for him. Before the song is over, he declares that he can't stand himself and instructs the members of the audience to "go home with someone else." Only a daredevil artist could freak out so totally and articulately before a crowd of paying customers. Cohen fanatics will know they've hit the jackpot when they hear "Live Songs". Anyone who cares about poetry and raw emotional honesty in popular music should at least find it interesting. (Daniel Browne in AllMusic)


terça-feira, 29 de novembro de 2016

ELBA RAMALHO - OS PRIMEIROS ALBUNS

Edição original em LP Epic 235.027
(BRASIL, 1979)


Normalmente escrevo sobre apenas um disco em cada post aqui em meu blog. Mas neste caso não há outra saída. Meu coração ainda não decidiu de qual dos dois discos sobre os quais quero falar ele gosta mais. Quantas lembranças em cada um. Quantas tempestades de emoções. Quantos trovões sacudindo a alma. Mas tudo bem, cabem os dois em meu coração . E são eles "Ave de Prata" e "Capim do Vale". Primeiro e segundo trabalhos de Elba respectivamente. São parecidos no som e nas lembranças. O mesmo mandacarú rasgando a carne, o mesmo carcará voando alto sob o sol. Após ouvir todo o disco "Ave de Prata", fica a certeza: este disco era necessário, essa cantora tinha de existir. "Canta Coração", um recado de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, traz um sentimento morno ao coração. Uma guitarra que acredito ser de Robertinho do Recife ( me corrijam por favor se estiver enganado), faz meu "alegre coração triste como um camelo" chorar a ausencia da namorada. Primeiro disco, primeira música, primeiro impacto. Chico Buarque não poderia escolher alguem melhor para cantar "Não Sonho Mais". Eu é que vivo sonhando com aqueles bons tempos. A sanfona lembra que o forró é bom, mesmo moderno. Não vou ficar aqui dizendo que antigamente se fazia discos com um time de primeiríssima linha de músicos, é só pesquisar a ficha técnica e confirmar.


Zabumba, sanfona, triângulo e Elba Ramalho. "Eu sonhei contigo e cai da cama...diz que me ama e eu não sonho mais". Veja se não dá vontade de ver a lua nascer em uma cidadezinha do interior ao ouvir "Veio d´Agua". A voz de Elba causou estranheza naqueles anos efervescentes. Alguns diziam que ela gritava. Este meio que baião "Razão de Paz" deve ter ajudado neste engano. A voz forte e cristalina é alta e cortante. Eu adorei já na primeira palavra. Uma coisa a aprender com este disco e principalmente nesta faixa chamada "Baile de Máscaras", é o uso de elementos modernos perfeitamente casados com o tradicional. E esta música apesar de não ser nenhum hit, ou alguma obra prima, tem uma estrutura gostosa de ouvir, simples, franca e direta. "Filho das Índias" foge um pouco do clima, mas não estraga o disco. Mas a faixa título, "Ave de Prata", esta sim é responsável pela emoção principal  que traduz o disco. Tinha de ser de Zé Ramalho. Violões e bordões e cavaquinhos e o lamento na voz de Elba. Bastava isto mas logo após temos Kukukaya - o jogo da asa da bruxa. "São quatro jogadores nesta mesa, frente a frente para jogar", eia, eia o jogo sujo da vida. E meu amor onde andava nestes tempos? Kukukaya eu quero voce aqui, presta atenção em mim. Ainda temos outras coisas...ouça o disco.


Edição original em LP Epic 235.048
(BRASIL, 1980)


Uma cascavel armando o bote e balançando o maracá. A segunda investida, o mesmo som perfeito, ainda o nordeste queimando sob o céu azul sem sol dentro do "Caldeirão dos Mitos". Forró, um fole de oito baixos no sertão. Quem já se apaixonou sabe o "Nó Cego" que dá no peito. Essa canção tem algo de maracatú no sacolejo da voz de Elba somado a um som de cítara. Eitcha nóis. Pés de Milho, andarilhos como nossos filhos. Um naipe de cordas emoldura com elegância clássica a melodia andarilha desta canção. Pura emoção. Depois vem um revisitação de "Légua Tirana" de Luiz Gonzaga (sua benção) e Humberto Teixeira. Quem teve a felicidade de ouvir mestre Lua cantar esta música, sabe da responsabilidade desta moça recem-chegada ao mundo do estrelato da mpb. "Porto da Saudade" tem todos os elementos nordestinos, desde a letra, até o triângulo marcando sempre e até o fim da canção. O auge da reverência ao nordeste está na interpretação visceral de "O Violeiro" de Elomar. Só Elba e uma viola ponteada. "Amor, forria, viola, nunca dinheiro. Viola, forria, amor, dinheiro não". Como disse antes, tem mais coisa no disco. Ouçam estes discos...eles são muito bons. (in OuçaEsteDisco)



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CHICO BUARQUE - Os Primeiros Anos

A imagem que o público fixou de meu filho não é correta. Para o público, Chico é tímido (antes de tudo, tímido), bonzinho, retraído. Nada disso. Pelo menos em família e com os amigos, é completamente diferente, um rapaz brincalhão, extrovertido, bem para fora. Quando ele aparece em público, torna-se diferente. Talvez seja o medo de parecer ridículo. Mas podem crer, ele não é tímido, nem bonzinho. É, sem dúvida, uma boa pessoa. Mas não bonzinho, no sentido em que esta palavra é interpretada. Quando criança, jamais foi um rebelde. Posso assegurar que se tratava de uma criança normal. Procurava sempre ser independente. E essa independência ele afirmava, procurando fazer tudo o que faziam os irmãos mais velhos. Não era nem ligado ao pai nem à mãe. Dava-se bem com todos. Com as irmãs, tias e avós. Quando viajamos para a Itália (nesse tempo tinha 8 anos), deixou para avó um bilhete: «Avó, vou para Itália. Quando eu voltar, provavelmente a senhora estará morta. Mas não se preocupe. Eu vou me tornar um cantor de rádio. É só a senhora ligar o rádio do céu que vai me escutar». Desde menino, sempre se interessou por música e futebol. Jogo, não perdia uma irradiação. Seus ídolos eram Telê, do Fluminense, e Pagão, do Santos. Na Itália, torcia pelo Genoa. Da música popular, seus ídolos eram Ismael Silva, Caymmi e Ataulfo Alves. Mas tarde, João Gilberto, de quem procurava imitar o estilo. Chico também não é um compositor de classe média, como afirmam por aí. Quando surgiu a bossa-nova, Chico se encontrou com ela. Apreciava muito João Gilberto e ouvia-o seguidas vezes. Vinícius, muito amigo da família, aparecia sempre em festas e Chico ficava a ouvi-lo, com grande admiração.

Desde cedo, Chico já tinha namorada. Sempre foi muito vivo e alegre. Jogava futebol nas ruas, como todos os garotos de sua idade. Quanto aos estudos, dedicava-se a eles principalmente às vésperas de exame. Estudava duas ou três horas seguidas, depois cansava e ia se divertir. Em 1962, quando terminou o curso científico, foi orador da turma, provocando muitas risadas com seu discurso cheio de humor. O sucesso não o mudou essencialmente, chateia-o um pouco, apenas. Hoje, não pode sair às ruas sem que lhe venham pedir autógrafos. Continua fiel aos amigos, embora não tenha muito tempo para se dedicar a eles. Assim que chega a são Paulo, telefona para todos, organiza noitada com eles. Chico sempre viveu em bando, com muitos amigos, uma verdadeira turma. Sua formação é, sem dúvida, paulista. Nasceu no Rio, mas quando completou 2 anos, mudamos para São Paulo. Aqui, passou toda sua infância. Preferiu fazer o científico porque achava que o curso clássico era coisa de mulher. Dado momento, escolheu um ramo bem aproximado do artístico: arquitetura. Ficava em casa criando cidades imaginárias. Todas tinham uma fonte no meio da praça: lembrança das fontes de Roma, onde moramos algum tempo. 

Chico, em vez de começar a falar, cantou. Desde que tentou se expressar foi através da música. Mas tarde, ficava com as irmãs aí pela sala, inventando música. Dizia que já que não conhecia de cor música de outros compositores, era obrigado a inventar as próprias. O sucesso veio de repente, sem que ninguém esperasse. Recebi a notícia de que Chico tinha ganho o Festival de Música Popular Brasileira com "A Banda", quando estava em Nova York. Um jornal norte-americano publicou a notícia. Claro que me senti muito orgulhoso. Cheguei à conclusão - o que uma revista publicou na época - de que, antes, ele era meu filho. E depois do festival eu passei a ser o pai dele. Não há posição melhor. Das suas músicas todas, gosto mais de "A Banda", "Pedro Pedreiro", "Roda Viva" e "Carolina". Nunca me esquecerei do dia em ouvi "A Banda" pela primeira vez, em Nova York, na casa de um amigo. Foi uma grande emoção. Não obstante todo o sucesso, o qual não lhe provoca muito prazer, é bem capaz de Chico largar tudo isso e partir para uma outra coisa qualquer, bem diferente. Ele é bem capaz disso. Muito inquieto. Muito inteligente. Sempre gostou muito de ler. Guimarães Rosa é um de seus autores preferidos. Quando fez "Pedro Pedreiro", inventou uma palavra: penseiro. Talvez inspirado em Guimarães Rosa, que também era dado a inventar palavras. Tolstoi e Dostoiévski também eram seus favoritos. Assim como Kafka. Em geral, ele ia lendo tudo o que caía em suas mãos.

A música é responsável por ele ter abandonado o curso de arquitetura, decisão que tomou sozinho. O sucesso abriu uma impossibilidade de estudar. Excesso de compromissos, solicitações. Creio que, na música, ele se realiza mais, se torna muito mais feliz. É preferível um compositor realizado, que um arquiteto frustrado, como todo mundo sabe. Quando vai compor, geralmente fica isolado, no quarto, sozinho. A música e a letra sempre nascem juntas, uma ligada à outra, indissoluvelmente. Desde que aprendeu a tocar violão, com sua irmã Heloisa, hoje casada com João Gilberto e morando em Nova York, nunca mais deixou de compor. Sua adolescência foi normal, sem nenhum conflito especial. Posso considerá-lo um rapaz feliz. Suas primeiras composições falavam de amor. Mais tarde, quando ingressou na faculdade, passou a fazer música de participação, sendo que a primeira foi "Pedro Pedreiro". A família ficou um pouco tonta com o sucesso tão fulminante, tão rápido. Mas já nos acostumamos. Chico é que não se habituou a ele. Ficou muito contente de ter ido a Paris, porque ninguém o conhecia por lá. Talvez o sucesso tenha provocado uma espécie de defesa, tornando-o um pouco retraído. De fato, meu filho não é tímido. É bem diferente a imagem que temos dele. Trata-se de uma pessoa normal, alegre, sem problemas graves de personalidade. Eu sei o que eu estou falando. Sou seu pai há 23 anos. (Sérgio Buarque de Hollanda, 1968)

OS PRIMEIROS ALBUNS DE NARA LEÃO (1964)

Nara Leão  (19/01/1942  > 07/06/1989)

Nascida no Espírito Santo, mudou-se para o Rio de Janeiro aos dois anos de idade. Oriunda de uma família de classe média, começou a ter aulas de violão na adolescência com Solon Ayala e Patrício Teixeira. Em seu apartamento em Copacabana aconteciam reuniões de música onde, segundo alguns críticos, nasceu a bossa nova. No final dos anos 50 trabalhava como repórter em um jornal e participava de shows de bossa nova, cantando com sua voz curta e acompanhando-se ao violão. Em 1963 estreou profissionalmente no musical "Pobre Menina Rica", de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. No mesmo ano gravou duas faixas no disco "Depois do Carnaval", de Carlinhos Lyra: "É Tão Triste Dizer Adeus" e "Promessas de Você". Já no ano seguinte, quando gravou seu primeiro LP, "Nara", provocou polêmica ao adotar um repertório que, além de bossa nova, incluía diversos sambas de compositores chamados de "sambas de morro", como "Diz que Fui por Aí", "Luz Negra", e "O Sol Nascerá". Ao final de 1964, participou do espetáculo "Opinião", um dos mais importantes do período e um dos primeiros a contestar o regime militar, ao lado de Zé Kéti e João do Vale. Na mesma época gravou "Opinião de Nara", incluindo "Opinião" e "Acender as Velas", "Sina de Caboclo" e "Chegança". No ano seguinte chamou a estreante Maria Bethânia, da Bahia, para substituí-la no espetáculo. Assim, nesse show, Nara Leão foi diretamente responsável pelo surgimento da estrela Bethânia e pelo resgate de autores como João do Vale e Zé Kéti.


 Edição original em LP Elenco ME10
(BRASIL, 1964)

Por incrível que pareça, a moça Nara leão tem sido, desde os primeiros passos da Bossa Nova, uma espécie de musa do movimento. O nome de Nara tem sido ligado por muito tempo a todo acontecimento musical de nossa juventude. Com efeito, por incrível que pareça, ainda não havia sido lançada em disco como intérprete da nova geração. E ainda, por incrível que pareça, o seu lançamento neste disco foge, em seu estilo, da bossa nova propriamente dita, para um repertório variado que inclui músicas que nada tem a ver com a bossa nova (compositores como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti). Compositores da nova geração também estão presentes na sua escolha (Carlos Lyra, Edu Lobo, Baden etc.), mas mesmo destes ela se inclina para as composições de tendências puramente regionais. E, finalmente, outro “por incrível que pareça”: Nara procura fugir totalmente de sua personalidade de menina mansa, interpretando, embora de um modo moderno, e com a sua voz pura e inconfundível, aquelas músicas que ela escolheu e que provocam um estranho e agradável contraste. Aqui vocês encontrarão o que há de bom em música, em estilo e interpretação. Aqui vocês vão encontrar Nara Leão. (Aloysio de Oliveira)

 Edição original em LP Philips P 632.732 L
(BRASIL, 1964)

Este disco nasceu de uma descoberta, importante para mim: a de que a canção popular pode dar às pessoas algo mais que a distração e o deleite. A canção popular pode ajudá-las a compreender melhor o mundo onde vivem e a se identificarem num nível mais alto de compreensão. A música popular é um dos mais amplos modos de comunicação que o próprio povo criou, para que as pessoas contassem uma às outras, cantando suas experiências, suas alegrias e tristezas. É fato que, na maioria dos casos, esses sentimentos se referem a situações individuais, a que os compositores conseguem dar amplitude. Mas existem outros problemas, outras tristezas e outras alegrias, não menos profundas e não menos ligadas à vida de todo dia. E os compositores, como Zé Keti, João do Vale ou Sérgio Ricardo, entre outros, falam dessas coisas. Eles revelam que, além do amor e da saudade, pode o samba cantar a solidariedade, a vontade de uma vida nova, a paz e a liberdade. E quem sabe se, cantando essas canções, talvez possamos tornar mais vivos na alma do povo idéias e sentimentos que o ajudem a encontrar, na dura vida, o seu melhor caminho. (Nara Leão)

domingo, 27 de novembro de 2016

GAINSBOURG - LE PREMIER ALBUM

Original released on LP Philips B 76.447 R (mono)
(FRANCE 1958, September 3)

NICOLETTA 73

Original released on LP Riviera 75479 
(FRANCE, 1973)


Intransigent and independent, Nicoletta’s career has been punctuated by various experiments and successes. After her triumphant début in the sixties, this singer with an impressive voice chose to go it alone and manage her career herself. Nicole Grisoni was born in the French Alps, in Vongy in Savoie, on April 11th 1944. She was brought up for the most part by her grandmother, a vital figure in her life and about whom she has often spoken during her career. The young Nicole completed her college education and went to the School of Fine Arts in Lyon. But her talent and passion for singing were already coming to the fore. Jazz, blues and gospel were by far her favourite musical styles and despite her very "variety" orientated career, these genres have constantly re-surfaced in her repertoire. At the beginning of the 60s, Nicole, still very young, "went up" to Paris where, she got jobs a disc jockey in some famous clubs in Saint-Germain-des-Prés. One thing led to another, Leo Missir, artistic director of one of the most powerful record labels, Barclay, spotted her at the time. She recorded her first single in 1966, a cover version of the famous Edith Piaf number, "L’Homme à la Moto", which was itself an adaptation of an American song. On the same album, there was also a cover version of Nino Ferrer's first release, "Pour Oublier Qu’on S'est Aimé". Nevertheless, Nicole, now called Nicoletta, did not feel at home with the realist repertoire of the great French singer, who died three years before. The following year, she brought out a second 45, "La Musique". But it was above all "Il est mort le soleil", released the same year, which marked the her entry into the big league. The title was such a hit that the American singer Ray Charles decided to record an English version. From then on, Nicoletta earned her reputation as a singer with a demanding, even difficult temperament. The conventions of show business did not always suit her, in particular singing in playback, against which she was opposed. On the other hand, the public enormously appreciated her for her exceptional voice and her joyous and rebellious personality.


Alongside her recording success, Nicoletta was also an excellent live performer. Very popular, she established genuine communication with her public and her strong artistic temperament fulfilled itself during these moments. Every year, she toured France, but also appeared at prestigious festivals such as San Remo in Italy or the MIDEM in Cannes (Marché International du Disque). Her popularity had crossed frontiers and she was even known even in Japan. In 1970 came another hit, "Ma vie, c’est un manège", an adaptation of an American song. Then, in 1971, she released another of her biggest hits, "Mamy blue". Written by Frenchman Hubert Giraud, this song was very influenced by gospel and Nicoletta’s rendition of it confirmed her talent, rare in France, for this type of music. Numerous cover versions of the hit were recorded during the following years by artists including Demis Roussos, Dalida and the Golden Gate Quartet. The album Nicoletta released that year, "Visages", was already her third. Accompanied by the group Zoo, she included a Leo Ferré number, "Dieu est nègre", and a song by Gilbert Bécaud, "La solitude ça n’existe pas". Julien Clerc wrote the lyrics of another song on the album. Having begun her career with a cover version, Nicoletta carried on recording already well known material. The beginning of the seventies was a period of constant touring for Nicoletta. In 1972, she toured in Turkey and Africa, did a 100-date tour of France during the summer and autumn and then performed in Japan and Brazil at the end of the year, accompanied at all these engagements by an eight-man group, T.N.T.H.


During this period, she was also appearing frequently on TV, and she stepped up her fight against the virtually obligatory playback in the studios and which most of the in-vogue artists willingly complied with. This same independent spirit led her to start her own record label, Rapa Nui in 73. But more than promoting herself, her aim was to help young artists. She also began to write some of her own lyrics. On this album "Nicoletta 73", there was a cover version of Brazilian Jorge Ben’s "Fio Maravilha". This French adaptation by Boris Bergman was a huge hit. Let's notice the theme tune of Jean-Claude Brialy’s film, "Les volets clos" as well. Nicoletta continued to tour the world and record discs in different languages. In 1974, she received the Charles-Cros award for her album, "Enfants venez chanter l’espoir". She also sang the theme song of the French version of Franklin J. Schaffner’s film, "Papillon". Finally, having already toured throughout France and the world, Nicoletta appeared as top of the bill artist at Paris’s most prestigious music venue, l’Olympia.

sábado, 26 de novembro de 2016

SWEETWATER DEBUT ALBUM

Original released on LP Reprise RS 6313
(US, 1968)

Perhaps the majority of the band formed in L.A., but it was not until the inclusion of Ms. Nevins in San Fran that they became the force that they did. Believe it or not, their was a one hour documentary on the Public Broadcasting channel here in NY about their tragic story. Sweetwater was little more than a coffee house attraction up and down the Cal coast until during a performance one night, Nevins asked to join in on stage. Not only did she wow the crowd, but the band knew instantly that the gods had smiled on them, and she was asked to join them on a permanent basis. This debut album was the only one they would record before her terrible auto accident left her virtually unable to sing. It's filled with beautiful female vocal, semi-progressive, psych influenced west coast rock. The inclusion of various woodwind and string instruments in a rock band was all but unheard of at the time. This album is one of those that should be consisdered essential by any student of the psychedelic 60's. (in RateYourMusic)

This Sweetwater LP debut is the only album to feature Nanci Nevins on vocals throughout, and it's hard to get a grip on. Sometimes it's attractive Californian folk-pop-psych not too far removed from the Mamas & the Papas, as on "Through an Old Storybook"; sometimes it's trying for a rock-Baroque-classical-jazz fusion, although the material doesn't match the ambitions of the arrangements. Whether intentionally or otherwise, Nevins' vocals often recall those of Grace Slick, though she isn't as good. On "My Crystal Spider," they seem to be going for a far-out psychedelic sound; the ascending and descending bit of harsh electronics in the middle sounds uncomfortably close to effects employed, earlier and to more effective use, by the United States of America on "Hard Coming Love." When bands, even on their first album, make multiple comparisons to more renowned acts so inevitable that these form the bulk of a review, it's a good indication that the musicians were not in the same league as those they were trying to emulate. (Richie Unterberger in AllMusic)

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