Foi numa noite festiva de quinta-feira que encontrei o José Cid. Olhei de soslaio para o palco e lá estava ele, todo gingão ao piano a debitar decibéis de música foleira. Não, há música foleira boa. Aquilo era mesmo mau gosto sem arte. Pobre José Cid. Nada faria prever no ano longínquo como a pré-história de 1978 que o autor da formidável odisseia musical pelo espaço, "10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte", se iria tornar num cantor de música comercial medíocre. É verdade. O José Cid é mesmo autor da obra maior do rock progressivo português (considerado pela revista britânica Q Magazine como um dos 100 melhores - do mundo!). E deixem que vos diga que é fenomenal! É um album conceptual de space rock, em que é relatada a destruição da Terra por guerras nucleares, a fuga para o espaço e posterior regresso 10000 anos depois. O espectro sonoro, operático, está recheado com sintetizadores vintage, como mellotrons e moogs, que conferem ao som uma estética que nos lembra a ficção científica com que cresceram os nossos pais, vagamente reminiscente de Pink Floyd. Apesar das letras não veicularem nenhuma mensagem forte (diria que são engraçadas e encaixam no contexto do álbum na perfeição), a voz do José Cid não soa tão mal como nas músicas a que nos habituou, e o seu piano guia-nos melancolicamente pelo negro infinito do céu polvilhado de estrelas e planetas que ressoam nos seus teclados. Parece incrível que um artista que canta "Como o Macaco Gosta de Bananas Eu Gosto de Ti" tenha sido autor de uma obra desta envergadura. Parece incrível que num país culturalmente distante das vanguardas como Portugal se tenha gerado um artista como o José Cid, ainda que depois tenha vergado sob o peso da estultícia da sua pátria. Não há heróis. Só um album ímpar. (Quim Meano)
José Cid is a pretty famous Portuguese musician who recorded this incredibly awesome progressive monster concept album in 1978. "10,000 Anos Depois Entre Vénus E Marte" is a space-influenced prog album featuring a ton of vintage keybords (Moogs, piano, and Mellotron). Songs and melodies are very captivating and the overall feel is highly symphonic with lots of string synths and mellotron. Lyrics are sung in native Portuguese and are quite well done. This classy
concept album by José Cid is an excellent mostly-instrumental symphonic prog
piece with a strong space rock influence in the guitar parts. Like Bo Hansson,
another pop keyboardist who turned his hand to producing prog solo albums, Cid
does not use the album purely as an ego trip - he knows when his (well-played)
keyboards need to be at front and centre, and when he needs to step aside to
let another instrumentalist take the lead. In particular, Zé Nabo's excellent
guitar contributions - reminiscent of Dave Gilmour's work at points - enhance
the album notably. Cid is also adept at using both newer synthesisers and
classic prog stalwarts like the Mellotron, and shows great taste in choosing
which to use when and blending the new and the old. It might have sounded a bit
retro even in 1978, but "10,000 Anos Depois Entre Vénus e Marte" is a fine album - and whilst it might have
been the only solo prog effort by Cid, it's one that I can listen to over and
over again. To the collectors a final advise: if by chance you possess an original vinyl copy, keep it in a safe place, because it is one of the rarest and priceless albums in the universe.








