terça-feira, 21 de junho de 2016

A DANCE DATE WITH DAN HILL


Original Released on LP CBS KLD 4501
(SOUTH AFRICA, 1961)


Este album, que hoje tenho a honra de voltar a partilhar com todos os amigos deste blog tem uma pequena história que vale a pena ser contada aqui.

Sir Louis Percival Tita, intrépito cavaleiro andante sempre em busca de Holy Grails, descobriu um certo dia este objecto, perdido entre muitos outros, no chão poeirento de uma feira de artesãos. «Estranho, muito estranho mesmo», pensou ele com os seus botões ao pegar com todo o cuidado no invólucro de cartão que envolvia por completo o objecto. Mas algo lhe chamou de imediato a atenção: os nomes Dan Hill e João Tudella e o facto daquela rodela negra se deslocar a uma velocidade muito mais lenta do que a que ele estava habituado. Mas como o preço era uma autêntica bagatela, Sir Tita nem hesitou, largou logo ali algumas parcas moedas da sua bolsa, resgatando assim o estranho objecto da solitária condição em que se encontrava. Chegado ao seu castelo de Come-a-Lot, o nosso cavaleiro tratou logo de proteger a sua recente aquisição, destinada a figurar apenas nas vitrines espalhadas pelos longos corredores onde tinha por hábito guardar os seus tesouros.


Mas Sir Louis Tita tinha um diário onde costumava dar conta das suas andanças pelos quatro cantos do Reino, para gáudio dos seus amigos mais íntimos que tinham a permissão de o ler (e até comentar) durante os serões passados à volta da Tábua Arredondada. Um desses amigos era o Duque Carlos de Cornwall, que habitualmente zelava pelos tesouros do palácio. Assim que vislumbrou o novo artefacto, o Duque só a muito custo conseguiu reter as lágrimas pois aquele estranho objecto era nem mais nem menos do que um dos seus grandes amores de juventude. Sentiu-se rejubilar, invadido por uma felicidade sem limites. Mas depressa se deu conta também do mesmo problema, a velocidade a que aquela rodela tinha de girar para que os mágicos sons nela escondidos se pudessem soltar. É que havia necessidade de um aparelho especial com certas características para a rodela negra poder caminhar ao ritmo a que estava acostumada, sem correr o risco de sofrer uma qualquer síncope fatal. E aparelhos desses encontravam-se há muito perdidos nas brumas do tempo. Lembrou-se então de Sir Mouse, Marquês de Ratolândia, o qual mantinha há muitos anos uma relação privilegiada com o Mago Louis Merlin, mais conhecido pelo “nobre” dessa citadela, pois tinha ainda sangue azul a correr-lhe nas veias. Sir Mouse, com a ligeireza habitual, logo tratou de contactar o seu vizinho. E passados alguns dias, mais uma vez a magia do Mago Merlin produziu o efeito desejado: a rodela negra ganhou vida, reaprendeu a andar a uma velocidade normal e a partir de agora não mais ficará a criar pó em qualquer prateleira, pois os seus sons, enfim libertos, passarão a cativar de novo os ouvidos mais exigentes.



3 comentários:

ié-ié disse...

Nota mil!

Sir Louis Percival Titá

Anonymous disse...

Grande paródia, este texto, sobretudo para os "habitués" do blog YéYé.

classic disse...

I knew about 16 RPM records but I thought they were used for speech recording only.
There is an old Dual player at home with 4 speeds: 16, 33, 45, 78 RPM.
:)

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