Meu amor que eu não sei
amor que eu canto
amor que eu canto
amor que eu digo.
Teus braços
são a flor do aloendro.
Meu amor
por quem parto
por quem fico
por quem vivo.
Teus olhos
são da cor do sofrimento.
Amor-país
quero cantar-te
como quem diz:
como quem diz:
o nosso amor
é sangue
é seiva
é sangue
é seiva
é sol
é Primavera.
é Primavera.
Amor intenso.
Amor imenso.
Amor instante.
Amor imenso.
Amor instante.
O nosso amor
é uma arma
é uma espera.
é uma arma
é uma espera.
O nosso amor
é um cavalo alucinante
é um cavalo alucinante
o nosso amor
é pássaro voando
mas à toa
rasgando o céu
é pássaro voando
mas à toa
rasgando o céu
azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo.
Amor sorrindo.
Amor doendo.
O nosso amor
é como a flor do aloendro.
é como a flor do aloendro.
Deixa-me soltar
estas palavras amarradas
para escrever com sangue
o nome que inventei.
o nome que inventei.
Romper
ganhar a voz
duma assentada
dizer de ti
as coisas que eu não sei.
as coisas que eu não sei.
Amor.
Amor.
Amor.
Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade.
Amor-cidade.
Amor-cidade.
Amor-abril.
Assim se lê o poema que baptiza este disco, um dos mais límpidos trabalhos de Carlos Mendes. O dicionário fornece os seguintes significados para essa palavra: claro, transparente, puro, sem mancha, qualquer deles adaptando-se na perfeição ao pulsar geral do album. Ao poema-título Joaquim Pessoa adicionou mais dez e Carlos Mendes teve o bom gosto de os musicar a todos. Nascia assim, entre os meses de Fevereiro e Agosto de 1976, o 1º album publicado pela “Toma Lá Disco”, a primeira editora discográfica independente que existiu em Portugal, fundada nesse mesmo ano por Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo, entre outros autores. Não admira portanto que estes últimos tenham colaborado também na gravação deste disco, quer adicionando as suas vozes aos coros quer participando como músicos de estúdio. Aliás, é impressionante a quantidade (e qualidade) dos músicos presentes (ver ficha técnica) o que não impediu o som final de apresentar as tais características simples e cristalinas a que se fez referência.
CANÇÃO AMARGA
Descubro em ti
a dor que eu próprio invento
a fúria que me bate
a força que me chama
a força que me chama
amor agreste
a rosa sobre a lama
a rosa sobre a lama
chuva de Abril
anel de sofrimento.
anel de sofrimento.
Descubro em mim
o porto aonde moras
e a tua ausência
na cama onde me deito
na cama onde me deito
Invento a flor mais triste
quando choras
quando choras
e a noite principia
no meu leito
no meu leito
Tu és o linho
o beijo
a despedida
és o instante
a hora
a vida inteira
a hora
a vida inteira
és o meu lume
o fogo da lareira
o fogo da lareira
a fúria da razão
mesmo vencida.
mesmo vencida.
Eu sou o vinho
a raiva
ou a loucura
já nem sou nada
sou tudo o que quiseres
sou tudo o que quiseres
mas onde estás?
onde é que eu te procuro?
onde é que eu te procuro?
pássaro triste
irei onde estiveres.
irei onde estiveres.
Ai meu amor
meu canto de amargura
meu canto de amargura
morres em mim
tão perto de viveres!
tão perto de viveres!






13 comentários:
Tal como o nosso amigo Rato diz este album é uma "pérola rara da música portuguesa". Lembrava-me da maioria das canções, lembrava-me da belissima capa também. O que não me lembrava era de ouvir o album inteiro, assim do princípio ao fim. Acho que nunca o cheguei a comprar quando ele saíu ou se o fiz ele perdeu-se de mim há já muitos anos. Por isso mesmo MUITO OBRIGADO RATO, por esta prenda tão bonita.
Incompreensivelmente até a Enciclopédia da Música Ligeira Portuguesa é omissa sobre esta obra-prima: na entrada consagrada a Carlos Mendes o ano de 1976 apenas traz uma referência a um disco infantil, "Operários do Natal", também editado pela "Toma Lá Disco". Como é que se pode passar ao lado de um album tão fundamental como este? Pelos vistos sempre se passou e sempre se continua a passar.
Isto é realmente muito muito bom. Obrigado Rato!
João Pimentel
Acho que vou levar o disquinho debaixo do braço quando for ver Os Sheiks prá semana que vem e fazer uma surpresa ao Carlos Mendes com uma cópia em CD. É bem possível que ele próprio não tenha o original, mas esse é claro que não lho ofereço, peço-lhe é uma assinatura na capa interior.
Julgo que a razão principal da não re-edição do album se prende com a extinção da editora "Toma Lá Disco" (já não existe, pois não?). Mas os direitos devem pertencer a alguém, não?
Missão cumprida! Apesar de ter ainda o vinil original o Carlos Mendes ficou agradavelmente surpreendido pela cópia em CD que lhe ofereci ontem à noite no São Luiz, depois do espectáculo dos Sheiks (grande momento, o da imitação do Elvis)
Foi bom ter passado por aqui.
Obrigado
http://deltagata4.blogs.sapo.pt/
Se cada par de namorados (ou amantes...ou...) tem uma música, esta é a nossa...
Lembra-me o beijo...não UM beijo, mas O Beijo. (já fez 25 anos...)
Obrigado
Eu possuí o LP "Amor Combate". For herança de um irmão mais velho. No entanto nas voltas da vida, acabou por desaparecer...Agora, fuçando na net, à procura de algum link milagroso vim pousar aqui no seu blog. Mas pobre de mim, o link esfumou-se.
Se por acaso num vislumbre de tempo, pudesse enviar-mo ou quem sabe, recolocar aqui de novo...
Um grande bem haja
Al.
Um autêntico serviço público, este maravilhoso blogue, onde a quantidade é sempre preterida face à qualidade (contrariamente à grande maioria dos blogues que por aí abundam e que normalmente "vendem gato por lebre"). Muito obrigado pelo cuidado posto em todos os posts - que nos garantem, sempre, uma grande qualidade gráfica e sonora.
Bem hajam!
Mais uma vez, os meus agradecimentos pela reposição deste álbum, cumprimentos e continuação de excelente trabalho.
Viva Rato!
Excelente a ideia de digitalizar estas pérolas da nossa memória colectiva.
Não sei se posso e como posso aceder aos ficheiros digitalizados.
Será possível o envio de uma dica?
Serafim Prates
Estimado Rato, voy a estar muy agradecido si usted permite descargar este disco. Eugene
¡Muchas gracias!
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