segunda-feira, 7 de abril de 2008

CHARLTON HESTON: 1924 - 2008

Pessoalmente pouco me interessa que o homem John Charles Carter, falecido no passado sábado aos 83 anos, tenha sido um poço de contradições: primeiro democrata e depois republicano; amigo de Reagan e dos Bush mas também de Martin Luther King com quem chegou a desfilar em numerosas ocasiões a favor dos direitos cívicos, apesar de mais tarde se ter tornado um defensor acérrimo do uso de porte de armas, das quais tinha uma coleção de umas centenas largas (foi durante muitos anos Presidente da Associação Nacional Americana de Armas). Essa sua fixação pelas armas vinha dos tempos passados ao ar livre na sua infância no Michigan, onde aprendeu a caçar e a viver da natureza como os americanos pioneiros o tinham feito. Mas num país tão cheio de contradições como a América até faz sentido a existência de pessoas assim. «Political correctness is tyranny with manners», era um dos seus lemas de vida.
Mas, como disse, nada disso me interessa. Para mim, o que realmente conta, é que o actor Charlton Heston (nome tirado do apelido de solteira da mãe – Lila Charlton e do apelido do padrasto – Chester Heston) me deu dois dos filmes da minha vida: “Ben-Hur”, em 1959 e “Planet of the Apes”, em 1968. E digo que “me deu” porque na verdade se não fosse ele a interpretá-los nenhum desses dois filmes teria atingido o panteão das obras imortais.
Houve muitos e melhores actores do que ele, não tenho qualquer dúvida em afirmá-lo. Mas muito poucos tinham aquele carisma, aquele dom especial que nos fazia acreditar na existência de homens indestrutíveis, maiores do que a própria vida. Foi sempre assim que o vi, nas diferentes personagens que encarnou pelos anos fora: Brad Braden (“The Greatest Show On Earth”, 1952); Moses (“The Ten Commandments”, 1956); Ramon Vargas (“The Touch of Evil”, 1958); Judah Ben-Hur (“Ben-Hur”, 1959); Rodrigo De Vivar (“El Cid”, 1961), Major Matt Lewis (“55 Days at Peking”, 1963); Michelangelo (“The Agony and the Ecstasy”, 1965); George Taylor (“Planet of the Apes, 1968); Will Penny (“Will Penny, 1968); Robert Neville (“The Omega Man”, 1971); Robert Thorn (“Soylent Green”, 1973): Stewart Graff (“Earthquake”), só para citar os mais carismáticos.
Como certa vez ele próprio afirmou:
«If you need a ceiling painted, a chariot race run, a city besieged, or the Red Sea parted, you think of me».
Ou ainda:
«I have played three presidents, three saints and two geniuses. If that doesn't create an ego problem, nothing does».

6 comentários:

Anonymous disse...

Nowadays there aren't actors like this anymore. Besides his own human contradictions he was an actor "bigger than life", who gave us memorable perfomances.
He had the gift of leadership on screen, which could made us to follow him until the end of the world.
Rest in Peace, Judah!

InimaGoncalves disse...

Eu também gosto do desempenho do Charlton Heston, que imortalizou vários filmes que assisti, como Ben Hur, Os Dez Mandamentos, O Planeta dos Macacos, El Cid e outros. Sua atuação no cinema suplantou suas deficiências, como ser humano. Além do mais, que sou eu para julgar alguém, não é ? Seus personagens ficarão na minha memória, pois vai ser difícil esquecer de tão excelente ator. Que ele esteja já em paz!
Inimá - Brasil

Tony disse...

I will not miss him.

His politics were unfortunate. There are too many guns in this country and he was part of the problem, not part of the solution. He could have helped teach young people how serious and deadly weapons are, he chose instead to become a ridiculous caricature of the macho life-killing type that did our "other" heros in.

Anonymous disse...

I'm afraid that his guns defense reflects somehow what America is nowadays. And I can't condemn him for that, 'cause he really believed his own convictions:
"Here's my credo. There are no good guns, There are no bad guns. A gun in the hands of a bad man is a bad thing. Any gun in the hands of a good man is no threat to anyone, except bad people."
Instead, I'll always remember the actor who gave us so many unforgettable perfomances during his lifetime.
Richard Payne

nowhereman disse...

Como é que se pode sentir a falta de alguém que nunca conhecemos na vida real? Não é por certo o seu desaparecimento físico que pode estar na origem de tal perda.
No caso presente já há muitos, muitos anos que o actor Charlton Heston me faz falta. Praticamente desde os inícios dos anos 70 que coincidiram com o fim da minha adolescência. E passados tantos anos ainda me continuo a lembrar dele e por isso a rever de vez em quando todas aquelas figuras enormes a que ele deu vida e sobretudo credibilidade no grande écran. Sim, porque Charlton Heston, no seu período áureo, era um daqueles actores que nos conseguia fazer acreditar em tudo: que o homem poderia vir a ser subjugado pelo macaco ou mesmo que Deus pudesse ter existido para poder ter transmitido os seus mandamentos ao líder escolhido.
Ao longo dos anos tenho-me rendido a actores e actrizes pela sua inquestionável qualidade artística. Charlton Heston nunca esteve na verdade entre os melhores dos seus pares. Mas antes ou depois dele não existiu nenhum outro que tivesse aquele magnífico poder de persuassão, de "make believe". Que, como disse atrás, até em Deus me fez acreditar!

Eugénio disse...

Um Canastrão como actor, um Coirão como pessoa

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