Edição original em CD Duplo
Warner Music Portugal 0190296911965
(PORTUGAL 2018, Junho 1)
Canções feitas para filmes, maquetes restauradas a partir de bobines originais, singles e temas obscuros há muito perdidos e agora recuperados. Eis "Inéditos 1967-1999" - que não tem só inéditos. A capa, tão simples que só tem autor e título inscritos em fundo branco, até já motivou na internet comparações curiosas com o “álbum branco” dos Beatles (de título homónimo, mas assim nomeado devido à capa). Ouve-se o disco e logo no primeiro tema surge um dedilhado de guitarra e a voz de José Mário Branco a cantar versos nunca ouvidos: “Quantas Sabedes Amar, amigo”. É quanto basta para perceber que "Inéditos 1967-1999" está recheado de pérolas.
O título do disco merece discussão, porque alguns dos 26 temas do álbum de 2 CDs que José Mário Branco acaba de editar não são inéditos, foram já lançados em EPs, LPs e singles. Todos em formato físico e em grande medida há muito tempo perdidos, é certo. É o caso das "Seis Cantigas de Amigo" que J.M.B. gravou para os Arquivos Sonoros Portugueses, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça (a que acresce uma maquete que ficou de fora da seleção desse EP). É também o caso de “Ronda do Soldadinho” e “Mãos ao Ar!”, um par de temas editados em formato single. Ou ainda “Le Proscrit de 1871”, uma colaboração do músico com o grupo francês Organon.
Mais temas esquecidos recuperados? As canções escritas para os filmes portugueses “Gente do Norte” (“Cantar da viúva de emigrante”) e “O Ladrão do Pão” (“Fuga do Mar”), por exemplo, mas também “Quantos é que Nós Somos”. Esta última foi registada num disco de homenagem a Otelo Saraiva de Carvalho, "Obrigado Otelo", editado em 1989. Além de “Quantos é que Nós Somos”, o álbum incluía temas de Carlos do Carmo (“O Madrugar de um Sonho”), Chico Buarque (“Bancarrota Blues”) e Billy Bragg (“Rotting on Remand”), entre outros.
Estes são temas a que um colecionador de discos dificilmente torcerá o nariz, sobretudo se for minimamente conhecedor e fã da obra musical de José Mário Branco. Mas são outros, os nunca antes registados em CD e vinil, os grandes trunfos. Entre eles destacam-se a maquete, só agora revelada, “Fim de Festa”, o quarteto instrumental em três andamentos “Fantaisie Languedocienne” e os temas compostos propositadamente para filmes de Paulo Rocha e Jorge Silva Melo, respetivamente "A Raiz do Coração" (2000) e "Agosto" (1987). Da banda sonora do último, J. M. B. recuperou cinco canções.
Quer as canções nunca editadas — algumas inclusivamente restauradas a partir das bobines originais — quer os temas raros recuperados de edições esgotadas em vinil, foram selecionados pelo próprio José Mário Branco para integrar este disco. “Cuidadosamente”, assinala a editora e constata o ouvinte. (in Observador)





Sem comentários:
Enviar um comentário