sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

PATXI ANDIÓN: 1969 >>> 1973

«Me asustan los héroes. Las posiciones lineales, admirables y claras. Algunos construyen su fama siendo fieles a su característica más eficaz, conocida y general. Yo no he logrado mantenerme atrincherado en ninguna de ellas y por contra he conseguido vagar por mis aspectos más oscuros, desconocidos y banales. Consumido por la fiebre de vivir, mi obra es mi vida y mis canciones sólo son pretextos para ese hálito que alimenta el sueño de los poetas y arde en el corazón de los rebeldes. Vivir siendo libre.»


Palavras de Patxi Andión proferidas em Outubro de 1996, na cidade de Madrid, onde nasceu a 6 de Outubro de 1947, com o nome de Francisco José Andión González. Gostava de cantar. Aos cinco anos apareceu pela primeira vez em público. Aos doze, formou o seu primeiro conjunto musical. Fez-se rockeiro. Cantava "Popotitos", “La Plaga” ou “El Rock de la Cárcel” em pequenos grupos pop, como Los Camperos, Los Silvers ou Los Dingos, dos quais não reza a história. Logo depois, entrou num barco bacalhoeiro e chegou à Terranova. «Fui um lobo solitário, toda a minha vida» - conta Patxi - «Um lobo das estepes, que viveu mal e passou muita fome.»



Quando se fartou da aventura marinheira, lembrou-se da sua outra vocação, a música. E foi para Paris, porque adorava as canções de Brassens, de Brel, de Piaf, de Greco. Durou ano e meio a sua estadia na capital francesa. De guitarra na mão, cantava num recanto da estação de metro Odeón. Depois, num cabaret chamado "La Candelaria". E no "La Contrascarpe" e "L'Escale". Vagueava pelas caves de Montparnasse e pelos bares de alterne de Paris, quando os acontecimentos de Maio de 68 o despertam para a política e para as lutas estudantis. Volta pouco depois a Espanha para cumprir o serviço militar. Tem 21 anos.


Começa por compor para outros artistas, como Mari Trini, e em 1969 grava o primeiro disco, o single “Canto / La Jacinta”, a que se segue “Rogelio”, o seu primeiro grande êxito. Antes da década de 60 chegar ao fim publica o album “Retratos”, mas é o trabalho seguinte, o magnífico “(Once Canciones Entre Paréntesis)”, editado na segunda metade do ano de 1971 que o consagrará definitivamente, tornando-se um caso sério de popularidade em Espanha (e também em Portugal) durante os primeiros anos da década de 70.


Ainda antes, no início de 1970, vem a Portugal, onde numa entrevista à revista “Mundo da Canção” e a propósito da edição de um novo single (“Soneto 70” / “Si La Ves”), afirma: «Creio que são canções de amor diferentes daquelas que até agora foram apresentadas em Espanha. O panorama no capítulo do amor resume-se a denguices e pieguices, não de Amor. O Amor é uma coisa que é muito bonita e é muito feia. Entendamo-nos: é uma coisa como a vida é; e se a vida ora é agradável ora o contrário, também o amor, que é a base dessa vida, oscila da mesma maneira. Há pois que aceitá-lo e vivê-lo como é, sem idealizá-lo, porque então deixa de ser o amor. O amor não pode ser lírico, porque desse modo pode perder a sua essência. Para se saber o que é o amor, é preciso que as pessoas se “manchem”. Uma destas novas canções, o “Soneto 70”, começa: “manchando-nos de amor, como es debido”.» E mais adiante: «Canto para todos. E por mim. É importante que me entendam. Quando canto aqui em Portugal, marco bem o que digo, tentando facilitar o trabalho de apreensão por parte de quem me ouve. As minhas intenções resumem-se a intranquilizar as pessoas alienadas da realidade.»


Bandeiras de uma nova geração, as canções de Patxi Andión, entoadas na sua voz rouca, com forte pronúncia basca, falavam de vagabundos, bêbados, prostitutas, loucos, cães vadios..., toda uma realidade marginal raramente retratada na época por outros intérpretes ou compositores. Musicalmente a sua inspiração vai beber directamente às fontes, ao chamado folclore popular, sem que contudo deixe de utilizar melodias pop que lhe garantem também o sucesso comercial.

Esta Antologia compreende o período 1969–1973, no qual, para além dos dois primeiros albuns já citados, são editados “Palabra Por Palabra” e “Posiblemente”, em 1972, e ainda “A Donde El Agua”, em 1973. São 42 temas distribuídos por um duplo CD, que reflectem os primeiros cinco anos deste intérprete inesquecível.

Deixo-vos com a letra do mais emblemático dos seus temas, o “20º aniversario… palabras” («Quando escrevi o "veinte aniversario" tinha apenas dezoito anos. Não tive mérito algum. Apenas tive a sorte, ou o privilegio, de ver essa história, de a projectar numa canção.»):

Veinte anos de estar juntos
esta tarde se han cumplido.
Para ti flores, perfumes
para mi... algunos libros.
No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido,
! ya sabes cosas de viejos!
!Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro destino.
Tú bajabas la persiana
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy en esta noche fría
casi como ignorando el sabor
de soledad compartida
quise hacerte una canción
para cantar despacito
como se duerme a los ninos.
Y ya ves... solo palabras
sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo
se soportan amistosas
ni se importan ni se estorban
mas non son una canción.
... Qué helaba está esta casa.
... Será que está cerca del rio
... O es que entramos en invierno?
... Y están llegando...
... Están llegando los fríos.
(El Arbujuelo , Soria, y a los 15 días del mes de Noviembre de 1970)

14 comentários:

Anonymous disse...

Wonderful Collection, Thank You!

Anonymous disse...

Muito bom.

Tenho o Once Canciones entre Parentesis em vinyl, alguns CD's e ainda muita coisa em MP3 que encontrei num site dedicado à música popular e revolucionária (o PERRERAC - El Corsario de la Gascuña).

Abraços

José Miranda

Anonymous disse...

No outro dia, quando vi o espectáculo "Vozes de Abril" na televisão, lembro-me de me ter interrogado de quem seria aquele espanhol e o que faria ali. Nunca tinha ouvido falar em semelhante pessoa.
Mas como gostei do que ouvi, passados alguns dias dei uma volta pela FNAC a ver se encontrava algum CD. Infelizmente, a única coisa com que me deparei foi a imbecibilidade dos empregados ("Páti Quê?") que devem perceber tanto de música como eu de costura.
Agora tive a sorte de encontrar aqui este duplo CD com 42 temas! Fiz o respectivo download e ouvi-o. Magnífico, uma das melhores descobertas dos últimos anos!
Já conto 32 anos mas tenho a consciência de quanto "analfabeto" ainda sou nestas coisas da música. Como é possível nunca ter ouvido qualquer das pequenas maravilhas que vim a encontrar nesta coletânea?
Não é a primeira vez que este blog me dá a conhecer coisas de outros tempos; mas este Patxi Andion é realmente fabuloso!
Hoje em dia, em que tão pouca coisa de qualidade existe, tenho inveja da vossa geração, que tinha o privilégio de poder ouvir tanta coisa diferente, e toda ela com tanta qualidade. Acho que devia ter nascido 30 anos antes. Há pois que recuperar o tempo perdido.
Desejo as maiores felicidades e uma longa vida a este blog. Para bem de todos nós.
Ricardo Esteves

A L disse...

Un très grand merci

Rato disse...

Olá Ricardo
Fico contente por te ter feito descobrir o Patxi Andion, uma das referências da minha adolescência. Aliás, é dos objectivos principais deste blog, o de dar a conhecer às novas gerações nomes importantes embora um pouco desconhecidos do passado.
E compreendo perfeitamente a tal "inveja" de que falas. Realmente nós fomos uns felizardos por termos tido tanta coisa boa à disposição na nossa época. Vai dando notícias.

Anonymous disse...

Mas que sem vergonha....

...adolescente aos vinte anos...?

só conhecemos o Patxi Andión com o 25 de ABRIL DE 1974 ...

...tás completamente GÁGÁ... pá...

El Ganza

Rato disse...

Com a Abrilada já o Patxi estava a ficar fora de moda.
Parafraseando o mister escolari, «e eu é que sou o gágá?»

Anonymous disse...

OK... RATO...!

T’ava a reinar... é que andas um bocadinho armalhão... ultimamente,

.....eu pelo menos, não me lembro do Patxi, antes de 1974, e se bem te lembras nós, meninos privilegiados, tínhamos e/ou comprávamos quase tudo (vinil), e eu não me lembro de adolescências militantes ou fora da "Rolling Stone" e "Melody Maker" (jornais que eu comprava religiosamente)...

pois, ‘tá bem.... (ainda me haverão de explicar o que é que querem significar com - "Abrilada" - até lá abomino a palavra, e talvez mais ainda o conceito pavorosa e sub-repticiamente escondido... adivinhem lá qual (?)...já que são tão enfadados do sem mistério da democracia... bocejos)

depois do 25 de Abril.... sim, a musica já foi outra, vi e vivi muita coisa (1975-1978), talvez impensável e indizível (até me custa a acreditar, hoje em dia), mas foi bom, cresci, e um dia vou-te contar e explicar umas histórias e cenas do caneco, mas qual adolescência qual caraças... em 1969 já não era nada mesmo nada adolescente .... (e mesmo assim sempre estive/mos do lado de cá, muito confortavelmente.......... lindo não é?...), e de 1978 ‘prá frente fui trabalhar e tomar conta de mim, em definitivo, que já se fazia tarde...

agora, na verdade se diga, este BLOG está sempre cada vez melhor, magnífico agora com a rádio (até que enfim), e cada GÁGÁ no seu galho, e tu és mesmo "bom" nisto, assim:

1 - Musica ‘pra descarregar - 20 Vals

(excepto algumas merdas pimba e terceiro-mundista, tipo México anos 60, ou cosmeticamente muito alterada ‘pra orquestra e cornetas, pró Almirante Américo poder ouvir com as senhoras e ... bom vou-me calar.... que horror)

2 - Rádio on line - 20 Vals

3 - Imagem / Desenho - 20 Vals

4 - Textos e Citações - 17 Vals

5 - Argumento (Conteúdo Ideológico Contexto Histórico Enquadramento Social e Análise Critica) - 10 Vals

(acho um descuido, que pena, mas é só uma opinião, não é por mal)

6 - LENNON - 21 Vals

Sinceramente,
um grande abraço do

Ganza

Rato disse...

Ó Ganza amigo, os ratos unidos jamais serão vencidos!
Por isso deixa-te de bajulices e classificações e começa é a enviar algumas crónicas aqui pró blog. A administração da rataria agradece!

xulio disse...

Con retraso, te agradezco este post
Saludos

Anonymous disse...

Como obter os links? msantacomba@yahoo.com

Anonymous disse...

Agradeço os links.
msantacomba@yahoo.com

mario santos disse...

Quem gosta de Patxi Andion experimente também ouvir Rosa Leon e Joaquin Sabina (aqui apenas na parte acústica)

Rochacrimson disse...

Muito obrigado Rato Records pelo re-up dos links!!!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...