Edição original em LP Orfeu STAT 009
(PORTUGAL, Dezembro de 1971)
Em entrevista ao jornal “Público” mais de 20 anos depois da gravação deste album, José Mário Branco referia-se assim a "Cantigas do Maio": «Disco histórico. Mas há razões muito pessoais para esta escolha, além de razões que têm a ver com a História do meu país. Foi a primeira vez que pude trabalhar com o Zeca a sério, que descobri a riqueza incrível que está debaixo dos temas dele. Não me é possível separar este disco do que vivi ao fazê-lo. Algo de empolgante e importante para a minha vida toda.» José Afonso e José Mário Branco tinham-se conhecido em Paris, em 1969. José Mário estava exilado em França e, nessa altura, tinha preparado a maqueta do que veio a ser o seu primeiro LP, “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”. Foi o Zeca quem trouxe essa cassete para Lisboa, mostrando-a à Sassetti, com quem o José Mário veio a assinar um contrato de gravação. E foi na sequência desse feliz encontro que, dois anos volvidos, José Afonso convidou José Mário Branco para dirigir a gravação deste "Cantigas do Maio".Gravado no Strawberry Studio, de Michel Magne, em Herouville (França), entre 11 de Outubro e 4 de Novembro de 1971 (antes da partida Zeca chegaria a ser preso algumas horas pela P.I.D.E. em pleno aeroporto de Lisboa), este disco assinala a primeira viragem de fundo na revolução musical iniciada por Zeca Afonso uma dúzia de anos antes. O tratamento instrumental de cada tema, a beleza poética e a subversão temática atingem, aqui um nível nunca anteriormente possível. E, uma vez mais, Zeca recusa a facilidade, incluindo canções onde o surreal é já assumido na sua totalidade, para desespero da direita e de uma certa esquerda, que insistia na necessidade de uma 'definição clara' de Zeca, à luz do 'socialismo científico'. "Cantigas do Maio" voltaria a ser distinguido pela Casa de Imprensa como o melhor do ano e seria considerado, em 1978, como o melhor de sempre da música popular portuguesa, numa votação organizada pelo extinto semanário Sete que contou com a participação de 25 críticos e jornalistas. Um tema, no entanto, bastaria para fazer deste album um marco da história portuguesa: "Grândola vila morena", escolhida em 1974 como senha para o arranque do Movimento dos Capitães, que em 25 de Abril derrubou a ditadura fascista. Essa escolha, como mais tarde recordaria Otelo Saraiva de Carvalho, resultou do facto da maioria das canções do Zeca se encontrar proibida na altura e também por ter sido cantada cerca de um mês antes em pleno Coliseu de Lisboa, sem que a P.I.D.E. interviesse. Como curiosidade registe-se que a gravação dos passos que conduzem a cadência alentejana da canção foi feita à noite, por oito microfones estrategicamente colocados numa zona de cascalho que circundava o Chateau d’Herouville.



6 comentários:
Um auténtico classico, sen nengunha dúbida: obra maestra, emocionante de principio a fin.
Un dos meus álbumes preferidos de todos os tempos (junto con Venham Mais Cinco...)
Este jà o tenho... :)
Muito obrigado, Rato, por compartirlo con nós!
Hola, este disco no incluye enlace? Saludos.
ola bom dia rato sera possivel o linke
Pois é, mais uma vez esqueci-me do link.
Mais logo já estará disponível.
Obrigado pela lembrança
Gracias! Buen día.
Obrigado Rato. Um Grande Abraço.
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