segunda-feira, 25 de abril de 2016

"Em Cada Esquina Um Amigo..."

Edição original em LP Orfeu STAT 009
(PORTUGAL, Dezembro de 1971)

Em entrevista ao jornal “Público” mais de 20 anos depois da gravação deste album, José Mário Branco referia-se assim a "Cantigas do Maio": «Disco histórico. Mas há razões muito pessoais para esta escolha, além de razões que têm a ver com a História do meu país. Foi a primeira vez que pude trabalhar com o Zeca a sério, que descobri a riqueza incrível que está debaixo dos temas dele. Não me é possível separar este disco do que vivi ao fazê-lo. Algo de empolgante e importante para a minha vida toda.» José Afonso e José Mário Branco tinham-se conhecido em Paris, em 1969. José Mário estava exilado em França e, nessa altura, tinha preparado a maqueta do que veio a ser o seu primeiro LP, “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”. Foi o Zeca quem trouxe essa cassete para Lisboa, mostrando-a à Sassetti, com quem o José Mário veio a assinar um contrato de gravação. E foi na sequência desse feliz encontro que, dois anos volvidos, José Afonso convidou José Mário Branco para dirigir a gravação deste "Cantigas do Maio".


Gravado no Strawberry Studio, de Michel Magne, em Herouville (França), entre 11 de Outubro e 4 de Novembro de 1971 (antes da partida Zeca chegaria a ser preso algumas horas pela P.I.D.E. em pleno aeroporto de Lisboa), este disco assinala a primeira viragem de fundo na revolução musical iniciada por Zeca  Afonso uma dúzia de anos antes. O tratamento instrumental de cada tema, a beleza poética e a subversão temática atingem, aqui um nível nunca anteriormente possível. E, uma vez mais, Zeca recusa a facilidade, incluindo canções onde o surreal é já assumido na sua totalidade, para desespero da direita e de uma certa esquerda, que insistia na necessidade de uma 'definição clara' de Zeca, à luz do 'socialismo científico'. "Cantigas do Maio" voltaria a ser distinguido pela Casa de Imprensa como o melhor do ano e seria considerado, em 1978, como o melhor de sempre da música popular portuguesa, numa votação organizada pelo extinto semanário Sete que contou com a participação de 25 críticos e jornalistas. Um tema, no entanto, bastaria para fazer deste album um marco da história portuguesa: "Grândola vila morena", escolhida em 1974 como senha para o arranque do Movimento dos Capitães, que em 25 de Abril derrubou a ditadura fascista. Essa escolha, como mais tarde recordaria Otelo Saraiva de Carvalho, resultou do facto da maioria das canções do Zeca se encontrar proibida na altura e também por ter sido cantada cerca de um mês antes em pleno Coliseu de Lisboa, sem que a P.I.D.E. interviesse. Como curiosidade registe-se que a gravação dos passos que conduzem a cadência alentejana da canção foi feita à noite, por oito microfones estrategicamente colocados numa zona de cascalho que circundava o Chateau d’Herouville.

6 comentários:

xan_lobo disse...

Um auténtico classico, sen nengunha dúbida: obra maestra, emocionante de principio a fin.
Un dos meus álbumes preferidos de todos os tempos (junto con Venham Mais Cinco...)

Este jà o tenho... :)

Muito obrigado, Rato, por compartirlo con nós!

IgnacioEsteban disse...

Hola, este disco no incluye enlace? Saludos.

Anónimo disse...

ola bom dia rato sera possivel o linke

Rato disse...

Pois é, mais uma vez esqueci-me do link.
Mais logo já estará disponível.
Obrigado pela lembrança

IgnacioEsteban disse...

Gracias! Buen día.

FernandoPPereira disse...

Obrigado Rato. Um Grande Abraço.

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