Mostrar mensagens com a etiqueta revista tempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta revista tempo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

MÚSICA POP

Música pop - «Ó Micas põe isso mais baixo! Raio de rapariga, não há meio de ter juízo. No meu tempo..., as valsas do Strauss, ai que maravilha...» (concepção da vóvó, que tem 89 anos, bicos de papagaio e um gatinho angorá).
Música pop - «Os Beatles e o Adamo é que são bons e pronto!» (concepção da Lolocas, 13 anos, frequentadora assídua de bailes e boites. Veste muito bem. Muito “pop”. Extremamente “pop”. Devora semanalmente a “Onda” do Nuno e do Pedrocas, e delira com as últimas do Mourão).
Música pop – «o Soft Machine, o Blood Sweat and Tears e o Ekseption. A sequência sonora adquire espasmos emocionais extraordinários, devido ao emprego do ritmo ¾. Uma qualidade mística sustentada tradicionalmente mas que...» (concepção do Aristóteles Silva. Quarto ano de Filosóficas, magro, óculos. Intelectual. Só lê Sartre, Hemmingway e Bendit. O “Astérix” também, desde que se tornou intelectual ler “Astérix”.
Pop. Abreviatura do inglês “popular”. Popular em português também. Significado: (do dicionário) – relativo ao povo, favorável ao povo, do agrado e pertença do povo.
Música pop(ular) – música do agrado do povo.
Povo = maioria (minha concepção).
(in revista "Tempo" nº 1, LM, 20 de Setembro de 1970)

REVISTA TEMPO: LM, ANOS 70


Todos os conterrâneos do Rato se lembram da Revista "Tempo", que constituiu no princípio dos anos 70 uma referência obrigatória no jornalismo moçambicano. Saía aos Domingos, custava 7 escudos e cinquenta centavos, e este é o primeirissimo número, de 20 de Setembro de 1970.
Periodicamente irão aparecer por aqui imagens e textos publicados nos números editados nos primeiros anos de vida da revista e que, de um modo ou de outro, espelham a sociedade laurentina daqueles anos.

O aparecimento deste primeiro número coincidiu com a chegada do Verão:
«Começou a chegar gente de todos os lados. As mamãs e os meninos – por causa do iodo; matulões de todos os tamanhos – para fazer exercício, arranjar um tom de pele menos burocrático; e elas, claro, por todos estes motivos e mais um: o fato de banho.
Há ainda os mirones, verdadeiros espectadores do eterno espectáculo da praia, para quem o sol, o iodo, a brisa do Índico vêm apenas por acréscimo.
O calor é, assim, um pretexto para milhares de pessoas alterarem os seus hábitos. A praia reinará por largos meses, o centro de gravidade de Lourenço Marques sofreu um deslocamento, a cidade ficou mais perto do Oceano.
O sol, quando nasce, é para todos.
E as mulheres bonitas, os novos modelos de fato de banho nascem como cogumelos sobre a areia escaldante. Há mais mulheres bonitas agora, como se o calor as fizesse desabrochar para a vida e para a luz, cada Verão que chega.
Velho como o bicho homem, eis o cerco: elas sentam-se ao sol, fingem que não vêem nada; eles começam a gravitar à volta, acabam por se sentar, às vezes em grupo. Depois começa a batalha “anti-aérea”, por entre a barragem dos óculos escuros. E assim o mundo se vai superpovoando.
Os últimos meses, em que a África, de casaco e gravata, tentou imitar a Europa são já uma recordação.
Chegou o calor. Viva o calor!»
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...