Todos os conterrâneos do Rato se lembram da Revista "Tempo", que constituiu no princípio dos anos 70 uma referência obrigatória no jornalismo moçambicano. Saía aos Domingos, custava 7 escudos e cinquenta centavos, e este é o primeirissimo número, de 20 de Setembro de 1970.

Periodicamente irão aparecer por aqui imagens e textos publicados nos números editados nos primeiros anos de vida da revista e que, de um modo ou de outro, espelham a sociedade laurentina daqueles anos.
O aparecimento deste primeiro número coincidiu com a chegada do Verão:«Começou a chegar gente de todos os lados. As mamãs e os meninos – por causa do iodo; matulões de todos os tamanhos – para fazer exercício, arranjar um tom de pele menos burocrático; e elas, claro, por todos estes motivos e mais um: o fato de banho.
Há ainda os mirones, verdadeiros espectadores do eterno espectáculo da praia, para quem o sol, o iodo, a brisa do Índico vêm apenas por acréscimo.
O calor é, assim, um pretexto para milhares de pessoas alterarem os seus hábitos. A praia reinará por largos meses, o centro de gravidade de Lourenço Marques sofreu um deslocamento, a cidade ficou mais perto do Oceano.
O sol, quando nasce, é para todos.
E as mulheres bonitas, os novos modelos de fato de banho nascem como cogumelos sobre a areia escaldante. Há mais mulheres bonitas agora, como se o calor as fizesse desabrochar para a vida e para a luz, cada Verão que chega.
Velho como o bicho homem, eis o cerco: elas sentam-se ao sol, fingem que não vêem nada; eles começam a gravitar à volta, acabam por se sentar, às vezes em grupo. Depois começa a batalha “anti-aérea”, por entre a barragem dos óculos escuros. E assim o mundo se vai superpovoando.
Os últimos meses, em que a África, de casaco e gravata, tentou imitar a Europa são já uma recordação.
Chegou o calor. Viva o calor!»