Edição original em LP Diapasão DIAP 16013
(PORTUGAL 1977, Dezembro 23)
Não será porventura o melhor disco dos Trovante, é certo – “Baile no Bosque” (1981) é grande, parece maior, no entanto, não deixa de ser também esta uma peça importante, quanto mais não seja por ser o primeiro álbum do histórico grupo. Fundado em 1976, por João Nuno Represas – percussão, flautas e voz, Luís Represas – viola, bandolim, percussão e voz, Manuel Faria – piano, sintetizador e voz – e João Gil – viola, bandolim, percussão e voz, os Trovante tem em “Chão Nosso” um documento bem característico do tempo que o fez nascer. É um documento fortemente marcado pelo seu carácter de intervenção política – quase óbvio naqueles tempos. Por outro lado, é através da música tradicional portuguesa que os Trovante procuraram dar cor aos poemas que Francisco Viana um dia criou – e tão bem. Do cante alentejano de “Chão Nosso” à bela homenagem a José Dias Coelho com o tema “À Flor da Vida”, há toda uma componente política a gritar por entre o ressoar tão tradicional deste jovem Trovante. O Pontapé de saída: sincero, inocente e socialmente implicado, eis mais um disco nascido do mergulho voluntário no combate político do pós-25 de Abril de 74; grito de revolta de um país há tanto amarrado, amordaçado. Escuro. São recordações. Que é preciso não esquecer!




