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terça-feira, 16 de agosto de 2016

ZITO: O ROUXINOL FADISTA

O nome José Eduardo provavelmente não dirá nada a ninguém. Rigorosamente mesmo nada! Mas se vos falar em Zito, talvez se acendam umas luzitas aqui e ali, sobretudo nas gentes de Moçambique que gostavam de ouvir o fado. Pois é, este Zito de que vos falo era moçambicano e foi um dos expoentes dos valores artísticos moçambicanos no final da década de 60. Cantava o fado, naturalmente, e chegou a constituir uma moda na bela Lourenço Marques daqueles anos ir ouvi-lo à Adega da Madragoa, que se situava na cave do edifício onde se alojava o Clube dos Lisboetas (na Avenida Brito Camacho, a dois passos do Hotel Girassol).



Esta coleção engloba o primeiro EP, editado em 1968 (faixas 13 a 16), bem como o single aparecido dois anos depois (faixas 17 e 18), ambos gravados na África do Sul. Os primeiros 12 temas foram extraídos de um CD intitulado “O fado, é tudo o que sinto, mais... o que não sei dizer”, que mão amiga me ofertou (olá Carlos Santos!), o qual terá sido editado há alguns anos, também na África do Sul, onde suponho que o Zito se encontra presentemente a viver. Deixo-vos com as notas da contra-capa do primeiro EP:«Sem falsos transportes, porque eles pertencem escravizadamente ao berro (surdo) da sua dor e ao grito (louco) da nostalgia (que talvez esvoace nos corvos negros de que fala) aqui estão os primeiros quatro fados, em disco, do Zito. Ouvi-lo é a certeza de um encontro com uma procura de algo infinitamente certo para se definir mas que ele mesmo tenta em cada jeito. Oiçamos então. E (propositadamente) foi respeitada a respiração.» (S.L.A.)

sábado, 10 de outubro de 2015

FESTA NA ÁFRICA DO SUL

E uma vez mais Rato Records volta a disponibilizar a todos os amigos deste blogue uma jóia rara! Ou melhor, duas, uma vez que são dois albuns reunidos num só CD. Tratam-se de dois discos gravados na África do Sul, em 1976 e dos quais até há uns anos atrás desconhecia por completo a existência. Mas pelos vistos foram mesmo gravados, e por intérpretes portugueses. Três deles, Ana Maria Froes, Natércia Barreto (a popular Techa) e Zito, oriundos de Moçambique, de onde tiveram de sair após a Independência, para se radicarem na vizinha África do Sul, onde creio que ainda hoje se encontram a viver. Ana Maria Froes (ou Fróis) teve um êxito importante em 1970/71 com o tema “Topsi”, amplamente publicitado pelo suplemento musical Onda Pop do jornal “Notícias” de Lourenço Marques. Zito (de seu verdadeiro nome José Eduardo), do qual já aqui foi apresentada uma antologia, foi um popular fadista da capital moçambicana nos fins dos anos 60, princípios dos anos 70. Quanto à Natércia Barreto, as apresentações são desnecessárias visto a intérprete de “Óculos de Sol” e tantos outros êxitos ser sobejamente conhecida. O cantor Jimmy, já falecido, era o irmão mais novo do popular Max. Nascido no Funchal, foi para Moçambique nos finais dos anos 50, onde fez parte de um grupo em que figuravam outros nomes bem conhecidos do público laurentino, como a Maria Adalgisa ou o acordeonista David Pantoja. Depois de alguns anos a residir na África do Sul regressou ao Funchal, onde chegou ainda a actuar na Casa de Fados “Marcelino Pão e Vinho”. Quanto ao Conjunto Símbolos de Esperança, pouco se sabe. Era formado por portugueses radicados na África do Sul, onde durante os anos 70 actuavam para a comunidade portuguesa.

À distância de 4 décadas, todas estas músicas continuam a ouvir-se agradavelmente, com um sorriso nos lábios. Muitas versões de grandes êxitos da época (“Goodbye, My Love, Goodbye”, “Feelings” ou “Save Your Kisses For Me”), outros menos conhecidos (“Lady in Blue”, “To The Door Of The Sun”) e também alguns temas portugueses (“Canoas do Tejo”, “Hambanine”, “Que Linda Que És Madeira"). De registar a colaboração do célebre trompetista inglês Eddie Calvert (“O Mein Papa”, “Zambesi”, “Stranger in Paradise”, “The Man With The Golden Arm”, “Jealousy”, e tantos outros instrumentais famosos) que viria a falecer aos 58 anos, apenas dois anos depois da gravação destes discos. O produtor é o sul-africano John Gibson, cujos magníficos arranjos contribuiram para a longevidade de todas estas canções que podem agora ser de novo ouvidas com uma excelente qualidade sonora.
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