
E uma vez mais Rato Records volta a disponibilizar a todos os amigos deste blogue uma jóia rara! Ou melhor, duas, uma vez que são dois albuns reunidos num só CD. Tratam-se de dois discos gravados na África do Sul, em 1976 e dos quais até há uns anos atrás desconhecia por completo a existência. Mas pelos vistos foram mesmo gravados, e por intérpretes portugueses. Três deles, Ana Maria Froes, Natércia Barreto (a popular Techa) e Zito, oriundos de Moçambique, de onde tiveram de sair após a Independência, para se radicarem na vizinha África do Sul, onde creio que ainda hoje se encontram a viver. Ana Maria Froes (ou Fróis) teve um êxito importante em 1970/71 com o tema “Topsi”, amplamente publicitado pelo suplemento musical Onda Pop do jornal “Notícias” de Lourenço Marques. Zito (de seu verdadeiro nome José Eduardo), do qual já aqui foi apresentada uma antologia, foi um popular fadista da capital moçambicana nos fins dos anos 60, princípios dos anos 70. Quanto à Natércia Barreto, as apresentações são desnecessárias visto a intérprete de “Óculos de Sol” e tantos outros êxitos ser sobejamente conhecida. O cantor Jimmy, já falecido, era o irmão mais novo do popular Max. Nascido no Funchal, foi para Moçambique nos finais dos anos 50, onde fez parte de um grupo em que figuravam outros nomes bem conhecidos do público laurentino, como a Maria Adalgisa ou o acordeonista David Pantoja. Depois de alguns anos a residir na África do Sul regressou ao Funchal, onde chegou ainda a actuar na Casa de Fados “Marcelino Pão e Vinho”. Quanto ao Conjunto Símbolos de Esperança, pouco se sabe. Era formado por portugueses radicados na África do Sul, onde durante os anos 70 actuavam para a comunidade portuguesa.

À distância de 4 décadas, todas estas músicas continuam a ouvir-se agradavelmente, com um sorriso nos lábios. Muitas versões de grandes êxitos da época (“Goodbye, My Love, Goodbye”, “Feelings” ou “Save Your Kisses For Me”), outros menos conhecidos (“Lady in Blue”, “To The Door Of The Sun”) e também alguns temas portugueses (“Canoas do Tejo”, “Hambanine”, “Que Linda Que És Madeira"). De registar a colaboração do célebre trompetista inglês Eddie Calvert (“O Mein Papa”, “Zambesi”, “Stranger in Paradise”, “The Man With The Golden Arm”, “Jealousy”, e tantos outros instrumentais famosos) que viria a falecer aos 58 anos, apenas dois anos depois da gravação destes discos. O produtor é o sul-africano John Gibson, cujos magníficos arranjos contribuiram para a longevidade de todas estas canções que podem agora ser de novo ouvidas com uma excelente qualidade sonora.