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domingo, 13 de setembro de 2020

RUI VELOSO: OS Vês Pelos Bês




















Sobre Rui Veloso já tive a oportunidade de ler as opiniões mais díspares. Lembro-me aqui há alguns anos, num comentário a um post inserido no blog YéYé do meu amigo Luís Pinheiro de Almeida, de alguém o apelidar, e cito, «o António Calvário do cavaquismo, assim uma espécie de cantor do regime!» No polo oposto, quantas vezes a designação de “Pai do Rock Português” não lhe foi já concedida? É por demais sabido que extremismos nunca levarão nada a bom porto. E se apenas por maledicência se pode conotar o Rui Veloso com o nacional-cançonetismo (o que até pode não ser um insulto, pois mesmo dentro desse género musical existem coisas muito interessantes e de qualidade), já o cognome de “Pai do Rock Português” só poderá ser atribuído por ignorância. Como diria o meu amigo José Forte, «Rui Veloso é tanto pai do rock português como o Elvis Presley é o rei do rock ‘n’ roll». Com o devido distanciamento, é claro. Aliás, sendo o Rock um tipo de música marginal e irreverente, nunca lhe consegui vislumbrar “sangue azul” ou atribuir sequer uma ascendência legítima. Pelo contrário, sempre o vi mais como que um bastardo filho-da-mãe, fruto acidental de uma noitada de copos e devaneios.



Há quem também tente justificar o êxito do Rui Veloso com as condições propícias em que ele apareceu. Económicas, sociais e culturais. Não partilho dessa opinião. É verdade que os tempos têm a sua influência, mas penso sinceramente que Rui Veloso seria sempre Rui Veloso e que a sua qualidade se imporia de qualquer modo, independentemente da altura em que aparecesse, contra ventos e marés e arautos da desgraça. A propósito, vale a pena reler o que escreveu em tempos o saudoso Daniel Bacelar, um dos pioneiros, no início da década de 60, do Rock cantado em português (e se o Rui Veloso fosse efectivamente o “Pai do Rock Português”, o Daniel seria provavelmente o “Avô”): «A minha opinião vale o que vale mas continuo a achar que no meio de muita coisa má que apareceu no chamado novo Rock dos anos 80, apareceu muita coisa boa que como de costume desapareceu (as pessoas têm de ganhar a sua vida por outros lados) e também apareceu o excepcional. Incluo o Rui nesta última classe, pois acho-o um artista completo (extraordinário guitarrista, uma voz expressiva e rica, e um compositor cheio de talento). O que lamento é a nossa capacidade tão portuguesa de destruir aquilo que é bom (a nossa inveja é uma doença que nos consome até á destruição total que aí vem em passo acelerado ) em vêz de acarinhar e divulgar o que há de bom nesta terra.»



Esta dupla coletânea de 40 temas foi elaborada há 16 anos, mas acho que continua bem actual, apesar do seu período englobar apenas as primeiras duas décadas da discografia de Rui Veloso. Até porque, e infelizmente, a frequência das gravações foi drasticamente reduzida desde que o novo século se iniciou. Mas estas 40 faixas, dos anos 80 e 90, são canções que fazem parte do modo de estar português e que por isso mesmo a grande maioria de nós reconhece aos primeiros acordes, não sendo necessário ser-se conhecedor ou sequer apreciador de música portuguesa. É assim a música do Rui que, apesar do título do seu segundo album, não está nem nunca estará fora de moda.




Se depois de ouvirem as músicas do Rui ainda sentirem a necessidade de o ver em cima de um palco, aconselho-vos o DVD do “Concerto Acústico”, editado no Natal de 2003. Além dos 18 temas que constituem o alinhamento do espectáculo (gravado num ambiente intimista, com algum público em redor dos músicos), o DVD inclui vários extras, como por exemplo uma entrevista informal com os músicos em casa do Rui Veloso, o making of do DVD e dois temas extras: o “Primeiro Beijo”, gravado no mesmo cenário do concerto com o acompanhamento dos Cabeças no Ar (Tim, João Gil e Jorge Palma) e toda a emoção do tema “Porto Sentido”, gravado ao vivo no Coliseu do Porto.


Para quem queira aprofundar conhecimentos, existe já publicada uma biografia, “Os Vês Pelos Bês” (edição Prime Books, Novembro 2006), da autoria de Ana Mesquita, uma conterrânea mais nova do Rato. Dos diversos depoimentos inseridos na contra-capa do livro, permito-me destacar o de João Gil : «Cresceu ao ponto de conseguir ultrapassar as exibições de virtuosismo e alcançou a capacidade de espaçar, procurando sempre a melhor nota, sem se preocupar tanto com a velocidade. Ou seja, em vez de dar as cinquentas notas do cardápio, escolhe apenas duas. Duas notas tão intensas, tão expressivas, que nelas se resumem as vidas de todos nós.»


DISCOGRAFIA (ALBUNS ORIGINAIS):
1980 - Ar de Rock
1982 - Fora de Moda
1983 - Guardador de Margens
1986 - Rui Veloso
1988 - Rui Veloso ao Vivo (duplo)
1990 - Mingos & Os Samurais (duplo) (2CDs+ DVD do Concerto no Coliseu de Lisboa)
1992 - O Auto da Pimenta (encomenda da Comissão dos Descobrimentos)
1995 - Lado Lunar
1998 - Avenidas
2003 - O Concerto Acústico (duplo)
2005 - A Espuma das Canções (CD+DVD)
2009 - Rui Veloso ao Vivo no Pavilhão Atlântico (CD+DVD)
2012 - Rui Veloso e Amigos

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

terça-feira, 28 de julho de 2020

PETER GREEN: "SAME OLD BLUES"


Peter Green (born Peter Allen Greenbaum, 29 October 1946, in Bethnal Green, London) is a British blues-rock guitarist and founder of the band Fleetwood Mac. A figurehead in the British blues movement, Green inspired B. B. King to say, «He has the sweetest tone I ever heard; he was the only one who gave me the cold sweats.» Eric Clapton and Jimmy Page have both lauded his guitar playing as well. Green's playing was marked with a distinctive vibrato and economy of style. Though he played other guitars, he is best known for deriving a unique tone from his 1959 Gibson Les Paul - a result of the magnet of his guitar's neck pickup being accidentally reversed to produce an 'out of phase' sound. The Les Paul would come to be referred to as Green's "magic guitar" but Green told Guitar Player in 2000 that «I never had a magic one. Mine wasn't magic...It just barely worked.» Green was ranked 38th in Rolling Stone magazine list of the "100 Greatest Guitarists of All Time" (in Wikipedia)


This double CD set reunites the essential songs Peter Green recorded in his first comeback after being diagnosed with schizophrenia in the early seventies (he spent all the mid seventies in treatments and inside a psychiatric institution in London). After 6 albums ("In the Skies", 1979; "Little Dreamer, 1980; "Whatcha Gonna Do?, 1981; "Portrait", 1981; "White Sky", 1982 and "Kolors", 1983), he suffered a relapse and went down again, until 1990.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Os 2 Albuns de ANTÓNIO VARIAÇÕES

Edição original em LP EMI Valentim de Carvalho 3VCLP 10040
(PORTUGAL, 1983)

A vida e obra de António Variações (nascido António Joaquim Rodrigues Ribeiro) seguem a tendência apoteótico-apocalíptica de muitas das grandes figuras mediáticas do século XX: um período de intensa visibilidade pública acompanhado de um furor criativo tão meteórico quanto fugaz. António actualizaria, à sua maneira, o mito do artiste maudit, subtraíndo porém a esta matriz o lado sombrio da incompreensão alheia e da genialidade solitária. De facto, desde cedo a sua aparição mediática foi bem acolhida pelo público português, tanto na excentricidade da sua persona artística como na estranheza refrescante e vanguardista da sua música. Por outro lado, como António nunca recebera uma educação musical formal, o seu talento e musicalidade inatos não teriam florescido sem a colaboração de uma hoste de músicos de renome, seus contemporâneos, que o ajudariam a moldar o som entre Braga e Nova Iorque. A sua visão musical manifestar-se-ia, assim, sem par no panorama musical português. A profunda originalidade da síntese que efectuou entre música popular ligeira, folclore, fado e o pop/rock internacional – síntese profundamente pós-modernista – continua a suscitar interesse. A actualidade dessa visão justifica o interesse renovado com que se volta regularmente à sua obra enquanto referência central da música portuguesa. Variações deixou um acervo considerável de registos áudio não editados em cassetes de gravação caseira, que tem sido apreciado por novos artistas como forma de honrar a sua obra, ressuscitando-a no presente. A confirmar esse entusiasmo recorrente estão, por exemplo, as incontáveis versões dos temas mais populares, nomeadamente, "Canção de Engate" e "Estou Além"; os cinco temas originais editados em 1989, na voz de Lena d'Água com o álbum "Tu Aqui"; o projecto Humanos (2004); e, mais recentemente, a edição do inédito "Parei na Madrugada"(2014) pelo grupo OqueStrada. O teste do tempo tem recuperado e dignificado Variações como um dos talentos maiores da música popular portuguesa do século XX. 


António nasce em Dezembro de 1944, no lugar de Fiscal, concelho de Amares, distrito de Braga. Aos 12 anos parte para Lisboa, fascinado pelas estrelas do mundo da música e do espectáculo, e, já possivelmente, acalentando o sonho de um dia se tornar uma delas. Desempenharia vários ofícios, de marçano a escriturário, antes de cumprir serviço militar em Angola; regressado de Angola decide procurar outros destinos, alargar horizontes, partindo rumo ao estrangeiro, tendo Londres como primeiro destino, onde reside durante alguns anos e onde aperfeiçoa a língua inglesa; em 1976 regressa a Portugal por pouco tempo e parte novamente à descoberta, desta feita para Amsterdão. O relativo desconhecimento em relação à substância das suas estadias no estrangeiro permite porém adivinhar o contacto de António com elementos da cultura artística e musical que se vivia além-Pirinéus e, por meio dessa Europa, com o Mundo. É no estrangeiro que aprende o ofício que o viria a sustentar depois do regresso a Portugal, o de barbeiro. Pouco depois do seu regresso a Lisboa abre o seu próprio salão unissexo, intitulado P'ró Menino e P'rá Menina, frequentado por uma clientela em sintonia com as novidades do estilo e da moda mais arrojadas de então. António integra a pequena elite cultural e artística que começa a desenvolver, num Portugal ainda provinciano, sintomas de uma Europa desenvolvida, culta, civilizada e aberta ao mundo.

Edição original em LP EMI Valentim de Carvalho 1775151
(PORTUGAL, Março de 1984)

Essa elite começa a alterar a vida cultural da cidade a partir de pólos hoje míticos, como o Trumps, inaugurado em 1980 – verdadeira rampa de lançamento da carreira musical de António e ponto de encontro de vários notáveis do mundo das artes, da televisão e da música – bem como o Frágil, aberto em 1981, num bairro de má reputação que se viria a transformar no território por excelência do cosmopolitismo vanguardista deste período. O início dos anos 80 assistiu a uma verdadeira revolução de costumes, que se introduziu através da movida nocturna lisboeta, abrindo efectivamente a atmosfera provinciana da cidade a ventos de mudança. António e o seu espírito iconoclasta estiveram na linha da frente desta mudança radical que deu novos mundos ao pequeno mundo português – relativamente intocado, na sua essência, pela revolução de 1974. O período entre 1981-84 corresponde ao desenrolar, breve mas intenso, da carreira de António Variações, catapultada pela sua aparição televisiva no Passeio dos Alegres de Júlio Isidro (1981), e finalmente consolidada através da edição do seu primeiro álbum "Anjo da Guarda" (1983), vários anos depois de assinado o contrato com a editora Valentim de Carvalho. O seu desaparecimento prematuro, em 1984, deixou pelo caminho uma carreira musical que se afigurava promissora.


É já no leito de morte que António recebe a notícia da edição do segundo álbum "Dar e Receber" – edição que viu a luz do dia por insistência do próprio António, uma vez que a editora EMI pretendia adiar a edição devido à sua doença. Nem por isso a sua memória se desvaneceu, em grande parte fruto das homenagens e revisitações feitas à sua obra por vários vultos da música portuguesa durante as décadas seguintes, movimento que continua ainda hoje. A sua memória permanece no ouvido dos portugueses de todas as gerações, o que atesta bem a intemporalidade da sua música e dos seus textos. António, visto à distância de 30 anos, surge inevitavelmente como um dos pais fundadores da música pop/rock portuguesa contemporânea. O rótulo é, apesar de tudo, redutor e trai o ecletismo e a riqueza inovadora das canções que nos deixou. O seu fantasma paira sobre a música portuguesa, como elemento de ligação entre um Portugal profundo e ancestral – eventualmente perdido – e uma modernidade cosmopolita em cujo seio conquistou a pulso um lugar seguramente merecido. António não estava à frente do seu tempo. António estava no seu tempo e conseguiu mostrá-lo de forma fulgurante.

Fernando Conde, Maio de 2014
(Revisto por Jaime Rodrigues Ribeiro, Herdeiro e representante dos Herdeiros de António Variações)

terça-feira, 24 de março de 2020

LIONEL RICHIE: "Can't Slow Down"

Original released on LP Motown 6059 ML
(US 1983, October 11)

On "Can't Slow Down", his second solo album, Lionel Richie ran with the sound and success of his eponymous debut, creating an album that was designed to be bigger and better. It's entirely possible that he took a cue from Michael Jackson's "Thriller", which set out to win over listeners of every corner of the mainstream pop audience, because Richie does a similar thing with "Can't Slow Down" - he plays to the MOR adult contemporary audience, to be sure, but he ups the ante on his dance numbers, creating grooves that are funkier, and he even adds a bit of rock with the sleek nocturnal menace of "Running With the Night," one of the best songs here. He doesn't swing for the fences like Michael did in 1982; he makes safe bets, which is more in his character. But safe bets do pay off, and with "Can't Slow Down" Richie reaped enormous dividends, earning not just his biggest hit, but his best album. He has less compunction about appearing as a pop singer this time around, which gives the preponderance of smooth ballads - particularly "Penny Lover," "Hello," and the country-ish "Stuck on You" - conviction, and the dance songs roll smooth and easy, never pushing the beats too hard and relying more on Richie's melodic hooks than the grooves, which is what helped make "All Night Long (All Night)" a massive hit. Indeed, five of these songs (all the aforementioned tunes) were huge hits, and since the record ran only eight songs, that's an astonishing ration. The short running time does suggest the record's main weakness, one that it shares with many early-'80s LPs - the songs themselves run on a bit too long, padding out the running length of the entire album. This is only a problem on album tracks like "Love Will Find a Way," which are pleasant but a little tedious at their length, but since there are only three songs that aren't hits, it's a minor problem. All the hits showcase Lionel Richie at his best, as does "Can't Slow Down" as a whole. (Stephen Erlewine in AllMusic)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

THE MOTELS: "Little Robbers"

Original released on LP Capitol ST-12288
(US 1983, September 16)

"Little Robbers", the follow-up to the Motels' commercial breakthrough "All 4 One", is nearly as consistent as its predecessor, finding the perfect balance between mainstream rock conventions and quirky new wave flourishes. Again, the singles are the best parts of the record, with the hazy "Suddenly Last Summer" deservedly reaching the Top Ten and "Remember the Nights" being a fine AOR workout, but the remainder of the album suffers from undistinguished material and a distinct lack of hooks. (Stephen Erlewine in AllMusic)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

MARIANNE FAITHFULL: "A Child's Adventure"

Original released on LP Island ILPS 7 90066-1
(US, Fébruary 1983)

Nothing. Nowhere. Lightless, without luminosity. Soundless, without the accent of life. Weightless, without the gravity of the living. There was nothing. Nothing to feel or taste or scream at. If the world was formless, this was now the world. Unreality was populated as silence and hyper-insignificance. My universe was bleak, was eviscerated, was a once-filled cosmic egg drained of essence and meaning. My world was dead. My world had ended. No starlets to turn me on. No warmth of lover's legs or ass. No life around me to nag or cry. The death knights had won, and the light brigade was eternally smothered. Doctor Death has injected me with his singular brand and had conquered my realm. The great timekeeper and gatekeeper of my universe were put to their final rest. The great formerly boundless ardor had been steamrolled and crushed by the Reaper's mechanized, four-wheeled beast. Blood, spit - there were no words for anything, anymore. No sex. No friendship. No emotion. Nothing...that is until Faithfull's "A Child's Adventure".

One minute I was crushed beyond repair by heartache and loss, the next I was listening ad nauseum to "Running for Our Lives". I was happy to be running for my life, for I felt like I had a life once again. "A Child's Adventure" isn't avant-garde jazz, or opalescent psychedelic jams, or hair-whipping metal. It isn't stuffed with horror stories. There's few fingers like frightening shadows skulking to strangle your soul, though a couple of songs (like "Morning Come") with petrify you with gorgon's eyes in their sincerity and mindfulness, which can be as terrifying as a slasher flick for some. I'm not sure there's a Marianne Faithfull record that moves me more or aligns my insights in love, the memory of love and memory of pain, and with those the irresponsiblity of memory's senses. Though C.S. Lewis once wrote in The Problem of Pain that "love may forgive all infirmities and love still in spite of them: but Love cannot cease to will their removal", I think "A Child's Adventure" brings its own specially trained love, and with that special training some sweet exorcism. (in RateYourMusic)

sábado, 12 de outubro de 2019

PAUL SIMON: "Hearts And Bones"

Original released on LP Warner Bros 23942-1
(US 1983, October 31)

"Hearts and Bones" was a commercial disaster, the lowest-charting new studio album of Paul Simon's career. It is also his most personal collection of songs, one of his most ambitious, and one of his best. It retains a personal vision, one largely devoted to the challenges of middle-aged life, among them a renewed commitment to love; the title song was a notable testament to new romance, while "Train in the Distance" reflected on romantic discord. Elsewhere, "The Late Great Johnny Ace" was his meditation on John Lennon's murder and how it related to the mythology of pop music. Musically, Simon moved forward and backward simultaneously, taking off from the jazz fusion style of his last two albums into his old loves of doo wop and rock & roll while also incorporating current sounds with such new collaborators as dance music producer Nile Rodgers and minimalist composer Philip Glass. The result was Simon's most impressive collection in a decade and the most underrated album in his catalog. (William Ruhlmann in AllMusic)
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