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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

DANIEL BACELAR: "On The Road Again"



Para satisfazer diversas solicitações, é com renovado prazer que Rato Records apresenta aqui de novo este album de Daniel Bacelar. São 11 temas gravados entre 2006 e 2010, quase como por acaso, e em que o suporte musical esteve totalmente a cargo do Zé Pino, guitarrista de eleição e amigo de sempre do Daniel. Num País dado a vaidades bacocas e interesses comezinhos, é reconfortante saber que existem pessoas para as quais o facto de se sentirem felizes é a única recompensa que desejam alcançar pelo seu trabalho. O Daniel e o Zé são duas dessas pessoas especiais, que puseram nestas gravações o melhor de si próprios, e que agora as disponibilizam a todos os amigos da música e deste blogue em especial. Um grande obrigado aos dois!


"NUNCA"
(Daniel Bacelar)

Nunca me deixes
não não partas assim
tu estás tão longe
e eu sinto-te tão perto de mim.
O amor é forte
não tem fronteiras p'ra mim
não me abandones agora
que eu necessito de ti.
Nunca me esqueças
pois tu és tudo p'ra mim
sempre que penso em ti
sinto uma tristeza sem fim.
Porque eu te amo
e tu estás tão longe de mim
tão longe de mim
tão longe de mim
tão longe de mim
tão longe de mim
tão longe de mim
tão longe de mim
...

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

DANIEL BACELAR: His Song Of Life


RICK NELSON: "LONESOME TOWN"
Foi exactamente com um single que me mandaram da América com “Lonesome Town / I Got a Feeling” que esta desgraça começou. Rick Nelson foi um dos mais importantes expoentes e produtivos exemplos do bom pop rock americano. Tinha todas as condições para ser um grande "chacha" e um "one hit wonder" devido ás suas origens, mas transformou-se num icon admirado e respeitado pelos seus pares pela sua contribuição á musica americana e não só. Esteve sempre em constante evolução até ao dia em que o seu avião se "espetou" na fronteira do Texas e toda a gente foi para o "galheiro"com muita pena minha pois estava previsto conhecê-lo pessoalmente cerca de dois meses depois. AZARES!!!
*
There's a place where lovers go
To cry their troubles away
And they call it Lonesome Town
Where the broken hearts stay
[Lonesome town]
*
You can buy a dream or two,
To last you all through the years
And the only price you pay
Is a heart full of tears
[Full of tears]
*
Goin' down to lonesome town,
Where the broken hearts stay,
Goin' down to lonesome town
To cry my troubles away.
*
In the town of broken dreams,
The streets are filled with regret,
Maybe down in lonesome town,
I can learn to forget.
[To forget]
*
Maybe down in lonesome town,
I can learn to forget,
[Lonesome town]

sábado, 30 de setembro de 2017

DANIEL BACELAR FOREVER!!!


Ainda não passou um dia desde que te puseste a caminho. Faltavam dez minutos para as 23 horas desta sexta-feira, dia 29 de Setembro de 2017, quando resolveste partir. Não, não te desculpo, meu grande malandro, não se deixa assim os amigos, por dá cá aquela palha! A Fernandinha, tua mulher e companheira de tantos anos, fez-nos o favor de lembrar que não, que não te tinhas ido embora, o que havia era mais uma estrela no céu. Acreditamos nisso, porque tivemos o privilégio de te conhecer: um homem bom, amigo do seu amigo, que encarava a vida sempre com um sorriso nos lábios e uma boa chalaça na ponta da língua. Nunca foste uma vedeta (não tinhas pachorra para essas vaidadezinhas), e quase que pedias desculpa por ter cantado umas canções e gravado alguns discos. «Era um puto de 17 anos», costumavas dizer, e «nunca levei muito a sério essa coisa da "carreira artística", sempre encarei a música apenas como passatempo». Pois é, Daniel, mas quer tu quisesses quer não, a verdade é que deixaste a tua marca na história da música portuguesa. Que diabo, foste o primeiro a cantar rock em português, porra! E ainda por cima com temas da tua autoria! Sempre desvalorizaste o "Nunca" (preferias cantar os temas do teu ídolo, o Ricky Nelson), mas, e disse-to muitas vezes, esse teu tema irá ficar para sempre na memória das gentes. Tive a oportunidade de hoje me ir despedir de ti, mas não o quis fazer, porque prefiro acreditar que ainda andas por aí, pela Infante Santo ou por Paço de Arcos e que um dia destes o telefone voltará a tocar e estaremos de novo juntos, a petiscar umas caracoletas e a beber umas coca-colas. Até já, meu querido amigo!


Daniel Eugénio de Sousa Bacelar nasceu em casa, em Lisboa, no dia 26 de Maio de 1943. Em miúdo era um apaixonado por cinema (tinha uma predilecção especial pela actriz Debbie Reynolds) e devorava revistas de banda desenhada, sobretudo ficção científica (Flash Gordon, Dan Dare) mas também as aventuras de Blake e Mortimer, da autoria de Arthur P. Jacobs. Ainda estudante, pensava tirar mais tarde um curso superior, dividindo-se as suas preferências entre engenharia e medicina. No entanto, quem tinha razão era a avó que amiúde lhe dizia ser a música a sua “desgraça”. No liceu, e para exercitarem o inglês, havia nesse tempo os chamados correspondentes, jovens de outros Países que também estavam interessados em desenvolver contactos em outras línguas. O correspondente do Daniel era uma jovem dos Estados Unidos com ascendência portuguesa. Um dia ela envia-lhe uma encomenda com dois discos single de 45 rotações. Um deles era de Ricky Nelson e Daniel fica fascinado com aquele som e aquela voz; e inscreve-se de imediato no clube de fans do cantor: «Fiz grandes viagens com grande parte dos outros membros. O facto de mais tarde ser funcionário da TAP facilitou-me um pouco as coisas. Todos os anos encontrávamo-nos em Londres. Um grupo fantástico. Fomos também aos Estados Unidos. Começámos por Memphis, pelos estúdios onde o Ricky gravava (a Sun Records), uma coisa minúscula que ainda hoje está como hà 60 anos. Depois fomos até Nova Orléans. Foi muito bom. Era um grupo fantástico, ainda tenho muitos amigos desse tempo».


Outro episódio delicioso (até porque a maioria dos jovens daquela geração passaram por situações semelhantes) é o que Daniel nos relata a seguir: «Tinha eu 16 anos e era estudante no Liceu Passos Manuel e todos os dias de volta para casa, subia a Calçada do Combro, Largo de Camões, Rua Garret e finalmente Rua do Carmo. Era paragem obrigatória em frente da montra da discoteca "Melodia", ficando completamente extasiado perante aquelas capas de LPs e outros discos. Numa dessas passagens o que é que eu vejo??? Expostos em destaque os dois primeiros LPs importados directamente da América, do Rick Nelson. Custavam na altura, 180 escudos cada um (menos de €1 hoje em dia) mas claro, isso era uma fortuna para um pobre estudante cuja semanada dada pelo avô era cerca de 50 escudos (nada mau para a altura!). Eu tinha de comprar aqueles LPs e para poupar andei não sei quanto tempo a pé do liceu para o Campo Pequeno onde morava, para poupar nos transportes e o meu avô ainda teve de me adiantar duas ou três semanadas. Todos os dias os meus olhos ficavam na montra da "Melodia", sempre com um aperto no coração, não aparecesse entretanto outro fan mais endinheirado e se me adiantasse na compra dos discos. Tive sorte, pois como o Rick Nelson não era muito conhecido por estas bandas, isso não aconteceu e lá comprei triunfante os dois discos que ainda fazem parte da minha colecção como não poderia deixar de ser». 


Daniel adorou as canções e tratou logo de arranjar uma viola para poder aprender a tocá-las e a cantá-las. Foi à Escola de Música de Duarte Costa (um grande guitarrista clássico) ali para os lados da Av. João XXI (que parece que ainda existe) e começou a aprender a tocar. Quem de igual modo era lá professor era Fernando Alvim, o grande guitarrista de Fado. Um dia, um amigo que também frequentava a Escola desafiou-o para que o acompanhasse à Rádio Renascença porque ia haver uma audição para novos artistas. Chegados lá verificaram que havia uma fila enorme. A dada altura sentou-se e enquanto esperava foi dedilhando na viola e cantando "Lonesome Town" de Ricky Nelson. Daniel lembra-se bem do episódio: 


«Entretanto passa o João Martins (futuro homem da "23ª Hora") que era uma espécie de Relações Públicas da organização e que me diz: “a seguir você vai para ali para o estúdio cantar”. Entregou-me ao Moreno Pinto que era o técnico de som. Entrei, cantei e ele lá gravou. Nunca mais pensei no assunto, até que um dia telefonam para minha casa e a minha mãe diz-me que estava ao telefone um senhor da Valentim de Carvalho que queria falar comigo. Atendi e dizem-me que acabei de vencer o concurso “Os Caloiros da Canção” como solista e que tinha de ir à Valentim de Carvalho falar com o senhor Pozal Domingos afim de combinar a gravação de um EP a meias com o conjunto Os Conchas, duo que vencera na categoria de grupos. Bem, eu estava a leste de tudo. Lá fui e quando foi para a escolha das canções, eu perguntei se não seria mais interessante gravar canções originais em português. Ele disse, “lá isso era e você tem?” “Não, mas posso tentar”. Escrevi o "Fui Louco Por Ti" e o "Nunca" e levei-as. Ele disse, “bom, vamos levar isto ao Jorge Machado para ele fazer os arranjos”. Assim foi, mas depois fiquei desiludido porque o estilo não era o que eu queria, não era o novo estilo Rock, ele utilizou o estilo a que estava habituado. Não me chamaram para coisa nenhuma, eu era um puto com 17 anos, não riscava para nada».


Estamos nos finais do Verão de 1960, e as gravações decorrem no Taborda, um velho teatro inaugurado em 1870 ali para a Rua Costa do Castelo. Recorda Daniel: «Só podíamos gravar entre o minuto 2 e o minuto 58 porque depois o sino da igreja batia as horas. E se passava algum avião estragava tudo. O técnico era o Ribeiro, um tipo sensacional que ainda hoje conta estórias incríveis que se passavam com grandes artistas como a Amália e outros que estavam a começar, como o Carlos do Carmo. Tudo isto dava um filme. Ainda me deixaram escolher a etiqueta do disco, ou Decca ou Columbia. Como era grande fã do Cliff Richard escolhi a Columbia, a mesma com que ele gravava. Como não gostei dos arranjos não mais me preocupei com os discos, continuei a estudar». O EP "Caloiros da Canção 1" (nunca haveria um nº 2), com os Conchas na face A e Daniel Bacelar na face B, seria editado em finais de Setembro, vindo a ter um êxito assinalável. Na contra-capa pode ler-se:




Mas regressemos às memórias de Daniel Bacelar: «Um dia vi um conjunto com um som mais moderno, era o Abril em Portugal e quando Pozal me chamou em 61 para gravar outro EP, porque o primeiro disco tinha vendido bem, eu disse-lhe que não gostava dos arranjos do Jorge Machado. Ele perguntou-me se tinha mais alguém. Falei-lhe no Abril em Portugal. Contactou-os. Quando me chamou para gravar, já eles tinham gravado a parte musical e estava tudo num estilo Marino Marini, na época o conjunto coqueluche. Portanto saíu mais um estilo italiano que Rock ‘n’ Roll. Lá voltei a ficar chateado com tudo. "Marcianita" então foi um desastre». Durante dois anos Daniel esquece as gravações e volta aos estudos. Também a Valentim de Carvalho nunca mais lhe diz nada.


Um dia os irmãos Carp (Jorge e Claude) abordam Daniel e desafiam-no a cantar com eles, pois não têm vocalista. O conjunto é Os Gentlemen formado pelo Claude (viola solo), Jorge (viola baixo), Jaime Queimado (viola ritmo) e António Freitas (bateria). Começam a actuar como Daniel Bacelar e os Gentlemen. Jaime Filipe um técnico da Emissora Nacional e agente da editora Alvorada desafia-os a gravar um EP. Acabam por gravar nos estúdios da EN e o disco inclui mais dois inéditos de Bacelar, "Olhando para o Céu" e "Sem Ti". Pozal Domingos manda-se ao ar dizendo que ele era artista da Valentim de Carvalho. «Nunca assinei qualquer contrato» - afirma Daniel «É certo que depois vieram ter comigo para gravarmos outro disco. Mas mais uma vez se distraíram e acabo de receber um convite do Senhor Barata que era dono de uma Feira de Discos e representava a Marfer em Portugal. Gravei três EPs com ele. O primeiro saíu em 64 , outro em 66 e o terceiro em 67. Mais uma vez o Pozal se atira ao ar. 

Com Os Shadows, em Dezembro de 1965

Acabo por gravar mais um EP para a Valentim em 65, este sim em excelentes condições no novo estúdio,  acabado de inaugurar em Paço D' Arcos. Mas nunca encarei a música como profissional, apenas como passatempo. Nem as minhas canções as inscrevi na SPA». A partir de 67 Daniel Bacelar passa a trabalhar como Oficial de Tráfego na TAP e deixa os espectáculos e as gravações. A música passa a existir apenas entre amigos e convívios, para além de algumas actuações na RTP, já nos finais dos anos 70 e princípios dos 80: canta com os Sheiks no programa destes na RTP ("Sheiks com Cobertura", 1979), aparece no "Festa é Festa" de Júlio Isidro (1982), é entrevistado por António Duarte no Porto ("Roques da Casa", 1983) e mais tarde também na TVI, por Carlos Ribeiro (programa "A Vida é Bela", onde canta, acompanhado pelo amigo Zé Pino, os clássicos "Over the Rainbow" e "Travellin' Man").


Os anos artísticos da década de sessenta estão há muito ultrapassados, mas a tecnologia não pára. Com a chegada da internet, Daniel Bacelar é redescoberto e volta a cantar de novo em alguns locais, sobretudo em círculos de amigos. Júlio Isidro leva-o de novo à Televisão, actua com Rita Redshoes no Festival dos Oceanos, em Lisboa (cantam “Lonesome Town” em dueto, a 1 de Agosto de 2009, ensaiando simultâneamente uns passos de dança), e participa numa Gala da Rádio Sim no Teatro Tivoli, a 16 de Outubro desse mesmo ano, depois de alguns meses antes ter sido entrevistado por José La Féria para a mesma Rádio.

Dançando e cantando com Rita Redshoes (1/8/2009)

«Passados muitos anos um colega meu todos os dias me vinha dizer que tinha um amigo engenheiro na Câmara de Sintra que era um virtuoso da guitarra, tinha um estúdio em casa e queria gravar comigo. Isto passou-se durante muito tempo até que um dia só para não o ouvir mais lhe disse que combinasse um encontro com esse amigo. Foi assim que conheci o Zé Pino. E ainda bem que não quis ouvir mais o meu amigo. Fiquei de boca aberta a vê-lo tocar. Fez uns arranjos muito bons para uma série de canções. Nas teclas estava também o Tiago. O Zé Pino é um moço extraordinário, um excelente guitarista e arranjador. Demo-nos muito bem e hoje é um grande amigo». Daniel gravou no estúdio do Zé Pino uma série de canções com excelentes arranjos (incluindo uma nova versão do seu original "Nunca"), que acabariam por aparecer num CD à margem do mercado discográfico, que a Rato Records disponibilizou para os amigos no seu blogue, em 30 de Setembro de 2010, ou seja, 50 anos depois da saída do 1º disco do Daniel


Discografia: 

1960 - Caloiros da Canção 1 - Duo Os Conchas e Daniel Bacelar - EP SLEM 2062  [Fui Louco Por Ti / Nunca]

1961 - Daniel Bacelar com o Conjunto Abril em Portugal – EP Columbia SLEM 2085 [Tenha Pena / Só Um Beijo Mais / Marcianita / O Tempo Dirá] 

1963 – Daniel Bacelar e Os Gentlemen – EP Alvorada AEP 60 607
[O Tema dos Gentlemen / Sem Ti / Olhando Para o Céu / My Babe] 

1964 – Daniel Bacelar and His Gentlemen – EP Marfer M 525
[Mi Canción del Recuerdo / Steel Guitar Rag /Remember Me / Mr. Train] 

1965 – Daniel Bacelar e Os Gentlemen - EP Decca SLEM 2203
[Um Mundo Sem Amor / Miudita / Se Eu Enlouquecer / Deixa-me Só] 

1966 – Daniel Bacelar Com Os Siderais – EP Marfer MEL 2-027
[Porque Será / Sou Feliz Sem Ti / A Escola Acabou / Anjo] 

1967 – Daniel Bacelar Com Os Fliers - EP Marfer MEL 2-055
[I Wonder Why / Todos Gostam dum Palhaço /Cigana / Never Be Anyone Else But You]

2010 – On the Road Again – CD Rato Records RR 726 1009
[On the Road Again / Travelin’ Man / Raining in My Heart / I’m Walkin’ / I Got a Woman /Love is Always Seventeen /Nunca /I Got a Feeling / Hello Mary Lou / Lonesome Town / Somewhere Over the Rainbow]

Fontes: Onda Pop, Rato Records, Wikipédia, YéYé

CALOIROS DA CANÇÃO 1


Edição original em EP Columbia SLEM 2062
(PORTUGAL, Setembro 1960)



Este disquinho pertence por direito próprio ao meu imaginário infantil. Foi comprado pela minha mãe logo que chegou às lojas da baixa de Lourenço Marques e foi dos primeiros EPs portugueses a morar lá por casa. Lembro-me que estava continuamente a rodar no meu gira-discos, um daqueles portáteis que pareciam umas maletas quando se fechavam. Corria o ano de 1960, eu tinha feito os 7 anos em Abril e estas 4 canções fizeram as delícias de toda a minha meninice. Ainda não havia Beatles, apenas o Elvis (de que nessa altura não era grande apreciador), o Cliff e os Seus Shadows (destes sim, fui fanzerrimo logo desde o início), o Bobby Darin também. Mas no campo nacional Os Conchas e o Daniel Bacelar eram sem qualquer dúvida os meus eleitos, alguns anos antes do Conjunto Académico João Paulo renovar as minhas preferências pela música pop feita em Portugal. Entretanto o mundo girou, vim acabar os estudos em Lisboa e circunstâncias várias tiveram como consequência que a maior parte dos meus discos de juventude ficassem perdidos para sempre em Moçambique, entre eles esta preciosidade. Tentei reavê-lo ao longo dos tempos mas sem qualquer êxito. 


Há alguns anos atrás tive a sorte de vir a conhecer pessoalmente o Daniel Bacelar, que hoje em dia me orgulho de incluir num círculo restrito de amigos do peito, por ser alguém com quem se pode contar sempre, quer chova quer faça sol. Temos passado bons momentos juntos e descoberto afinidades em gostos pessoais, desde as músicas aos filmes de terror e ficção científica. Hoje, sábado, encontrámo-nos uma vez mais no lançamento do livro do Luís Mira, na Buchholz, em Lisboa. Estamos de novo em Abril, mas 50 anos depois. E o Daniel, sem disso se aperceber, fez-me recuar no tempo e descobrir de novo aquele menino de 7 anos ao oferecer-me um exemplar do disco, novinho em folha, e autografado em fotografia da época - «olha, toma lá, um passarinho disse-me que andavas à procura disto». Senti-me emocionado como há muito não me acontecia e só a custo consegui reter as lágrimas. Realmente é por momentos destes que vale a pena viver e na verdade existem coisas que felizmente o dinheiro não pode comprar. Um grande e sentido obrigado, Daniel, acredita que me fizeste muito, muito feliz.

(postagem original em 17 de Abril de 2010)
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