quarta-feira, 23 de abril de 2008

O "CINÉFILO"

No dia 30 de Setembro de 1973, uma quinta-feira, aparecia nas bancas de jornais e quiosques uma revista diferente. Chamava-se “Cinéfilo” e era o início de uma nova série da revista homónima cujo último número saíra a público trinta e quatro anos antes, em 1939. Esta nova série não chegou a durar um ano (o último nº, o 37, saíria a 22 de Junho de 1974, um sábado, ainda ao mesmo preço do primeiro, 7$50), mas foi uma revista que deixou marcas profundas em todos quantos a folheavam e liam avidamente todas as semanas. Eu fui um dos sortudos que ao longo desses nove meses adquiriu a grande maioria dos exemplares. Mas infelizmente os acontecimentos históricos não se compadecem com coleccionismos e a minha coleção do “Cinéfilo” ficou, como muitas outras coisas mais, perdida por terras do Índico.
Por coincidência, depois de volvidos mais outros trinta e quatro anos, mão amiga (olá Hugo) fez-me chegar de novo às mãos a coleção completa do “Cinéfilo”, coisa que, compreensivelmente, me trouxe uma felicidade de todo inesperada.

Vou agora, devagar e meticulosamente, rever cada número, cada artigo, cada crítica, cada entrevista (é assim, lentamente, que as boas coisas da vida devem ser sempre saboreadas). E, a partir de agora, partilhar também com todos vós algumas das memórias que me preparo para revisitar.
Relembro, para já, alguns dos nomes ligados ao “Cinéfilo”: Fernando Lopes (Director), António-Pedro Vasconcelos (Chefe de Redação), Eduardo Guerra Carneiro (Redacção), José Nuno Martins (Música), Mário Contumélias (Rádio), Francisco Mata (Televisão), sem esquecer todos os cronistas que por diversas vezes escreveram os seus artigos de opinião: Luís Villas-Boas, Eduardo Prado Coelho, Raul Solnado, Roby Amorim, Adelino Tavares da Silva. Enfim, um autêntico luxo!
Apetecia finalmente evocar aqui o ditado de que “não há duas sem três” e que dado o ciclo decorrido ter sido precisamente o mesmo, seria tempo para mais uma série do “Cinéfilo”. Mas infelizmente os tempos hoje são mesmo diferentes. E se até as salas de cinema se perderam para sempre, não existe mesmo qualquer possibilidade no renascimento de uma simples revista. Por isso a única solução é uma vez mais recuarmos no tempo para podermos ter a ilusão de que amanhã, quinta-feira poderemos ir ao quiosque mais próximo e perguntarmos pelo último número do “Cinéfilo”.

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