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sábado, 29 de maio de 2010

EP GALLOTONE XEP 7195 (SA, 1963)

Eduardo Jaime nasceu em Lisboa, corria o ano de 1935. Começou a cantar aos 18 anos, acompanhando-se sózinho à guitarra e ganhando rapidamente notoriedade, primeiro na rádio e depois na televisão, sobretudo junto do público feminino. Em 1959 surgiu o primeiro contrato para África, onde começou por actuar em diversos teatros e night-clubs de Angola, Congo Belga e Rodésia. Nos finais desse mesmo ano chega a Moçambique, onde, em Lourenço Marques e durante cerca de 6 meses, realiza um programa no Rádio Clube de Moçambique, patrocinado pela Colgate-Palmolive, com a qual assina um contrato de exclusividade. Na vizinha África do Sul actua nos famosos “Colony” e “Ciro’s” de Johannesburg e no “Beachcomber” de Durban, onde chega a gravar um album ao vivo com o quarteto vocal The Sparklers, em 1961. Durante a década de 60 continua a gravar discos e a fazer actuações na África do Sul com o seu Eduardo Jaime Trio, dividindo-se entre boites de hoteis de Durban (como o “Causery” do Edward Hotel) e Johannesburg (no Langham Hotel). Para além de fazer a maior parte dos arranjos musicais dos discos que foi editando ao longo dos anos, Eduardo Jaime sempre teve também o hábito de interpretar as suas canções em variadissimas línguas: Espanhol, Francês, Italiano, Inglês, Grego, para além do português, é claro.
Este EP foi comprado na famosa Discoteca Bayly, em Lourenço Marques, conforme atesta o respectivo selo na contra-capa. "Famosa" porque era o local onde a juventude da época ia procurar avidamente os últimos sucessos importados directamente da África do Sul.

segunda-feira, 2 de março de 2009

EP Coronet SCEP 4001 (SA, 1969)

OS INFLEXOS:
"OB-LA-DI, OB-LA-DA"

Único EP editado em 1969 por este grupo laurentino (designação dos naturais de Lourenço Marques, o equivalente aos alfacinhas lisboetas) que nesta altura era constituído pelo Carlos Nelson (vocalista), Chico Pereira (viola baixo), Helder Matias (viola solo), Jorge Montenegro (organista) e Carlos Alberto Silva (bateria). Pouco tempo depois deste disco se tornar um sucesso local, o vocalista foi substituído pelo Carlos Duarte e o teclista pelo João Maurílio. Esta última formação foi obrigada a alterar o nome para Os Impacto, devido ao Carlos Nelson ter ficado com os direitos de utilização do nome original. Constitui por isso um novo grupo com o mesmo nome, com o qual vem a gravar um single em 1970: “You're Much Too Proud”. Entretanto Os Impacto começam a tocar com grande êxito na boite do Hotel Girassol, entre 1969 e 1970, mas não chegam a gravar qualquer disco.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

"ONDA POP" FAZ 40 ANOS!

Realizou-se ontem, domingo, no restaurante “Casa das Quintas” em Cascais (na Quinta da Bicuda) um almoço comemorativo do 40º aniversário do lançamento do “Onda Pop”. O grande impulsionador da reunião foi o Zé Couto, a quem deixo aqui um grande obrigado pela iniciativa e respectivo convite.
Para quem não saiba, o “Onda Pop” foi o 1º suplemento português dedicado exclusivamente à música, que aparecia semanalmente incluído no Jornal “Notícias” de Lourenço Marques (Moçambique). Nasceu em Outubro de 68 por iniciativa de três carolas: Duarte Nuno, João Pedro Gouveia e Luís Filipe Arriaga. Durou cerca de dois anos e meio, tendo o último número sido publicado em Maio de 1971.

No almoço, e para além dos membros fundadores, estiveram diversos nomes ligados à música moçambicana dos anos 60: o Juka dos Opus 69, o Mário Frerreira, dos Night Stars, o João Maurílio dos Impacto e AEC68 e ainda outros de que de momento não me recordo o nome. Marcou também presença o José Manuel Santos, que escreveu muitas das letras das canções da Techa e do Luís Filipe Arriaga.
Foram distribuídas t-shirts e badges alusivos ao evento e, aproveitando a presença dos Portuguese Nuggets, CD’s e Vinis do album “Cazumbi”, recentemente editado (uma edição limitada a 700 exemplares) com temas de grupos daquela época oriundos de Moçambique, Angola, Congo e África do Sul.

Tratou-se portanto de um animado convívio, com cerca de 50 pessoas, onde não faltou o verdadeiro caril de camarão à moçambicana (com o tradicional molho à piri-piri), ou o dono do restaurante, Hernani Muñoz (sobrinho da grande actriz Eunice Muñoz), não fosse, também ele, nascido em Moçambique. Nos altifalantes, durante todo o repasto, apenas se ouviu música desses gloriosos anos, quer de Moçambique quer da África do Sul.
A única decepção foi apenas ter circulado por lá um único exemplar do suplemento “Onda Pop”, mais precisamente o comemorativo do 2º aniversário, de 1970. Sabendo-se que alguém guarda todos os números publicados, seria muito interessante a junção da totalidade dos suplementos num único volume que pudesse ser consultado numa próxima reunião. Já para não falar numa edição para coleccionadores (evidentemente fotocopiada), que seria ouro sobre azul e que teria, estou certo, muita gente interessada na sua aquisição.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

KANIMAMBO

Kanimambo a todos os laurentinos por um dia terem criado uma cidade tão cheia de amor e alegria de viver. Esta antologia de músicas de um outro tempo é para todos vocês:

NOTA: Esta seleção apresenta uma qualidade de som variável atendendo a que os temas foram retirados de fontes diferentes: cd's, discos antigos de vinil e mesmo da internet. Procurou-se no entanto incluir as referências musicais mais populares e sempre com a melhor qualidade possível. Ainda um Kanimambo muito especial ao Magno Antunes pelos temas disponibilizados.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

AI VALENTIM, VALENTIM...

Pelos vistos a Valentim de Carvalho sempre foi exímia em conseguir lucros fáceis à custa de terceiros. Ainda relativamente ao EP “A Mãe” do Conjunto de Oliveira Muge soubemos que a 2ª edição do disco (a que tem os bailarinos na capa) foi feita pela VC em Portugal, dois anos depois de o original ter sido editado em Moçambique, e sem qualquer autorização ou concordância tácita dos elementos do grupo. Alteraram a capa a seu belo prazer e lançaram o disco como de uma novidade se tratasse. Resultado: venderam milhares de discos e não pagaram um único escudo de “direitos de autor” aos legítimos proprietários. Uma vigarice de todo o tamanho que os elementos do grupo ainda pensaram levar a tribunal. Só que os custos exigidos pelo advogado eram de tal modo incomportáveis na altura que acabaram por desistir.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

EP Parlophone LMEP 1331 (PT, 1966)

CONJUNTO DE OLIVEIRA MUGE
"A Mãe"
Notas: Grupo moçambicano constituído por José Muge (piano), António Policarpo (vocalista e viola-solo), José Violante (viola baixo) e António Muge (bateria).
No início da década de sessenta José Muge e António Policarpo formam o primeiro alinhamento dos “Oliveira Muge” ainda em Portugal, nos arredores de Ovar, onde dão muitos espectáculos ao vivo. Chegam a ir aos estúdios da TV no Monte da Virgem, em Gaia, onde actuam num programa em directo.
Pouco depois, em 1962, partem para Moçambique onde em Vila Pery constituem a formação definitiva do grupo. Começam a ser conhecidos, sobretudo por abrilhantarem bailes em diversas localidades, incluindo a capital, Lourenço Marques.
Um convite da televisão rodesiana leva-os a percorrer 400 kms para se apresentarem em directo no “Seven Three Oh Show”, um programa transmitido em horário nobre. Os convites sucedem-se a um ritmo regular e o Conjunto de Oliveira Muge começa a afirmar-se cada vez mais, quer em actuações em hoteis e clubes da cidade de Salisbury quer também na própria televisão rodesiana (convém aqui recordar que nesses tempos não havia televisão em Moçambique, por tal nunca ter sido autorizado pelo Governo Central).
Em 1965, após uma temporada no “Grill Room” do New Stanley Hotel, em Nairobi, no Quénia (país onde também actuam na televisão local) regressam a Vila Pery. Nesse ano têm o primeiro contacto com um estúdio de gravação: na cidade da Beira, nos estúdios da Rádio Aero Club, gravam os primeiros temas, ainda num estilo muito amador e em condições um tanto ou quanto precárias. O resultado não é muito animador mas serve-lhes de experiência para se poderem lançar a vôos mais altos.
Essa oportunidade surge logo a seguir, em 1966. Destino; África do Sul. Nos estúdios da EMI, em Johannesburg, gravam o tão ansiado disco de estreia profissional, onde incluem o tema original “A Mãe”, da autoria de António Policarpo. O êxito supera as expectativas mais optimistas ultrapassando todas as fronteiras.
No ano seguinte voltam a Johannesburg para a gravação de mais dois EP’s e em 1968 é o regresso a Portugal, às origens, acedendo a diversos convites para actuarem em bailes do Carnaval de Ovar. De regresso a Moçambique e embora não tenham gravado mais qualquer disco, o Conjunto de Oliveira Muge mantém-se no activo até 1974, retornando ao continente após o 25 de Abril.
(Um especial agradecimento ao António Policarpo que teve a gentileza de me enviar estes apontamentos sobre o grupo. E também ao fantomas, o meu companheiro bloggista que me remeteu as capas sob as quais este disco foi editado originalmente em Moçambique, e que se expõem de seguida)
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