Pessoalmente pouco me interessa que o homem John Charles Carter, falecido no passado sábado aos 83 anos, tenha sido um poço de contradições: primeiro democrata e depois republicano; amigo de Reagan e dos Bush mas também de Martin Luther King com quem chegou a desfilar em numerosas ocasiões a favor dos direitos cívicos, apesar de mais tarde se ter tornado um defensor acérrimo do uso de porte de armas, das quais tinha uma coleção de umas centenas largas (foi durante muitos anos Presidente da Associação Nacional Americana de Armas). Essa sua fixação pelas armas vinha dos tempos passados ao ar livre na sua infância no Michigan, onde aprendeu a caçar e a viver da natureza como os americanos pioneiros o tinham feito. Mas num país tão cheio de contradições como a América até faz sentido a existência de pessoas assim. «Political correctness is tyranny with manners», era um dos seus lemas de vida.
Mas, como disse, nada disso me interessa. Para mim, o que realmente conta, é que o actor Charlton Heston (nome tirado do apelido de solteira da mãe – Lila Charlton e do apelido do padrasto – Chester Heston) me deu dois dos filmes da minha vida: “Ben-Hur”, em 1959 e “Planet of the Apes”, em 1968. E digo que “me deu” porque na verdade se não fosse ele a interpretá-los nenhum desses dois filmes teria atingido o panteão das obras imortais.
Houve muitos e melhores actores do que ele, não tenho qualquer dúvida em afirmá-lo. Mas muito poucos tinham aquele carisma, aquele dom especial que nos fazia acreditar na existência de homens indestrutíveis, maiores do que a própria vida. Foi sempre assim que o vi, nas diferentes personagens que encarnou pelos anos fora: Brad Braden (“The Greatest Show On Earth”, 1952); Moses (“The Ten Commandments”, 1956); Ramon Vargas (“The Touch of Evil”, 1958); Judah Ben-Hur (“Ben-Hur”, 1959); Rodrigo De Vivar (“El Cid”, 1961), Major Matt Lewis (“55 Days at Peking”, 1963); Michelangelo (“The Agony and the Ecstasy”, 1965); George Taylor (“Planet of the Apes, 1968); Will Penny (“Will Penny, 1968); Robert Neville (“The Omega Man”, 1971); Robert Thorn (“Soylent Green”, 1973): Stewart Graff (“Earthquake”), só para citar os mais carismáticos.
Houve muitos e melhores actores do que ele, não tenho qualquer dúvida em afirmá-lo. Mas muito poucos tinham aquele carisma, aquele dom especial que nos fazia acreditar na existência de homens indestrutíveis, maiores do que a própria vida. Foi sempre assim que o vi, nas diferentes personagens que encarnou pelos anos fora: Brad Braden (“The Greatest Show On Earth”, 1952); Moses (“The Ten Commandments”, 1956); Ramon Vargas (“The Touch of Evil”, 1958); Judah Ben-Hur (“Ben-Hur”, 1959); Rodrigo De Vivar (“El Cid”, 1961), Major Matt Lewis (“55 Days at Peking”, 1963); Michelangelo (“The Agony and the Ecstasy”, 1965); George Taylor (“Planet of the Apes, 1968); Will Penny (“Will Penny, 1968); Robert Neville (“The Omega Man”, 1971); Robert Thorn (“Soylent Green”, 1973): Stewart Graff (“Earthquake”), só para citar os mais carismáticos.
Como certa vez ele próprio afirmou:
«If you need a ceiling painted, a chariot race run, a city besieged, or the Red Sea parted, you think of me».
Ou ainda:
«If you need a ceiling painted, a chariot race run, a city besieged, or the Red Sea parted, you think of me».
Ou ainda:
«I have played three presidents, three saints and two geniuses. If that doesn't create an ego problem, nothing does».

