Dando resposta a muitos pedidos recebidos ao longo do período sabático de Rato Records, volta aqui à toca a Antologia em três volumes da Obra de José Afonso, com mais de três horas e meia de duração. Convém aqui recordar uma entrevista já velhinha dada ao vespertino "A Capital", também ele já desaparecido na poeira do tempo. Com o notável despretensiosismo que sempre o caracterizou, José Afonso confessava na altura: «Estou empenhado em que se desfaça a impressão de que me tornei uma coisa que deve colocar-se numa redoma. Uma vez que me acusam de ter sido injustamente mitificado, quero apenas afirmar que sou uma pessoa comum. Recuso-me terminantemente a transformar-me num mito.» Mito ou não mito, o que é certo é que a sua obra permanece imaculada, não acusando o desgaste dos anos. Ouve-se hoje com o mesmo prazer, a mesma emoção, o mesmo carinho do que há 30 ou 40 anos atrás. E não tenho qualquer dúvida de que a sua memória se irá perpetuar pelos tempos, recuperada por novas e sucessivas gerações. Até sempre Zeca!



