Edição Original em LP Philips 6349 093
(BRASIL, 1973)
O disco conta com arranjos do músico Edu Lobo e é a trilha sonora da peça Calabar: O Elogio da Traição, de Chico Buarque e do poeta moçambicano Ruy Guerra. O conceito da peça e do disco baseia-se na história de Domingos Calabar, personagem histórico que se aliara aos holandeses contra os portugueses na época do Brasil Holandês. O nome do disco, a princípio, seria "Chico Buarque Canta Calabar", nome que logo foi vetado devido à sigla CCC e sua relação com a organização Comando de Caça aos Comunistas. Sua primeira tiragem – que seria retirada das lojas por ordem do Regime Militar poucos dias após o lançamento – tinha o título de "Calabar" e apresentava como capa o nome da peça na parede de um muro. O trabalho ainda seria lançado pouco tempo depois com uma capa branca, apenas com o nome do cantor, sem qualquer publicidade, obtendo vendagens tímidas. Em virtude de tal fato, a gravadora Philips lançou no ano posterior uma nova e definitiva capa com o rosto do cantor e um novo título, "Chico Canta". O álbum, assim como a peça teatral, teve diversos trechos censurados. Na visão da Censura, Chico (que possui ascendência holandesa) e Ruy apresentaram um trabalho provocativo, simpático à colonização batava contra o domínio colonial português, e que, metaforicamente, poderia incitar os brasileiros a se revoltarem contra a ditadura militar dominante no país à época. Para Chico, "Calabar" poderia remeter de certa forma a Carlos Lamarca, capitão que em 1969 desertara do Exército Brasileiro e engessara as trincheiras guerrilheiras contra a Ditadura Militar. Duas canções tiveram as letras integralmente proibidas, “Ana de Amsterdam” e “Vence na Vida Quem Diz Sim”, de modo que acabaram sendo lançadas apenas em seus arranjos instrumentais. “Barbára” teve cortada a frase “no poço escuro de nós duas”, por abordar uma relação de lesbianismo. “Não Existe Pecado...” teve a frase "Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor" substituída por "Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor". Na canção “Fado Tropical”, que possui um trecho declamado por Ruy Guerra, a frase “além da sífilis é claro” foi excluída, ao aludir ao “sangue português” de um dos personagens da peça. Musicalmente, o disco apresenta um vigoroso trabalho de arranjos por Edu Lobo, com a inclusão de novidades como sintetizadores, guitarra elétrica e cordas, e o lançamento de algumas das melhores canções do repertório de Chico Buarque como “Ana de Amsterdam”, “Cala a Boca, Bárbara” e “Não Existe Pecado ao Sul do Equador” (esta última regravada em 1978 pelo cantor Ney Matogrosso para o tema de abertura da telenovela “Pecado Rasgado” da TV Globo).
FICHA TÉCNICA:
Coordenação Geral: Ruy Guerra
Direção de Produção: Roberto Menescal
Direção de Estúdio: Sérgio M. de Carvalho
Arranjos: Edu Lobo
Regência: Mário Tavares
Capa: Regina Vater


2 comentários:
Você poderia repostar Chico Buarque "Construção" 1971? Grande abraço! Obrigado pelos discos aqui postados.
Esse também outro discaço do Chico, na fase mais produtiva dele nos anos 70. Bem político e muito censurado pela ditadura. Mas com muitos clássicos. Ótima postagem.
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