sábado, 25 de maio de 2019

Chico Buarque Canta

Edição Original em LP Philips 6349 093
(BRASIL, 1973)

O disco conta com arranjos do músico Edu Lobo e é a trilha sonora da peça Calabar: O Elogio da Traição, de Chico Buarque e do poeta moçambicano Ruy Guerra. O conceito da peça e do disco baseia-se na história de Domingos Calabar, personagem histórico que se aliara aos holandeses contra os portugueses na época do Brasil Holandês. O nome do disco, a princípio, seria "Chico Buarque Canta Calabar", nome que logo foi vetado devido à sigla CCC e sua relação com a organização Comando de Caça aos Comunistas. Sua primeira tiragem – que seria retirada das lojas por ordem do Regime Militar poucos dias após o lançamento – tinha o título de "Calabar" e apresentava como capa o nome da peça na parede de um muro. O trabalho ainda seria lançado pouco tempo depois com uma capa branca, apenas com o nome do cantor, sem qualquer publicidade, obtendo vendagens tímidas. Em virtude de tal fato, a gravadora Philips lançou no ano posterior uma nova e definitiva capa com o rosto do cantor e um novo título, "Chico Canta". O álbum, assim como a peça teatral, teve diversos trechos censurados. Na visão da Censura, Chico (que possui ascendência holandesa) e Ruy apresentaram um trabalho provocativo, simpático à colonização batava contra o domínio colonial português, e que, metaforicamente, poderia incitar os brasileiros a se revoltarem contra a ditadura militar dominante no país à época. Para Chico, "Calabar" poderia remeter de certa forma a Carlos Lamarca, capitão que em 1969 desertara do Exército Brasileiro e engessara as trincheiras guerrilheiras contra a Ditadura Militar. Duas canções tiveram as letras integralmente proibidas, “Ana de Amsterdam” e “Vence na Vida Quem Diz Sim”, de modo que acabaram sendo lançadas apenas em seus arranjos instrumentais. “Barbára” teve cortada a frase “no poço escuro de nós duas”, por abordar uma relação de lesbianismo. “Não Existe Pecado...” teve a frase "Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor" substituída por "Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor". Na canção “Fado Tropical”, que possui um trecho declamado por Ruy Guerra, a frase “além da sífilis é claro” foi excluída, ao aludir ao “sangue português” de um dos personagens da peça. Musicalmente, o disco apresenta um vigoroso trabalho de arranjos por Edu Lobo, com a inclusão de novidades como sintetizadores, guitarra elétrica e cordas, e o lançamento de algumas das melhores canções do repertório de Chico Buarque como “Ana de Amsterdam”, “Cala a Boca, Bárbara” e “Não Existe Pecado ao Sul do Equador” (esta última regravada em 1978 pelo cantor Ney Matogrosso para o tema de abertura da telenovela “Pecado Rasgado” da TV Globo).

FICHA TÉCNICA:
Coordenação Geral: Ruy Guerra
Direção de Produção: Roberto Menescal
Direção de Estúdio: Sérgio M. de Carvalho
Arranjos: Edu Lobo
Regência: Mário Tavares
Capa: Regina Vater

2 comentários:

Unknown disse...

Você poderia repostar Chico Buarque "Construção" 1971? Grande abraço! Obrigado pelos discos aqui postados.

Willians disse...

Esse também outro discaço do Chico, na fase mais produtiva dele nos anos 70. Bem político e muito censurado pela ditadura. Mas com muitos clássicos. Ótima postagem.

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