Edição original em LP Columbia (EMI) SPMX 5012
(PORTUGAL 1970, Março 25)
Com a voz de Amália Rodrigues é a própria alma de Portugal que nos surge. A verdade é que nenhum outro intérprete do fado conseguiu, como ela, ser o reflexo da sensibilidade de todo um povo, desse povo que nela se reconhece. O fado, esse canto melancólico e apaixonado, começou por se cantar nas tavernas do porto de Lisboa. Se, depois, foi adoptado por todos apesar da sua origem e se se tornou parte integrante da vida de Lisboa, é a Amália Rodrigues que o deve. Não admira, pois, que os melhores poetas do país tivessem proposto os seus textos a Amália. A sua interpretação profunda e subtil sabia dar aos poemas todo o seu significado e toda a sua beleza. A qualidade musical das canções é obra de um compositor muito dotado: Alain Oulman. Embora português de adopção, ele soube renovar o fado e criar um novo estilo, unindo elementos de música clássica às melodias de origem popular. O seu encontro com Amália foi um encontro feliz, já que, depois de Frederico Valério, raros compositores tinham compreendido a sua voz. Voz que Alain Oulman entendeu como nenhum outro, para ela escrevendo uma música de forma ampla mas definida, a que sabia ligar sempre uma melodia carregada de ambiente, permitindo que Amália se transfigurasse, se desdobrasse nas suas incessantes improvisações. E permitindo também, através da sua música, que Amália cantasse os poetas de que tanto gostava.Assim, é todo um novo reportório que irá surgir na voz de Amália e que atingirá um dos seus pontos mais sublimes neste album, editado logo no início da década de setenta. As doze canções que ela nos apresenta neste album histórico (talvez um dos melhores registos de toda a discografia do Fado e, sem qualquer dúvida, o melhor album de sempre de Amália) são os frutos maduros de dez anos de relacionamento entre o compositor e a Diva: todas as músicas levam a assinatura de Oulman, distribuindo-se a autoria das letras pelos maiores poetas da língua portuguesa: David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Cecília Meirelles, António de Sousa, Pedro Homem de Mello..., Luís de Camões! Com gente desta, o resultado final só poderia ter sido o que foi: uma obra-prima absoluta da canção portuguesa. Acabado de gravar em Janeiro de 1969, o LP "Com Que Voz" só seria editado mais de 1 ano depois, no dia 25 de Março de 1970. Quatro faixas, porém, foram publicadas antes: "Formiga Bossa Nova", "Havemos de Ir a Viana" e "Cravos de Papel", no EP "Formiga Bossa Nova" (Columbia ELMS 3005), a 23 de Maio de 1969; e "Com Que Voz", no single (VC 5) distribuído na atribuição do Prémio Pozal Domingues, a 17 de Junho de 1969. No verso deste último single, intitulado "Prémio Pozal Domingues 1969", podia ler-se: «Num luxuoso álbum, a publicar brevemente, Amália Rodrigues canata alguns dos maiores nomes da poesia portuguesa, ilustrados pela música de Alain Oulman. É desse disco o fado "Com Que Voz", um soneto atribuído a Luís de Camões e que dá título ao album.»
RETRATO DE AMÁLIA
És filha de Camões filha de Inês
assassinada voz de portuguesa
cantando a nossa imensa pequenez
com laranjas e gomos de tristeza.
É no claro Mondego dos teus olhos
que se debruça o mal da nossa mágoa.
Ao Tejo dos teus gestos que se acolhe
o nosso coração a pulsar água.
Falando desatada de saudade
choras um povo cantas a balada
mais bonita que soa na cidade
de Lisboa por ti apaixonada.
(José Carlos Ary dos Santos)




9 comentários:
Pendant mes années d'enfance, ma mère m'a fait connaître la voix exceptionnelle d'Amalia Rodrigues, qui est devenue pour moi par la suite le synonyme dy Fado.
Plus tard, j'ai bien compris qu'elle était vraiment exceptionnelle.
Un grand merci!
ESTE ALBUM É ABSOLUTAMENTE OBRIGATÓRIO SER OUVIDO POR TODA A GENTE QUE GOSTA DE MÚSICA PORTUGUESA (E NÃO SÓ...)
Francisco Cardia
This is an absolute classic of Amalia and Portuguese Music. Don't miss it!
Chris Spalding
Muito obrigado
Rapaz, esse disco deve ser maravilhoso, pelos poetas que fazem as letras..., já vou baixar. Valeu por mais essa beleza. Obrigado.
Wow! Dear Rato!
Happy to see Your new blog - Old Collector!
Great content and great quality -
it's Your releases - that bring so much joy for all, who love music from the Sixties!
All this time we really missed your new collections!
Every day (from November 2011) I look hopefully - what's new from Rato? - and nothing new... :(
But today - holiday - new blog!
Please, (if you can) give us not only new, but also old good compilations - Nostalgia, etc... - we have not all from Your great series...
Best wishes from Moscow!
What a wonderful album! For those of you who have not listened to Portuguese fado music, I ask you to listen to this. I only wish that I understood the language, but Amalia's voice is like an instrument.
Thank you, Rato!
Cheers,
Mike
Hi Mike
Sometimes I ask myself why there are so many foreign people that loves Fado, without understanding the words. Because the words are an essential part of the songs of Fado. You know, like the Russians, Portugal always had great poets. And in this particular album there are a few great ones of our language. And that's the whole thing (music + words) that make Fado so unique in the world.
Cheers
Thanks for the upgrade!
Cheers,
Mike
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