quinta-feira, 19 de maio de 2016

"A Morte Saíu à Rua Num Dia Assim..."

Edição original em LP Orfeu STAT 012
(PORTUGAL, Dezembro de 1972)

Continuação lógica de "Cantigas do Maio", este disco surge numa fase de grande empenhamento político de Zeca - que pouco tempo depois o levará novamente à prisão de Caxias. Pratica­mente impedido de cantar em Portugal, Zeca Afonso apresenta-se ao vivo em França e em Espanha (onde em Santiago de Compostela canta pela primeira vez em público a "Grândola") e tenta dar conta, em disco, do que por cá se passa. Prenúncios da mudança que se avizinhava são temas como "Ó Ti Alves" ou "É Para Urga". Mas, enquanto o dia novo não chega, Zeca continua a cantar a cólera e o desespero colectivos, através de momentos musicais inesquecíveis como "A Morte Saiu à Rua" (dedicado a José Dias Coelho, assassinado pela Pide em 1961) e "Por Trás Daquela Janela "(escrito para Alfredo Matos, antifascista do Barreiro que se encontrava preso), ao mesmo tempo que ironiza com a cadavérica memória salazarista ("O Avô Cavernoso"), faz novos apelos à luta ("Fui à Beira do Mar", "Eu Vou Ser Como a Toupeira") e se diverte com o aparente nonsense de Fernando Pessoa ("No Comboio Descendente"), afinal a imagem perfeita de um certo laissez faire tão tipicamente lusitano.


1 comentário:

FernandoPPereira disse...

Muito Obrigado, por este e tantos outros que fazem a nossa delícia. Um Abraço.

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