Edição original em LP Orfeu STAT 012
(PORTUGAL, Dezembro de 1972)
Continuação lógica de "Cantigas do Maio", este disco surge numa fase de grande empenhamento político de Zeca - que pouco tempo depois o levará novamente à prisão de Caxias. Praticamente impedido de cantar em Portugal, Zeca Afonso apresenta-se ao vivo em França e em Espanha (onde em Santiago de Compostela canta pela primeira vez em público a "Grândola") e tenta dar conta, em disco, do que por cá se passa. Prenúncios da mudança que se avizinhava são temas como "Ó Ti Alves" ou "É Para Urga". Mas, enquanto o dia novo não chega, Zeca continua a cantar a cólera e o desespero colectivos, através de momentos musicais inesquecíveis como "A Morte Saiu à Rua" (dedicado a José Dias Coelho, assassinado pela Pide em 1961) e "Por Trás Daquela Janela "(escrito para Alfredo Matos, antifascista do Barreiro que se encontrava preso), ao mesmo tempo que ironiza com a cadavérica memória salazarista ("O Avô Cavernoso"), faz novos apelos à luta ("Fui à Beira do Mar", "Eu Vou Ser Como a Toupeira") e se diverte com o aparente nonsense de Fernando Pessoa ("No Comboio Descendente"), afinal a imagem perfeita de um certo laissez faire tão tipicamente lusitano.



1 comentário:
Muito Obrigado, por este e tantos outros que fazem a nossa delícia. Um Abraço.
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