quarta-feira, 6 de setembro de 2017

DUO OURO NEGRO: "Mulowa Afrika"


Edição original em LP Columbia SPMX 5005
(PORTUGAL, 1967)


“Afrika Mulowa” foi o 2º álbum editado pelo Duo Ouro Negro. Composto maioritariamente por temas extraídos do folclore angolano, o LP continha ainda uma canção tradicional de Goa (“Canção da Despedida”), além do hit “Iliza (Gomara Saiá)”, um tema inspirado nas deambulações de Raul e Milo por Lourenço Marques (assim se chamava a capital de Moçambique), mais concretamente na célebre Rua Araújo, onde fervilhavam os cabarets e as casas de prostituição. O álbum teve o acompanhamento musical do grupo Thilo’s Combo e também do coro feminino da Emissora Nacional. Mais tarde, “Afrika Mulowa” viria a ser reeditado, primeiro em 1974 e depois em 1982, com uma nova capa, que reproduzia uma pintura africana de Raul Indipwo. Essa reedição seria alargada a outros países, como a França, a Alemanha, o Brasil, a Argentina ou os Estados Unidos, tendo neste último sido rebaptizado com o nome de “The Music of Africa Today”, para além de uma nova capa de gosto muito duvidoso.



3 comentários:

Anónimo disse...

Esta primeira edição é uma autêntica raridade, há muito esgotada no mercado (nunca saíu em CD). Apesar dos temas que compõem o album terem saído aos soluços em compilações diversas, nunca houve a sensatez de se editar o LP na sua forma original. Até agora, que o nosso amigo Rato nos prestou (mais) esse serviço. Bem haja!
Correm rumores de que o album "Blackground", de 1971, irá ser muito em breve reeditado em vinil, respeitando integralmente o seu original conceito. Se tal se vier a concretizar será mais uma pedrada no charco da música portuguesa.

Ricardo Sá

Rato disse...

Esses rumores parecem fundamentados. Segundo notícia publicado no jornal Público de 28 de Abril de 2017, o album será editado no 2º semestre de 2017 pela Armoniz, numa colaboração com as edições Valentim de Carvalho, responsável pela edição original. A informação foi prestada por Miguel Augusto Silva, fundador daquela editora. Serão produzidos 500 exemplares que reproduzirão fielmente a edição original, quer no som, quer na arte gráfica. A masterização, em processo totalmente analógico, foi feita a partir das fitas originais por Daniel Krieger nos estúdios da SST Brüggemann, em Frankfurt. Em "Blackground", conta Miguel Augusto Silva, Raul Indipwo e Milo MacMahon “inspiram-se nas tradições de Angola e vão mais longe que antes na pureza [dessa abordagem] e na utilização das línguas tradicionais do país. Dão um novo contexto às músicas africanas, mostrando como estas saem de África e como voltam através de outras formas musicais”. Com esta edição, a Armoniz pretende, nas palavras do seu fundador, continuar a mostrar “as múltiplas dimensões da música e da história de Portugal”. A nova edição, no que é uma marca da Armoniz, será acompanhado de um ensaio sobre a obra, a par de toda as informações relacionadas com a criação do disco, como seja a presença marcante do pintor Eleutério Sanches, autor da capa e falecido em Dezembro de 2016.

Anónimo disse...

Obrigado pelos esclarecimentos, Rato.
Cá ficamos pois à espera...

Ricardo Sá

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