Original released on LP Parlophone (EMI)
PMC 7027 (mono) / PCS 7027 (stereo)
PMC 7027 (mono) / PCS 7027 (stereo)
(UK 1967, June 1)
E o Sargento Pimenta completa já meio século! Eu era um puto de 14 anos quando ele nasceu (hoje felicito-me por ter cumprido aquela canção que dizia "When I get older losing my hair, many years from now..."), mas ainda me lembro de todo o alarido que à sua volta se fez. Era um bebé diferente de todos os outros, apesar da sua gestação ter pertencido aos mesmos 4 homens, à semelhança dos irmãos mais velhos. Na verdade, não era bem assim, porque esses 4 homens formavam um conjunto indivisível, uma entidade única que tinha um só nome: Beatles. E era como se o Deus da música tivesse criado um dos seus filhos mais irrequietos, o qual, pela sua genialidade, estava destinado a mudar todos os conceitos musicais que até então se conheciam.
“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” é único, inimitável e irrepetível. Mas não pertence ao meu podium beatleniano. Esse está, e estará sempre reservado ao “Abbey Road”, ao “Album Branco” e ao “Rubber Soul”. Mas vem logo a seguir! A decisão de gravar "Sgt. Pepper" surgiu em 1966 depois de os Beatles terem desistido dos concertos ao vivo. Argumentaram então que iriam dedicar-se às gravações de estúdio em detrimento dos espectáculos onde a "beatlemania" impedia a audição do som de palco. «Não vamos fazer mais digressões, mas vamos fazer como o Elvis que, em sua substituição, mandou o seu Cadillac. Nós vamos mandar um álbum», explicou então Paul McCartney, ao desenvolver a ideia de "Sgt. Pepper", personagem inventada por Mal Evans, o "faz-tudo" dos Beatles, morto tragicamente pela Polícia de Los Angeles em 1976 e que figura, de costas, na contra-capa do disco. Paul McCartney estava na altura ausente, em Nova Iorque, na festa do 21º aniversário de Jane Asher, a sua companheira na altura e Mal Evans tomou o seu lugar na fotografia.

O album foi gravado entre 6 de Dezembro de 1966 e 21 de Abril de 1967, contabilizando cerca de 700 horas de trabalho (recorde-se aqui, por comparação, que o 1º album dos Beatles, "Please Please Me", foi gravado numa única sessão de 13 horas, apenas 4 anos antes), tendo os custos totais atingido as 50 mil libras (uma verba astronómica para a época). Um pouco antes, em finais de Novembro, os Beatles tinham gravado dois temas, pensando incluí-los no novo álbum: “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane”. No entanto, e devido a pressões da editora EMI, essas duas canções saíriam apenas em single A (a 13 de Fevereiro de 1967 nos US e quatro dias depois no UK), muito antes da conclusão de “Sgt. Pepper”. Foi nessa altura que a ideia central para o álbum começou a ganhar corpo. A sugestão partiu de McCartney, que sugeriu aos outros Beatles a criação de uma banda fictícia (que acabaria por ser o título do álbum), de modo a que todos eles se sentissem mais livres para criar canções que tivessem pouco ou nada a ver com o universo habitual dos Beatles. Essa ideia de um grupo alter-ego acabaria assim por lhes permitir entrar em experimentalismos inovadores, sem se sentirem presos à sonoridade própria do grupo até essa altura.
As técnicas inovadoras de gravação implementadas pelo engenheiro de som Geoff Emerick e pelo produtor George Martin, chegaram a incluir o uso de uma orquestra de quarenta elementos no tema que encerra o album ("A Day in the Life", a canção mais representativa da colaboração criativa entre Lennon e McCartney). «Os Beatles insistiram que tudo em "Sgt. Pepper's" tinha de ser diferente e foi diferente, revolucionando os processos de gravação então conhecidos», lembrou Geoff Emerick, o premiado engenheiro de som do álbum. «Tecnicamente foi um pesadelo. Os rapazes queriam o impossível e eu só tinha quatro pistas», explica, por seu turno, George Martin, produtor do disco. Mais do que a sua qualidade (e ela circula por todas as espiras do disco) o que tornaria “Sgt. Pepper” um álbum charneira na pop music (o tal “antes de” e “depois de"), seria a sua faceta conceptual (na altura John Lennon diria à imprensa de que não fazia a mínima ideia do significado do termo). Até ali, um LP de 33 rotações era pouco mais do que um apanhado de canções. Depois da saída de “Sgt. Pepper” tudo mudou: a grande maioria dos músicos em todo o mundo começou a encarar a gravação de um album como a criação de uma obra musical com princípio, meio e fim, ou seja, uma “entidade” com personalidade própria. A curto prazo, tal transição iria ter como consequência a extinção progressiva do single e a ascenção do LP. Ou seja, a música pop/rock tinha chegado à idade adulta.
01. Sri Yukteswar Giri (guru indiano)
02. Aleister Crowley (mágico)
03. Mae West (atriz)
04. Lenny Bruce (comediante)
05. Karlheinz Stockhausen (compositor)
06. William Claude Fields (ator)
07. Carl Gustav Jung (psicanalista)
08. Edgar Allen Poe (escritor)
09. Fred Astair (ator)
10. Richard Merkin (artista)
11. Desenho de uma garota (The Varga Girl)
12. Leo Gorcey (ator) (retirado da capa porque cobrou para usar sua imagem)
13. Huntz Hall (um dos Bowery Boys)
14. Simon Rodia (artista)
15. Bob Dylan (músico)
16. Aubrey Beardsley (ilustrador)
17. Sir Robert Peel (político)
18. Aldous Huxley (escritor)
19. Dylan Thomas (poeta)
20. Terry Southern (escritor)
21. Dion (di Mucci) (cantor)
22. Tony Curtis (ator)
23. Wallace Berman (artista)
24. Tommy Handley (comediante)
25. Marylin Monroe (atriz)
26. William Burroughs (cantor)
27. Sri Mahavatara Babji (guru indiano)
28. Stan Laurel (comediante)
29. Richard Lindner (artista)
30. Oliver Hardy (comediante)
31. Karl Marx (filósofo socialista)
32. Herbert George Wells (escritor)
33. Sri Paramahansa Yogananda (guru indiano)
34. Anônima (manequim de cabelereira)
35. Stuart Sutcliffe (Ex-integrante dos Beatles)
36. Anônima (manequim de cabelereira)
37. Max Miller (comediante)
38. The Petty Girl (do artista George Petty)
39. Marlon Brando (ator)
40. Tom Mix (ator)
41. Oscar Wilde (escritor)
42. Tyrone Power (ator)
43. Larry Bell (pintor)
44. Dr. David Livingstone (explorador)
45. Johnny Weismueller (ator)
46. Stephen Crane (escritor)
47. Issy Bonn (comediante)
48. George Bernard Shaw (escritor)
49. Horace Clifford Westermann (escultor)
50. Albert Stubbins (jogador de futebol)
51. Sri Lahiri Mahasaya (guru)
52. Lewis Carroll (escritor)
53. Thomas Edward Lawrence (Lawrence da Arábia - escritor)
54. Sonny Listen (boxeador)
55. The Petty Girl (do artista George Petty)
56. Estátua de cera de George Harrison
57. Estátua de cera de John Lennon
58. Shirley Temple (atriz infantil)
59. Estátua de cera de Ringo Starr
60. Estátua de cera de Paul McCartney
61. Albert Einstein (físico)
62. John Lennon (segurando uma trompa)
63. Ringo Starr (segurando uma trombeta)
64. Paul McCartney
65. George Harrison (segurando uma flauta)
66. Bobby Breen (cantor)
67. Marlene Dietrich (atriz)
68. Ghandi (líder indiano, retirado da capa a pedido da EMI)
69. Legionário da ordem dos búfalos
70. Diana Dors (atriz)
71. Shirley Temple (atriz infantil)
72. Figura de Jann Haworth
73. Boneca da atriz infantil Shirley Temple
74. Castiçal mexicano
75. Aparelho de televisão
76. Figura de pedra de uma menina
77. Figura de pedra
78. Estátua (que era da casa de John Lennon)
79. Troféu
80. Boneca indiana
81. Capa da bateria do Sgt. Peppers (projetada por Joe Ephgrave)
82. Hooka (para fumar tabaco)
83. Cobra de veludo
84. Figura de pedra japonesa
85. Figura de pedra da Branca de Neve
86. Gnomo de Jardim
87. Tuba
A capa do álbum foi concebida por Peter Blake e Jann Haworth (dois artistas conotados com a pop art), contra a vontade da própria editora, EMI, e a partir de um desenho em tinta de Paul McCartney. A direcção de arte ficou a cargo de Robert Fraser e a fotografia, tirada a 30 de Março, de Michael Cooper. A frente do LP inclui uma colagem marcada pela presença do quarteto em duplicado (em cera, com as indumentárias antigas e com as novas e coloridas vestimentas - verde para John, azul para Paul, laranja para George e rosa para Ringo -, a representar o tal grupo fictício), à frente de um grupo de recortes de papelão de pessoas famosas (incluindo trabalhos em cera, emprestados pelo museu Madame Tussaud's) em tamanho real. Mae West, Lenny Bruce, Stockhausen, Edgar Allan Poe, Fred Astaire, Bob Dylan, Aldous Huxley, Marilyn Monroe, Karl Marx, H.G. Wells, Bernard Shaw, Dylan Thomas, Marlon Brando, Tarzan, Oscar Wilde, Einstein, Lewis Carroll, Marlene Dietrich e Shirley Temple (ver lista completa acima), foram algumas dessas personalidades (ver lista completa acima). A grande ausente da capa é Brigitte Bardot, escolhida pelos quatro Beatles, mas que, inexplicavelmente, não aparece. Lennon queria incluir ainda as figuras de Jesus, Gandhi e Hitler, mas essa sua ideia foi vetada pelos outros Beatles. O pequeno jardim, em baixo, contém a palavra "Beatles" e uma guitarra, feitas em flores, e um pouco acima podem ver-se plantas de marijuana, que foram incluídas como protesto da não legalização da droga. As letras das canções foram impressas na contracapa, a primeira vez que tal foi feito num álbum de rock. A capa de protecção do vinil era a cores (outra coisa inédita) e no interior podia ainda encontrar-se uma cartolina com figuras para recortar.
Entre a finalização e o lançamento comercial do álbum, os Beatles levaram uma versão em acetato ao apartamento de Cass Elliot (dos Mamas and Papas), situado nas imediações de King’s Road, no bairro de Chelsea. Por volta das seis da manhã abriram as janelas da casa e as colunas de som começaram a debitar os decibéis em alto volume. Segundo Derek Taylor, o assessor de imprensa dos Beatles, os residentes da vizinhança abriram as janelas ainda insonados, mas não houve reclamações. Era um privilégio ouvir em primeira mão as novíssimas canções do melhor grupo do mundo. Pouco tempo depois, a 12 de Maio, a estreia radiofónica ocorre na rádio-pirata London, por volta das 17:00 horas. Três dias depois, num concerto de Georgie Fame, Paul McCartney conhece a fotógrafa Linda Eastman, que viria a ser sua mulher. Mais uns dias decorridos e o album é finalmente apresentado à imprensa, na casa de Brian Epstein, em Londres, a 19 de Maio. No dia 4 de Junho, 3 dias após o lançamento do disco, Paul e George vão assistir a um concerto de Jimi Hendrix. Para grande surpresa do público, o fantástico guitarrista inicia a sua prestação com... "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Na décima edição dos Grammy Awards, já em 1968, “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” conquistou os prémios nas categorias de "Melhor Arte de Capa", "Melhor Engenharia de Som Não Clássico" e "Melhor Álbum Contemporâneo". O disco também recebeu o prémio de "Álbum do Ano", o primeiro LP de rock a receber tal honraria.
Ao longo dos anos, somaram-se os mais ambicionados prémios, com realce para o de "obra-prima do rock", atribuído pela Fundação Rock And Roll Hall Of Fame. Em 1988, foi pioneiro nos chamados "álbuns de solidariedade", "tributos" ou "homenagens" quando serviu de fio condutor a "Sgt. Pepper Knew My Father", editado pelo jornal de música londrino "New Musical Express", a favor da associação de solidariedade "Childline". Seguindo o alinhamento do álbum original, a réplica foi executada pelos nomes mais conhecidos à época, como Three Wize Men, Wet Wet Wet, Christians, Wedding Present, Billy Bragg, Sonic Youth, Michelle Shocked e the Fall. Em 2003, a Biblioteca do Congresso Americano incluiu “Sgt. Pepper” no Registo Nacional de Gravações, honrando o trabalho como «histórico, cultural, e esteticamente significante.» No mesmo ano, a revista Rolling Stone colocou-o em primeiro lugar na lista dos “500 melhores Albuns de Sempre”. Em 2014 já tinham sido vendidas mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo, fazendo de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” um dos álbuns mais vendidos da história da música. Agora que se comemora o 50º aniversário, disponibilizam-se aqui 3 versões: as versões originais mono e stereo (remasterizadas em 2009), e a novíssima e espantosa versão stereo concluída este ano pelo filho de George Martin, Giles, além de algumas faixas-bónus. Descubram as diferenças!
A1. SGT. PEPPER'S LONELY HEARTS CLUB BAND
Songwriter: Paul
Vocal, bass, guitars: Paul
Backing vocal: John
Guitar, backing vocal: George
Drums, backing vocal: Ringo
French horns: James W. Buck, John Burden, Tony Randall, Neil Sanders
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 1-2, and March 3 and 6, 1967
Number of takes: 10
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 2 and March 6, 1967
Afim de recrear a atmosfera de um concerto da Lonely Hearts Club Band, foram introduzidos sons de afinação dos instrumentos, bem como diferentes ruídos de risos e aplausos, retirados de uma gravação ao vivo de George Martin, "Beyond the Fringe". Na transição para a faixa seguinte (gritos do público) foi usado o som de um concerto no Hollywood Bowl.
“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” é único, inimitável e irrepetível. Mas não pertence ao meu podium beatleniano. Esse está, e estará sempre reservado ao “Abbey Road”, ao “Album Branco” e ao “Rubber Soul”. Mas vem logo a seguir! A decisão de gravar "Sgt. Pepper" surgiu em 1966 depois de os Beatles terem desistido dos concertos ao vivo. Argumentaram então que iriam dedicar-se às gravações de estúdio em detrimento dos espectáculos onde a "beatlemania" impedia a audição do som de palco. «Não vamos fazer mais digressões, mas vamos fazer como o Elvis que, em sua substituição, mandou o seu Cadillac. Nós vamos mandar um álbum», explicou então Paul McCartney, ao desenvolver a ideia de "Sgt. Pepper", personagem inventada por Mal Evans, o "faz-tudo" dos Beatles, morto tragicamente pela Polícia de Los Angeles em 1976 e que figura, de costas, na contra-capa do disco. Paul McCartney estava na altura ausente, em Nova Iorque, na festa do 21º aniversário de Jane Asher, a sua companheira na altura e Mal Evans tomou o seu lugar na fotografia.

O album foi gravado entre 6 de Dezembro de 1966 e 21 de Abril de 1967, contabilizando cerca de 700 horas de trabalho (recorde-se aqui, por comparação, que o 1º album dos Beatles, "Please Please Me", foi gravado numa única sessão de 13 horas, apenas 4 anos antes), tendo os custos totais atingido as 50 mil libras (uma verba astronómica para a época). Um pouco antes, em finais de Novembro, os Beatles tinham gravado dois temas, pensando incluí-los no novo álbum: “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane”. No entanto, e devido a pressões da editora EMI, essas duas canções saíriam apenas em single A (a 13 de Fevereiro de 1967 nos US e quatro dias depois no UK), muito antes da conclusão de “Sgt. Pepper”. Foi nessa altura que a ideia central para o álbum começou a ganhar corpo. A sugestão partiu de McCartney, que sugeriu aos outros Beatles a criação de uma banda fictícia (que acabaria por ser o título do álbum), de modo a que todos eles se sentissem mais livres para criar canções que tivessem pouco ou nada a ver com o universo habitual dos Beatles. Essa ideia de um grupo alter-ego acabaria assim por lhes permitir entrar em experimentalismos inovadores, sem se sentirem presos à sonoridade própria do grupo até essa altura.
As técnicas inovadoras de gravação implementadas pelo engenheiro de som Geoff Emerick e pelo produtor George Martin, chegaram a incluir o uso de uma orquestra de quarenta elementos no tema que encerra o album ("A Day in the Life", a canção mais representativa da colaboração criativa entre Lennon e McCartney). «Os Beatles insistiram que tudo em "Sgt. Pepper's" tinha de ser diferente e foi diferente, revolucionando os processos de gravação então conhecidos», lembrou Geoff Emerick, o premiado engenheiro de som do álbum. «Tecnicamente foi um pesadelo. Os rapazes queriam o impossível e eu só tinha quatro pistas», explica, por seu turno, George Martin, produtor do disco. Mais do que a sua qualidade (e ela circula por todas as espiras do disco) o que tornaria “Sgt. Pepper” um álbum charneira na pop music (o tal “antes de” e “depois de"), seria a sua faceta conceptual (na altura John Lennon diria à imprensa de que não fazia a mínima ideia do significado do termo). Até ali, um LP de 33 rotações era pouco mais do que um apanhado de canções. Depois da saída de “Sgt. Pepper” tudo mudou: a grande maioria dos músicos em todo o mundo começou a encarar a gravação de um album como a criação de uma obra musical com princípio, meio e fim, ou seja, uma “entidade” com personalidade própria. A curto prazo, tal transição iria ter como consequência a extinção progressiva do single e a ascenção do LP. Ou seja, a música pop/rock tinha chegado à idade adulta.
02. Aleister Crowley (mágico)
03. Mae West (atriz)
04. Lenny Bruce (comediante)
05. Karlheinz Stockhausen (compositor)
06. William Claude Fields (ator)
07. Carl Gustav Jung (psicanalista)
08. Edgar Allen Poe (escritor)
09. Fred Astair (ator)
10. Richard Merkin (artista)
11. Desenho de uma garota (The Varga Girl)
12. Leo Gorcey (ator) (retirado da capa porque cobrou para usar sua imagem)
13. Huntz Hall (um dos Bowery Boys)
14. Simon Rodia (artista)
15. Bob Dylan (músico)
16. Aubrey Beardsley (ilustrador)
17. Sir Robert Peel (político)
18. Aldous Huxley (escritor)
19. Dylan Thomas (poeta)
20. Terry Southern (escritor)
21. Dion (di Mucci) (cantor)
22. Tony Curtis (ator)
23. Wallace Berman (artista)
24. Tommy Handley (comediante)
25. Marylin Monroe (atriz)
26. William Burroughs (cantor)
27. Sri Mahavatara Babji (guru indiano)
28. Stan Laurel (comediante)
29. Richard Lindner (artista)
30. Oliver Hardy (comediante)
31. Karl Marx (filósofo socialista)
32. Herbert George Wells (escritor)
33. Sri Paramahansa Yogananda (guru indiano)
34. Anônima (manequim de cabelereira)
35. Stuart Sutcliffe (Ex-integrante dos Beatles)
36. Anônima (manequim de cabelereira)
37. Max Miller (comediante)
38. The Petty Girl (do artista George Petty)
39. Marlon Brando (ator)
40. Tom Mix (ator)
41. Oscar Wilde (escritor)
42. Tyrone Power (ator)
43. Larry Bell (pintor)
44. Dr. David Livingstone (explorador)
45. Johnny Weismueller (ator)
46. Stephen Crane (escritor)
47. Issy Bonn (comediante)
48. George Bernard Shaw (escritor)
49. Horace Clifford Westermann (escultor)
50. Albert Stubbins (jogador de futebol)
51. Sri Lahiri Mahasaya (guru)
52. Lewis Carroll (escritor)
53. Thomas Edward Lawrence (Lawrence da Arábia - escritor)
54. Sonny Listen (boxeador)
55. The Petty Girl (do artista George Petty)
56. Estátua de cera de George Harrison
57. Estátua de cera de John Lennon
58. Shirley Temple (atriz infantil)
59. Estátua de cera de Ringo Starr
60. Estátua de cera de Paul McCartney
61. Albert Einstein (físico)
62. John Lennon (segurando uma trompa)
63. Ringo Starr (segurando uma trombeta)
64. Paul McCartney
65. George Harrison (segurando uma flauta)
66. Bobby Breen (cantor)
67. Marlene Dietrich (atriz)
68. Ghandi (líder indiano, retirado da capa a pedido da EMI)
69. Legionário da ordem dos búfalos
70. Diana Dors (atriz)
71. Shirley Temple (atriz infantil)
72. Figura de Jann Haworth
73. Boneca da atriz infantil Shirley Temple
74. Castiçal mexicano
75. Aparelho de televisão
76. Figura de pedra de uma menina
77. Figura de pedra
78. Estátua (que era da casa de John Lennon)
79. Troféu
80. Boneca indiana
81. Capa da bateria do Sgt. Peppers (projetada por Joe Ephgrave)
82. Hooka (para fumar tabaco)
83. Cobra de veludo
84. Figura de pedra japonesa
85. Figura de pedra da Branca de Neve
86. Gnomo de Jardim
87. Tuba
Entre a finalização e o lançamento comercial do álbum, os Beatles levaram uma versão em acetato ao apartamento de Cass Elliot (dos Mamas and Papas), situado nas imediações de King’s Road, no bairro de Chelsea. Por volta das seis da manhã abriram as janelas da casa e as colunas de som começaram a debitar os decibéis em alto volume. Segundo Derek Taylor, o assessor de imprensa dos Beatles, os residentes da vizinhança abriram as janelas ainda insonados, mas não houve reclamações. Era um privilégio ouvir em primeira mão as novíssimas canções do melhor grupo do mundo. Pouco tempo depois, a 12 de Maio, a estreia radiofónica ocorre na rádio-pirata London, por volta das 17:00 horas. Três dias depois, num concerto de Georgie Fame, Paul McCartney conhece a fotógrafa Linda Eastman, que viria a ser sua mulher. Mais uns dias decorridos e o album é finalmente apresentado à imprensa, na casa de Brian Epstein, em Londres, a 19 de Maio. No dia 4 de Junho, 3 dias após o lançamento do disco, Paul e George vão assistir a um concerto de Jimi Hendrix. Para grande surpresa do público, o fantástico guitarrista inicia a sua prestação com... "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Na décima edição dos Grammy Awards, já em 1968, “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” conquistou os prémios nas categorias de "Melhor Arte de Capa", "Melhor Engenharia de Som Não Clássico" e "Melhor Álbum Contemporâneo". O disco também recebeu o prémio de "Álbum do Ano", o primeiro LP de rock a receber tal honraria.
Ao longo dos anos, somaram-se os mais ambicionados prémios, com realce para o de "obra-prima do rock", atribuído pela Fundação Rock And Roll Hall Of Fame. Em 1988, foi pioneiro nos chamados "álbuns de solidariedade", "tributos" ou "homenagens" quando serviu de fio condutor a "Sgt. Pepper Knew My Father", editado pelo jornal de música londrino "New Musical Express", a favor da associação de solidariedade "Childline". Seguindo o alinhamento do álbum original, a réplica foi executada pelos nomes mais conhecidos à época, como Three Wize Men, Wet Wet Wet, Christians, Wedding Present, Billy Bragg, Sonic Youth, Michelle Shocked e the Fall. Em 2003, a Biblioteca do Congresso Americano incluiu “Sgt. Pepper” no Registo Nacional de Gravações, honrando o trabalho como «histórico, cultural, e esteticamente significante.» No mesmo ano, a revista Rolling Stone colocou-o em primeiro lugar na lista dos “500 melhores Albuns de Sempre”. Em 2014 já tinham sido vendidas mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo, fazendo de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” um dos álbuns mais vendidos da história da música. Agora que se comemora o 50º aniversário, disponibilizam-se aqui 3 versões: as versões originais mono e stereo (remasterizadas em 2009), e a novíssima e espantosa versão stereo concluída este ano pelo filho de George Martin, Giles, além de algumas faixas-bónus. Descubram as diferenças!A1. SGT. PEPPER'S LONELY HEARTS CLUB BAND
Songwriter: Paul
Vocal, bass, guitars: Paul
Backing vocal: John
Guitar, backing vocal: George
Drums, backing vocal: Ringo
French horns: James W. Buck, John Burden, Tony Randall, Neil Sanders
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 1-2, and March 3 and 6, 1967
Number of takes: 10
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 2 and March 6, 1967
Afim de recrear a atmosfera de um concerto da Lonely Hearts Club Band, foram introduzidos sons de afinação dos instrumentos, bem como diferentes ruídos de risos e aplausos, retirados de uma gravação ao vivo de George Martin, "Beyond the Fringe". Na transição para a faixa seguinte (gritos do público) foi usado o som de um concerto no Hollywood Bowl.
A2. WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS
Songwriter: John and Paul
Vocal, drums, tambourine, timpani: Ringo
Bass, piano, backing vocal: Paul
Rhythm guitar, backing vocal: John
Lead guitar, organ, backing vocal: George
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 29-30, 1967
Number of takes: 11
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 31/April 7, 1967
Canção escrita por John, em Weybridge, baseada numa ideia original de Paul e destinada a ser interpretada por Ringo (apresentado na transição da faixa anterior como Billy Shears). A canção tornar-se-ia um grande sucesso na voz de Joe Cocker, que atingiria o topo dos charts britânicos em Outubro de 1968 e seria um dos pontos altos do Festival de Woodstock, no Verão de 1969.
A3. LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS
Songwriter: John
Vocal: John
Bass, organ, backing vocal: Paul
Guitars, tambura: George
Drums: Ringo
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 28/March 1-2, 1967
Number of takes: 8
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 2-3/April 7, 1967
A conotação desta canção com o LSD é pura coincidência, apesar de na altura lhe ter valido ser banida da BBC. A inspiração veio de Lucy O'Donnell (que faleceu em 2009), a melhor amiga do filho de John, Julian, que na altura tinha apenas 3 anos. Para explicar ao pai o significado de um seu desenho, Julian explicou que se tratava da sua amiga Lucy no céu com diamantes. John assimilou de imediato aquela frase e escreveu a canção de seguida. Paul lembra-se de ver o desenho de Julian em Kenwood e participou na letra da canção introduzindo as expressões "cellophane flowers" e "kaleidoscope eyes".
A4. GETTING BETTER
Songwriter: Paul
Vocal, bass, lead guitar, piano, hand claps: Paul
Rhythm guitar, backing vocal: John
Rhythm guitar, tambura, backing vocal, hand claps: George
Drums, bongos, hand claps: Ringo
Hohmer pianet electric piano: George Martin
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 9-10, 21 and 23, 1967
Number of takes: 15
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 23/April 17, 1967
Jimmy Nicol, que substituiu Ringo em Junho de 1964, costumava repetir vezes sem conta a frase "It's getting better". Paul lembrou-se disso um dia e usou tal expressão para compor um novo tema, o qual, de certo modo, pretendia acertar contas com os professores da sua juventude.
A5. FIXING A HOLE
Songwriter: Paul
Vocal, bass, harpsichord: Paul
Bass, backing vocal, maracas: John
Lead guitar, backing vocal: George
Drums: Ringo
Harpsichord: George Martin
Recorded at Regent Studio (studio A), February 9, 1967 and
at Abbey Road, studio 2, February 21, 1967
Number of takes: 3
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 21/April 7, 1967
Com esta canção, Paul quis celebrar os benefícios da marijuana e, de um modo geral, denunciar todos quantos o queriam impedir de experimentar a droga: «Fixing was the general idea. Wanting to be free enough to let my mind wander, let myself be artistic, let myself not sneer at avant-garde things». No dia da gravação do tema, apareceu à porta do estúdio um homem que dizia ser Jesus Cristo. Paul convidou-o para tomar chá e assistir à sessão, caso ele se mantivesse sossegado. O homem anuiu prontamente e manteve-se muito quieto a um canto, a tomar chá e a ouvir Paul a gravar.
A6. SHE'S LEAVING HOME
Songwriter: Paul and John
Vocal: Paul
Vocal: John
Violins: Erich Gruenberg, Derek Jacobs, Trevor Williams and José Luis Garcia
Violas: John Underwood and Stephen Shingles
Cellos: Dennis Vigay and Alan Dalziel
Double bass: Gordon Pearce
Harp: Sheila Bromberg
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 17 and 20, 1967
Number of takes: 9
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 20/April 17, 1967
Canção inspirada numa notícia de jornal (o Daily Mail), que em 27 de Fevereiro dava conta no abandono de casa de uma estudante de 17 anos chamada Melanie Coe, e que tinha deixado para trás um casaco de vison, um anel de diamante e um carro. O pai da jovem não compreendia a razão da fuga da jovem: «I cannot imagine why she should run away, she has everything here.» Eram os dias das comunas de hippies, e o slogan mais ouvido era o "Love and Peace". Paul achou que a notícia se enquadrava naqueles tempos e escreveu a canção com a ajuda de John: «It was rather poignant. I like it as a song, and when I showed it to John, he added the Greek chorus, with long sustained notes.» Brian Wilson lembra-se que em Abril de 67, quando estava a trabalhar no tema "Vegetables" com os Beach Boys, Paul sentou-se ao piano e tocou "She's Leaving Home", para ele e para a sua mulher: «It was a superb song. We both cried, it was beautiful.»
A7. BEING FOR THE BENEFIT OF MR. KITE!
Songwriter: John
Vocal, organ, bass harmonica: John
Bass, lead guitar, backing vocal, piano: Paul
Tambourine, backing vocal, bass harmonica: George
Drums: Ringo
Harmonium, organ, mellotron, glockenspiel: George Martin
Harmonica, organ: Mal Evans
Bass harmonica:Neil Aspinall
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 17 and 20/March 28, 29 and 31, 1967
Number of takes: 9
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 17/March 31/April 7, 1967
Em 31 de Janeiro de 67, os Beatles encontravam-se em Sevenoaks, no Kent, a filmarem o video para "Strawberry Fields Forecer". Durante a pausa para almoço, John entrou numa loja de antiguidades e comprou um poster de um circo victoriano de 1843. Mais tarde, já na sua casa de Weybridge, pendurou o quadro na sua sala de música e, de tanto olhar para ele, acabou por compor esta canção, em que os principais personagens são tirados do poster. Com a ajuda de Paul, a canção surgiu naturalmente: «The song is pure, like a painting, a pure watercolor.» Além do mais, foi deste poster que foi retirado o slogan para o album: "A splendid time is guaranteed for all".
B1. WITHIN YOU WITHOUT YOU
Songwriter: George
Vocal, acoustic guitar, sitar, tambura: George
Tambura: Neil Aspinall
Swarmandal, dilruba, tabla, tambura: Asian Music Circle Musicians
Violins: Erich Gruenberg, Alan Loveday, Julien Gaillard, Paul Scherman, Ralph Elman, David Wolfsthal, Jack Rothstein and Jack Greene
Cellos: Reginald Kilbey, Allen Ford and Peter Beavan
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 15 and 22 /April 3, 1967 (studio one)
Number of takes: 2
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 15 and 22 /April 3-4, 1967
As gravações de "Sgt. Pepper" não foram fáceis para George. Paul assumia cada vez mais domínio sobre o grupo, chegando a retirar muitos solos de guitarra a George e substituindo-os por maracas. George Martin, por seu turno, rejeitou a canção de Harrison, "Only a Northern Song", para o album, vindo apenas a ser editada em 1969, no album "Yellow Submarine". Klaus Voormann recorda: «Na altura vivia em Rainspark, e George ia visitar-me muitas vezes. A canção nasceu numa noite, com as palavras iniciais, "We were talking..." e adaptando um longo tema de Ravi Shankar. Eu escrevi uma mini versão usando sons similares e gravei tudo de seguida, tendo mais tarde dividido o conjunto em 3 partes.» George conseguiu a aprovação dos outros Beatles, sobretudo John, que referiu: «One of my favorites of his... He's clear on that song. His mind and his music are clear. There is his innate talent; he brought that sound together.» Paul, por seu lado, diria a Michael Simmons numa entrevista à revista Mojo em 2011: «"Within You Without You" is... completely landmark. I would say, in Western recording.» A canção foi gravada no meio de velas e incensos, para ajudar na atmosfera. Nenhum dos outros Beatles esteve presente. "Within You Without You" foi a última canção gravada para "Sgt. Pepper" e a escolhida para abrir o lado 2 do disco.
B2. WHEN I'M SIXTY-FOUR
Songwriter: Paul
Vocal, bass, piano: Paul
Lead guitar, backing vocal: John
Backing vocal: George
Drums, chimes: Ringo
Clarinets: Robert Burns, Henry MacKenzie and Frank Reidy
Recorded at Abbey Road, studio 2, December 6, 8 (studio 1) and 20-21, 1966
Number of takes: 4
Mixed at Abbey Road, studio 2, December 21, 29 (studio 3) and 30, 1966/ April 17, 1967
Paul escreveu "When I'm Sixty-Four" no piano do pai, quando tinha 16 anos. A atmosfera musical da sua adolescência foi bastante eclética, pelo que não admira a sua inclinação pelo tipo de música que John costumava chamar de "granny music" (música de avós). Paul diria: «I wrote that tune vaguely thinking it could come in handy in a musical comedy or something.» John confessaria mais tarde a David Sheff: «I would never even dream of writing a song like that. Neverthless, it had a charm and musical strength that made it indispensable for the album.»
B3. LOVELY RITA
Songwriter: Paul
Vocal, bass, piano: Paul
Rhythm guitar, backing vocal: John
Rhythm guitar, backing vocal: George
Drums: Ringo
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 23-24/March 7 and 21, 1967
Number of takes: 11
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 21/ April 17, 1967
O exemplo do tipo de canção que John desprezava: «I'm not interested in writing about boring people like that. I like to write about me, because I know me.» A lovely Rita de que fala a canção é descrita por Paul como "meter maid", ou seja, uma trabalhadora em part-time. O imaginário sexual da palavra "maid" divertiu-o o suficiente para lhe estimular a imaginação.
B4. GOOD MORNING GOOD MORNING
Songwriter: John
Vocal: John
Bass, lead guitar, backing vocal: Paul
Rhythm guitar: George
Drums: Ringo
Saxophones: Barry Cameron, David Glyde and Alan Holmes
Trombones: John Lee, unknown musician
French horn: Tom (unknown last name)
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 8 and 16 (studio 3)/March 13, 28-29, 1967
Number of takes: 11
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 16 and 20 (studio 3)/March 29/ April 6 and 19, 1967
John encontrou a inspiração para esta canção enquanto via televisão em casa. "Good morning, good morning" era um anúncio dos cereais Kellogg. John achava que a classe média tinha um estilo de vida entediante, apesar de passar horas na sua casa de Weybridge a olhar para a caixa da TV, que normalmente tinha o som muito baixo ou mesmo inaudível. A expressão "It's time for tea and meet the wife" é tirada de uma série da BBC ("Meet the Wife"). John nunca gostou da canção, chamando-lhe "a piece of garbage".
B5. SGT. PEPPER'S LONELY HEARTS CLUB BAND (reprise)
Songwriter: Paul
Vocal, rhythm guitar, tambourine: John
Vocal, bass, organ: Paul
Vocal, lead guitar, tambourine: George
Vocal, drums, maracas: Ringo
Recorded at Abbey Road, studio 1, April 1, 1967
Number of takes: 9
Mixed at Abbey Road, studio 1, April 1 and 20 (studio 3), 1967
Foi Neil Aspinall quem sugeriu a ideia de uma reprise: «Why don't you have Sgt. Pepper as the master of ceremonies of the album? He comes on at the beginning of the show and introduces the band, and at the end he closes it.» Lennon responderia: «Nobody likes a smart-arse, Neil» o que denotava admiração por uma boa ideia.
B6. A DAY IN THE LIFE
Songwriter: John and Paul
Vocal, rhythm guitar, piano: John
Vocal, bass, piano: Paul
Congas: George
Drums, maracas, piano: Ringo
Piano, harmonium: George Martin
Piano: Mal Evans
and an 40-piece orchestra formed by 12 violins, 4 violas, 4 cellos, 2 double bass, harpa, oboe, 2 flautas, 3 trumpets, 3 trombones, tuba, 2 clarinets, 2 bassoons, 2 french horns and percussion
Recorded at Abbey Road, studio 2, January 19-20, February 3, 10 (studio 1) and 22/March 1, 1967
Number of takes: 7
Mixed at Abbey Road, January 30 (studio 3)/February 13 and 22-23 (studio 2), 1967
Quando os Beatles chegaram ao estúdio para trabalharem na nova canção de John, o título provisório era "In the Life of". John tinha-a escrito em frente ao piano, com o Daily Mail de 7 de Janeiro aberto à sua frente. O texto teve origem em duas notícias: a morte do herdeiro do Guinness num acidente de carro; e a reparação de quatro mil buracos nas ruas de Blackburn, no Lancashire. Paul adorou o texto e sugeriu a inclusão da expressão "I'd love to turn you on", uma referência directa ao consumo de drogas. John adorou a ideia e finalmente a canção foi cantada pelos dois. Paul queria a inclusão de uma orquestra de 90 elementos, mas George Martin só autorizou 40, por causa dos custos. De qualquer modo, "A Day in the Life" é uma das canções mais inovadoras dos Beatles, a cereja no topo de "Sgt. Pepper". Por causa da alusão ao consumo de drogas, a BBC viria a bani-la, proibindo a sua transmissão.
Nas cópias britânicas do album foram ainda incluídos 8 segundos - "The 20,000 Hz Tone" - uma frequência só possível de ser ouvida por cães (uma homenagem de McCartney a todos esses nossos grandes amigos). Finalmente, na espira final, foram também acrescentados 2 segundos de vozes - "The Inner Groove" - que se ouviam repetidamente no final do disco, enquanto a agulha do gira-discos não era levantada. Sempre criativos, estes rapazes!
Songwriter: John and Paul
Vocal, drums, tambourine, timpani: Ringo
Bass, piano, backing vocal: Paul
Rhythm guitar, backing vocal: John
Lead guitar, organ, backing vocal: George
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 29-30, 1967
Number of takes: 11
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 31/April 7, 1967
Canção escrita por John, em Weybridge, baseada numa ideia original de Paul e destinada a ser interpretada por Ringo (apresentado na transição da faixa anterior como Billy Shears). A canção tornar-se-ia um grande sucesso na voz de Joe Cocker, que atingiria o topo dos charts britânicos em Outubro de 1968 e seria um dos pontos altos do Festival de Woodstock, no Verão de 1969.
A3. LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS
Songwriter: John
Vocal: John
Bass, organ, backing vocal: Paul
Guitars, tambura: George
Drums: Ringo
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 28/March 1-2, 1967
Number of takes: 8
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 2-3/April 7, 1967
A conotação desta canção com o LSD é pura coincidência, apesar de na altura lhe ter valido ser banida da BBC. A inspiração veio de Lucy O'Donnell (que faleceu em 2009), a melhor amiga do filho de John, Julian, que na altura tinha apenas 3 anos. Para explicar ao pai o significado de um seu desenho, Julian explicou que se tratava da sua amiga Lucy no céu com diamantes. John assimilou de imediato aquela frase e escreveu a canção de seguida. Paul lembra-se de ver o desenho de Julian em Kenwood e participou na letra da canção introduzindo as expressões "cellophane flowers" e "kaleidoscope eyes".
A4. GETTING BETTER
Songwriter: Paul
Vocal, bass, lead guitar, piano, hand claps: Paul
Rhythm guitar, backing vocal: John
Rhythm guitar, tambura, backing vocal, hand claps: George
Drums, bongos, hand claps: Ringo
Hohmer pianet electric piano: George Martin
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 9-10, 21 and 23, 1967
Number of takes: 15
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 23/April 17, 1967
Jimmy Nicol, que substituiu Ringo em Junho de 1964, costumava repetir vezes sem conta a frase "It's getting better". Paul lembrou-se disso um dia e usou tal expressão para compor um novo tema, o qual, de certo modo, pretendia acertar contas com os professores da sua juventude.
A5. FIXING A HOLE
Songwriter: Paul
Vocal, bass, harpsichord: Paul
Bass, backing vocal, maracas: John
Lead guitar, backing vocal: George
Drums: Ringo
Harpsichord: George Martin
Recorded at Regent Studio (studio A), February 9, 1967 and
at Abbey Road, studio 2, February 21, 1967
Number of takes: 3
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 21/April 7, 1967
Com esta canção, Paul quis celebrar os benefícios da marijuana e, de um modo geral, denunciar todos quantos o queriam impedir de experimentar a droga: «Fixing was the general idea. Wanting to be free enough to let my mind wander, let myself be artistic, let myself not sneer at avant-garde things». No dia da gravação do tema, apareceu à porta do estúdio um homem que dizia ser Jesus Cristo. Paul convidou-o para tomar chá e assistir à sessão, caso ele se mantivesse sossegado. O homem anuiu prontamente e manteve-se muito quieto a um canto, a tomar chá e a ouvir Paul a gravar.
A6. SHE'S LEAVING HOME
Songwriter: Paul and John
Vocal: Paul
Vocal: John
Violins: Erich Gruenberg, Derek Jacobs, Trevor Williams and José Luis Garcia
Violas: John Underwood and Stephen Shingles
Cellos: Dennis Vigay and Alan Dalziel
Double bass: Gordon Pearce
Harp: Sheila Bromberg
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 17 and 20, 1967
Number of takes: 9
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 20/April 17, 1967
Canção inspirada numa notícia de jornal (o Daily Mail), que em 27 de Fevereiro dava conta no abandono de casa de uma estudante de 17 anos chamada Melanie Coe, e que tinha deixado para trás um casaco de vison, um anel de diamante e um carro. O pai da jovem não compreendia a razão da fuga da jovem: «I cannot imagine why she should run away, she has everything here.» Eram os dias das comunas de hippies, e o slogan mais ouvido era o "Love and Peace". Paul achou que a notícia se enquadrava naqueles tempos e escreveu a canção com a ajuda de John: «It was rather poignant. I like it as a song, and when I showed it to John, he added the Greek chorus, with long sustained notes.» Brian Wilson lembra-se que em Abril de 67, quando estava a trabalhar no tema "Vegetables" com os Beach Boys, Paul sentou-se ao piano e tocou "She's Leaving Home", para ele e para a sua mulher: «It was a superb song. We both cried, it was beautiful.»
A7. BEING FOR THE BENEFIT OF MR. KITE!
Songwriter: John
Vocal, organ, bass harmonica: John
Bass, lead guitar, backing vocal, piano: Paul
Tambourine, backing vocal, bass harmonica: George
Drums: Ringo
Harmonium, organ, mellotron, glockenspiel: George Martin
Harmonica, organ: Mal Evans
Bass harmonica:Neil Aspinall
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 17 and 20/March 28, 29 and 31, 1967
Number of takes: 9
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 17/March 31/April 7, 1967
Em 31 de Janeiro de 67, os Beatles encontravam-se em Sevenoaks, no Kent, a filmarem o video para "Strawberry Fields Forecer". Durante a pausa para almoço, John entrou numa loja de antiguidades e comprou um poster de um circo victoriano de 1843. Mais tarde, já na sua casa de Weybridge, pendurou o quadro na sua sala de música e, de tanto olhar para ele, acabou por compor esta canção, em que os principais personagens são tirados do poster. Com a ajuda de Paul, a canção surgiu naturalmente: «The song is pure, like a painting, a pure watercolor.» Além do mais, foi deste poster que foi retirado o slogan para o album: "A splendid time is guaranteed for all".
B1. WITHIN YOU WITHOUT YOU
Songwriter: George
Vocal, acoustic guitar, sitar, tambura: George
Tambura: Neil Aspinall
Swarmandal, dilruba, tabla, tambura: Asian Music Circle Musicians
Violins: Erich Gruenberg, Alan Loveday, Julien Gaillard, Paul Scherman, Ralph Elman, David Wolfsthal, Jack Rothstein and Jack Greene
Cellos: Reginald Kilbey, Allen Ford and Peter Beavan
Recorded at Abbey Road, studio 2, March 15 and 22 /April 3, 1967 (studio one)
Number of takes: 2
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 15 and 22 /April 3-4, 1967
As gravações de "Sgt. Pepper" não foram fáceis para George. Paul assumia cada vez mais domínio sobre o grupo, chegando a retirar muitos solos de guitarra a George e substituindo-os por maracas. George Martin, por seu turno, rejeitou a canção de Harrison, "Only a Northern Song", para o album, vindo apenas a ser editada em 1969, no album "Yellow Submarine". Klaus Voormann recorda: «Na altura vivia em Rainspark, e George ia visitar-me muitas vezes. A canção nasceu numa noite, com as palavras iniciais, "We were talking..." e adaptando um longo tema de Ravi Shankar. Eu escrevi uma mini versão usando sons similares e gravei tudo de seguida, tendo mais tarde dividido o conjunto em 3 partes.» George conseguiu a aprovação dos outros Beatles, sobretudo John, que referiu: «One of my favorites of his... He's clear on that song. His mind and his music are clear. There is his innate talent; he brought that sound together.» Paul, por seu lado, diria a Michael Simmons numa entrevista à revista Mojo em 2011: «"Within You Without You" is... completely landmark. I would say, in Western recording.» A canção foi gravada no meio de velas e incensos, para ajudar na atmosfera. Nenhum dos outros Beatles esteve presente. "Within You Without You" foi a última canção gravada para "Sgt. Pepper" e a escolhida para abrir o lado 2 do disco.
B2. WHEN I'M SIXTY-FOUR
Songwriter: Paul
Vocal, bass, piano: Paul
Lead guitar, backing vocal: John
Backing vocal: George
Drums, chimes: Ringo
Clarinets: Robert Burns, Henry MacKenzie and Frank Reidy
Recorded at Abbey Road, studio 2, December 6, 8 (studio 1) and 20-21, 1966
Number of takes: 4
Mixed at Abbey Road, studio 2, December 21, 29 (studio 3) and 30, 1966/ April 17, 1967
Paul escreveu "When I'm Sixty-Four" no piano do pai, quando tinha 16 anos. A atmosfera musical da sua adolescência foi bastante eclética, pelo que não admira a sua inclinação pelo tipo de música que John costumava chamar de "granny music" (música de avós). Paul diria: «I wrote that tune vaguely thinking it could come in handy in a musical comedy or something.» John confessaria mais tarde a David Sheff: «I would never even dream of writing a song like that. Neverthless, it had a charm and musical strength that made it indispensable for the album.»
B3. LOVELY RITA
Songwriter: Paul
Vocal, bass, piano: Paul
Rhythm guitar, backing vocal: John
Rhythm guitar, backing vocal: George
Drums: Ringo
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 23-24/March 7 and 21, 1967
Number of takes: 11
Mixed at Abbey Road, studio 2, March 21/ April 17, 1967
O exemplo do tipo de canção que John desprezava: «I'm not interested in writing about boring people like that. I like to write about me, because I know me.» A lovely Rita de que fala a canção é descrita por Paul como "meter maid", ou seja, uma trabalhadora em part-time. O imaginário sexual da palavra "maid" divertiu-o o suficiente para lhe estimular a imaginação.
B4. GOOD MORNING GOOD MORNING
Songwriter: John
Vocal: John
Bass, lead guitar, backing vocal: Paul
Rhythm guitar: George
Drums: Ringo
Saxophones: Barry Cameron, David Glyde and Alan Holmes
Trombones: John Lee, unknown musician
French horn: Tom (unknown last name)
Recorded at Abbey Road, studio 2, February 8 and 16 (studio 3)/March 13, 28-29, 1967
Number of takes: 11
Mixed at Abbey Road, studio 2, February 16 and 20 (studio 3)/March 29/ April 6 and 19, 1967
John encontrou a inspiração para esta canção enquanto via televisão em casa. "Good morning, good morning" era um anúncio dos cereais Kellogg. John achava que a classe média tinha um estilo de vida entediante, apesar de passar horas na sua casa de Weybridge a olhar para a caixa da TV, que normalmente tinha o som muito baixo ou mesmo inaudível. A expressão "It's time for tea and meet the wife" é tirada de uma série da BBC ("Meet the Wife"). John nunca gostou da canção, chamando-lhe "a piece of garbage".
Songwriter: Paul
Vocal, rhythm guitar, tambourine: John
Vocal, bass, organ: Paul
Vocal, lead guitar, tambourine: George
Vocal, drums, maracas: Ringo
Recorded at Abbey Road, studio 1, April 1, 1967
Number of takes: 9
Mixed at Abbey Road, studio 1, April 1 and 20 (studio 3), 1967
Foi Neil Aspinall quem sugeriu a ideia de uma reprise: «Why don't you have Sgt. Pepper as the master of ceremonies of the album? He comes on at the beginning of the show and introduces the band, and at the end he closes it.» Lennon responderia: «Nobody likes a smart-arse, Neil» o que denotava admiração por uma boa ideia.
B6. A DAY IN THE LIFE
Songwriter: John and Paul
Vocal, rhythm guitar, piano: John
Vocal, bass, piano: Paul
Congas: George
Drums, maracas, piano: Ringo
Piano, harmonium: George Martin
Piano: Mal Evans
and an 40-piece orchestra formed by 12 violins, 4 violas, 4 cellos, 2 double bass, harpa, oboe, 2 flautas, 3 trumpets, 3 trombones, tuba, 2 clarinets, 2 bassoons, 2 french horns and percussion
Recorded at Abbey Road, studio 2, January 19-20, February 3, 10 (studio 1) and 22/March 1, 1967
Number of takes: 7
Mixed at Abbey Road, January 30 (studio 3)/February 13 and 22-23 (studio 2), 1967
Quando os Beatles chegaram ao estúdio para trabalharem na nova canção de John, o título provisório era "In the Life of". John tinha-a escrito em frente ao piano, com o Daily Mail de 7 de Janeiro aberto à sua frente. O texto teve origem em duas notícias: a morte do herdeiro do Guinness num acidente de carro; e a reparação de quatro mil buracos nas ruas de Blackburn, no Lancashire. Paul adorou o texto e sugeriu a inclusão da expressão "I'd love to turn you on", uma referência directa ao consumo de drogas. John adorou a ideia e finalmente a canção foi cantada pelos dois. Paul queria a inclusão de uma orquestra de 90 elementos, mas George Martin só autorizou 40, por causa dos custos. De qualquer modo, "A Day in the Life" é uma das canções mais inovadoras dos Beatles, a cereja no topo de "Sgt. Pepper". Por causa da alusão ao consumo de drogas, a BBC viria a bani-la, proibindo a sua transmissão.
Nas cópias britânicas do album foram ainda incluídos 8 segundos - "The 20,000 Hz Tone" - uma frequência só possível de ser ouvida por cães (uma homenagem de McCartney a todos esses nossos grandes amigos). Finalmente, na espira final, foram também acrescentados 2 segundos de vozes - "The Inner Groove" - que se ouviam repetidamente no final do disco, enquanto a agulha do gira-discos não era levantada. Sempre criativos, estes rapazes!























2 comentários:
Gracias, for sharing this fantastic Beatles album on its 50th anniversary.
O "Album Branco" é um dos que menos gosto dos Beatles. Comprei-o e tinha uma gravação péssima de tal maneira que o vendi passado pouco tempo.
E nunca pensei em comprá-lo de novo.
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