sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Doce de Shila

Edição original no LP Diapasão 16006/R
(PORTUGAL, 1977)


«Para cantar um dia connosco,
a Shila veio dos quatro cantos do mundo.
Dos cantos do Canadá,
onde os cantos que se cantam
se perdem nos cantos que não se encontram,
tanto é grande a terra
que lhes serviu de terra-mãe.
E através de outros cantos desencantos viagens e desviagens
a Shila foi parar a estas paragens.
E por aqui tem ficado a cantar com a gente.
A chula que ela canta neste disco não é só uma homenagem:
é um assunto de família
é uma chula para bailar e girar
é que ela gosta do ritmo, catrapum
pum
pum
é que ela gosta e faz parte desta gente
que "quer se queira quer não queira é bela".
E como ela já cantou com muitos de nós
pusemo-nos nós a cantar com o muito que é dela.
E foi assim que este disco foi feito.»

(Sérgio Godinho)


Album de estreia desta canadiana nascida Sheila Charlesworth em Toronto, a 14 de Julho de 1949, que nos primeiros anos da Revolução de Abril participou em diversos trabalhos de intérpretes portugueses, sobretudo de Sérgio Godinho, com quem era casada na altura. Conheceram-se em Paris, quando ambos faziam parte do elenco francês do “Hair” e integraram pouco depois o Living Theatre de Julian Beck numa tournée ao Brasil. Neste disco de estreia a parte de leão das composições vai naturalmente para Sérgio Godinho que assina (a solo ou em parceria) oito das dez faixas que compõem o album. Com arranjos do próprio Sérgio, de Fausto e Júlio Pereira, o disco é riquissimo musicalmente, contando com as colaborações de Carlos Zíngaro (violino), Manuel Guerreiro (sax e flauta), Guilherme Searpa e Rui Monteiro (bateria e percussões), Paulo Godinho (baixo), Júlio Pereira (viola-baixo), Sérgio Godinho (violas), entre outros. E ainda as vozes de Francisco Fanhais, Carlos Vaz e Eugénia Melo e Castro nos coros. É um disco muito agradável de se ouvir, mesmo a mais de 40 (!) anos de distância. As qualidades vocais de Shila emprestam a todo o album uma doçura cativante, sobretudo por causa do sotaque estrangeirado da cantora. Dois anos depois um segundo e último album confirmaria todas as promessas desta estreia. Chamar-se-ia “Lenga-Lengas e Segredos”, e também será aqui divulgado. Escusado será dizer que estes dois discos nunca foram re-editados em CD, pelo que esta será uma oportunidade única a aproveitar. Até porque a qualidade de transcrição se encontra em excelente estado.

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