Original Released in 1968, October 16
UK: TRACK 613008/9
US: REPRISE 2RS-6307

Gravado durante um ano (entre Julho de 67 e Agosto de 68) nos Plant Studios, em New York, este duplo album de Hendrix (o terceiro da sua curta carreira) é um dos clássicos incontornáveis de toda a história da música pop, onde géneros tão diferenciados como o rock, blues, psychedelia, soul ou jazz se misturam, dando origem a um som único que nenhum outro grupo, antes ou depois dos Experience conseguiu produzir. Criativamente é usualmente conotado, e com toda a razão, como o expoente máximo de Hendrix que atinge aqui todo o brilhantismo do seu génio. Além dos outros dois componentes do trio (Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria) Hendrix teve a colaboração de alguns dos músicos mais conhecidos da época: Dave Mason, Chris Wood, Steve Winwood, Buddy Miles, Jack Casady, Brian Jones e Al Kooper, entre outros. Este conjunto de estrelas só poderia originar um album tão excepcional como este, apesar dos conflitos ocorridos entre Jimi e os restantes membros do Experience, a maioria dos quais devidos ao seu obsessivo perfeccionismo em estúdio, que o levava a fazer incontáveis takes dos mesmos temas.
Seria, por isso mesmo, o derradeiro album do mítico trio e só dois anos depois é que Jimi conseguiu reunir uma nova banda para produzir outro disco, o “Band of Gypsys”, gravado ao vivo com Billy Cox e Buddy Miles, e editado em 1970 – foi o último album autorizado por Hendrix (“The Cry Of Love”, que encerrou a discografia oficial, já foi editado depois da morte do guitarrista, em 1971, faz hoje precisamente 44 anos). Entre outros temas inesquecíveis (por exemplo “Voodoo Chile” em duas versões diferentes, a mais longa das quais a durar uns bons 15 minutos) o album contém uma das covers mais célebres da história, o electrizante “All Along The Watchtower”, considerada mesmo superior à versão original pelo seu autor, mr. Bob Dylan himself! O single com esse tema chegaria a 5º lugar nas tabelas inglesas, ficando-se pelo 20ª posição na Billboard americana. Todos os restantes singles extraídos do album apenas seriam classificados em Inglaterra, com destaque para “Voodoo Chile (Slight Return)” que chegaria a nº 1 dois anos depois, a 28 de Novembro de 1970. O album, por sua vez, seria nº 1 nos EUA e nº 2 no Reino Unido.
A capa do disco gerou uma grande controvérsia na altura. A ideia de Hendrix era colocar uma fotografia colorida de Linda Eastman que mostrava o grupo rodeado de crianças junto à escultura de Alice in Wonderland em Central Park, tendo chegado inclusivé a manifestar esse desejo junto à editora, a Reprise Records. Como resposta teve uma fotografia (da autoria de Karl Ferris), da sua cabeça, em tons vermelho e amarelo, estampada na capa. Por outro lado, em Inglaterra, e devido a atrasos na remessa do album original, a Track Records produziu uma outra capa completamente diferente (da autoria de David King e Rob O’Connor), com 19 mulheres nuas fotografadas num fundo negro, algumas das quais segurando fotografias de albuns anteriores dos Experience. Alguns dos modelos eram na altura presença habitual nas páginas de revistas como a Mayfair ou a Parade, mas a maior parte delas foram contratadas por 5 libras/hora em bares e clubes de King's Road, Chelsea. A fotografia foi tirada pelo nova-iorquino David Montgomery no seu estúdio de Londres, em Edith Grove. Esta capa, que também desagradou pessoalmente a Jimi (chegou a comentar «it’s mostly bullshit»), constituiu no entanto uma imagem de marca de “Electric Ladyland”, preenchendo na altura todas as fantasias sexuais dos jovens fans e ajudando a criar toda uma aura sensual à volta de Hendrix, que na época era visto quase sempre rodeado por excitantes groupies. Algumas lojas de discos mais puritanas chegaram ao cúmulo de envolver o disco em sacos de papel, como se de uma revista pornográfica se tratasse. Seja como fôr, a capa original inglesa era muito mais apelativa, convenhamos, do que a fotografia desbotada da edição americana. No entanto foi esta última que, muitos anos após a morte de Hendrix foi adoptada (por imposição dos herdeiros) como a oficial em todo o mundo, o que, consequentemente, transformou as cópias da edição original inglesa (um dos meus tesouros mais preciosos) em items muito mais valiosos no mundo dos coleccionadores (a Record Collector atribui-lhe uma cotação base de 800 libras).
Jimi Hendrix's third and final album with the original Experience found him taking his funk and psychedelic sounds to the absolute limit. The result was not only one of the best rock albums of the era, but also Hendrix's original musical vision at its absolute apex. When revisionist rock critics refer to him as the maker of a generation's mightiest dope music, this is the album they're referring to. But "Electric Ladyland" is so much more than just background music for chemical intake. Kudos to engineer Eddie Kramer for taking Hendrix's visions of a soundscape behind his music and giving it all context, experimenting with odd mic techniques, echo, backward tape, flanging, and chorusing, all new techniques at the time, at least the way they're used here. As an album this influential (and as far as influencing a generation of players and beyond, this was his ultimate statement for many), the highlights speak for themselves: "Crosstown Traffic," his reinterpretation of Bob Dylan's "All Along the Watchtower," "Burning of the Midnight Lamp," the spacy "1983...(A Merman I Should Turn to Be)," and "Voodoo Child (Slight Return)," a landmark in Hendrix's playing. With this double set, Hendrix once again pushed the concept album to new horizons. (Cub Koda in AllMusic)
Jimi Hendrix's third and final album with the original Experience found him taking his funk and psychedelic sounds to the absolute limit. The result was not only one of the best rock albums of the era, but also Hendrix's original musical vision at its absolute apex. When revisionist rock critics refer to him as the maker of a generation's mightiest dope music, this is the album they're referring to. But "Electric Ladyland" is so much more than just background music for chemical intake. Kudos to engineer Eddie Kramer for taking Hendrix's visions of a soundscape behind his music and giving it all context, experimenting with odd mic techniques, echo, backward tape, flanging, and chorusing, all new techniques at the time, at least the way they're used here. As an album this influential (and as far as influencing a generation of players and beyond, this was his ultimate statement for many), the highlights speak for themselves: "Crosstown Traffic," his reinterpretation of Bob Dylan's "All Along the Watchtower," "Burning of the Midnight Lamp," the spacy "1983...(A Merman I Should Turn to Be)," and "Voodoo Child (Slight Return)," a landmark in Hendrix's playing. With this double set, Hendrix once again pushed the concept album to new horizons. (Cub Koda in AllMusic)






4 comentários:
YESSSSSSS!!!!!!
BINGO!
UM DOS MELHORES DE SEMPRE....!
Fui o primeiro a ter este LP lá no Burgo .... e ainda o tenho!!!! com a capa original inglesa....
esta versão de
All Along The Watchtower
é das minhas composições/versões 10 mais preferidas de sempre.....
um maravilhamento.... Hendrix parece que a interpreta a partir de um outro tempo/lugar outra dimensão que não é a nossa um sonho talvez e uma alegoria mítica ao seu génio criativo e interpretativo ele intangível num outro espaço/tempo ... dando-nos a ouvir aqueles loopigs de guitarra tridimensionais qualquer coisa em expansão/contração como uma voz em movimento vinda não se sabe de onde e uma inspiração de coisa única ... nuca mais ouvi nada assim....
é forte
Ganza
Jimi Hendrix
All Along the Watchtower
There must be some kind of way out of here,
said the joker to the thief
there's too much confusion,
I can't get no relief.
Business men, they drink my wine,
plow men dig my Earth,
none with a level on the vine,
nobody out of it is worth. hey
No reason to get excited,
the thief he kindly spoke,
there aren't many here among us,
who feel that life is but a joke,
but you and I, we've been through that,
and this is not our fate,
so let us stop talking falsely now,
the hour is getting late.
All along the watchtower,
princess kept the view,
while all the women came and went,
barefoot servants too.
Outside in the cold distance,
a wild cat did growl,
two riders were approaching,
and the wind began to howl.
All along the tower,
All through the watch, all along the watchtower
Realmente Hendrix foi adulado pelos seus comparsas yanks, com Dylan à cabeça. Mas... só depois dos ingleses o terem "descoberto" e elevado ao Olimpo dos Deuses. Na música como em outras áreas santos da casa nunca fizeram milagres.
Não valendo a pena tecer comentários adicionais à música incluída neste album (como se pode adjectivar mais o que é genial?), sempre direi que a "imagem" que irá perdurar para sempre como relacionada com este album será inevitavelmente a da edição inglesa. Os herdeiros de Hendrix e/ou os guardadores dos royalties não tiveram a perspicácia suficiente para entenderem como certas coisas funcionam no mundo da pop music e fizeram portanto asneira ao escolherem a capa da edição americana como a "oficial". Para as novas gerações é muito bem capaz de ser igual ao litro, pois trata-se da "geração mp3" ou "geração ipodiana", para quem o que conta é o ficheirozinho baixado da net. Mas para os sobreviventes da década de 60 "Electric Ladyland" será sempre aquele album duplo com as gajas nuas na capa.
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