“Kanimambo” significa "Obrigado", em changane (um dos muitos dialectos falados em Moçambique) e foi o tema que no início da década de 60 lançou a carreira artística de João Maria Tudella. Não era esse o seu nome de baptismo. Nasceu a 27 de Agosto de 1929, em Lourenço Marques, e ficou registado como João Maria de Oliveira Pegado Bastos Carreira. Depois de ter feito a quarta classe da instrução primária foi viver com os pais para a África do Sul, onde permaneceu até tirar a 7ª classe, no Ermelo Convent. Regressou a Lourenço Marques onde frequentou o Liceu Salazar, até que, em Julho de 1944, veio para Coimbra, onde se matriculou num Colégio. Foi jogador de basquetebol da AAC e membro da Tuna Académica da Universidade de Coimbra. Em 1950, os pais, pouco animados com os resultados escolares, fizeram-no regressar a Lourenço Marques onde, em Março desse ano se estreou no Rádio Clube de Moçambique, interpretando fados de Coimbra, sob o pseudónimo de "João do Choupal". Após o serviço militar empregou-se na Agência da Companhia de Seguros Império, onde se manteve 4 anos, transitando depois para a Shell, onde permaneceu 7 anos. A 14 de Abril de 1951, Amália Rodrigues escrevia: «João Maria - tenho ouvido cantar o fado de Coimbra, muitas vezes, e foi você o único que me deu emoção». A 13 de Maio de 1959 alcançou o seu primeiro êxito como cançonetista, interpretando, no Rádio Clube de Moçambique, a canção "Kanimambo", com música de Artur Fonseca e letra de Reinaldo Ferreira e Matos Sequeira. Com “Kanimambo” fará grande carreira em Portugal continental, nos Estados Unidos e na América do Sul. Defendendo sempre o seu estatuto de amador, é convidado para uma digressão ao Brasil. No regresso passa por Portugal, onde a pressão para que "o maior cartaz turístico de Moçambique" aqui se instale é tal que, poucos meses depois, retorna para ficar, definitivamente como profissional. O seu estilo elegante conquistou-lhe uma legião de adeptos, e uma carreira coroada por inúmeros prémios, entre os quais o Prémio da Crítica O Melhor da TV, em 1962. Em 1968, após ter sido proibido de voltar à RTP na sequência da interpretação de “Cama 4, Sala 5” de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, Tudella resolve terminar a sua carreira. Os seus últimos anos de intervenção artística são marcados por uma crescente exigência quanto aos temas, (letras e composições), e por uma aproximação aos autores mais críticos do regime.
Kanimambo-ooooooo
Kanimambo-ooooooo
Kanimambo
só contigo
eu consigo
entender o amor
Kanimambo
preso aos laços
dos teus braços
a vida é melhor
É por isso
quando tu sorris
que o feitiço
me faz tão feliz
E me obriga
a que eu diga
Kanimambo
como o negro diz
Obrigado
Muchas gracias
Merci bien
Tudo é kanimambo
Danke schöen
Grazie tanta
Many thanks
Tudo é kanimambo
Kanimambo
se mais linda
fosse ainda
a expressão landim
Kanimambo
não diria
como eu queria
o que és para mim
Não sei bem
a razão porquê
sei que vem
de ti não sei quê
E que ao ver-te
sou credor
de dizer-te
Kanimambo amor
Kanimambo-ooooooo
Kanimambo
só contigo
eu consigo
entender o amor
Kanimambo
preso aos laços
dos teus braços
a vida é melhor
É por isso
quando tu sorris
que o feitiço
me faz tão feliz
E me obriga
a que eu diga
Kanimambo
como o negro diz
Obrigado
Muchas gracias
Merci bien
Tudo é kanimambo
Danke schöen
Grazie tanta
Many thanks
Tudo é kanimambo
Kanimambo
se mais linda
fosse ainda
a expressão landim
Kanimambo
não diria
como eu queria
o que és para mim
Não sei bem
a razão porquê
sei que vem
de ti não sei quê
E que ao ver-te
sou credor
de dizer-te
Kanimambo amor
NOTA: A versão de "Kanimambo" incluída neste EP é a versão mais curta do master original usada também no single (sem a introdução da guitarra e sem as últimas quatro estrofes). É por isso mesmo uma versão muito mais difícil de encontrar do que a longa, com cerca de 5 minutos, e que é a que normalmente se encontra em compilações avulso (está incluída na coleção "Kanimambo"). Mais tarde foram feitas outras gravações do mesmo tema, com arranjos diferentes.



5 comentários:
... Artur Fonseca .... Reinaldo Ferreira .... Matos Sequeira ...
... young Ganza ...
Caro Rato: existia alguma ligação pessoal e/ou profissional entre J. M. Tudela e Jorge Jardim. Por aqui, no que era então chamado de Metrópole, dizia-se... pode ser que saibas.
Abraço
Pois sinceramente não sei ao que te referes, JC. Politicamente Jorge Jardim sempre foi conotado em Moçambique com a extrema direita e essa é a única ideia que retenho da pessoa. Quanto ao Tudella conheci-o pessoalmente, visto ele ter sido da geração da minha mãe, com quem cresceu desde os tempos da meninice. Sempre lhe achei um piadão, com grande sentido de humor (tem histórias pessoais deliciosas que dariam um grande romance de non-sense) e politicamente sempre se mostrou um "desalinhado", tendo inclusivé sido perseguido pela PIDE do antigo regime. Agora se existiu, como dizes, alguma ligação pessoal ou profissional entre os dois, não faço a mínima ideia.
Thanks, Rato.
A propósito do que JC escreveu, tive curiosidade e fui à Wikipédia de onde copiei isto:
Foi Secretário Particular do Eng.º Jorge Jardim, com o qual trabalhou nos contactos desenvolvidos antes do 25 de Abril de 1974, com vista à Autonomia e eventual Independência de Moçambique.
Este site é óptimo!
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