segunda-feira, 12 de maio de 2008

LP ARTWORK ON EXHIBITION

As capas de discos de vinil foram uma “tela” explorada pelos movimentos artísticos do século XX. Guy Schraenen, comissário da exposição em curso (cerca de 800 capas da sua coleção pessoal) até ao dia 13 de Julho no Museu de Serralves do Porto, diz que são objectos de um mundo que já não existe.
«Há algo de mágico numa capa de um LP. Há algo muito táctil, há uma relação entre a capa e o disco, mesmo na forma como envelhece. O CD não tem ligação à vida.»
Visitada recentemente em Barcelona por 75 mil pessoas, «a exposição fala para muita gente: gente interessada em arte visual ou música, pessoas nostálgicas e também uma nova geração interessada nos Beatles ou nos Sonic Youth.»
Trabalhos gráficos de Joseph Beuys, Laurie Anderson, Keith Haring, Roy Lichtenstein e Andy Warhol (para os Rolling Stones, Velvet Underground, Aretha Franklin ou John Lennon), as capas do minimalista Sol LeWitt para Phillip Glass, o imaginário violento dos desenhos de Raymond Pettibon que ele ajudou a inscrever no universo dos Black Flag (e também a capa de “Goo”, dos Sonic Youth), e a estética militarista dos Laibach são destaques da exposição.

Guy começou a coleccionar nos anos 60, não pinturas ou esculturas, mas discos, livros, revistas e documentos. No caso das capas dos LPs que artistas conceberam para bandas pop/rock, aprecia o “espírito”, muito diferente do de hoje, com que as relações entre artistas visuais e músicos aconteciam. «Todo esse universo deixou de existir nos inícios da década de 80 com o aparecimento do CD. Os miúdos de hoje, ligados aos seus ipods, não terão a possibilidade de, no futuro, se lembrarem do que ouviam quando eram novos. Quando apagam um disco do ipod, apagam-no da sua vida.»
Mas apesar da desmaterialização da música, o vinil continua a merecer a preferência de melómanos, artistas visuais ou simples coleccionadores. As estatísticas demonstram até que têm ressurgido, porventura como reacção à banalização do objecto CD.
O disco de 1967 dos Velvet Underground ficou conhecido como o “disco da capa da banana”. Na edição original vinha com um autocolante que, depois de tirado (“peel slowly and see”) revelava por baixo uma banana sem casca, de cor avermelhada. Andy Warhol, com toda esta simplicidade criava uma capa muito forte e apelativa.
De igual modo, Richard Hamilton, pioneiro da Pop Art, tornaria célebre o album duplo “The Beatles”, em 1968. No extremo oposto da densa informação de “Sgt. Pepper’s” nasceria um objecto quase totalmente branco, apenas com o nome do grupo em relevo e um nº de série – opção irónica, como reconheceu, face às astronómicas vendas dos discos dos Beatles. Numa entrevista, o fotógrafo John Kelly, que assina parte das fotografias do poster interior, garantiu que a ideia de fazer uma capa branca foi sua: «Na altura fazia muitos trabalhos relacionados com moda e estava muito interessado no branco. Além disso, John Lennon também gostava de branco nesse período.»

2 comentários:

InimaGoncalves disse...

Rato, realmente, as capas dos antigos LPs e Compactos foram um celeiro para artistas se expressarem, o que hoje não acontece tanto, depois da adoção do CD e mais agora com o IPOD.
Aqui no Brasil, como em todos os países existem pessoas que se dedicam exclusivamente à confecção de capas de discos que se comparam à qualquer obra de arte, como um do qual estou me lembrando agora, Elifas Andreatto. Eu próprio, ainda guardo todos os LPs que adquiri e as capas de grande parte deles representam algo, e não somente a foto do artista, como hoje é comum nas capas de CDs.
Um abraço,
Inimá - Bhte / Brasil
13/05/2008

Den disse...

RATO: Thank you.
The LP cover was a perfect art form, 12" x 12" in USA, and within the square, the circle world of music! The square holds everything, anything, within a union of equals. Not horizontal, not vertical, but even.
WIthin the larger size of the LP, the greatest art of the music of our lives, and the images of our youth. Made by photographers, illustrators, designers and printers. Each was singular, but made in thousands.
I am now 60, and when I was Woodstock age, we looked for the "cool" and "far-out" images to show us what was inside. Art for the masses.

Your graphic designs with images of Playboy babes and good times, colors and light and sound. The swirling, swinging 60's and then the 70's in Europe, and even the Disco 80's... then it slowed down, and the age of the chip, the tiny CD, the image lost it's power, and we lost our youth.

All the beauty of the boy and girl changes, ages, fades. The music stays young. And here, now, the web makes again a party with hipsters like you and me, and millions of us have some good times, while the world spins on, even if the LP doesn't.

Best wishes,

DEN NC USA

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