sábado, 31 de agosto de 2019
“Where Were You In ’62?”
Original released on LP MCA MCA2-8001
(US, 1973)

The soundtrack to the George Lucas film about teenage life in a small California town in the early '60s was probably the best thing about the movie, featuring several dozen outstanding early rock & roll hits. There's nothing terribly obscure here - in fact, most of these were big smashes - but it's a good survey of rock's early days, ranging from superstars like Buddy Holly, Chuck Berry, Fats Domino, and the Beach Boys to great one-shots like the Monotones, the Tempos, and Buster Brown. Drawbacks: Wolfman Jack talks over the intros of a few songs, and there are a couple tracks by early-'70s Sha Na Na-type revivalists Flash Cadillac. (Richie Unterberger in AllMusic)sexta-feira, 30 de agosto de 2019
At Home With DELANEY & BONNIE
Original released on LP Stax STS 2026
(US, August 1969)
Delaney & Bonnie's brand of soul-rock was firmly in place by the time of this 1969 album, the only one they recorded for Stax. Their following albums would gain greater exposure, but there's not much difference between this record and those subsequent efforts, except perhaps that this is more soul-oriented and less rock-oriented. That's not too surprising considering that members of Booker T. & the MG's are playing on most of the cuts, though a few were done in Hollywood with Leon Russell on keyboards and Carl Radle on bass. The material was a mixture of original songs and compositions from top Stax writers such as Steve Cropper, Isaac Hayes, and David Porter, though generally the songs weren't as grittily powerful or memorably hook-laden at the best stuff to come out of Stax in the late '60s. The cover of "Piece of My Heart" was bound to pass relatively unnoticed in the wake of Janis Joplin's wrenching hit cover of the song (with Big Brother & the Holding Company), and "Hard to Say Goodbye" seems like an attempt to push their sound in a slightly poppier direction, though not at all a bad one. (Richie Unterberger in AllMusic)quarta-feira, 28 de agosto de 2019
DELANEY & BONNIE: "Accept No Substitute"
Original released on LP Elektra EKS 74039
(US 1969, May 23 )
While Delaney & Bonnie will be forever associated with Eric Clapton and "Layla & Other Assorted Love Songs", the couple, along with a loose association of friends, recorded a number of classics in their own right. Released in 1969, "Accept No Substitute" contained the same blend of soul and rock & roll that would show up on "Layla" the following year. While the production, as Matthew Greenwald points out in the liner notes, has a "pop sheen," Delaney & Bonnie's earthy vocals, along with the band's rhythm & blues assault, nonetheless dictate the proceedings. The horn section and expressive guitar create a lovely mix on "Get Ourselves Together" and "Someday," giving the listener a taste of what gospel might sound like if performed by a good '60s rock band. This religious connection is even more predominate on "Soldiers of the Cross," a piece of lyrical fundamentalism that would fit quite comfortably into a Baptist choir's repertoire. This isn't to infer that "Accept No Substitute" is pious in any way; only that Delaney & Bonnie and their friends add a spiritual quality to the music they perform. One also shouldn't miss the imaginative "Ghetto," a song that cleverly combines soulful piano with strings. For those unfamiliar with Delaney & Bonnie's other work, "Accept No Substitute" is a good place to start. (Ronnie D. Lankford, Jr. in AllMusic)terça-feira, 27 de agosto de 2019
Os Fados Do TI ALFREDO
«My biggest regret, has to do with Fado, was to record my songs, the records came to industrialize Fado, Fado should not be sold, I sing because my soul commands it, I sing as if I am praying. I do not like to sing for machines. I want to see the public, to analyze its reactions, to see if they are enjoying.»
Before Mariza, before Carlos do Carmo, before Amália, there was Marceneiro, “Uncle Alfred”, like everybody treated him. He began to sing already with 52 years old (he lived 91 years, from 1891 to 1982) and he represented the trully pure essence of Lisbon Fado. Although he didn't knew a single music note he was one of the best composers that Fado had. “Fado” is a music genre which most likely originated in the 1820s in Portugal. Its universe is about sadness, grief, death, lost loves, tragic lives but above all is about “saudade” a word with no accurate English translation: briefly, it’s a nostalgic memory from someone, something or some place that you have lost in your life. “Fado”'s origins are probably from a mixture of African slave rhythms with the traditional music of Portuguese sailors and Arabic influence. Rato Records has reunited 20 of the best fados of Alfredo Marceneiro. And no matter if you don’t understand the words, you know already what they are about. Just listen to the portuguese guitars surrounding that unique voice and surely you’ll feel the music into your deepest skin.Foi um inovador: iniciou a tradição de cantar de pé e a de escurecer a sala e acender velas. Foi um purista: jamais se lhe ouviu um fado com refrão. Cultivou exclusivamente o Fado tradicional, puro, descritivo. Exigiu sempre acompanhamentos simples, para não desviar a atenção do poema. Os guitarristas que reservassem os floreados para as variações: o que motivou algumas zangas famosas, em cena, com virtuosos não menos famosos. Sem saber música, foi um dos mais importantes compositores de Fado. Compunha de ouvido, cristalizando um ou outro improviso que se impunha pela originalidade e alguém passava à pauta, para registo autoral. Viu-se rodeado pelos melhores letristas do tempo, por feliz acaso os de uma época de oiro do Fado, o que proporcionou uma combinação ímpar de qualidade, à qual se juntaram os melhores guitarristas.
Pertencia à noite lisboeta, de que era um emblema. Preenchia-a, já em adiantada veterania, fazendo a ronda das casas de fado. Não havia taxista do turno da noite que o não conhecesse e não o levasse onde queria, sem cobrar a corrida. Raramente saiu da sua cidade, e nunca fez “tournées” ao estrangeiro. Era avesso a palcos, a projectores, a microfones: para gravar o primeiro LP, aos 69 anos, num estúdio apetrechado com vasta aparelhagem, vendou os olhos, para cantar na sua tão querida obscuridade e não ver a parafernália hostil que o cercava… Felizmente, viveu muito. Em 1963 foi-lhe feita uma festa de “consagração e despedida”, por aposentação, aos 72 anos; pois ainda cantou quase mais 20 anos depois disso, para regalo de quem o ouviu! Isto transformou-o numa ponte entre gerações do Fado. Foi contemporâneo dos grandes nomes desaparecidos antes da rádio e dos discos, fazendo chegar aos nossos dias esse legado cultural de enorme riqueza, casticismo e autenticidade popular. Em 1980, a Câmara Municipal de Lisboa homenageou-o e concedeu-lhe a Medalha de Mérito da Cidade.
Nos últimos tempos, sem perder as qualidades que dele fizeram também um mito, já com 91 anos e cantando até poucos meses antes da morte (que veio a 26 de Junho de 1982), ouvir a sua voz agreste e quente, cheia de musicalidade, de timbre discutível mas irrepreensível afinação, ver-lhe as expressões com que dava ênfase a certas passagens, os trejeitos fadistas a pontuar as frases-chave, era admirar um monumento vivo. Tão cativante a cantar como a conversar, possuía um tesouro de histórias do Fado, de memórias doutros tempos, contadas com um humor cáustico, mas sem dizer mal de ninguém. Morreu na sua freguesia de Alcântara, como tantas vezes pediu cantando; teve um funeral em que o padre citou esses versos e o corpo baixou à terra ao som de guitarras. Continuou – e continuará – a ser celebrado.
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| Com a fadista Fernanda Maria |
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
"Somos Filhos da Madrugada..."
Zeca Afonso tem 40 anos quando grava este album nos estúdios da Pye em Londres, no alvorecer da década de 70. A sua voz nunca esteve tão cristalina e o seu canto tem o condão de nos tocar bem fundo, num misto de emoções que o tempo não consegue apagar. No texto de apresentação, Bernardo Santareno realçava a 'pureza' como 'a nota maior' da arte de Zeca. Pureza é, de facto, a palavra exacta para definir este disco, um imenso poema de fraternidade a que não falta a raiva de quem se sabe cercado. Uma raiva que tem a sua expressão mais evidente nas interpretações de "Os Eunucos" (cuidadosamente subintitulada "No reino da Etiópia", numa tentativa de dar a volta às malhas apertadas da censura) e do soberbo e angustiante poema de Jorge de Sena, "Epígrafe para A Arte de Furtar". “Traz Outro Amigo Também” não pôde contar com a participação de Rui Pato, entretanto mobilizado para a tropa e com o passaporte apreendido pela P.I.D.E.. Em seu lugar estão Carlos Correia (Bóris) e Filipe Colaço. As referências a África surgem, pela primeira vez, no trabalho de Zeca (em "Avenida de Angola" e "Carta a Miguel Djéje"), a par de temas como a emigração e o exílio ("Canção do Desterro"), de canções populares ("Maria Faia" e "Moda do Entrudo") e de uma nova viagem pelos domínios camonianos ("Verdes São os Campos"). Incómodo e belíssimo, “Traz Outro Amigo Também” assume-se como um disco de grande maturidade, através do qual, se dúvidas ainda restassem, se tornava claro que já tudo era diferente na música portuguesa. A prova, de resto, fora dada no ano anterior a este disco, durante um programa de televisão igualmente histórico, o 'Zip Zip'. Onde Zeca, curiosamente, nunca participou... É durante a estadia em Londres que José Afonso conhece Caetano Veloso e Gilberto Gil, ambos exilados nessa altura na capital londrina. Rezam as crónicas que Gil foi testemunha assídua no estúdio e que aí aprendeu e reconheceu o grande mérito das canções do Zeca. E também que este teria improvisado a música para “London London” durante um jantar num restaurante português. Caetano agradeceu pois andava atrapalhado para compor uma música que ilustrasse a sua estadia em Londres.JAMES TAYLOR Debut Album
Original released on LP Apple SAPCOR 3
(UK 1968, December 6)
James Taylor was the first artist to be signed to record on the Beatles' short-lived vanity Apple label. In late 1968, Taylor's sophisticated self-titled disc foreshadowed the introspective singer/songwriter genre that dominated pop music in the early and mid-'70s. Although often touted as his debut, this release is chronologically Taylor's second studio outing. "James Taylor and the Original Flying Machine" - an EP recorded a year earlier - contains rudimentary versions of much of the same original material found here. The album is presented with two distinct sides. The first, in essence, presents a unified multi-song suite incorporating several distinctly Baroque-flavored links connecting the larger compositions. The second is a more traditional collection of individual tunes. This unique juxtaposition highlights Taylor's highly personal and worldly lyrics within a multidimensional layer of surreal and otherwise ethereal instrumentation. According to Taylor, much of the album's subject matter draws upon personal experience. This is a doubled-edged blessing because the emphasis placed on the pseudo-blues "Knocking 'Round the Zoo" and the numerous other references made to Taylor's brief sojourn in a mental institution actually do a disservice to the absolutely breathtaking beauty inherent in every composition. Several pieces debuted on this release would eventually be reworked by Taylor several years later. Among the notable inclusions are "Rainy Day Man," "Night Owl," "Something in the Way She Moves," and "Carolina in My Mind." Musically, Taylor's decidedly acoustic-based tunes are augmented by several familiar names. Among them are former King Bees member Joel "Bishop" O'Brien (drums) - who had joined Taylor and Danny "Kootch" Kortchmar in the Original Flying Machine - as well as Paul McCartney (bass), who lends support to the seminal version of "Carolina in My Mind." The album's complex production efforts fell to Peter Asher - formerly of Peter and Gordon and concurrent head of Apple Records A&R department. The absolute conviction that runs throughout this music takes the listener into its confidence and with equal measures of wit, candor, and sophistication, James Taylor created a minor masterpiece that is sadly eclipsed by his later more popular works. (Lindsay Planer in AllMusic)domingo, 25 de agosto de 2019
A Voz de AMÁLIA
Edição original em LP Columbia (EMI) SPMX 5012
(PORTUGAL 1970, Março 25)
Com a voz de Amália Rodrigues é a própria alma de Portugal que nos surge. A verdade é que nenhum outro intérprete do fado conseguiu, como ela, ser o reflexo da sensibilidade de todo um povo, desse povo que nela se reconhece. O fado, esse canto melancólico e apaixonado, começou por se cantar nas tavernas do porto de Lisboa. Se, depois, foi adoptado por todos apesar da sua origem e se se tornou parte integrante da vida de Lisboa, é a Amália Rodrigues que o deve. Não admira, pois, que os melhores poetas do país tivessem proposto os seus textos a Amália. A sua interpretação profunda e subtil sabia dar aos poemas todo o seu significado e toda a sua beleza. A qualidade musical das canções é obra de um compositor muito dotado: Alain Oulman. Embora português de adopção, ele soube renovar o fado e criar um novo estilo, unindo elementos de música clássica às melodias de origem popular. O seu encontro com Amália foi um encontro feliz, já que, depois de Frederico Valério, raros compositores tinham compreendido a sua voz. Voz que Alain Oulman entendeu como nenhum outro, para ela escrevendo uma música de forma ampla mas definida, a que sabia ligar sempre uma melodia carregada de ambiente, permitindo que Amália se transfigurasse, se desdobrasse nas suas incessantes improvisações. E permitindo também, através da sua música, que Amália cantasse os poetas de que tanto gostava.Assim, é todo um novo reportório que irá surgir na voz de Amália e que atingirá um dos seus pontos mais sublimes neste album, editado logo no início da década de setenta. As doze canções que ela nos apresenta neste album histórico (talvez um dos melhores registos de toda a discografia do Fado e, sem qualquer dúvida, o melhor album de sempre de Amália) são os frutos maduros de dez anos de relacionamento entre o compositor e a Diva: todas as músicas levam a assinatura de Oulman, distribuindo-se a autoria das letras pelos maiores poetas da língua portuguesa: David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Cecília Meirelles, António de Sousa, Pedro Homem de Mello..., Luís de Camões! Com gente desta, o resultado final só poderia ter sido o que foi: uma obra-prima absoluta da canção portuguesa. Acabado de gravar em Janeiro de 1969, o LP "Com Que Voz" só seria editado mais de 1 ano depois, no dia 25 de Março de 1970. Quatro faixas, porém, foram publicadas antes: "Formiga Bossa Nova", "Havemos de Ir a Viana" e "Cravos de Papel", no EP "Formiga Bossa Nova" (Columbia ELMS 3005), a 23 de Maio de 1969; e "Com Que Voz", no single (VC 5) distribuído na atribuição do Prémio Pozal Domingues, a 17 de Junho de 1969. No verso deste último single, intitulado "Prémio Pozal Domingues 1969", podia ler-se: «Num luxuoso álbum, a publicar brevemente, Amália Rodrigues canata alguns dos maiores nomes da poesia portuguesa, ilustrados pela música de Alain Oulman. É desse disco o fado "Com Que Voz", um soneto atribuído a Luís de Camões e que dá título ao album.»
RETRATO DE AMÁLIA
És filha de Camões filha de Inês
assassinada voz de portuguesa
cantando a nossa imensa pequenez
com laranjas e gomos de tristeza.
É no claro Mondego dos teus olhos
que se debruça o mal da nossa mágoa.
Ao Tejo dos teus gestos que se acolhe
o nosso coração a pulsar água.
Falando desatada de saudade
choras um povo cantas a balada
mais bonita que soa na cidade
de Lisboa por ti apaixonada.
(José Carlos Ary dos Santos)
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