sábado, 19 de novembro de 2016

MELUA's SECOND ALBUM

Original released on CD Dramatico DRAMCD0007
(2005, September 26)

Georgia-born (as in the country, not the state) singer/songwriter Katie Melua found herself atop the British charts in 2003 with her breezy debut, "Call Off the Search", which sold over three million copies in Europe alone. Her laid-back blend of blues, jazz, and pop with a kiss of worldbeat drew comparisons to Norah Jones, and rightfully so. She sticks to the formula on her lush, ultimately safe follow-up, "Piece by Piece". This is Coldplay for the Diana Krall crowd, a perfectly rendered slice of adult contemporary pie for a lazy summer day delivered by an artist whose beautiful voice is almost striking in how unremarkable it is. Her longtime collaborator, producer/songwriter Mike Batt, provides the catchiest number, an odd and endearing little confection called "Nine Million Bicycles." It's both silly and sweet, two things that work in Melua's favor. Sure, she can vamp it up with the best of them on bluesy asides like "Shy Boy" and the dreadful "Blues in the Night," but there's a whole lot of innocence in that voice that just shrivels in the midst of all that bravado. Only in her early twenties, Melua's got plenty of time to decide on a persona, and "Piece by Piece" has enough quality material on it to placate fans until she does, but there's some tension here, and it doesn't sound intentional. Besides, anyone who covers Canned Heat and the Cure on the same record is still trying to figure it all out. (James Christopher Monger in AllMusic)

ANDREW LLOYD WEBBER 3

ANDREW LLOYD WEBBER 2

ANDREW LLOYD WEBBER 1


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Leonard & Jennifer: "If It Be Your Will"

DEAN MARTIN: "Sleep Warm"

Original released on LP Capitol T-1150
(US 1959, March 2)

On only his third full-length, 12-inch LP recorded as such, Dean Martin finally found a way to construct an album in the style of pal and rival Frank Sinatra's highly successful concept LPs: Bring Sinatra in as the conductor. (The arrangements are by Pete King.) Repose was Sinatra's chosen theme, and he selected a set of songs well-suited to Martin's bedroom voice, from Johnny Mercer's "Dream" and "Hit the Road to Dreamland" to "Let's Put Out the Lights (And Go to Sleep)" and "Dream a Little Dream of Me." Just as on a Sinatra theme album, the title track was written to order, in this case by Lew Spence with lyrics by Marilyn Keith and her husband-to-be, Alan Bergman. Martin brought more attention to the sessions than usual, and the sympathetic string arrangements supported his romantic vocals, making this one of his best album releases. (William Ruhlmann in AllMusic)

TANTO MAR...



Edição Original em LP Philips 6349 146
(Brasil, 1975)


Este é, na minha opinião, e sem sombra de dúvida, o melhor album ao vivo da música brasileira. De sempre! Mas... tem um pequeno defeito: a faixa nº 10. Quando o disco foi editado, em 1975, vivia-se em Portugal a euforia da Revolução de Abril. Como sempre solidário, Chico Buarque quis homenagear esse tempo de liberdade e compôs uma das suas melhores e mais emblemáticas canções:

“Tanto Mar”

Sei que estás em festa, pá
fico contente
e enquanto estou ausente
guarda um cravo para mim.
Eu queria estar na festa, pá
com a tua gente
e colher pessoalmente
uma flor do teu jardim.
Sei que há léguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei também que é preciso, pá
navegar, navegar.
Lá faz primavera, pá
cá estou doente
manda urgentemente
algum cheirinho de alecrim.

A canção foi incluída (e naturalmente cantada) no show ao vivo. Mas a censura brasileira da altura proibiu a sua divulgação e apenas foi autorizada a sua inclusão no album como tema instrumental. É claro que em Portugal a versão original cantada foi a que apareceu editada, tornando-se rapidamente um dos maiores êxitos da época. Dois anos depois, já com a revolução dos cravos em “banho-maria”, Chico alterou, compreensivelmente, a letra e a nova versão, intitulada “Tanto Mar II” viu a luz do dia no album “Chico Buarque”, editado em 1978:

Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
'inda guardo renitente
um velho cravo para mim.
Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente
nalgum canto de jardim.
Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
sei também como é preciso, pá
navegar, navegar.
Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente
algum cheirinho de alecrim.

Estranhamente, porém, mesmo com o avançar dos anos e a modificação das mentalidades esse “erro” nunca foi corrigido: as sucessivas edições do album em CD continuaram a trazer sempre a versão instrumental. Mesmo em compilações editadas (quer genéricas quer do próprio Chico Buarque) o tema original nunca mais apareceu, o que o tornou num item raro de coleccionadores. Para mais uma vez lembrar que a liberdade é algo de muito valioso e único nas vidas de todos nós (e a que normalmente só se dá o devido valor quando ela não existe) Rato Records foi recuperar essa primeira versão ao vinil original para presentear assim todos os seus irmãos brasileiros.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

terça-feira, 15 de novembro de 2016

LEONARD COHEN: "SONGS FROM A ROOM"

Original Released on LP Columbia CS 9767
(US 1969, March 24)



O intimismo que se evola deste disco (#2 na GB e #63 nos EUA) quase que o torna monótono; sendo isso, segundo os críticos, a principal qualidade deste trabalho. Quase todas as composições se referem a uma vivência social ligada com o amor - as mulheres na vida de Cohen - destacando-se, em excepção, a canção política "The Partisan" (escrita por Ana Marly e Hy Zaret), em que o poeta se coloca do lado da resistência, contra o nazismo e qualquer forma de imperialismo. Este tema, que Cohen aprendera na adolescência, tem um significado histórico e político a que se torna necessário dar o devido destaque.


Anna Marly tinha durante a guerra um clube francês em Green Park, onde os franceses de Londres tinham o hábito de se reunir. Ela tinha registado esta canção, de que escrevera a música e os versos na intenção de apoiar os resistentes que combatiam em França. Infelizmente este registo foi destruído por acidente, quando duma acção de para-quedistas. E finalmente, graças à determinação de alguns elementos da Frente de Libertação Francesa, a canção foi transmitida e popularizada entre os resistentes por via oral, sendo altamente difundida na década de 40 pelas estações de rádio.


Leonard Cohen followed up his debut album with another masterpiece, this collection of magnificent songs of solitude, despair and resignation. Besides "The Partisan", a song about the French resistance with its beautiful French verses and female vocals, all compositions are by Cohen. What a delightfully dark album! But if you know any Leonard Cohen songs, you already knew that, right? Wrong. This is dark even by his standards, a remarkable look at Vietnam and the 1960s generation gap from the enigmatic Canadian. Cohen being Cohen, of course, that can't be seen on the surface, which is what keeps the brilliant album brilliant instead of relentlessly depressing. The production style is extremely austere, apparently in reaction to what Cohen considered the excessive instrumental flourishes of his first album; whether intentional or not, this fits the lyrical atmosphere perfectly and adds to it.


This reissue booklet includes liner notes by Anthony DeCurtis, one full-color and four black & white photographs plus a full-color painting of a chair. Both extra tracks were originally produced by David Crosby and for reissue by Bruce Dickinson. The first, "Like A Bird", is an earlier version of "Bird On The Wire". This version is less flowing, more halting than the familiar one. "Nothing To One" is the earlier version of "You Know Who I Am". Cohen's sublime music has a transcendent, spiritual quality. These haunting songs "from a room" have lost none of their poetic impact after 4 decades; their grace, elegance and beauty shine on. (in Amazon)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A TRIBUTE TO LORCA

Original released on LP CBS 450307 1
(ESPAÑA, 1986)


"Poetas en Nueva York" es el título del disco que vamos a escuchar y comentar hoy. Se trata de un homenaje internacional al gran poeta Federico García Lorca. Todos los temas fueron grabados, en distintas ciudades del mundo (París, Madrid, Roma, Londres, Nueva York, Río de Janeiro, Atenas y Berlín), en 1986, año en que se conmemoraba el 50 aniversario del asesinato del poeta. Están cantados en distintos idiomas (inglés, catalán, italiano, hebreo, portugués, griego, alemán y castellano), pero siempre sobre la base de algún poema de Lorca contenido en el libro “Poeta en Nueva York”, escrito entre 1929 y 1930. García Lorca se fue en 1929 a impartir unas conferencias en Cuba y Nueva York. Pero el viaje fue quizá un pretexto para cambiar de aires y huir del ambiente que le rodeaba y que le oprimía. Debido a un fracaso sentimental y al dilema interior que sentía por su sexualidad, Lorca padeció en esa época una profunda depresión. Federico García Lorca conoció la ciudad de Nueva York en la época de la gran depresión y el crack bursátil del 29. 


El paradigma del sueño americano, ese que consiste en que todos somos iguales y podemos llegar a lo más alto gracias a las oportunidades que nos ofrece la maravillosa sociedad americana, abierta, plural y libre. El poeta se encuentra con una ciudad inhumana que simboliza lo peor de nuestra civilización, el capitalismo salvaje y desaforado. Es una ciudad con vida propia, sucia, gris, fea, desalmada, caótica, ruidosa, que actúa como un vampiro que chupa la sangre y la vida de las personas. Al mismo tiempo, frente a la ciudad-monstruo se alza la masa sin nombre ni rostro, que representa lo humano, lo cálido, la alegría, el baile, la música, las ganas de vivir pese a todo”. "Poeta en Nueva York" fue para Lorca un grito de horror, de denuncia contra la injusticia y la discriminación, contra la deshumanización de la sociedad moderna y la alienación del ser humano, al tiempo que reclamaba una nueva dimensión humana donde predominase la libertad y la justicia, el amor y la belleza.


Es por ello por lo que puede ser considerada una de las obras poéticas más importantes y relevantes de la historia de este arte. Una crítica poética en un momento de cambios económicos y sociales de una magnitud única en toda la historia de la humanidad, que convierte esta obra en una profunda reflexión pesimista y hace que sea un nexo de unión entre el modernismo y la nueva era tecnológica. Una de las principales influencias que se notan en "Poeta en Nueva York" fue la del surrealismo: esta corriente pretendía renovar radicalmente la literatura, fomentar la libertad creadora del escritor a través de la libre expresión del subconsciente, abandonando cualquier tipo de convencionalismo ya fuese moral, social o artístico. Pretendían trascender la realidad accediendo a un nivel superior de conciencia, a una «sobre-realidad» – de ahí el nombre del movimiento – en la que el autor pueda expresar sin ningún tipo de ambages su visión del mundo y de la vida.



"Poeta en Nueva York" é o mais profundo e maduro livro nova.iorquino, onde Lorca incorpora magistralmente o surrealismo trágico com uma visão social aguda e fria. O que teria escrito Lorca aos cinquenta anos, ou mesmo aos sessenta? É completamenre imprevisível. Porém, tudo se poderia esperar de um homem que aos trinta anos publicou o seu "Romancero Gitano" e as suas três grandes tragédias entre os trinta e cinco e os trinta e seis... Contava apenas mais dois anos quabdo a morte o levou - fez em 1986 cinquenta anos. Nascera em 1898, em Fuente de Vaqueros, província de Granada, em Espanha. Aí viria a ser assassinado, em 1936, poucas semanas depois da Guerra Civil Espanhola ter começado. Cantores e autores de todo o mundo escolheram esse 50º aniversário para, através do seu livro "Poeta en Nueva York" lhe prestarem uma justa homenagem, musicando os seus poemas, adaptando-os às sua línguas - grego, catalão, italiano, alemão, hebreu, inglês ou português - e cantando. A poesia é uma linguagem universal. A música também. Quando ambas se unem, e quem escreveu as palavras foi Federico Garcia Lorca, nasce uma obra discográfica como esta, que sobreviverá ao longo dos anos.



Credits:
Executive-Producer – Rafael Alvero
Lyrics By – Federico García Lorca
Artwork [Front Cover Original Painting] – Eduardo Urculo


Notes:
All the tracks have been recorded in 1986, the year of commemoration of the 50th anniversary of the death of Federico García Lorca. The album includes a leaflet that has lyrics to all of the songs and the original poems of Federico García Lorca both in Spanish and in English. 

A1. "Take This Waltz" is based on the poem "Pequeño Vals Vienes" (Little Viennese Waltz), performed in English by Leonard Cohen. Produced by Michel Reusser. Recorded at Montmartre Studios in Paris.

A2. "Els Negres (Norma I Paradis)" is based on the poem "Norma y Paraiso de los Negros" (The Blacks of this World and the Next), performed in Catalan, by Lluis Llach. Produced by Lluis Llach. Recorded at Eurosonic Studios in Madrid. 

A3. "Grido A Roma" is based on the poem "Grito Hacia Roma" (Cry To Rome), performed in Italian by Angelo Branduardi. Recorded at Forum Studios in Rome. 

A4. "Nacimiento De Christo" is based on the poem of the same name (The Birth of Christ), performed in Castillian by Victor Manuel. Produced by Geoff Westley. Recorded at Marcus Music, Eel Pie and Parsifal Studios in London.

A5. "‏ילדותך במנטון‎" is based on the poem "Tu Infancia En Menton" (Your Childhood in Menton), performed in Hebrew by David Broza. Produced by Louis Lahav. Recorded at The Ranch Studios in New York. 

A6. "Asesinato" is based on the poem of the same name ("Murder"), performed in Castillian by Paco y Pepe De Lucia. Produced by Miguel Ángel Arenas. Recorded at Circus Studios in Madrid. 


B1. "A Aurora" is based on the poem "La Aurora" ("Dawn"), performed in Portuguese by Raimundo Fagner e Chico Buarque. Produced by Trinaldo Areas. Recorded at Sigla Studios in Rio de Janeiro. 

B2. "Φεύγω Για Το Σαντιάγο" is based on the poem "Son de Negros de Cuba" (Blacks Dancing to Cuban Rhythms), performed in Greek by Georges Moustaki y Mikis Theodorakis. Produced by Mikis Theodorakis. Recorded at Zeta Studios in Athens. 

B3. "Unsleeping City" is performed in English by Donovan. Recorded at Eurosonic Studios in Madrid. 

B4. "Kleines Unendliches Gedicht" is based on the poem "Pequeño Poema Infinito" (Little Infinite Poem), performed in German by Manfred Maurenbrecher. Produced by Hubert Henle. Recorded at Thomas Funk Studios in Berlin. 

B5. "Oda a Walt Whitman" is based on the poem of the same name (Ode to Walt Whitman), performed in Castillian by Patxi Andión. Recorded at Circus Studios in Madrid.


domingo, 13 de novembro de 2016

"If It Be Your Will"

"Hineni Hineni, I'm Ready My Lord"

Original released on CD Columbia / Sony 88985365072
(2016, October 21)

«I Wish There Was a Treaty Between Your Love and Mine»

Given the subject matter addressed in the title and other tracks on "You Want It Darker" and Leonard Cohen's advanced age (82), it's tempting to hear this as a last album. In advance of its release, he told The New Yorker he was ready to die, but later walked back that comment. He wrote some of songs solo, and others with Sharon Robinson and Patrick Leonard. In declining health, and required to sing from a medically designed chair, Cohen enlisted his son Adam to produce. Cohen's sepulchral voice expresses a wealth of emotion. He is weathered but defiant in acknowledging failures, regrets, brokenness, and even anger. Typically, redemption arrives in these songs with unflinching honesty. The title track is introduced by a choir and a foreboding bassline, its lyrics as much an indictment of human concepts of religion as a confessional reflection, balanced by personal doubt and acceptance. Cantor Gideon Y. Zelermyer engages with the sacred even as Cohen wrestles with it. 

For every, «Hineni, Hineni/I'm ready my Lord…» there is a counter: «...Magnified and sanctified/Be thy Holy Name/Vilified and crucified/In the human frame/A million candles burning/For the help that never came….» In the final verse he asserts: «If you are the dealer/I want out of this game,» but Zelermyer and the choir answer and carry him with resolute devotion. "Treaty" recalls the melody of "Anthem" as piano, synth strings, and chorale highlight the poignancy in his lyric. Cohen equates the past with earned insights and an offer of amends: «We sold ourselves for love but now we're free/I'm sorry for the ghost I made you be….» "Leaving the Table" is a bittersweet country waltz where Cohen reveals things he no longer needs (even if he wishes he did), and underscores his impending exit: «I don't need a pardon/There's no one left to blame/I'm leaving the table/I'm out of the game.» The intersection of blues, and Yiddish and gypsy folk on "Traveling Light" flows through bouzoukis, mandolins, and drum loops. Their union recalls the haunted musical qualities of 1984's "Various Positions".

In song after song, Cohen delivers lyric juxtapositions that settle scores with God, past lovers, and himself, but almost always arrives at equanimity. He sounds like a spent Jeremiah alone in a cave conversing with God rather than the biblical figure transported to heaven in a fiery chariot. After coming to terms with the ghosts in his past and his acceptance of mortality, Cohen emits a resilient flicker of hope for total reconciliation in the shadows. A tender reprise of "Treaty" is adorned only by strings and his vocals as he expresses hope for detente: «I wish there was a treaty/between your love and mine.» Amid the list of gripes, sins, and losses detailed on "You Want It Darker", Cohen remains open to whatever earthly light offers even as his gaze shifts toward the eternal. He makes no compromises. These songs reveal that when all contradictions are nakedly exposed, all one can do is embrace them. Whether this is or isn't goodbye, "You Want It Darker" is one hell of a record. (Thom Jurek in AllMusic)

sábado, 12 de novembro de 2016

L. COHEN: "New Skin For The Old Ceremony"


Original Released on LP CBS 69087 
(US 1974, August 11)

Leonard Cohen was a poet long before he decided to pick up a guitar. Despite singing in a dry baritone over spare arrangements, Cohen is a gifted lyricist who captivates the listener. "New Skin for the Old Ceremony" may be Leonard Cohen's most musical album, as he is accompanied by violas, mandolins, banjos, and percussion that give his music more texture than usual. The fact that Cohen does more real singing on this album can be seen as both a blessing and a curse — while his voice sounds more strained, the songs are delivered with more passion than usual. Furthermore, he has background vocalists including Janis Ian that add significantly to create a fuller sound. It is no surprise, however, that he generally uses simple song structures to draw attention to the words ("Who By Fire"). The lyrics are filled with abstract yet vivid images, and the album primarily uses the metaphor of love and relationships as battlegrounds ("There Is a War," "Field Commander Cohen"). Cohen is clearly singing from the heart, and he chronicles his relationship with Janis Joplin in "Chelsea Hotel No. 2." This is one of his best albums, although new listeners should start with "Songs of Leonard Cohen". (Vik Iyengar in AllMusic)

No verão de 1974 Leonard Cohen, ainda há poucos meses decidido a retirar-se totalmente do mundo da canção para passar a dedicar-se quase exclusivamente à sua produção literária, tinha tudo preparado para uma grande reaparição na Europa a partir do mês de Julho. Para esse seu novo movimento promocional à escala europeia, decerto muito contribuíu o filme “Bird on the Wire”, dirigido por Tony Palmer, que teve a sua estreia mundial no Rainbow Theatre de Londres a 5 de Julho. Era constituído sobretudo por documentários fílmicos dos concertos ao vivo de Cohen durante a sua última tournée, alguns apontamentos de bastidores, bem como recitais de poesia. Na visita promocional de Cohen à Europa, em Setembro desse ano, depois da sua esfusiante actuação na Grande Festa de l’Humanité, os seus concertos multiplicaram-se sobretudo pelos principais centros urbanos da Grã-Bretanha, atingindo o seu zénite em Londres onde, segundo rezam as crónicas, deu nessa altura um dos espectáculos mais inesquecíveis de toda a sua carreira – foi a 20 de Setembro, vésperas do seu 40º aniversário.

THE CHELSEA HOTEL, NEW YORK
Toda essa bem montada cadeia promocional não surgiu casualmente. Tal como é usual entre as actividades argutamente programadas pelas companhias discográficas, a CBS organizou todo este dispositivo publicitário de modo a coincidir com o lançamento no mercado do novo album, mais precisamente o quinto trabalho de longa duração, este "New Skin for the Old Ceremony". A "velha cerimónia" é, evidentemente, o acto do amor. Ou do ódio, ou da revolução, ou do canto... Todas as imagens do passado coexistem nesta apologia do amor (físico) realizado – seja em que parâmetros forem. Depois da escuridão de "Songs of Love and Hate" (talvez o ponto discográfico mais alto da sua carreira), "New Skin" marca um renascimento. O poeta sobreviveu, criou calos, recuperou uma espécie de beleza. Pela primeira vez surge o humor seco e irónico de Cohen em toda a sua glória, no auto-retrato "Field Commander Cohen" e na canção tragicómica "There is a War", uma composição que revela a dualidade (ricos e pobres, homens e mulheres, etc.) que está na base de toda a sua obra.

Há também um regresso ao amor brando do primeiro album, com "Take This Longing", se bem que já não haja qualquer indício de platonismo. "Take This Longing" é uma belíssima afirmação de desejo, de lonjura, de força carnal("o teu corpo como luz que procura a minha revelação de pobreza, gostarias de tentar a tua caridade até que chorasses..."). Finalmente, as obsessões religiosas vêm ao de cima em "Who by Fire" - o fogo da redenção e do sacrifício, da purificação e da morte. À semelhança do primeiro album, "Songs of Leonard Cohen", de 1967, também este encerra com um tema de profunda depressão. Os versos de "Leaving Greensleeves" são verdadeiramente pronunciados num tom de angústia, como que ligados ao despedimento de alguém que não regressará mais:

«... I reached for you but you were gone
so, lady, I am going too.
Green sleeves, you’re all alone
The leaves have fallen, the men are gone.
Green sleeves, there’s no one home
Not even the lady green sleeves…»

Embora a segunda parte do poema seja da autoria de Cohen, é facto que quase todo o tema é baseado numa velha canção folclórica de Inglaterra, onde (embora Cohen o não cante) também se diz: «(A mulher de) mangas verdes era toda a minha alegria, mangas verdes era o meu encanto, mangas verdes era o meu coração de ouro e ninguém mais que a minha mulher de mangas verdes»"New Skin for the Old Ceremony" é, portanto, o album mais claramente diversificado de todos - é uma colecção que não mostra o mais pequeno desequilíbrio. A qualidade dos textos e das melodias obedece sempre ao critério imperdoavelmente severo de Leonard Cohen e, neste sentido, é mais um trabalho perfeito que fica, para sempre.

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