sexta-feira, 14 de outubro de 2016

BOB DYLAN: "The Times They Are A-Changin'"

Original released on LP Columbia CL 2105 (mono)
(US 1964, January 13)

If "The Times They Are a-Changin'" isn't a marked step forward from "The Freewheelin' Bob Dylan", even if it is his first collection of all originals, it's nevertheless a fine collection all the same. It isn't as rich as "Freewheelin'", and Dylan has tempered his sense of humor considerably, choosing to concentrate on social protests in the style of "Blowin' in the Wind." With the title track, he wrote an anthem that nearly equaled that song, and "With God on Our Side" and "Only a Pawn in Their Game" are nearly as good, while "Ballad of Hollis Brown" and "The Lonesome Death of Hattie Carroll" are remarkably skilled re-castings of contemporary tales of injustice. His absurdity is missed, but he makes up for it with the wonderful "One Too Many Mornings" and "Boots of Spanish Leather," two lovely classics. If there are a couple of songs that don't achieve the level of the aforementioned songs, that speaks more to the quality of those songs than the weakness of the remainder of the record. And that's also true of the album itself - yes, it pales next to its predecessor, but it's terrific by any other standard. (Stephen Erlewine in AllMusic)

NOBELS THEY ARE A-CHANGIN'

Tive uma grande alegria, há umas horas. A surpreendente escolha de Bob Dylan para Nobel da Literatura foi, além do reconhecimento de um enorme e genial criador, a validação de um tipo especial de literatura, nunca antes contemplado. O objecto-canção, que conjuga dois tipos de expressão, as palavras e a música, tinha muitas vezes sido considerado de uma arte menor. Mas já a distinção de Dylan e de Cohen com o Prémio Príncipe das Astúrias tinha dado carta de alforria ao género. 

Aqui, no entanto, trata-se algo mais específico e fracturante. E polémico, também. Vários escritores se indignaram, portugueses e provavelmente estrangeiros, não sei ainda. Então, ele está a por o pé no nosso jardim, a pisar as nossas belas flores? Não, ele está a plantar outras, estranhas e por vezes ácidas, mas que só dão beleza ao jardim que é de nós todos. Como diria um meu amigo, o blogger Dalai Lima, Nobels they are a-changing. Viva o Dylan! (Sérgio Godinho)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

WALLPAPER: "Dylan 67"

BOB DYLAN WINS THE 2016
NOBEL PRIZE OF LITERATURE! 
CONGRATULATIONS, MR. ZIMMERMAN!!!

WALLPAPER: "Sunshine Superman"


WALLPAPER: "Stones Fan"


WALLPAPER: "Smile"


WALLPAPER: "Autumn"


"LISBOA À NOITE": A Descoberta do FADO

Edição original em LP Belter 22198
(PORTUGAL, Julho 1969)


Agosto de 1969. Imaginem um adolescente de 16 anos em férias em Lisboa, acabado de regressar com a carteira vazia de uma longa viagem pela Europa e habituado a gastar até aos últimos escudos da mesada mensal nas últimas novidades discográficas da música pop da época. As tentações em vinil são mais do que muitas, e ainda por cima se anuncia para muito breve o aparecimento de mais um album dos Beatles (de seu nome "Abbey Road"), pelo que se impõe a maior poupança possível. Nesse cenário, a última coisa que eu pensava comprar naquelas férias seria um disco de fados. Aliás, nem sequer seria a última coisa, pois para quem a palavra “Fado” era sinónimo de música retrógrada de velhos marialvas, qualquer gasto nesse tipo de música seria equivalente a jogar dinheiro fora. E, no entanto, foi isso mesmo que aconteceu...


Num sábado à noite fui quase como que arrastado por familiares para uma “ida aos fados”. A dita casa chamava-se Lisboa à Noite e era um restaurante típico do Bairro Alto, localizado no nº 69 da Rua das Gáveas (julgo que ainda por lá funciona). A atracção principal era a fadista Fernanda Maria, na altura no esplendor dos seus 30 anos, mas foi o segundo nome do cartaz que virou do avesso toda a minha concepção relativa ao mundo do Fado. Quando aquele homem, de aspecto rude e um tanto ou quanto provinciano, se colocou entre a viola e a guitarra e soltou todo um vozeirão impregnando aquele pequeno espaço com sons vibrantes de emoção, foi quase como que um raio me atingisse de cima a baixo: tinha tido o meu primeiro encontro imediato com a realidade do Fado! E no fim da noite não resisti a trazer debaixo do braço um dos discos que por lá se encontravam à venda, precisamente este, que agora aqui vos deixo. Com direito a autógrafo no verso e tudo.
Foi portanto este album do Manuel de Almeida o primeiro disco de fados em que gastei as minhas parcas economias da altura. Ao longo dos anos muitos se seguiram, como também tive outros encontros imediatos inesquecíveis com gente do fado, como com o Carlos do Carmo no Faia, ou a Argentina Santos na Parreirinha de Alfama. Tive ainda o raro privilégio de ouvir ao vivo o grande Marceneiro, já não sei em que lugar, pois como se sabe ele era um autêntico saltimbanco e aparecia quase sempre de surpresa em diversas casas típicas. Para além do prazer que sempre continuei a sentir em cada “ida aos fados”, fui descobrindo pela vida fora os meus intérpretes de eleição: Carlos Ramos, Maria Teresa de Noronha, António dos Santos, a emocionante Tereza Tarouca (uma das minhas preferidas de sempre), a grande Amália é claro, o Zito de Moçambique e, mais recentemente, a Mariza, a Ana Moura e sobretudo a doce Carminho. Mas o Manuel de Almeida terá sempre um lugar muito especial nas minhas memórias, pois foi graças a ele que descobri e aprendi a amar o Fado.


Aqui fica uma pequena sinopse do fadista, repescada em vários locais na net:
Manuel Ferreira de Almeida nasceu em Lisboa, no Bairro da Bica, a 27 de Abril de 1922. Teve como actividade principal a profissão de fabricante e desenhador de calçado feminino. Aos 10 anos começa a sentir o gosto pelo Fado, começando a frequentar os retiros fadistas, mas só aos 28, no início da década de 50, aceita os insistentes convites para se tornar profissional. A sua estreia foi no restaurante típico A Tipóia, dirigido por Adelina Ramos, fadista de nomeada, onde se manteve 12 anos, após o que passou a actuar no restaurante típico Lisboa à Noite, ao lado de Fernanda Maria, tendo por lá permanecido outros tantos anos até ao 25 de Abril. Cantou ainda esporadicamente no Estribo, no Retiro do Malhão, no Faia, e no Olímpia Clube. Em 1962 é-lhe feita a Festa de Consagração levada a efeito no Pavilhão dos Desportos, e nos dois anos seguintes recebe o prémio da casa da Imprensa. Actua na RTP com Natércia da Conceição e Mariana Silva e faz parte do espectáculo itenerante de Maria Pereira "Cor é Vida", além de pisar diversos palcos estrangeiros. 


Em 1979 o fadista Rodrigo inaugura a sua casa, o Forte Dom Rodrigo, em Cascais, e convida Manuel de Almeida, que ali se manterá até ao fim da sua vida, em 1995. Manuel de Almeida gravou mais de uma dezena de LPs e cerca de vinte e cinco singles. Um dos albuns mais significativos da sua carreira foi a edição, em 1987, de “Eu Fadista Me Confesso”, produzido por Rão Kyao, tendo sido considerado pela crítica como um pioneiro no enlace entre a tradição e a modernidade. Em Fevereiro de 1994, para comemoração das suas bodas de ouro, é-lhe feita uma sentida homenagem no Teatro São Luiz, em Lisboa. Manuel de Almeida, foi desde sempre um aficionado da festa brava, e também um grande adepto do desporto, chegando a praticar futebol e atletismo, embora fosse o ciclismo o seu passatempo preferido. Em 1996 a Casa da Imprensa concede-lhe a título póstumo o Troféu-Prémio Carreira e Cascais dá o seu nome a duas ruas da cidade.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

LES ALCARSON: "Pour Toi, Chimène"


Édition originale en EP Philips 432.749
(FRANCE, 1963)

O EP DOS GALÃS


Edição original em EP Orfeu ATEP 6180
(PORTUGAL, 1967)


Uma cantada Suzy e três instrumentais constituem este EP (único?) de um grupo português dos finais dos sessenta. Disco gentilmente cedido por Luís Futre e digitalizado por Carlos Santos. Raridades para ouvir e coleccionar? Só na toca do Rato!

CHARLES AZNAVOUR: "Sylvie"


Édition originale en EP Barclay 70.591
(FRANCE, 1963)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

WALLPAPER: "Joan Jett"


WALLPAPER: "Hippiedream"


WALLPAPER: "Heaven and Hell"


WALLPAPER: "Dusty"


WALLPAPER: "Peel Slowly and See"


SG: "À QUEIMA ROUPA"

Edição original em LP Guilda da Música DP 016
(PORTUGAL 1974, Outubro 13)


Este terceiro trabalho de Sérgio Godinho é um album que tem o 25 de Abril de 1974 como centro de gravidade. Algumas canções (como a “Etelvina”, “Cão Raivoso” ou “De Coração e Raça”) foram ainda concebidas e gravadas no Canadá, outras (como "Independência" ou a famosa “Liberdade” que abre o disco) surgiram no rescaldo da Revolução. Mas a finalização do LP aconteceu já em Portugal, no outono, altura em que o cantor regressou de vez à sua terra. Por coincidência, no momento em que soube dos acontecimentos políticos em Portugal, Sérgio Godinho, então a viver no Canadá, estava na iminência de fazer as malas para uma viagem à Europa. «O meu pai ia fazer 60 anos a 10 de Maio e queria reunir os três filhos. Iriam ter comigo a França, onde o meu irmão Paulo então vivia. Mas quando cheguei a Paris já não encontrei os meus amigos. Alguns tinham partido no dia anterior, no “avião do Cunhal”.


Era o 1º de Maio, vejam lá só que data, um dia de calor, as ruas desertas, eu a tentar saber o que se passava em Portugal e lá o povo todo a comemorar. Tentei certificar-me, sendo um refractário, se havia riscos ao entrar e sair de Portugal. Disseram-me para vir, havia um vazio de autoridade em muitos sectores e nas fronteiras também, não ia haver problemas. E assim vim. De longe, de muito longe, como diria o Zé Mário. No dia em que cheguei fui logo “raptado” para participar num daqueles cantos improvisados que, durante algum tempo, se chamaram “cantos livres”. Foi, penso eu, no átrio da Faculdade de Letras. E na mesma noite fui cantar ao São Luiz numa sala repleta de gente e entusiasmo. E poucos dias depois fui ao Porto ver a minha família e amigos.» Continuemos a reviver as memórias do Sérgio daqueles excitantes dias: «Era muito emocionante perceber que as pessoas conheciam bem as canções, eu que nunca as tinha tocado ao vivo na minha terra. Lembro-me de cantar, entre outras, o “Que Força é Essa”, o “Pode Alguém Ser Quem Não é” e o “Maré Alta”, que me deu um frisson especial. Cantar 'a liberdade está a passar por aqui', que antes tinha sido uma premonição, na própria altura em que isso se estava a tornar realidade, era incrível!»


Fruto do tempo em que surge, “À Queima Roupa” é habitualmente descrito como um dos albuns politicamente mais explícitos da obra de Sérgio Godinho. Sem o panfletarismo imediato que dominaria casos paradigmáticos da canção política pura e dura (com uma proliferação de casos musicalmente menores e com exemplos maiores nos dois primeiros albuns do GAC), Sérgio Godinho retratava o seu tempo, aderia à Revolução, mas não colocava a qualidade poética da escrita em segundo plano, evitando assim uma rendição incondicional à doutrina e urgência de certas manifestações contemporâneas.


A edição de “À Queima Roupa” assinala, de certa forma, o início da carreira de palcos de Sérgio Godinho que, então, passou inevitavelmente pelas muitas sessões de “canto livre” que se disseminavam de norte a sul do País. O facto de ter editado os primeiros dois discos no estrangeiro e de não ter podido actuar em Portugal não correspondia ao que seria um percurso natural. Acentuou-se assim a ideia, ainda hoje firme em si, de procurar satisfazer em palco o que não tinha resultado como queria em estúdio: «Não consigo conformar-me com o facto de a versão gravada ser a versão definitiva. Acho que o disco é um momento importante na vida da canção. É um casamento, onde se faz a boda é no disco. Mas depois a vida continua e a vida da canção também continua. E, como os amores, pode morrer de morte natural ou ganhar vida nova. Podemos fazer transformações que são como os filhos que nascerão dela. Esse é o percurso natural de vida e morte de uma canção.» “À Queima Roupa” mereceu prémios, como os trabalhos anteriores. Entre eles o de "Melhor Album do Ano", para a Rádio Renascença. (extractos de “Retrovisor – Uma biografia musical de Sérgio Godinho, de Nuno Galopim, edição Assírio & Alvim, Maio 2006)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...