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segunda-feira, 21 de junho de 2010

EP COLUMBIA SLEM 2329 (PT, 1968)

ANTÓNIO DOS SANTOS: "FADO É CANTO PEREGRINO"
Aqui ficam mais quatro temas do António dos Santos

domingo, 20 de junho de 2010

EP COLUMBIA SLEM 2173 (PT, 1964)

ANTÓNIO DOS SANTOS: "ALFAMA-LISBOA"
António dos Santos nasceu em Lisboa no ano de 1919. Inicialmente fadista jocoso, género que abraçou quando do início de carreira com apenas 15 anos, começou por abordar diversas maneiras de actuar, até se fixar num estilo muito peculiar de cantar o Fado que nos anos sessenta se tornaria importantíssimo. Interpreta os poemas com um estilo nostálgico e dolente, numa abordagem que nos faz lembrar, por exemplo, um Leonard Cohen.
António dos Santos, pelas suas interpretações despretensiosas, mas carregadas de sentimento granjeou muitos admiradores e amigos. Era proprietário de uma casa típica num recanto de Alfama, “O Cantinho do António”, onde ele actuava para os clientes e amigos que o visitavam. Homem afável e simpático era frequentemente visitado pelos fadistas que faziam questão de o abraçar e cantar no seu recinto.
António dos Santos gravou pouco e não deixou seguidores do seu estilo inconfundível. Faleceu em 1993, com 74 anos.

domingo, 13 de junho de 2010

EP PARLOPHONE LMEP 1360 (PT, 1969)

WALLACE COLLECTION: "DAYDREAM"
Disco pertencente à coleção particular de Carlos Santos, que fez a gentileza de disponibilizar as respectivas capas

quarta-feira, 2 de junho de 2010

EP DECCA PEP 1260 (PT, 1968)

BANDA 4: "BABY YOU GOT ME"
A BANDA 4 nasceu de um acaso. Em Coimbra dois amigos, Luís Monteiro e Luís Romão resolvem fazer-se à estrada para escaparem ao tédio da cidade do Mondego. A boleia que apanham acaba por os levar a Albufeira. É nessa vila algarvia, que os dois acabam por encontrar e travar amizade com Paulo de Carvalho, então baterista dos Skeiks (a banda estava já nos seus derradeiros momentos). Depois das actuações dos Sheiks, os três costumavam ir para a praia passear, sentar-se á volta das fogueiras, conversar, cantar e é daí que surge a musica "Walkin` on the Beach".
Entretanto, Paulo de Carvalho volta para Lisboa e começa a tocar com o Thilo's Combo. É nessa altura que os três resolvem ir á Valentim de Carvalho com a música que tinham composto, na tentativa de gravar um disco. O disco é aceite e para completar a banda chamam Cristiano Semedo. Os restantes temas são compostos em estúdio.
O EP que é lançado na segunda metade de 1968, com uma capa bastante psicadélica, é composto dos seguintes temas: "Baby you got me", "Gotta start lovin` you", "Walkin` on the beach" e "O Ribeiro". com influências claras do Soul, do Psicadelismo, da Música Folk. A BANDA 4 ainda chegou a tocar ao vivo, mas não passou de um projecto de estúdio. Foi o início daquilo que Paulo de Carvalho iria fazer nos Fluido.
(EP gentilmente cedido por Luis Futre e digitalizado por Carlos Santos)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

EP COLUMBIA SLEM 2110 (PT, 1962)

OS CONCHAS: "LIÇÃO DE TWIST"
(Disco gentilmente cedido por Luis Futre
e digitalizado por Carlos Santos)

domingo, 9 de maio de 2010

VIVÓ BENFICA - 32º TÍTULO DE CAMPEÃO !!!

Num máximo de 90 pontos (30 jogos) o BENFICA alcançou 76, correspondentes a 24 vitórias, 4 empates e 2 derrotas (no Dragão e em Braga). O Sporting de Braga foi o 2º classificado, com 71 pontos. O Porto ficou a 8 e o Sporting a 28 (!) pontos. O BENFICA foi ainda campeão no nº de golos marcados (78) e teve a melhor defesa do campeonato, juntamente com o Braga (20 golos sofridos). O paraguaio Oscar Cardozo ganhou o troféu para o melhor goleador do campeonato (26 golos).

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

... E FAÇAM O FAVOR DE SEREM FELIZES!



RAUL SOLNADO, nascido em Lisboa, no popular bairro da Madragoa, a 19 de Outubro de 1929, começou a trabalhar em 1947 no teatro amador, na Guilherme Cossul - uma colectividade que nunca (o) esqueceu. Tinha 18 anos. Em 1952 estreou-se "profissionalmente" num show no Máxime e no ano seguinte na revista com “Viva o Luxo”, no Teatro Monumental. A partir daí não mais parou: opereta, revista, teatro clássico, cinema, televisão. Fazendo rir e pensar. Dono e senhor de uma popularidadade incrível. No final dos anos 50, participa nos primeiros filmes para o Cinema: “O Noivo das Caldas”, “Ela Não Gostava do Patrão”, “Sangue Toureiro” e o “Tarzan do Quinto Esquerdo”. Em 1958 desloca-se pela primeira vez ao Brasil, onde regressaria dezenas de vezes ao longo da sua carreira para satisfazer as solicitações constantes da comunidade portuguesa, além do povo brasileiro que sempre o acarinhou muito.



O grande salto dá-se no início da década de 60 com o monólogo "A Guerra de 1908", um sketch do espanhol Miguel Gila adaptado para português, estreado em Outubro de 61, ano da eclosão da guerra em Angola, e que cedo passou a ser a guerra do Solnado marcando-o definitivamente até aos dias de hoje. Foi um golpe de génio e uma batalha gloriosamente ganha contra a censura do Estado Novo. Solnado tornava-se assim o primeiro artista português a enveredar por um novo tipo de comédia, o mais tarde apelidado de “stand-up comedy”. Em Abril de 1962 é editado o primeiro disco, um EP intitulado “Solnado Que Vais Prá Guerra”, com a “Guerra de 1908” no lado A e “A História da Minha Vida” no lado B. O disco bate todos os recordes de vendas no mercado português. Ainda desse ano fazem parte os sucessos “Ida ao Médico” / “A Selva e os Seus Leopoldos” e “É do Inimigo” / “Concerto de Violino”, estes dois últimos interpretados ao vivo no Teatro Variedades, na revista “Lisboa à Noite”. É protagonista do filme neo-realista “Dom Roberto”, pelo qual ganha o prémio da Imprensa do melhor actor do ano.



Torna-se em 1964 fundador e empresário do Teatro Villaret. A estreia foi em 1965 com "O Impostor-Geral" onde foi o protagonista. Mariema e Raul Solnado recebem os Prémios de Imprensa para melhores actores de teatro de revista. Deslocação a Moçambique, onde actua junto às tropas portuguesas. Mais três discos são editados: “O Bombeiro Voluntário”/ "É da Maternidade?” (1964), “Chamada para Washington” / “O Repuxo” (1966) e “O Cabeleireiro de Senhoras” / “A História do Meu Suicídio” (1968).



1969 é um ano-chave na carreira de Raul Solnado. Para aproveitar as promessas de um abrandamento na censura do regime (a então chamada “primavera marcelista”) propõe à RTP um novo programa de entretenimento chamado Zip Zip. Acompanhado pelos jornalistas Fialho Gouveia (34 anos) e Carlos Cruz (27 anos), vindos do programa radiofónico PBX, dá início às gravações ao vivo a 24 de Maio de 1969, no Teatro Villaret, gravações essas que se prolongarão até ao fim do ano (a última será realizada a 29 de Dezembro). Com um orçamento de cerca de 60 contos por emissão, o Zip Zip foi o principal catalisador de uma nova música portuguesa, por ele tendo passado, entre outros, nomes proscritos como os de Adriano Correia de Oliveira, Francisco Fanhais, José Jorge Letria, Manuel Freire (que lançou no programa a sua “Pedra Filosofal”), Pedro Barroso, etc. Só José Afonso, apesar de todas as tentativas dos autores do programa, foi proibido de cantar pela censura política.



O principal responsável pela introdução na RTP deste novo tipo de música foi José Nuno Martins, estudante universitário, que às quarta-feiras procedia às audições dos chamados baladeiros, aprovando-os ou não, para as gravações aos sábados. O programa ia para o ar às segundas-feiras depois do jantar, altura em que o País parava para se colocar defronte do pequeno écran. A maioria dos músicos que participaram no programa teve depois a oportunidade de registar os seus discos na etiqueta Zip Zip, prolongando-se assim, até aos dias de hoje, a associação prestigiante, nos dois sentidos, entre o Zip Zip, nome inventado por Raul Solnado numa viagem de automóvel ao Porto, e a música portuguesa de balada. Mas nem só de música viveu o Zip Zip. Numa altura em que não era fácil mostrar a cultura portuguesa ou de língua portuguea, passaram pelo palco do Villaret, entre outros, Almada Negreiros (com uma exposição de trabalhos seus na rua, na Avenida Fontes Pereira de Melo), Ferreira de Castro, Aquilino Ribeiro, Alexandre O’Neill, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Vitorino de Almeida, Sérgio Varela Cid. A censura proibiu as participações de muitos outros, como por exemplo Natália Correia ou Nuno Portas.



Depois do Zip Zip acabar, Solnado entra na peça “O Vison Voador” ao lado de Henrique Viana e da estonteante Io Apoloni, então no esplendor de todos os seus atributos físicos. A peça "O Tartufo de Moliére" é estreada em Janeiro de 1972. Ainda em 1972 participa na revista "Prá Frente Lisboa" na qual interpreta a canção "Malmequer" que se torna um grande êxito popular. A lista de trabalhos assinados por Solnado é fantasticamente longa. No seu Parque Mayer fez um mar de revistas, muitas das quais ficaram para sempre no imaginário português.



No 25 de Abril de 1974 o actor encontra-se no estrangeiro mas regressa rapidamente a Portugal assim que lhe chegam as notícias da Revolução. Torna-se um militante do Partido Socialista, participando em comícios do norte ao sul do País. Após a aprovação da Nova Constituição e a eleição dos deputados à Assembleia da Reública abandona a actividade política. Três anos depois, em 1977, numa altura em que, segundo a sua própria expressão, «os portugueses andavam todos zangados uns com os outros», apresenta o concurso “A Visita da Cornélia” o qual re-edita grande parte do êxito do Zip Zip, mais uma vez com recurso à cultura portuguesa, desta vez protagonizada por intervenientes anónimos que de um dia para o outro se tornam figuras célebres na televisão.



Nos anos 80 sucedem-se os papeis de êxito no palco: “Isto É Que Me Dói”, “Há Petróleo no Beato”, “O Super Silva”. E novas passagens pela televisão: “O Resto São Cantigas”, “Faz de Conta”, “Lá Em Casa Tudo Bem”. O seu melhor trabalho cinematográfico é dessa época: fez um fantástico papel dramático no filme "A Balada da Praia dos Cães", de Fonseca e Costa, baseado no livro de José Cardoso Pires (1987). Foi actor convidado do Teatro Nacional D. Maria II, como protagonista da peça "O Fidalgo Aprendiz", de D. Manuel de Melo; foi actor convidado do Teatro Nacional de S. Carlos, na personagem Frosch da opereta "O Morcego", de Strauss; fez "O Avarento", de Molière, no Teatro Cinearte, encenado por Helder Costa; e ao lado de Eunice Muñoz fez a telenovela "A Banqueira do Povo". Em 1991 vê publicada a sua biografia, “A Vida Não se Perdeu”, da autoria de Leonor Xavier, com quem foi casado durante 15 anos. Em Março de 2000 realizou-se em Tondela uma homenagem, organizada pelo grupo Trigo Limpo ACERT, que foi acompanhada por uma exposição biográfica sobre o actor. Em 2001 voltou aos palcos do teatro com um papel de grande relevo na peça de Freitas do Amaral "O Magnífico Reitor". Foi sua a ideia de criar a magnífica "Casa do Artista", concretizada fundamentalmente por Armando Cortez e Manuela Maria. Raul Solnado, sempre solidário, foi o seu Director até morrer, na manhã do dia 8 de Agosto de 2009, um sábado, vítima de doença cardiovascular, cerca de dois meses e meio antes de completar os 80 anos. Será para sempre um ícone do povo português e de Portugal.



SOLNADO POR SI PRÓPRIO:

«O actor cómico é um interventor no plano social, político e até na vida das pessoas que critica, por isso não pode ter a unanimidade universal. O Chaplin tinha imensos inimigos e esses declaravam-se a cada passo. Os meus inimigos não se declaram, mas sei que os tenho, embora não se manifestem.»

«No ensaio geral, cinco ou seis censores viam o espectáculo. Depois diziam que era preciso tapar um umbigo, descer umas saias, coisas assim. No Carnaval só se podia dizer merda uma vez por sessão. Como eu não ia vestido de Cantinflas, estava receoso que a rábula fosse cortada. Mas estes textos de non sense têm de ser bem compreendidos, caso contrário não funcionam. E eu disse aquilo a uma velocidade tal que nem eu próprio percebi o que dizia. Os censores também não perceberam e, no final, um deles disse-me que estava tudo aprovado mas deu-me um conselho: "olhe lá, não faça aquilo da guerra, não tem piada nenhuma!" E eu disse-lhe que era obrigado a fazer mas que então só fazia aquilo na estreia. Como já sabia o que vinha a seguir, pedi à Valentim de Carvalho que gravasse aquilo na estreia e lançasse o disco. Depois era impossível travar a rábula. Os censores ficaram baralhados com o Cantinflas!»

«O meu sonho era ter um teatro meu, para fazer o que quisesse, nunca quis ser empresário. Investi tudo o que tinha no Villarett e perdi tudo. No 25 de Abril eu estava na Roménia e mal soube da revolução vim logo para Portugal. No Brasil estava a fazer grande sucesso a peça "Liberdade, Liberdade", do Millôr Fernandes, que é o maior humorista do mundo. Havia bichas infindáveis para ver a peça, que tinha o Paulo Autran no papel principal. Mandei vir a peça para cá. Tinha no elenco a Maria do Céu Guerra, o João Perry e o Sérgio Godinho. Aquilo batia em tudo que estivesse contra a liberdade, fossem os americanos ou os soviéticos. Havia bandeiras vermelhas por todos os lados, uma coisa muito bonita. Mas foi um fracasso tão grande que perdi tudo o que tinha e o próprio teatro...»

«Eu tenho uma paixão imensa pela liberdade. Aliás, acho que o amor à liberdade já nasce com as pessoas e eu nasci com esse amor. Pelo que conheço dos portugueses, penso que, apesar de tudo, ainda existe uma imensa maioria que tem a paixão da liberdade e da democracia. O fascismo é uma coisa baratucha. O ensino, a saúde, os salários, o partido único, as eleições a fingir, é tudo muito barato. A democracia fica caríssima. Nós exigimos elevados padrões na educação, na saúde, na Administração Pública, queremos salários dignos, elegemos os nossos representantes no Poder Local e na Assembleia, elegemos o presidente da República, tudo isso fica muito caro. E depois temos por aí uns senhores que adoram dinheiro, gostam de coleccionar aquela porcaria. Se não estivéssemos na União Europeia a democracia já há muito estaria em perigo.»

«Não tenho medo da morte. Tenho é pena, muita pena de morrer. Viver é uma coisa muito boa. E depois a família, os amigos, as cores, tudo isso. É uma chatice deixar a vida para trás.A minha vida foi muito louca e dura, mas muito saborosa. Com esta agitação toda o meu coração está preso por um fiozinho. Por isso, deixem-me ir descansar.»



EPITÁFIOS:

Partiu como viveu. Discreto, feliz na sua paixão pelo teatro, amado por públicos de várias gerações, sempre disponível para os combates pela solidariedade, na defesa dos mais desprotegidos. Raul Solnado é o exemplo de que só homens bondosos, tolerantes e solidários podem ser grandes nas suas profissões e ascender ao panteão dos grandes mitos. (Francisco Moita Flores)

Ele criou um estilo que nunca ninguém criou em Portugal. Foi uma pessoa que teve dentro da sua arte uma intervenção importante na sociedade portuguesa. A singularidade, a integridade e o talento são as suas grandes características. (Leonor Xavier, ex-mulher e autora da biografia de Raul Solnado)

O Raul Solnado foi tão completo, fez tanta coisa, teve tempo para tudo, que parece que fechou um ciclo de uma obra de arte quase perfeita. A sua morte dá-me a mesma dupla sensação que senti com a partida do meu pai. Um profundo desgosto pela perda física, mas a reconfortante sensação de perceber que é possível fechar o ciclo terreno com a sensação de 'missão cumprida. (Herman José)

O Raul tinha qualidades que não são vulgares em Portugal. Se intuía o talento de alguém, apoiava e quase fazia lobby. O que é que se diz nestas alturas? Era um homem solidário, um homem justo. Procurava o ser humano. (Carlos Cruz)

O Raul Solnado é um marco no humor português. Mas eu tenho um duplo sentimento, por um lado tenho imensas saudades dele, mas por outro lado sei que ele partiu, com certeza, em paz. E estará em paz porque cumpriu, não só os seus objectivos, como os seus sonhos, tanto como profissional, como homem. É um homem extraordinariamente generoso, que sempre ajudou toda a gente, que nunca perdeu a modernidade, que esteve sempre atento. Acho que ele partiu em paz e deixa-nos um legado infinito, que felizmente está gravado e que poderemos recordar. (Ana Bola)

O Raul para mim era a inteligência, a sabedoria e a generosidade numa só pessoa. (...) Um comediante quando é uma pessoa culta, como é o caso do Raul Solnado, sabe olhar para a vida e realmente rir, que é aquilo que é afinal o mais difícil, e partilhar esse riso connosco. Não é tarefa fácil. (Carlos do Carmo)

Raul era um sedutor. Um eterno sedutor. Que não tinha medo de amar e amava tudo o que fazia. (Nuno Azinheira)

O que me consola a alma, neste momento desolado, é a certeza de que o Raul não deixa um vazio. Ele manterá o seu lugar no palco das artes e dos afectos e há-de pertencer a todas as gerações. Se me fosse permitido mandar agora um recado ao Raul, eu diria: Quando chegar a minha vez, quero um lugar junto de ti. Muito nos havemos de rir! (Mário Zambujal)

No mundo do espectáculo, aquilo que dá a medida de uma verdadeira estrela está para além do sucesso. Num certo sentido, está mesmo para além do próprio talento. É algo que tem a ver com o modo como a sua personalidade persiste no imaginário colectivo, mesmo quando já não é uma presença regular junto do público. O caso de Raul Solnado é exemplar. E não só porque alguns dos seus trabalhos mais remotos (a começar pelo emblemático "A Guerra de 1908") persistem nesse imaginário, transcendendo gerações e modas. Acima de tudo porque Solnado ficou como uma referência afectiva, afectivamente portuguesa. Talvez possamos aplicar-lhe a máxima de Hitchcock que, para definir as paradoxais tensões dos seus filmes, lembrava que os seus heróis eram pessoas normais, isto é, seres ordinários envolvidos em situações extraordinárias. Solnado terá sido o "português normal", anedótico ma non troppo, sempre confrontado com tudo aquilo que transcende o seu conhecimento e questiona os limites do seu próprio universo. Como em todos os grandes cómicos, isso gerava uma teia de riso e mágoa, festa e desencanto. Sempre com uma mensagem de aconchego: afinal de contas, ele ensinava-nos que ser normal dá muito trabalho. (João Lopes)

O País fica incompleto sem Raul Solnado. É como se se perdesse uma peça fundamental do puzzle que é Portugal. Quem nos vai agora pedir o favor de sermos felizes? (Nuno Markl)

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