domingo, 15 de dezembro de 2019

ANNA (OST)

Original released on LP Philips P 70391 L
(FRANCE, January 1967)

"Toco-te e respiras..."


Edição original em LP Zip Zip 2.004 L
(PORTUGAL, 1970)

Primeiro e único album de Francisco Fanhais (na época conhecido como Padre Fanhais), na sequência do qual passa a integrar o grupo de cantores que usam a poesia e a música para dinamizar numerosas sessões de resistência ao regime vigente. No ano anterior tinha sido editado um EP intitulado "Cantilenas", após uma participação de grande sucesso no programa Zip-Zip, por incentivo de José Afonso (aqui o vosso amigo Rato teve o privilégio de assistir à gravação desse programa no Teatro Villaret, em Lisboa. A esse e a muitos outros!)

«Num tempo marcado pelas guerras de África, pela intransigência acéfala do regime, pelo visco autoritário e dirigista, pela prepotência, pela repressão, pela Ditadura», era-nos pedido que não deixássemos morrer na garganta o grito inventado pela dor, que fizessemos da raiva canção e da canção uma ponte.

E foi o tempo de rejeitar um silêncio cúmplice, tortuoso e sufocante.
Tempo de não adormecer na madrugada.
Tempo do sim irreversível à vida.
Tempo de aprender a não ter medo de amar.
Tempo de encontrar novos companheiros, vindos de outros lugares mas todos sedentos da mesma manhã. E éramos tantos!

"Os tempos eram outros..."

O Tempo é o mesmo.»

(Francisco Fanhais)

sábado, 14 de dezembro de 2019

"Ruas da minha cidade..."


«Eis a costa do sangue. Aqui nasci, e ouvi cantar os homens. Com eles aprendi a cantar e a sofrer, aprendi o amor e a justiça. Com eles aprendi o verdadeiro nome de todas as coisas. Através deles, pude ver o negro focinho do lobo tingido de sangue.
E vi o falcão devorar as entranhas da gaivota.
Era pequeno, lembro-me, e neste lugar o sangue rompia, de súbito, por detrás de tudo, como uma violenta e rápida tempestade de Maio. Então, os homens juntavam-se ou dispersavam, furiosos e ameaçadores, às vezes tristemente calados, com uma doce coragem feita de resignação magoada.
Com estes homens, aqui, na costa do sangue, aprendi a cantar. 
Depois vi-os morrer. E os seus nomes guardei-os.
Como um vinho. Uma lição.
Por isso o meu canto é um recado.
Por isso o meu nome é uma canção.»
(Joaquim Pessoa)


Edição original em LP Toma Lá Disco TLP 007
(PORTUGAL, 1977)


E uma vez mais o poema se fez canção. A seguir a “Amor Combate”, em 1976, Carlos Mendes volta a musicar a poesia de Joaquim Pessoa um ano depois, e novamente com excelentes resultados. Apesar da maioria dos textos possuirem já na sua origem toda uma musicalidade que os proporcionavam a ser cantados, o trabalho de Carlos Mendes é magnífico, pela sensibilidade muito especial com que revestiu todos os poemas escolhidos. Lisboa constitui-se como referência primeira deste album incontornável, quer como personagem central (“Lisboa Meu Amor”/“ Ruas de Lisboa”) quer como pano de fundo a outras histórias (como o operário do “Monólogo” que depois de banhos na Caparica vai à Luz ver o Benfica ou como essa “Amélia dos Olhos Doces”, grávida de esperança, do Bairro da Lata do Cais do Sodré, que tem um gosto de flor na boca e na pele e na roupa perfumes de França). De referir também a presença dos belissimos “Nocturno” e “No Silêncio da Espera”, dois dos poemas de amor mais conhecidos de Joaquim Pessoa. Gravado por José Manuel Fortes nos estúdios da Rádio Triunfo em Lisboa e editado em 1977 (a crítica distinguiu-o como o Melhor Album do Ano) pela cooperativa de música “Toma Lá Disco”, “Canções de Ex-Cravo e Malviver” tem arranjos e direcção musical de Pedro Osório e a participação de excelentes músicos e intérpretes (ver ficha técnica). O facto de em mais de quarenta anos não ter conhecido qualquer edição em CD (mais uma lesa-cultura entre tantas outras) apenas torna mais oportuna a sua apresentação aqui, uma vez mais, no blog do vosso amigo Rato, que a partir do vinil original conseguiu obter esta notável digitalização.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

PATXI ANDIÓN: 1969 >>> 1973

«Me asustan los héroes. Las posiciones lineales, admirables y claras. Algunos construyen su fama siendo fieles a su característica más eficaz, conocida y general. Yo no he logrado mantenerme atrincherado en ninguna de ellas y por contra he conseguido vagar por mis aspectos más oscuros, desconocidos y banales. Consumido por la fiebre de vivir, mi obra es mi vida y mis canciones sólo son pretextos para ese hálito que alimenta el sueño de los poetas y arde en el corazón de los rebeldes. Vivir siendo libre.»


Palavras de Patxi Andión proferidas em Outubro de 1996, na cidade de Madrid, onde nasceu a 6 de Outubro de 1947, com o nome de Francisco José Andión González. Gostava de cantar. Aos cinco anos apareceu pela primeira vez em público. Aos doze, formou o seu primeiro conjunto musical. Fez-se rockeiro. Cantava "Popotitos", “La Plaga” ou “El Rock de la Cárcel” em pequenos grupos pop, como Los Camperos, Los Silvers ou Los Dingos, dos quais não reza a história. Logo depois, entrou num barco bacalhoeiro e chegou à Terranova. «Fui um lobo solitário, toda a minha vida» - conta Patxi - «Um lobo das estepes, que viveu mal e passou muita fome.»



Quando se fartou da aventura marinheira, lembrou-se da sua outra vocação, a música. E foi para Paris, porque adorava as canções de Brassens, de Brel, de Piaf, de Greco. Durou ano e meio a sua estadia na capital francesa. De guitarra na mão, cantava num recanto da estação de metro Odeón. Depois, num cabaret chamado "La Candelaria". E no "La Contrascarpe" e "L'Escale". Vagueava pelas caves de Montparnasse e pelos bares de alterne de Paris, quando os acontecimentos de Maio de 68 o despertam para a política e para as lutas estudantis. Volta pouco depois a Espanha para cumprir o serviço militar. Tem 21 anos.


Começa por compor para outros artistas, como Mari Trini, e em 1969 grava o primeiro disco, o single “Canto / La Jacinta”, a que se segue “Rogelio”, o seu primeiro grande êxito. Antes da década de 60 chegar ao fim publica o album “Retratos”, mas é o trabalho seguinte, o magnífico “(Once Canciones Entre Paréntesis)”, editado na segunda metade do ano de 1971 que o consagrará definitivamente, tornando-se um caso sério de popularidade em Espanha (e também em Portugal) durante os primeiros anos da década de 70.


Ainda antes, no início de 1970, vem a Portugal, onde numa entrevista à revista “Mundo da Canção” e a propósito da edição de um novo single (“Soneto 70” / “Si La Ves”), afirma: «Creio que são canções de amor diferentes daquelas que até agora foram apresentadas em Espanha. O panorama no capítulo do amor resume-se a denguices e pieguices, não de Amor. O Amor é uma coisa que é muito bonita e é muito feia. Entendamo-nos: é uma coisa como a vida é; e se a vida ora é agradável ora o contrário, também o amor, que é a base dessa vida, oscila da mesma maneira. Há pois que aceitá-lo e vivê-lo como é, sem idealizá-lo, porque então deixa de ser o amor. O amor não pode ser lírico, porque desse modo pode perder a sua essência. Para se saber o que é o amor, é preciso que as pessoas se “manchem”. Uma destas novas canções, o “Soneto 70”, começa: “manchando-nos de amor, como es debido”.» E mais adiante: «Canto para todos. E por mim. É importante que me entendam. Quando canto aqui em Portugal, marco bem o que digo, tentando facilitar o trabalho de apreensão por parte de quem me ouve. As minhas intenções resumem-se a intranquilizar as pessoas alienadas da realidade.»


Bandeiras de uma nova geração, as canções de Patxi Andión, entoadas na sua voz rouca, com forte pronúncia basca, falavam de vagabundos, bêbados, prostitutas, loucos, cães vadios..., toda uma realidade marginal raramente retratada na época por outros intérpretes ou compositores. Musicalmente a sua inspiração vai beber directamente às fontes, ao chamado folclore popular, sem que contudo deixe de utilizar melodias pop que lhe garantem também o sucesso comercial.

Esta Antologia compreende o período 1969–1973, no qual, para além dos dois primeiros albuns já citados, são editados “Palabra Por Palabra” e “Posiblemente”, em 1972, e ainda “A Donde El Agua”, em 1973. São 42 temas distribuídos por um duplo CD, que reflectem os primeiros cinco anos deste intérprete inesquecível.

Deixo-vos com a letra do mais emblemático dos seus temas, o “20º aniversario… palabras” («Quando escrevi o "veinte aniversario" tinha apenas dezoito anos. Não tive mérito algum. Apenas tive a sorte, ou o privilegio, de ver essa história, de a projectar numa canção.»):

Veinte anos de estar juntos
esta tarde se han cumplido.
Para ti flores, perfumes
para mi... algunos libros.
No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido,
! ya sabes cosas de viejos!
!Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro destino.
Tú bajabas la persiana
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy en esta noche fría
casi como ignorando el sabor
de soledad compartida
quise hacerte una canción
para cantar despacito
como se duerme a los ninos.
Y ya ves... solo palabras
sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo
se soportan amistosas
ni se importan ni se estorban
mas non son una canción.
... Qué helaba está esta casa.
... Será que está cerca del rio
... O es que entramos en invierno?
... Y están llegando...
... Están llegando los fríos.
(El Arbujuelo , Soria, y a los 15 días del mes de Noviembre de 1970)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Let's Dance With SINATRA!

Original released on LP Capitol W1069
(US, January 1959)

"Come Dance With Me!" is Sinatra's tour-de-force. The songs simply don't let up, attaining a hard-driving, almost rocking swing the Sinatra-Riddle collaboration only attempted in singles. Billy May's charts are more punchy than those on "Come Fly with Me", using an all-brass band instead. The result is one of the most entertaining Sinatra records around. It's no wonder this record won Album of the Year at the second Grammy Awards. Sinatra sounds like he's having more fun than possibly even the listener is, swinging along to recent tunes like "Too Close for Comfort" or "Just in Time" alongside classic standards like "Day In - Day Out" or Sinatra's own "Saturday Night," which both rock a lot harder than their Stordahl counterparts. Sinatra even employed Sammy Cahn and Jimmy Van Heusen to write up two new songs. "Come Dance with Me" remains one of most infectious tunes on the record, spirited by Sinatra's "come on, come on, come on" at the end. The other was "The Last Dance," which would get its day as a single on Reprise in a couple of years. Here however, the brassy ballad is the only slow song on the record, and rightfully so. It adds a tenderness to the finale that makes the listener want to put the record back on all over again. Few Sinatras are as pleasurable as this. (Casey Mulvaney in AllMusic)

This Is SINATRA!

Original released on LP Capitol T768
(US, January 1956)

The LEONARD COHEN Phostumous Album

Original released on CD Sony 19075978662
(EU 2019, November 22)

When Leonard Cohen sang "I was born like this, I had no choice/I was born with the gift of a golden voice" in his song "Tower of Song" in 1988, most people took it as a self-deprecating joke. No one regarded him as one of the great vocalists of his generation when he released his first albums in the late '60s, given the dour, sometimes flat tone of his delivery. Conventional wisdom has it that his albums succeeded not because of his singing but despite it. But a funny thing happened: as the man grew older and his instrument turned rougher and craggier, he learned to make it more eloquent than before, and he was giving some of his best and most seductive performances in the last decade of his life. In 2016, as Cohen was sitting side by side with mortality, he recorded a final batch of songs, nine of which appeared on his last album, "You Want It Darker", issued just three weeks before his death in November 2016. Three years on, Leonard's son Adam Cohen, a singer and songwriter in his own right, has married nine more vocal performances from his father's last months to backing tracks, and the result is this album "Thanks for the Dance". Several notable artists contributed their talents to this project - among them Jennifer Warnes, Beck, and Leslie Feist - yet it's Leonard Cohen's vocals and lyrics that dominate the spotlight, and with his voice reduced to a dry, throaty whisper, he manages to make some of the most compelling music of his life. In his frailty, Cohen finds a strength that's little short of miraculous, suggesting the musings of a prophet as he speak-sings these messages of darkness and light in the spaces between love and the ultimate finality. Adam Cohen has done a superb job with this material; the arrangements created after the fact sound like they were always meant to serve these songs, and they add a weight and dynamics that never distract from his father's words, some of which ("Puppets" and "It's Torn") recall the themes of his work of the early '70s, but mostly reflect the sweet, bitter wisdom that comes in life's final act. At a bit under 30 minutes, "Thanks for the Dance" might not seem to be a major statement at first glance, but it's a missive that carries startling power, and it's clearly not built from scraps and leftovers, but assembled with a love that's equal to the knowledge Cohen put into it. This adds more documentation to the wholly unexpected and satisfying final act of a truly great songwriter, and it deserves your attention. (Mark Deming in AllMusic)

TIMES TO REMEMBER 19

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Os Discos do GAC ("Grupo de Acção Cultural")

Tudo mudou na música portuguesa depois de Abril de 74. A mais evidente das transformações assinalou o fim do exílio, da vida escondida e dos discos passados por debaixo do balcão para os muitos cantores de intervenção que desde os idos de 60 lutavam contra o regime. Passaram a ser as vozes dos discos mais procurados, que enchiam cantos livres, que se escutavam nas emissões de rádio e televisão, num ciclo de protagonismo da canção popular politizada (e na esmagadora maioria dos casos essencialmente panfletária) que conheceria fim a 25 de Novembro de 1975. Inversamente proporcional, a criação e divulgação de géneros antes "eleitos", como o fado ou a canção ligeira (apelidada de “nacional cançonetismo”) acabou quase silenciada.

Em 1975, concretização da euforia musical que inundou as ruas e salas de espectáculo da cidade e província desde 74, os nomes do canto de intervenção chegaram, em massa, aos discos (num ano onde raras foram as fugas editoriais a este tronco politizado... e de esquerda). Salvo pontuais e raras excepções, a canção política do Portugal pós-revolucionário transformou-se num programa de princípios com evidente carga pedagógica e, sobretudo, ideológica. Defendia-se o poder popular, a reforma agrária, o combate ao capitalismo, a celebração do operário e do camponês. Tractores e enxadas viravam protagonistas em canções feitas sob certas regras implícitas que promoviam frequentemente a eficaz descodificação da mensagem, a repetição do slogan, a fácil memorização da melodia, a transmissão da ideia.


O GAC – VOZES NA LUTA foi fundado em casa de José Jorge Letria, no dia 30 de Abril de 1974, então ainda sob a designação de CAC-Colectivo de Acção Cultural. Essa foi precisamente a data em que o cantor e compositor José Mário Branco, um dos mentores do movimento, regressou do seu exílio em França. Pelos vistos, já tinha a ideia amadurecida e por isso tratou logo de a pôr em práctica. Para além dessa incontornável figura da música popular portuguesa estiveram ligados à fundação daquele movimento personalidades como Afonso Dias, Eduardo Paes Mamede, João Loio, Luís Pedro Faro (cuja formação etno-musicológica foi de especial importância), Nuno Ribeiro da Silva (que veio a ser mais tarde secretário de Estado num dos governos de Cavaco Silva), Toinas (Maria Antónia Vasconcelos), o poeta Manuel Alegre e a violoncelista Luísa Vasconcelos, entre outros (muitos deles oriundos da Juventude Musical Portuguesa).


No início o que se pretendia com este grupo era tão sómente apoiar as greves e outras manifestações que despontavam como cogumelos, chegando a haver um manifesto de intenções lido no 1º Encontro Livre da Canção Popular, a 6 de Maio de 1974. O tempo viria no entanto a abrir cisões e a criar dissidências. Afastaram-se os músicos ligados ao PCP, depois os próximos da LUAR, mantendo-se firme o grupo associado à UDP. Em 1975, o GAC – VOZES NA LUTA nascia dos sobreviventes ideológicos do CAC, abdicando os envolvidos de qualquer manifestação individualista, destacando antes o trabalho colectivo e depurado do que então se criticava como "vícios burgueses". O grupo concorre ao Festival RTP da canção com o tema "Alerta" e editará muitos outros singles , tais como "A Cantiga É Uma Arma" ou " A Ronda do Soldadinho". Estes singles serão , posteriormente, reunidos num LP intitulado "A Cantiga É Uma Arma". Com o 25 de Novembro, os ânimos políticos arrefecem e o grupo começa a iniciar uma nova fase que passa pela recolha de temas tradicionais , recriados com novas letras da autoria do grupo ou com originais muito próximos da música tradicional.




Tal é o caso do LP "Pois Canté!!", editado em Abril de 1976. Este é um disco fundamental para a compreensão de todo o fenómeno posterior de recriação da música tradicional, feita por grupos como Raízes, Brigada Victor Jara, Vai de Roda, etc., fazendo inclusivé parte dos trabalhos discográficos que o jornal "Público", numa votação dos seus críticos musicais , considerou como dos melhores de sempre da música portuguesa. Ouvido agora, a mais de 40 anos de distância, é evidente que as letras são profundamente datadas, demagógicas, e em que qualquer réstia de poesia se encontra ausente, sendo, nesse campo, um espelho fiel da realidade daqueles anos. Aliás, e como já tive ocasião de dizer em posts anteriores, apenas Sérgio Godinho conseguiu “dar a volta” ao panfletismo reinante, muito por mérito dos trocadilhos linguísticos, sempre tão presentes na sua obra. Nem mesmo o Grande José Afonso conseguiu distanciar-se de todo aquele imediatismo. E no entanto, musicalmente, “Pois Canté!!” é ainda hoje de uma rara beleza auditiva, o mesmo se podendo dizer das magníficas interpretações que o atravessam do princípio ao fim. Sugiro portanto que se tentem abstrair das palavras, que se façam de estrangeiros sem perceber népia da língua de Camões e conseguirão ouvir “Pois Canté!!” em toda a sua riqueza instrumental e vocal.




Voltando à curta história do GAC, José Mário abandona o grupo ( que mantém a mesma designação) para se dedicar à militância política e ao teatro. Serão editados mais 2 LP's (" Vira Bom", em 77 e "Ronda da Alegria" em 78), na mesma linha do primeiro e antes do grupo se dissolver. Embora por vezes não se dê conta disso (talvez muito por culpa das tais letras panfletárias) esta trilogia do GAC – VOZES NA LUTA contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento de uma estética musical baseada na criatividade e na inovação, criando uma espécie de fusão dialética entre a linha musical de José Afonso (marcadamente urbana), as pesquisas de Michel Giacometti (notáveis percursos pelo Portugal musical rural) e o enquadramento clássico de Fernando Lopes-Graça.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...