Original released on LP Philips P 70391 L
(FRANCE, January 1967)
Primeiro e único album de Francisco Fanhais (na época conhecido como Padre Fanhais), na sequência do qual passa a integrar o grupo de cantores que usam a poesia e a música para dinamizar numerosas sessões de resistência ao regime vigente. No ano anterior tinha sido editado um EP intitulado "Cantilenas", após uma participação de grande sucesso no programa Zip-Zip, por incentivo de José Afonso (aqui o vosso amigo Rato teve o privilégio de assistir à gravação desse programa no Teatro Villaret, em Lisboa. A esse e a muitos outros!)
E uma vez mais o poema se fez canção. A seguir a “Amor Combate”, em 1976, Carlos Mendes volta a musicar a poesia de Joaquim Pessoa um ano depois, e novamente com excelentes resultados. Apesar da maioria dos textos possuirem já na sua origem toda uma musicalidade que os proporcionavam a ser cantados, o trabalho de Carlos Mendes é magnífico, pela sensibilidade muito especial com que revestiu todos os poemas escolhidos. Lisboa constitui-se como referência primeira deste album incontornável, quer como personagem central (“Lisboa Meu Amor”/“ Ruas de Lisboa”) quer como pano de fundo a outras histórias (como o operário do “Monólogo” que depois de banhos na Caparica vai à Luz ver o Benfica ou como essa “Amélia dos Olhos Doces”, grávida de esperança, do Bairro da Lata do Cais do Sodré, que tem um gosto de flor na boca e na pele e na roupa perfumes de França). De referir também a presença dos belissimos “Nocturno” e “No Silêncio da Espera”, dois dos poemas de amor mais conhecidos de Joaquim Pessoa. Gravado por José Manuel Fortes nos estúdios da Rádio Triunfo em Lisboa e editado em 1977 (a crítica distinguiu-o como o Melhor Album do Ano) pela cooperativa de música “Toma Lá Disco”, “Canções de Ex-Cravo e Malviver” tem arranjos e direcção musical de Pedro Osório e a participação de excelentes músicos e intérpretes (ver ficha técnica). O facto de em mais de quarenta anos não ter conhecido qualquer edição em CD (mais uma lesa-cultura entre tantas outras) apenas torna mais oportuna a sua apresentação aqui, uma vez mais, no blog do vosso amigo Rato, que a partir do vinil original conseguiu obter esta notável digitalização.

Esta Antologia compreende o período 1969–1973, no qual, para além dos dois primeiros albuns já citados, são editados “Palabra Por Palabra” e “Posiblemente”, em 1972, e ainda “A Donde El Agua”, em 1973. São 42 temas distribuídos por um duplo CD, que reflectem os primeiros cinco anos deste intérprete inesquecível.
Deixo-vos com a letra do mais emblemático dos seus temas, o “20º aniversario… palabras” («Quando escrevi o "veinte aniversario" tinha apenas dezoito anos. Não tive mérito algum. Apenas tive a sorte, ou o privilegio, de ver essa história, de a projectar numa canção.»):
"Come Dance With Me!" is Sinatra's tour-de-force. The songs simply don't let up, attaining a hard-driving, almost rocking swing the Sinatra-Riddle collaboration only attempted in singles. Billy May's charts are more punchy than those on "Come Fly with Me", using an all-brass band instead. The result is one of the most entertaining Sinatra records around. It's no wonder this record won Album of the Year at the second Grammy Awards. Sinatra sounds like he's having more fun than possibly even the listener is, swinging along to recent tunes like "Too Close for Comfort" or "Just in Time" alongside classic standards like "Day In - Day Out" or Sinatra's own "Saturday Night," which both rock a lot harder than their Stordahl counterparts. Sinatra even employed Sammy Cahn and Jimmy Van Heusen to write up two new songs. "Come Dance with Me" remains one of most infectious tunes on the record, spirited by Sinatra's "come on, come on, come on" at the end. The other was "The Last Dance," which would get its day as a single on Reprise in a couple of years. Here however, the brassy ballad is the only slow song on the record, and rightfully so. It adds a tenderness to the finale that makes the listener want to put the record back on all over again. Few Sinatras are as pleasurable as this. (Casey Mulvaney in AllMusic)
When Leonard Cohen sang "I was born like this, I had no choice/I was born with the gift of a golden voice" in his song "Tower of Song" in 1988, most people took it as a self-deprecating joke. No one regarded him as one of the great vocalists of his generation when he released his first albums in the late '60s, given the dour, sometimes flat tone of his delivery. Conventional wisdom has it that his albums succeeded not because of his singing but despite it. But a funny thing happened: as the man grew older and his instrument turned rougher and craggier, he learned to make it more eloquent than before, and he was giving some of his best and most seductive performances in the last decade of his life. In 2016, as Cohen was sitting side by side with mortality, he recorded a final batch of songs, nine of which appeared on his last album, "You Want It Darker", issued just three weeks before his death in November 2016. Three years on, Leonard's son Adam Cohen, a singer and songwriter in his own right, has married nine more vocal performances from his father's last months to backing tracks, and the result is this album "Thanks for the Dance". Several notable artists contributed their talents to this project - among them Jennifer Warnes, Beck, and Leslie Feist - yet it's Leonard Cohen's vocals and lyrics that dominate the spotlight, and with his voice reduced to a dry, throaty whisper, he manages to make some of the most compelling music of his life. In his frailty, Cohen finds a strength that's little short of miraculous, suggesting the musings of a prophet as he speak-sings these messages of darkness and light in the spaces between love and the ultimate finality. Adam Cohen has done a superb job with this material; the arrangements created after the fact sound like they were always meant to serve these songs, and they add a weight and dynamics that never distract from his father's words, some of which ("Puppets" and "It's Torn") recall the themes of his work of the early '70s, but mostly reflect the sweet, bitter wisdom that comes in life's final act. At a bit under 30 minutes, "Thanks for the Dance" might not seem to be a major statement at first glance, but it's a missive that carries startling power, and it's clearly not built from scraps and leftovers, but assembled with a love that's equal to the knowledge Cohen put into it. This adds more documentation to the wholly unexpected and satisfying final act of a truly great songwriter, and it deserves your attention. (Mark Deming in AllMusic)
Em 1975, concretização da euforia musical que inundou as ruas e salas de espectáculo da cidade e província desde 74, os nomes do canto de intervenção chegaram, em massa, aos discos (num ano onde raras foram as fugas editoriais a este tronco politizado... e de esquerda). Salvo pontuais e raras excepções, a canção política do Portugal pós-revolucionário transformou-se num programa de princípios com evidente carga pedagógica e, sobretudo, ideológica. Defendia-se o poder popular, a reforma agrária, o combate ao capitalismo, a celebração do operário e do camponês. Tractores e enxadas viravam protagonistas em canções feitas sob certas regras implícitas que promoviam frequentemente a eficaz descodificação da mensagem, a repetição do slogan, a fácil memorização da melodia, a transmissão da ideia.
O GAC – VOZES NA LUTA foi fundado em casa de José Jorge Letria, no dia 30 de Abril de 1974, então ainda sob a designação de CAC-Colectivo de Acção Cultural. Essa foi precisamente a data em que o cantor e compositor José Mário Branco, um dos mentores do movimento, regressou do seu exílio em França. Pelos vistos, já tinha a ideia amadurecida e por isso tratou logo de a pôr em práctica. Para além dessa incontornável figura da música popular portuguesa estiveram ligados à fundação daquele movimento personalidades como Afonso Dias, Eduardo Paes Mamede, João Loio, Luís Pedro Faro (cuja formação etno-musicológica foi de especial importância), Nuno Ribeiro da Silva (que veio a ser mais tarde secretário de Estado num dos governos de Cavaco Silva), Toinas (Maria Antónia Vasconcelos), o poeta Manuel Alegre e a violoncelista Luísa Vasconcelos, entre outros (muitos deles oriundos da Juventude Musical Portuguesa).