terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SÉRGIO GODINHO: "De Pequenino..."

Edição original em LP Sassetti DP 064
(PORTUGAL 1976, Abril 14)

Este quarto album de Sérgio Godinho solidificava, em 1976, a sua presença nos cenários da música popular portuguesa. Disco de transição e procura, “De Pequenino Se Torce O Destino” completa com “À Queima Roupa” o que poderíamos hoje, à distância, recordar como o “díptico” político na sua discografia. Mas retoma já o prazer das liberdades poéticas e indica experiências que se materializariam no album seguinte, dois anos depois. A participação de Fausto nos arranjos e direcção musical confere a este disco um notável esforço de aperfeiçoamento: «Trocávamos então experiências musicais e achei que era boa ideia partilharmos a responsabilidade dos arranjos que, de qualquer maneira, não são muito sofisticados. São arranjos onde geralmente a guitarra tem uma presença central.» Além de Fausto, que assina inclusivé a música de “O Namoro” sobre um poema do poeta angolano Viriato da Cruz (único tema que em todo o disco não é da autoria de Sérgio Godinho), há músicos cujos nomes surgem pela primeira vez associados à obra do Sérgio. É o caso de Carlos Zíngaro, que terá uma presença muito mais determinante no album posterior, "Pano-Cru". No album estão ainda incluídas duas das canções compostas por Sérgio Godinho para o filme “Os Demónios de Alcácer Quibir” de José Fonseca e Costa, onde também participou como actor: a canção-título e “Cantiga do Camolas”.


Como revés do recente 25 de Novembro de 1975 (as gravações realizaram-se logo no início de 1976), o disco conheceu um processo de boicote nas rádios: «Houve um efectivo controlo das rádios por gente mais conotada com a direita. Havia uma pressão muito grande no sentido de não se passar um determinado número de coisas. As canções deste disco passaram muito pouco na rádio na altura. Até porque houve uma espécie de autocensura, aliás pouco assumida, da parte de muita gente que então fazia rádio. Era quase como se concluísse: eles passaram tanto nos últimos dois anos, que a gente agora vai deixar o éter respirar. Como se alguém estivesse em perigo de “intoxicação”...» (extractos de “Retrovisor – Uma biografia musical de Sérgio Godinho, de Nuno Galopim, edição Assírio & Alvim, Maio 2006)

3 comentários:

Anonymous disse...

Outro esplendido trabalho de Godinho.

Gracias Rato

Fernando

Anonymous disse...

FANTÁSTICA ESTA SÉRIE, INSPIRADA, DO RATO ....

peço/sugiro....

MADRUGADA DOS TRAPEIROS - FAUSTO
Madrugada dos trapeiros Fausto ¤ Guilherme Scarpa; Helder Reis; Rui Monteiro; Rão Kyao; Sérgio Godinho; Sabine; Fernando Laranjeira; Aristides Portugal : Movieplay, 1977
------------------------ bom,.....
Estamos em Abril... estou aqui no portátil, um pouco à custa do Rato a ouvir José Mário Branco (Qual é a tua, ó meu) e (FMI), Sérgio Godinho (Liberdade) e (Etelvina), e Zeca Afonso (Arcebispíada) e (Viva o Poder Popular), enfim mesmo que com algum distanciamento (não vejo porquê), sinto estas canções por intemporais e actuais para sempre, e ainda me pus a ouvir o Mário Viegas (Manifesto Anti-Dantas) e (Ode ao Pão)....bem, que bocado bem passado aqui com a "a minha esposa"... eheheheh..., com o som no máximo, antes de ir p'rá caminha....
-------------------------
... o estupor do Rato é mesmo como diz, um anarca sempre atento e já nada lhe escapa, porra porra, .... agora fico à espera de qualquer coisa de surpreendente para o dia 25 ....

Um grande abraço do

Ganza

Anonymous disse...

Ah!.... Só mais uma coisa,
'tou no portatele... porque tenho um som / colunas, porreiros, ....

tambem me surpreende pensar que ainda tenho estes albuns todos em Vinyl ... que não "toco" há uma eternidade ...
bate mesmo forte ...
... não fosse o prazer e alegria estimulantes de ouvir esta música... ía mesmo já sniffar (sentido figurado por força do nick) qquer coisa má....

(até parece)

ogajoacima

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