domingo, 5 de fevereiro de 2017

CARLOS DO CARMO & BERNARDO SASSETTI

Edição original em CD Mercury Universal Music
(PORTUGAL, 2010)

Este é um álbum sem segredos, pelo menos no que respeita à voz [que surge pura, sem trapézios, com um processamento quase nulo] de Carlos Do Carmo. Mas que comportava um desafio, pois enfrentava o perigo de alguma monotonia. E se esse desafio é superado com distinção e classe, deve-se à prestação soberba e pujante de Bernardo Sassetti: o pianista nunca se coloca acima da voz, sabe dar-lhe espaço e respiração dinâmica e depois nos momentos em que assume maior força harmónica é brilhante, exemplar. Depois ambos os músicos dão-se ao vizinho acolhendo-o em troca. Sassetti acolhe um sentido popular, sem deixar de ser exuberante e Carlos Do Carmo recebe do pianista uma nova aventura, que abraça como um jovem, mantendo toda a sua sofisticação. É um diálogo, que chega a ser comovente, de admiração mútua este disco, e também de admiração aos grandes autores da música portuguesa – essas versões parecem-me mais apaixonadas, as de Jacques Brel, “Quand On N’a Que L’Amour”, Léo Ferré, “Avec Le Temps”, e Violeta Parra, “Gracias La Vida”, são emotivamente mais distantes, mas talvez isso seja uma resposta também de amante da música portuguesa. Um trabalho que evoca um renascimento da música portuguesa num sentido erudito, mantendo a sensibilidade mais importante de todas: a proximidade com o público. (in ArteSonora)

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