sábado, 12 de novembro de 2016

L. COHEN: "New Skin For The Old Ceremony"


Original Released on LP CBS 69087 
(US 1974, August 11)

Leonard Cohen was a poet long before he decided to pick up a guitar. Despite singing in a dry baritone over spare arrangements, Cohen is a gifted lyricist who captivates the listener. "New Skin for the Old Ceremony" may be Leonard Cohen's most musical album, as he is accompanied by violas, mandolins, banjos, and percussion that give his music more texture than usual. The fact that Cohen does more real singing on this album can be seen as both a blessing and a curse — while his voice sounds more strained, the songs are delivered with more passion than usual. Furthermore, he has background vocalists including Janis Ian that add significantly to create a fuller sound. It is no surprise, however, that he generally uses simple song structures to draw attention to the words ("Who By Fire"). The lyrics are filled with abstract yet vivid images, and the album primarily uses the metaphor of love and relationships as battlegrounds ("There Is a War," "Field Commander Cohen"). Cohen is clearly singing from the heart, and he chronicles his relationship with Janis Joplin in "Chelsea Hotel No. 2." This is one of his best albums, although new listeners should start with "Songs of Leonard Cohen". (Vik Iyengar in AllMusic)

No verão de 1974 Leonard Cohen, ainda há poucos meses decidido a retirar-se totalmente do mundo da canção para passar a dedicar-se quase exclusivamente à sua produção literária, tinha tudo preparado para uma grande reaparição na Europa a partir do mês de Julho. Para esse seu novo movimento promocional à escala europeia, decerto muito contribuíu o filme “Bird on the Wire”, dirigido por Tony Palmer, que teve a sua estreia mundial no Rainbow Theatre de Londres a 5 de Julho. Era constituído sobretudo por documentários fílmicos dos concertos ao vivo de Cohen durante a sua última tournée, alguns apontamentos de bastidores, bem como recitais de poesia. Na visita promocional de Cohen à Europa, em Setembro desse ano, depois da sua esfusiante actuação na Grande Festa de l’Humanité, os seus concertos multiplicaram-se sobretudo pelos principais centros urbanos da Grã-Bretanha, atingindo o seu zénite em Londres onde, segundo rezam as crónicas, deu nessa altura um dos espectáculos mais inesquecíveis de toda a sua carreira – foi a 20 de Setembro, vésperas do seu 40º aniversário.

THE CHELSEA HOTEL, NEW YORK
Toda essa bem montada cadeia promocional não surgiu casualmente. Tal como é usual entre as actividades argutamente programadas pelas companhias discográficas, a CBS organizou todo este dispositivo publicitário de modo a coincidir com o lançamento no mercado do novo album, mais precisamente o quinto trabalho de longa duração, este "New Skin for the Old Ceremony". A "velha cerimónia" é, evidentemente, o acto do amor. Ou do ódio, ou da revolução, ou do canto... Todas as imagens do passado coexistem nesta apologia do amor (físico) realizado – seja em que parâmetros forem. Depois da escuridão de "Songs of Love and Hate" (talvez o ponto discográfico mais alto da sua carreira), "New Skin" marca um renascimento. O poeta sobreviveu, criou calos, recuperou uma espécie de beleza. Pela primeira vez surge o humor seco e irónico de Cohen em toda a sua glória, no auto-retrato "Field Commander Cohen" e na canção tragicómica "There is a War", uma composição que revela a dualidade (ricos e pobres, homens e mulheres, etc.) que está na base de toda a sua obra.

Há também um regresso ao amor brando do primeiro album, com "Take This Longing", se bem que já não haja qualquer indício de platonismo. "Take This Longing" é uma belíssima afirmação de desejo, de lonjura, de força carnal("o teu corpo como luz que procura a minha revelação de pobreza, gostarias de tentar a tua caridade até que chorasses..."). Finalmente, as obsessões religiosas vêm ao de cima em "Who by Fire" - o fogo da redenção e do sacrifício, da purificação e da morte. À semelhança do primeiro album, "Songs of Leonard Cohen", de 1967, também este encerra com um tema de profunda depressão. Os versos de "Leaving Greensleeves" são verdadeiramente pronunciados num tom de angústia, como que ligados ao despedimento de alguém que não regressará mais:

«... I reached for you but you were gone
so, lady, I am going too.
Green sleeves, you’re all alone
The leaves have fallen, the men are gone.
Green sleeves, there’s no one home
Not even the lady green sleeves…»

Embora a segunda parte do poema seja da autoria de Cohen, é facto que quase todo o tema é baseado numa velha canção folclórica de Inglaterra, onde (embora Cohen o não cante) também se diz: «(A mulher de) mangas verdes era toda a minha alegria, mangas verdes era o meu encanto, mangas verdes era o meu coração de ouro e ninguém mais que a minha mulher de mangas verdes»"New Skin for the Old Ceremony" é, portanto, o album mais claramente diversificado de todos - é uma colecção que não mostra o mais pequeno desequilíbrio. A qualidade dos textos e das melodias obedece sempre ao critério imperdoavelmente severo de Leonard Cohen e, neste sentido, é mais um trabalho perfeito que fica, para sempre.

7 comentários:

josé disse...

Também gosto deste disco.

Mas ao ouvir True Love leaves no traces, do tal abominado Spector, fico sem dúvidas: gosto da orquestração assassina do Phil. Embora seja talvez o único tema imprescindível do tal disco.

Tudo junto e repensado, possivelmente, este, New Skin for the okd Ceremony, será o melhor disco de Cohen, depois dos êxitos contados do passado.

josé disse...

o tal sítio:

http://naupyrata.blogspot.com/

nowhereman disse...

A primeira “fase discográfica” de Leonard Cohen (1967 – 1979) é composta por 7 albuns. Descontando o album ao vivo de 73 (“Live Songs”) e a aberração spectoriana de 77 (“Death of a Ladies’ Man”), sobram 5 discos de estúdio, todos eles dignos representantes do universo musical do poeta canadiano. Mas voltando novamente a depurar e retirando o album de 79 (“Recent Songs”) em que a voz de Cohen já se encontra alterada e por isso mesmo é o fecho de um ciclo (o album seguinte, “Various Positions” só seria editado cinco anos depois), restam 4 albuns, qualquer deles imprescindível na mais básica das discotecas. Mas à distância, e com o passar dos anos, foram os albuns de 71 (“Songs of Love and Hate”) e este, de 74, que atingiram o Olimpo da perfeição. Entre os dois que venha o diabo e escolha (mas duvido que mesmo o demo não o consiga fazer, pois cá para mim foi ele próprio um dos “padrinhos” destas duas obras imortais, e com quem o próprio Cohen deve ter feito algum pacto nesses anos).

InimaGoncalves disse...

Rato, sensacional este disco!! Será que você consegue postar também o "Love And Hate" e "Recent Songs" ? Completaria a explêndida coleção que você está postando. Obrigado, um abraço!
Inimá - Brasil

Rato disse...

Olá Inimá
O "Love and Hate" já seguiu por email. o "Recent Songs" fica para uma próxima oportunidade.

xulio disse...

Obrigado

ADILSON CAETANO COELHO Coelho disse...

Rato, Você teria o Album Do Leonard Cohen,com a Musica Hallelujah,poder me envie pelo email o album para baixar, te agradeço, um abraço e obrigado.

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