segunda-feira, 21 de novembro de 2016

"It Is Your Flesh That I Wear ..."


Original Released on LP Columbia C30103
(US 1971, March 19)

The weak of heart should fear to tread in the Leonard Cohen songbook. That is especially true of "Songs Of Love And Hate", a sparse and haunting collection of open wounds, lingering contempt, and feverish love that ranks among his most emotionally intense offerings. The line between love and hate has rarely sounded thinner. The songs unfold like short stories or, frequently, small poems, which makes sense given the author's background. Cohen had already written two novels and was a noted poet long before he became a darling of the folk movement and inked a recording contract. His first two releases on Columbia were greeted with wild critical acclaim and mild commercial success. With his flat monotone delivery and richly literate songs, Cohen was seen as Canada's answer to Bob Dylan. But he clearly showed that he was his own man on this release. The artist's dramatic blend of folk and pop is perfectly captured here, starting with the twitchy acoustic guitar melding into a softly swelling string arrangement on the heartbreaking "Avalanche" and continuing through the singer's growling choruses pitted against lovely female harmonies on "Diamonds In The Mine." Love is indeed a battlefield and Cohen appropriately dubbed his backing band "The Army." Still, the album's best moments come when Cohen basically walks alone on such mournful numbers as "Last Year's Man" and "Joan of Arc"(Jim Harrington in “1001 Albums You Must Hear Before You Die”, 2005)

Leonard Cohen é um poeta que usa a canção, ao contrário da vasta maioria dos artistas semelhantes que são cantores que usam a poesia. Como poeta, prefere traçar episódios completos retirados duma longa história fragmentada, que nunca chegará ao fim. Há um herói fatalmente imperfeito e fraco, uma heroína inevitavelmente bela e forte, e um contexto urbano de desonestidade e de solidão. Todas as canções de Cohen são dramáticas, recheadas de imagens poderosas, geralmente “maiores” do que a realidade que ilustram. O amor é mais amoroso, a beleza é mais bela, a tristeza mais triste e o amor físico mais físico. É um universo encantado de desespero e de êxtase, de fé e de desilusão, de amor e de ódio.

"Songs of Love and Hate", lançado em Março de 1971, é uma coleção de canções que são documentos dum desespero quase final. Contém as canções mais deprimentes de toda a história da música popular, debruçadas para o suicídio e sem uma única faísca de esperança. “Dress Rehearsal Rag” é um retrato quase tão angustiante como a angústia que pretende descrever. Grande parte das canções falam do homem falhado que, ao examinar toda a sua vida, não vê nada que não esperanças reveladas como absurdas e depois destruídas. Nem o passado possui o que quer que seja de lindo, nem o presente pode ser mais miserável. Não há futuro. É uma depressão completa, sem luz. Esta escuridão vai ao ponto de Cohen se ridiculizar impiedosamente, imerso numa compaixão doentia de si próprio. Até a canção, esse instrumento branco e amado, sofre o ódio destemperado de Cohen em “Sing Another Song, Boys”.

"Songs of Love and Hate" só tem duas canções de amor – as restantes são de ódio. Curiosamente, uma dessas canções de amor, “Famous Blue Raincoat”, é a sua obra-prima. Duma tristeza resignada quase insuportável, porque não é movida nem por raiva nem por vingança, é a canção mais transparente, saudosa e bela de toda a sua carreira. A outra, “Joan of Arc” (dedicada à cantora Nico), admiravelmente servida pelos arranjos de Paul Buckmaster, volta à religiosidade do album anterior ("Songs From a Room", de 69), aperfeiçoando as imagens cohenianas com um contexto só parentemente histórico – o mártir, possuído duma visão branca, é devorado pelo fogo ancestral da estupidez e da falta de fé.

“Love Calls You By Your Name” não é uma canção de amor – mas uma declaração contra o amor. Está nos antípodas de “So Long Marianne” ou de “Suzanne”. Quando Cohen fala do amor, é sempre num contexto de despedida e de ausência, um pouco como acontece com o Fado. Mas a beleza não se perde, e a memória não se despede – toda a saudade retém o consolo do passado. Neste album, porém, (e é uma mudança de espírito que se irá notando cada vez mais nos LPs posteriores), o amor nada deixa, não valeu a pena, foi só pena – e a sua partida também é só isso: pena, piedade, amargura. A saudade não é a lembrança dum bem passado, mas a consciência amarga dum bem apodrecido e debilitante, a escuridão profunda da desilusão. (in “Pop Music / Rock”, de Philippe Daufouy e Jean-Pierre Saton, 1972)

FAMOUS BLUE RAINCOAT

It's four in the morning

the end of December
I'm writing you now
to see if you're better
New York was cold
but I like where I'm living
there's music on Clinton Street
all through the evening

I hear that you're building
your little house
deep in the desert
you're living for nothing now
I hope you're keeping
some kind of record

Yes and
Jane came by with a lock of your hair
she said that you gave it to her
that night that you planned to go clear
did you ever go clear?

The last time I saw you
you looked so much older
your famous blue raincoat
was torn at the shoulder
you'd been to the station
to meet every train
you came home alone
without Lili Marlene

You treated my woman
to a flake of your life
and when she came back
she was nobody's wife

Well I see you
there with a rose in your teeth
just one more thin gypsy thief
I see Jane's awake now
she sends her regards

What can I tell you
my brother my killer
what can I possibly say
I guess that Imiss you
I guess I forgive you
I'm glad you stood in my way

If you ever come by here
for Jane or for me
your enemy is sleeping now
and his woman is free

Thanks for the trouble you took
from her eyes
I thought it was there for good
so I never tried

Jane came by with a lock of your hair
she said that you gave it to her
on the night that you planned to go clear

Sincerely, L Cohen

2 comentários:

Anonymous disse...

Este é um dos meus albuns preferidos de sempre. Tenho voltado a ele muitas vezes ao longo dos anos. Tenho o vinil, claro, e várias edições em CD. Faltava-me esta última, de alguns meses atrás, quando foi editada juntamente com os dois primeiros albuns. Quero mandá-los vir em breve pois parece que vale mesmo a pena, quer pela nova masterização do som quer pela embalagem, julgo que em formato de pequeno livro.
Obrigado meu amigo pela lembrança e também pelos excelentes wallpapers (estes só se conseguem mesmo aqui, é claro)
João Miguel Pereira

juan manuel muñoz disse...

muchas gracias, apreciado amigo

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