quinta-feira, 15 de setembro de 2016

JE T'AIME... MOI NON PLUS

Original released on LP Fontana 885.545 MY
(FRANCE, February 1969)

Album estreia de Jane Birkin, apadrinhada por Serge Gainsbourg, que contém o celebérrimo "Je T'aime... Moi Non Plus". O título da canção foi inspirado por uma citação de Salvador Dalí: «Picasso é espanhol – eu também. Picasso é um génio – eu também. Picasso é um comunista – eu também não (moi non plus)». Serge Gainsbourg escreveu a música em 1967, e originalmente dedicou-a a Brigitte Bardot, com quem o cantor teve um rápido relacionamento no final desse mesmo ano. Os dois chegaram a gravar a canção num estúdio em Paris, mas na época, Bardot não quis que a música fosse lançada, pois acreditava que poderia trazer problemas para o seu casamento com o bilionário alemão Gunter Sachs. Algumas outras fontes dizem que a música não foi lançada por protestos dos empresários de Bardot, que acreditavam que a letra erótica e o contexto sexual da canção poderiam denegrir a imagem da atriz, além de pressões do Vaticano, com quem Brigitte Bardot já havia tido problemas no final dos anos 1950, quando a Igreja Católica tentou banir a atriz das telas de cinema por causa das suas cenas  de nudez e de biquíni em alguns de seus filmes.

 No auge da Swinging London e da contestação dos anos 60, Jane Birkin pisava, pela primeira vez, o palco aos 17 anos, e conhecia John Barry - o compositor famoso pelo seu trabalho para James Bond, que se tornaria o seu primeiro marido. Em 1967, nasceu Kate Barry. Quando, aos 20 anos, deu que falar no controverso "Blow-Up", de Michelangelo Antonioni, voou para Paris. Assim que aterrou, dirigiu-se para os estúdios de Pièrre Grimblat e fez o casting para o filme "Slogan". Como mal falava inglês, o co-protagonista Serge Gainsbourg (que ainda sofria com as mazelas da sua separação de Brigitte Bardot) recusou-se peremptoriamente a facilitar-lhe a vida, e massacrou-a de tal forma que Birkin não resistiu a um ataque de lágrimas. Gainsbourg reconheceu, então, que a "miúda" chorava bem em frente das câmaras, e não vetou a decisão do realizador quando este lhe ofereceu o papel. Estávamos no ano de 1968, e Serge Gainsbourg e Jane Birkin davam início a uma das relações mais mediáticas daquele virar de década.


Ainda durante esse ano gravaram juntos diversos temas (que viriam a ser reunidos neste album), incluindo, claro, o "Je t'aime... Moi Non Plus", e foi esta 2ª versão que foi lançada e alcançou sucesso mundial e causou grande escândalo, sendo banida de diversos países conservadores da época. A versão com Bardot somente foi lançada anos mais tarde, em 1986. Na época de seu lançamento, a música causou uma enorme polêmica pois nenhuma outra canção até então havia representado o sexo de forma tão explícita, nem mesmo em meio a revolução sexual da década de 1960. A música é cantada em sussurros, de modo sugestivo, e a letra evoca o tabu do sexo sem amor. Além disso, Jane Birkin simula um orgasmo durante a canção. Estes foram os principais motivos que fizeram a canção ser banida das rádios da Espanha, Brasil, Islândia, Itália, Polônia, Portugal, Reino Unido, Suécia e Iugoslávia, e ser denunciada publicamente pelo Vaticano.



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