Edição Original em LP Orfeu STAT 095 (1979)
Foi graças a este disco (e ao tão subestimado "Histórias de Viajeiros", de Fausto, também de 1979) que os Trovante começaram a ganhar a força que necessitavam para sair do circuito mais ou menos fechado das actuações em comícios do PC, que até então frequentavam. O grupo de "Baile no Bosque" é, de facto, o grande suporte musical deste trabalho, evidenciando também o empenhamento de Zeca (notório, de resto, em todos os seus trabalhos) no apoio às novas gerações de músicos. Incluem-se, aqui, os temas que Zeca escreveu para a peça 'Zé do Telhado', do Grupo de Teatro A Barraca, e duas canções escritas para a 'Guerra do Alecrim e Manjerona', da Comuna.
Depois de ter trabalhado com José Mário Branco e com Fausto, chegou a vez de José Afonso convidar Júlio Pereira. E em boa hora o fez, porque o homem do cavaquinho, da braguesa e de outras redescobertas, rodeou-se de excelentes músicos e melhores ideias para nos deixar este belo trabalho, que marca o regresso de José Afonso a algumas formas de expressão utilizadas nos seus primeiros álbuns, enriquecidas, no entanto, por toda a experiência adquirida, humana e artisticamente.
Depois de ter trabalhado com José Mário Branco e com Fausto, chegou a vez de José Afonso convidar Júlio Pereira. E em boa hora o fez, porque o homem do cavaquinho, da braguesa e de outras redescobertas, rodeou-se de excelentes músicos e melhores ideias para nos deixar este belo trabalho, que marca o regresso de José Afonso a algumas formas de expressão utilizadas nos seus primeiros álbuns, enriquecidas, no entanto, por toda a experiência adquirida, humana e artisticamente.
Aqui ficam alguns excertos de um texto de Júlio Pereira retirado da Revista do 4º Festival de Música Popular Portuguesa (Amadora 1991):
«Quando conheci o Zeca, em pessoa, tinha eu 24 anos. Todos deveriam ter a oportunidade de conviver com um génio. Que me perdoem alguns puristas se, com alguma perplexidade, confesso, admito o conceito de génio no meu vocabulário. Porque o que sempre me fascinou, certamente aquilo que será sempre o mais difícil de entender para um músico desatento, foi uma questão, porventura a tónica da sua maneira de ser, quero dizer, da maneira de ser de um génio – a humildade. Não façamos confusão. Só existe humildade porque não estamos sós. Daí que este conceito seja tão propenso a superficialidades.
A música não engana ninguém. Muito menos um músico. A música é o que não deixa um músico mentir. É por isso que um músico jamais poderá enganar outro músico. Quando eu conheci o Zeca, fiquei a saber que ele era um grande músico. Fascinou-me porque me perturbou, ou perturbou-me porque me fascinou?
O que é bom é bom; ou porque é bem feito, ou porque nos traz um acréscimo de sentido. E o que é bom, toca-nos. E o Zeca toca qualquer músico.»
«Quando conheci o Zeca, em pessoa, tinha eu 24 anos. Todos deveriam ter a oportunidade de conviver com um génio. Que me perdoem alguns puristas se, com alguma perplexidade, confesso, admito o conceito de génio no meu vocabulário. Porque o que sempre me fascinou, certamente aquilo que será sempre o mais difícil de entender para um músico desatento, foi uma questão, porventura a tónica da sua maneira de ser, quero dizer, da maneira de ser de um génio – a humildade. Não façamos confusão. Só existe humildade porque não estamos sós. Daí que este conceito seja tão propenso a superficialidades.
A música não engana ninguém. Muito menos um músico. A música é o que não deixa um músico mentir. É por isso que um músico jamais poderá enganar outro músico. Quando eu conheci o Zeca, fiquei a saber que ele era um grande músico. Fascinou-me porque me perturbou, ou perturbou-me porque me fascinou?
O que é bom é bom; ou porque é bem feito, ou porque nos traz um acréscimo de sentido. E o que é bom, toca-nos. E o Zeca toca qualquer músico.»















