
Não foi de modo algum fácil e curto o caminho percorrido por essa expressão cultural hoje designada por música popular portuguesa. Desde as «canções heróicas» até ao «canto de intervenção», passando pelos movimentos da «balada» e da «trova», pelo «canto de protesto», «nova canção portuguesa» e «canto livre», justamente as principais fases de todo esse complexo percurso, a música popular portuguesa dos nossos dias é o resultado de todo um longo trajecto cultural intensamente vivido em estreita relação com a evolução da situação política, económica e social do país, assumindo toda uma tradição de luta e de resistência que lhe confere um estatuto de invulgar significado e expressividade quando comparada com semelhantes fenómenos noutros países (Mário Correia in Prefácio de “Música Popular Portuguesa”, Março de 1984).

Agora que se cumpre mais um aniversário da revolução portuguesa Rato Records apresenta uma compilação desses tempos de resistência onde a música desempenhou um papel central na evolução do desejo comum por um país livre de mordaças e falsidades. Muitos anseios ficaram entretanto pelo caminho mas hoje, trinta e dois anos depois, o balanço continua felizmente a ser positivo. São, como não podiam deixar de ser, 25 canções, que vão desde os primórdios da década de 60 (onde por influência do início das guerras coloniais a intensidade dos protestos começou a aumentar significativamente) até ao desabrochar de Abril, com as primeiras canções editadas livremente.



















