segunda-feira, 20 de junho de 2016

SAUDADES DE MOÇAMBIQUE


Shegundo Ramón Galarza (1924 – 2003) nasceu a 7 de Setembro de 1924, em Guipuzcoa, na região basca espanhola, mas desde os 25 anos que adoptou Portugal para viver. Shegundo Galarza foi educado por três mulheres, a mãe e duas tias, a quem dizem se ficou a dever a sua sensibilidade para a música. Fez o conservatório de Bilbau, onde estudou piano, harmonia e composição, e dizia que a agilidade que tinha se devia a andar quilómetros e ter jogado muita pelota basca. Em 1942, com apenas 18 anos e após ter ganho um prémio de piano, deixou Espanha e começou a percorrer a Europa em concertos, tendo-se, inicialmente, fixado em San Sebastian onde actuava em clubes de luxo. Estreou-se em Portugal no Natal de 1948, no Casino do Estoril, tendo começado a criar uma relação irreversível com o nosso País. Classificava o público português de «tímido e reservado» mas o facto é que foi por ele e em nome da música que não mais deixou o nosso País. Pouco depois de gravar os três primeiros discos para a editora “Melodia” ruma a África onde passa os primeiros anos da década de 50. Primeiro em Luanda, depois em Lourenço Marques, onde actua durante 6 meses no Hotel Polana. Seguem-se 2 anos em Johannesburg, na África do Sul, onde assina um contrato com a Springbok Radio e grava mais meia dúzia discos para a editora Decca. Novo regresso a LM e também ao Hotel Polana por mais um ano. Finalmente, em Maio de 1955, volta definitivamente para Lisboa, onde forma então a orquestra de Shegundo Galarza que lhe trará o reconhecimento do grande público (mais de 300 apresentações na RTP e cerca de 50 albuns gravados, em Portugal e Espanha, chegando também a trabalhar com Edmundo Ross e Xavier Cugat). Mas o bichinho de África nunca o abandonou, como o prova este album, “Saudades de Moçambique”, todo preenchido com música de Artur Fonseca. Desconhece-se a data de gravação, mas são todas canções compostas no fim dos anos 50, tendo a grande maioria sido celebrizada pela voz moçambicana de João Maria Tudella:

1. Kanimambo
2. Holiday in Lourenço Marques 
3. Moçambique 
4. Uma Casa Portuguesa 
5. Lourenço Marques 
6. Lourenço Marques Cidade Feitiço 
7. Lourenço Marques Bonita 
8. Canção de Angola 
9. Lourenço Marques Menina 
10. Uma Estrela Falou 
11. O Meu Chapéu 
12. Natal Negro 


Diz quem sabe que em determinado período da sua carreira, «o maestro Shegundo Galarza, embora não sendo português, foi o homem que mais qualidade conferiu à música portuguesa e que mais a dignificou». As palavras pertencem ao também maestro José Atalaya, o homem que na década de 50 foi o responsável por ter levado Galarza a trabalhar para a RTP, onde formaria a sua Grande Orquestra. «Ele tinha formação clássica mas abordava qualquer tema ligeiro», explica o maestro José Atalaya, que não se esquece, no entanto, de enaltecer as qualidades humanas do maestro que, segundo refere, se pautava por «uma seriedade exemplar e por um trato extraordinário. Isto para além de ser um modelo como pai e como chefe de família». Por seu turno o pianista de jazz Bernardo Sassetti (falecido em 2012) referiu que Galarza trouxe para Portugal «um conhecimento em termos pianísticos que não existiam no nosso País. Ele deixou uma marca muito grande na nossa música porque trouxe elementos novos que ajudaram aqueles com quem trabalhou a criarem uma música muito mais interessante». Shegundo Galarza viria a falecer em Lisboa, a 4 de Janeiro de 2003. Tinha 78 anos.


2 comentários:

Jose Rodrigues disse...

gostaria de saber como posso ter este cd obrigado

Anónimo disse...

Ó minha terra...
onde eu nasci...
quantas saudades
eu tenho de ti.

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